Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

A primeira Copa do Mundo

A Copa do Mundo de 2014, a segunda realizada no Brasil (a primeira foi em 1950), é a de número 20 desde que a competição teve início em 1930, no Uruguai. Já em sua fundação, no dia 21 de maio de 1904, a Fifa tinha a idéia de um torneio internacional de futebol, que reunisse todas as nações do mundo.

A entidade nasceu graças a quatro amigos entusiastas do futebol e que ambicionavam desenvolver o intercâmbio primeiro entre os países da Europa e depois do resto do mundo.

Os quatro amigos eram o advogado francês Ribert Guérin, o banqueiro holandês C.A. Hirschman, o industrial gráfico francês Henry Delaunay e o editor francês Jules Rimet.

A fundação da Fifa contou com representantes de sete países: França, Bélgica, Dinamarca, Holanda, Espanha, Suécia e Suíça. Em seguida, Alemanha, Áustria, Hungria e Itália também aderiram. Depois foi a vez da Inglaterra, país criador do futebol moderno.

Mas a idéia de um torneio mundial só se concretizou em 26 de maio de 1928, no Congresso da Fifa realizado em Amsterdã, na Holanda. E tudo graças ao francês Jules Rimet, que presidia a entidade que rege os destinos do futebol em todo o mundo. A proposta de um Campeonato Mundial teve 23 votos favoráveis e três contrários.

Em nova reunião ocorrida em setembro do mesmo ano, ficou decidido que o certame se realizaria de quatro em quatro anos, nos anos pares entre as Olimpíadas. E o primeiro torneio seria em 1930. 

O primeiro país a sediar uma Copa foi o Uruguai, graças aos esforços de seu embaixador, Enrique Buero, que apresentou como justificativa as comemorações do centenário da independência. E também porque o Uruguai era o campeão olímpico de 1924.

Em 1928 repetiu o feito, sagrando-se bi-campeão de futebol das Olimpíadas. A partir daí a Seleção Uruguaia passou a ser conhecida como “Celeste Olímpica”.

Antes da primeira Copa do Mundo o Campeonato Mundial de Futebol era considerado por muitos o torneio de futebol das Olimpíadas de Verão, disputados por duas vezes, em 1924 e 1928 e vencidos pelo Uruguai. Por isso, muitos uruguaios se consideram quatro vezes campeões mundiais, mesmo sem nenhum respaldo oficial da Fifa.

Em maio de 1929, no Congresso da Fifa, em Barcelona, na Espanha, o Uruguai foi confirmado como sede do Mundial de 1930, se comprometendo a construir um estádio e custeio das despesas de viagem e alimentação de todas as seleções.

O Estádio Centenário, principal palco da Copa do Mundo de 1930, ficou totalmente pronto somente após a abertura do torneio e ainda teve que ter a capacidade reduzida de 102 mil pessoas para 70 mil. Os primeiros jogos foram disputados nos dois outros estádios: Poncitos (capacidade de 8 mil pessoas) e Parque Central (capacidade 15 mil pessoas).

O gramado do Parque Central, onde foram disputados vários jogos da Copa do Mundo do Uruguai de 1930, foi vendido em pedaços devido a remodelação do estádio. A venda foi feita pelos diretores do Nacional, proprietário do estádio. O clube atendeu pedidos até da Espanha e dos Estados Unidos.

O campo foi fatiado em pedaços de 30 X 20 centímetros e 10 centímetros de espessura, com a possibilidade inclusive de manter o gramado vivo. Cada pedacinho, foi acompanhado de um certificado da entidade esportiva, e custou 30 pesos uruguaios (um dólar).

O meio-campo e as linhas dos gols foram as primeiras a atrair a atenção dos fãs do esporte. O dinheiro obtido foi destinado a cobrir parte dos custos do novo campo do Parque Central.

Como a Itália, que também queria sediar o torneio foi derrotada, diversos países europeus desistiram de tomar parte no torneio e não se inscreveram. Eles tinham vários motivos: o Uruguai era muito longe, o que exigiria duas semanas para ir e duas para voltar. 

Somando com os 20 dias de torneio, seriam dois meses sem os jogadores no país. E grande parte deles era ainda de amadores, o que significava que eles não podiam ficar tanto tempo longe dos empregos.

Mas o principal motivo era que os europeus tinham medo de ir para um lugar tão distante sem as benesses da civilização. Ninguém tinha muita idéia do que era a América do Sul naquela época.

Participaram do primeiro certame mundial França, Bélgica, Iugoslávia, Romênia, Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai, Peru, Brasil, México e Estados Unidos. Existe um boato de que a seleção americana tinha "enxertados" em seu grupo jogadores profissionais ingleses e escoceses.

A Inglaterra, apesar de ter perdido para a Espanha no ano anterior, continuava a ignorar a Fifa e a Copa, por se julgar muito acima dos outros times. Por razões óbvias não houve eliminatórias.

O navio que levou às seleções europeias ao Campeonato Mundial de 1930 chamava-se “Conte Verde”. Foi construído pela armadora italiana “Lloyd Sabaudo”, nos estaleiros de W. Beardmore & Co., de Glasgow, Escócia, e lançado ao mar em 1923, na linha entre Gênova e Buenos Aires.

Media 173,78 metros, pesava 18.383 toneladas e possuía duas chaminés e dois mastros. Seus camarotes tinham capacidade para 336 passageiros na primeira classe, 198 na segunda e 1.700 na terceira.

A 29 de Junho, o “Conte Verde” atracou no Rio de Janeiro, recebendo a bordo a sua quinta seleção, o Brasil. Seis dias depois, finalmente, a chegada a Montevidéu

O Brasil confirmou participação. E a contar dali é o único país que participou de todas as Copas do Mundo. Nesse primeiro torneio, o nosso país não teve força máxima, sendo representado apenas por jogadores cariocas, visto que uma disputa entre a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e a Federação Paulista, impediu a convocação de atletas de São Paulo.

Os paulistas queriam uma vaga na comissão técnica, enquanto os cariocas não abriam mão de ter os três cargos para eles. Jogadores de outros locais do país, nem ao menos foram lembrados.

A primeira fase do torneio era classificatória. Com 13 participantes, eles foram divididos em um grupo com quatro e dois outros com três. O vencedor de cada chave se classificava para as semifinais eliminatórias. Um total de 198 jogadores foram inscritos nessa Copa.

O Uruguai ganhou sua vaga com 1 X 0 sobre o Peru, na inauguração do Estádio Centenário, e depois 3 X 0 sobre a Romênia. A Argentina se classificou fazendo 1 X 0 sobre a França, 6 X 3 sobre o México e 3 X 1 sobre o Chile. Os americanos, com um time de jogadores de ligas semi profissionais que em breve desapareceriam, fez 3 X 0 sobre a Bélgica e sobre o Paraguai, e seguiu adiante.

O Brasil, mal preparado devido ao tempo que se perdeu discutindo, sob uma temperatura de dois graus centígrados, estreou contra os iugoslavos acostumados ao frio. Antes que os jogadores pudessem aquecer, já estavam perdendo por 2 X 0.

Somente se destacaram Fausto, "a Maravilha Negra", o nosso centromédio atacante, e "Preguinho", que marcou para a seleção aos 16 minutos do segundo tempo.

No jogo seguinte a Iugoslávia fez 4 X 0 na Bolívia e garantiu a vaga. Sobrou para a equipe brasileira golear a Bolívia também por 4 X 0 num jogo que não valia mais nada. O Brasil foi 6º colocado nesse certame.

A seleção brasileira jogava com camisas brancas. E foi com essa cor que os brasileiros enfrentaram a Bolívia, também vestida de branco durante longos 25 minutos, no seu segundo jogo na Copa do Uruguai, em Montevidéo. Isso até o juiz mandar a Bolívia trocar a cor do seu uniforme para evitar a óbvia confusão.

Os uruguaios arrasaram nas semifinais, goleando a Iugoslávia por 6 X 1, mesmo escore de Argentina X  Estados Unidos. Estava armada a reprise da final olímpica de 1928. O Uruguai saiu na frente, mas a Argentina virou para 2 X 1. O jogo acabou com 4 X 2 para o Uruguai, que se sagrou o primeiro campeão mundial de futebol. Stábile, da Argentina, foi o artilheiro do primeiro mundial, com 8 gols.

O artilheiro argentino, também jogou pela Seleção da França, depois da Copa de 30, e marcou quatro gols contra a Áustria. Ele jogou na Itália usando as camisas do Genoa e do Napoli, e na França pelo Red Star, onde encerrou a carreira.

Um dos fatos mais curiosos do mundial foi a decisão sobre qual bola seria utilizada na final. Os uruguaios exigiam que a escolhida fosse a bola de seu país, mais pesada do que a Argentina. O árbitro belga Langenus decidiu usar a Argentina na primeira etapa e a uruguaia na segunda.

O que pouca gente sabe é que o troféu destinado ao vencedor da Copa, antes de se chamar “Jules Rimet”, foi batizada de “Vitória das Asas de Ouro”, pois seu desenho tinha uma mulher com asas, representando “Nike”, a deusa da vitória na mitologia grega, segurando uma copa em formato octogonal.

Esse nome permaneceu nas Copas de 1930, 1934 e 1938, e somente em 1 de julho de 1946, quando de um congresso da entidade em Luxemburgo, recebeu a denominação de “Jules Rimet”, em homenagem ao idealizador do torneio, que completava 25 anos a frente da entidade maior do futebol mundial.

O esboço original da taça foi obra do próprio Jules Rimet. O autor do troféu foi o escultor francês Abel La Fleur, na época assistente de restaurador no Museu de Belas-Artes de Rodez. Seu custo total foi orçado em cinquenta mil francos, considerado uma grande soma na época.

A taça tinha 35 centímetros de altura e pesava 3,8 quilos. Na base, feita de uma pedra semi-preciosa chamada lápis-lazúli, havia uma placa de ouro em cada um dos quatro lados, na qual foram gravados o nome da taça e de cada vencedor entre 1930 e 1970, ano em que o Brasil a conquistou em definitivo, por ter-se sagrado campeão por três vezes.

Em dezembro de 1983 a taça foi roubada da sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e nunca mais foi encontrada. Segundo a investigação policial ela foi derretida pelos ladrões. 

A despeito do descuido patrimonial, e da falta de responsabilização (apuração e punição pelo descaso), a Fifa em 1986 ofereceu à CBF uma réplica, que ora encontra-se junto aos demais troféus da entidade .Essa não foi a primeira vez que a taça desapareceu, mas a última.

Durante a 2ª Guerra Mundial a taça estava na Itália, bi-campeã em 1934-1938. Para evitar que fosse confiscada, o dirigente italiano e vice-presidente da Fifa, Ottorino Barassi a escondeu dentro de uma caixa de sapatos, embaixo de sua cama. Com o fim do conflito ela foi devolvida.

No segundo desaparecimento, em 1966, a taça foi roubada da vitrine onde estava sendo exibida na Inglaterra.A Scotland Yard prendeu Edward Betchley, suspeito do roubo, três dias depois. Ele se recusou a colaborar com a investigação.

Entretanto um cão chamado “Pickles” encontrou a taça enrolada em jornais. O cão ficou famoso e seu dono, David Corbett, recebeu 5 mil liras e um convite para assistir os jogos da Seleção Inglesa.

O Regulamento da primeira Copa do Mundo não previa a disputa do terceiro lugar. A ideia foi sugerida pelo Comitê Organizador durante o desenrolar da competição.

Porém, a Iugoslávia, não quis decidir a posição com os Estados Unidos, pois seus dirigentes estavam irritados com o árbitro brasileiro Gilberto de Almeida Rego, que havia apitado a derrota dos europeus por 6 X 1 para o Uruguai. Na ocasião, um gol iugoslavo foi anulado e dois gols dos uruguaios, em impedimento, foram validados.

A bola usada na Copa de 1930 era de couro e costurada à mão, com uma câmara de borracha e um bico usado para enchê-la, que ficava dobrado e fechado com tiras de couro cru. O problema é que a bola ficava com um calombo, o que desviava a sua trajetória e ainda causava ferimentos nos jogadores. Alguns atletas usavam gorros forrados com jornal para poder cabecear.

O primeiro gol em uma Copa do Mundo foi marcado pelo jogador francês Lucien Laurent, aos 19 minutos do primeiro tempo, no jogo França 4 X 1 México.

O primeiro gol contra foi do zagueiro mexicano Manuel Rosas, ao desviar de cabeça um chute do chileno Subiabre, na vitória por 3 X 0 frente o México. Rosas também foi o primeiro atleta a marcar um gol de pênalti em Copas, no jogo em que a Argentina goleou o México 6 X 3.

Existe controvérsia sobre o primeiro gol contra da história das Copas. Há uma dúvida se Bert Patenaud teria feito os três (sendo assim o primeiro a fazer três gols num jogo de Copa), ou se Manuel Rosas teria feito o primeiro gol contra na história da competição.

O gol mais rápido foi de Adalbert Besu, para a Romênia, a 1 minuto do jogo Romênia 3 X 1 Peru. A média de gols por jogo foi de 3,89. O melhor ataque foi o da Argentina, com 18 gols. O total de público alcançou 434.500 espectadores, com média de 24.139 por jogo.

A primeira expulsão foi do peruano Galindo, na partida contra a Romênia. Aos 10 minutos do segundo tempo, o árbitro chileno Albert Walken mandou o jogador tomar banho mais cedo. Não havia cartão vermelho na época, que foi criado somente em 1968. Também não havia suspensão automática e Galindo atuou normalmente no jogo seguinte frente o Uruguai.

O jogador chileno, Carlos Vidal, entrou para a história das Copas ao ser o primeiro a perder um pênalti. O lance aconteceu aos 35 minutos do primeiro tempo, no jogo contra a França, na primeira fase do Mundial de 1930. Ainda assim, os chilenos venceram o jogo por 1 X 0.

Antes da partida entre as seleções do Uruguai e Bolívia, os bolivianos posaram para uma foto. Cada jogador segurava uma letra que formaria a inscrição: Viva o Uruguai! O curioso é que o terceiro "u" foi suprimido e a inscrição final que se lia era: "Viva o Urugay".

Nesse mesmo torneio, na partida disputada no dia 21 de julho, entre Uruguai e Romênia, no momento em que Anselmo marcava o terceiro gol para os donos da casa, o médico e o massagista uruguaios estavam dentro de campo atendendo um jogador.

O atacante Hector Castro, autor de um dos gols do Uruguai na vitória por 4 X 2 sobre a Argentina, na final da Copa, não tinha a mão direita. Por causa disso ficou conhecido como "Manco".

O atacante “Preguinho” foi o autor do primeiro gol brasileiro em Copas, na derrota por 2 X 1 para a Iugoslávia. Antes do futebol, "Preguinho" já havia praticado outros esportes, como natação e remo.

A Seleção da Copa, escolhida pela FIFA teve: Thépot (França) - Nasazzi (Uruguai) e Mascheroni (Uruguai) - Fausto (Brasil) - Scarone (Uruguai) e J. Evaristo (Argentina) - Peucelle (Argentina) - Stábile (Argentina) - Ferreyra (Argentina) e Iriarte (Uruguai). (Pesquisa: Nilo Dias)

Seleção Brasileira no desfile inaugural da Copa do Mundo de 1930. (Foto: Divulgação)

terça-feira, 10 de junho de 2014

Um "vovô" centenário

Há exatamente 100 anos o povo cearense ganhava um novo motivo para se apaixonar pelo futebol, pois, no dia 02 de junho de 1914, os jovens Luís Esteves Júnior e Pedro Freire tiveram a ideia de fundar um clube de futebol. Contando com o apoio de amigos o Rio Branco Foot-ball Club foi fundado e tinha como cores destaques o lilás e o branco.

No ano seguinte, após reunião, o Rio Branco mudou de nome e passou a se chamar Ceará Sporting Club, mudando também as suas cores, que passaram a ser preto e branco. De 1915 até 1919 os torcedores cearenses perceberam que o mais novo alvinegro da capital seria um grande clube no futuro, afinal, a equipe venceu cinco estaduais disputados e sagrou-se Pentacampeão. Era o surgimento do Ceará no cenário do futebol brasileiro.

Vencendo os campeonatos e conquistando cada vez mais torcedores, o Ceará ganhou um apelido. Segundo depoimento de Aníbal Câmara Bonfim, um dos fundadores do América Futebol Club, os meninos alvirrubros costumavam treinar no campo do Ceará. Nesta época, o presidente do Ceará, Meton de Alencar Pinto, de forma alegre, começou a tratá-los de “meus netinhos”. 

Ao encontrar com os garotos do América no campo alvinegro, Meton saía sempre com a mesma brincadeira: “Vamos, meus netinhos, vamos aprender bem para açoitar o Fortaleza. Mas respeitem o Vovô aqui”, desta forma, o Ceará passou a ser chamado também de Vovô ou Vozão.

Os anos se passavam e cada jogo do Ceará ficava marcado na história do clube... Foram muitos títulos, conquistados com suor, garra e determinação, afinal esses são os fatores principais para vestir a camisa do Vozão.

Além de 43 Campeonato Estaduais, o time conquistou o Torneio Norte-Nordeste de 1969, a Copa Verão de Recife de 1997, a Copa dos Campeões Cearenses 2014, além de ter chegado a algumas decisões importantes, fazendo com que a torcida alvinegra pudesse ser uma das maiores do país.

São cem anos de paixão, cem anos de amor, cem anos de muitas alegrias... Mas quem acha que o Ceará, agora clube centenário, está “velhinho” se engana. A história do maior clube do Estado continuará sendo escrita com muitas glórias e conquistas. Os torcedores ainda vão derramar muitas lágrimas, porém, a maioria delas será de emoção por conquistar os objetivos.

Hoje o dia é do Vozão! O dia é alvinegro, então, vista sua camisa, erga sua bandeira e mostre para todos que o seu amor pelo Ceará é tão grande quanto a linda história centenária do clube. (Fonte: http://cearasc.com/)

Parabéns pelos 100 anos, Ceará!

Saiba mais sobre o Ceará Sporting, acessando o endereço abaixo:

https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=1656799841567369036#editor/target=post;postID=8434406604749931575;onPublishedMenu=allposts;onClosedMenu=allposts;postNum=16;src=postname


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Os 100 anos do Americano de Campos

O Americano Futebol Clube, de Campos dos Goytacazes (RJ), é mais um clube centenário do futebol brasileiro. Foi fundado em 3 de maio de 1914. A idéia de se criar um novo clube na cidade nasceu depois que o América Foot Ball Club, do Rio de Janeiro, campeão carioca do ano anterior, esteve em Campos para enfrentar um combinado de jogadores locais.

O time campista foi convocado e escalado em uma reunião entre Luiz Pamplona, do Clube Esportivo Rio Branco, Nelson Póvoa, do Aliança, e Sinhô Campos, do Luso-Brasileiro, acontecida na residência de Zezé Póvoa, no centro da cidade. O selecionado perdeu por 3 X 1. Posteriormente, outro time formado pela Liga local foi goleado por 6 X 0.

Depois da partida o jogador americano Belfort Duarte, ao ter conhecimento da intenção de se fundar um novo clube na cidade, proferiu uma palestra no Hotel Internacional, quando sugeriu que se colocasse o nome de América nessa entidade.

Mas os irmãos Bertoni, uruguaios que jogavam no time carioca, e que ficaram em Campos por uns dias como convidados dos irmãos Pamplona, por sugestão deles o clube acabou se chamando Americano Futebol Clube, nome de um antigo time de São Paulo, onde eles haviam jogado e que fechou as portas sem nunca ter perdido um jogo. A ideia foi aprovada por unanimidade.

Na reunião acontecida na Joalheria dos irmãos Suppa, também foram escolhidas as cores da agremiação, que foram o preto e o branco em homenagem ao Clube de Regatas Saldanha da Gama, do qual todos os fundadores eram sócios. O Rio Branco, time que perdeu oito jogadores para o Americano, foi escolhido para ser o primeiro adversário oficial. A partida aconteceu dia 8 de maio e o Americano ganhou por 4 X 1.

Em 1920, com apenas seis anos de existência, o Americano foi campeão do primeiro Torneio Preparatório do Brasil e já tinha dois de seus jogadores convocados para a Seleção Brasileira: Soda e Mario Seixas. Ainda nesse ano, o clube campista enfrentou e venceu a Seleção do Uruguai, por 3 X 0. A “Celeste” viria a ser campeã olímpica dois anos depois.

Em 1921 o Americano jogou pela primeira vez frente o Flamengo, um dos chamados “grandes” do futebol carioca e perdeu por 5 X 0. Em 1930, o jogador do alvinegro campista, Policarpo Ribeiro, o “Poli”, foi convocado pela Seleção Brasileira, que disputou a Copa do Mundo do Uruguai. O jogador recebeu homenagem de placa no Hall Social do clube.

Em 14 de Julho de 1975, na reabertura do Estádio Godofredo Cruz, o Americano jogou contra a Seleção Brasileira de Amadores, registrando-se um empate em 1 X 1. O time de Campos jogou com: Paulão (Bodoque) - Nei Dias - Paulo César - Luís Alberto e Capetinha – Jairo - Didinho (Mundinho) e João Francisco - Luís Carlos - Chico Preto e Paulo Roberto (Wallace). Seleção de Amadores: Carlos - Carlos Alberto – Dick - Xará e Betinho – Celso - Aguillar (Éder) e Toninho Vanusa – Brida - Tião Marçal (Jarbas) e Da Silva.

A maior glória do Americano é sem sombra de dúvidas o inédito título de ênea-campeão campista e do interior do Rio de Janeiro. Foram nove títulos consecutivos por duas ocasiões. O jogo decisivo do Campeonato Campista de 1975, que garantiu as nove conquistas seguidas, foi realizado na noite de 17 de fevereiro de 1976, no Estádio Godofredo Cruz.

O Americano bateu o Goytacáz por 1 X 0, gol de Paulo Roberto, cobrando pênalti aos 40 minutos da etapa final. Foi a terceira partida da série melhor de quatro pontos que indicou o campeão de 1975.

A renda foi de Cr$ 115.055.00, com 8.125 pagantes. Foi juiz, com boa atuação, o carioca José Roberto Wright. Os dois times formaram assim: Americano: Dorival - Nei Dias – Luisinho - Luís Alberto e Capetinha – Ico - Russo e Rangel - Luís Carlos - Dionísio e Paulo Roberto. Goytacaz: Miguel – Totonho - Paulo Marcos - Nad e Júlio César - Ricardo Batata - Wílson Bispo e Naldo (Pontixeli) – Piscina - Tuquinha e Chico.

O Americano foi incluído no Campeonato Brasileiro de 1975, quando da fusão entre os Estados do Rio de Janeiro e da Guanabara. Foi o primeiro clube de Campos e interior do novo Estado do Rio de Janeiro, a participar da competição. Em 25 de agosto de 1975, em sua estréia no “Brasileirão”, o Americano derrotou o Santos por 2 X 1.

O Americano venceu com: Dorival - Nei Dias - Mundinho (Luisinho) - Luís Alberto e Capetinha - Ico e Didinho - Luís Carlos – Rangel - Messias e Paulo Roberto. O Santos perdeu com: Joel – Tuca – Oberdan - Bianchi e Zé Carlos - Clodoaldo e Didi (Alceu) – Mazinho - Cláudio Adão - Toinzinho e Edu.

Arbitragem de Luís Carlos Félix, auxiliado por Paulo Antunes e Célio Couto. Renda de Cr$ 191.000,00 (14.307 pagantes). Em 15 de março de 1980, o Americano aplicou sua maior goleada em campeonatos brasileiros, ao derrotar o Botafogo Sport Club, de Salvador (BA)  por 7 X 0, na casa do adversário. A melhor participação do clube em Brasileiros foi a 27° colocação em 1978, entre 74 participantes.

O Americano disputou 32 vezes o Campeonato Brasileiro de Futebol, sendo sete na Série A, 20 na B e cinco na C. Foi campeão do Módulo Azul (1987), um dos dois módulos equivalentes à Série B; vice-campeão da Série B 1986 (vice-colocado do grupo. Não houve decisão oficial e o vice não é reconhecido pela CBF) e quarto colocado em três edições (1988, 1991, 1994).

O Americano é o maior vencedor do Campeonato Fluminense de Futebol, relativo ao Estado do Rio de Janeiro, antes da fusão e maior clube da cidade de Campos dos Goytacazes. O clube entrou no Campeonato Carioca em 1976, antes mesmo da fusão das federações carioca e fluminense. Em 1978, com a fusão dessas federações, voltou a disputar o Campeonato Fluminense. No Campeonato Carioca, sua melhor colocação foi o vice-campeonato de 2002, ano em que conquistou a Taça Guanabara (Primeiro Turno) e a Taça Rio (Segundo Turno).

Nos anos 80 o Americano excursionou pelo exterior. A mais importante delas aconteceu em 1981, quando jogou na Ásia e derrotou a Seleção da República da Coreia, conquistando a “Taça do Rei”.

Em 1984, o Americano ganhou da Seleção de Omã, por 1 X  0 e 4 X 1. Em outros confrontos perdeu de 1 X 0 para a Seleção de Tóquio; goleou a Seleção da Malásia por 4 X 0; perdeu para o Swansea, da Inglaterra por 2 X 0; nova derrota para a Seleção de Tóquio, dessa feita por 2 X 1; vitória sobre a Seleção de Dubai por 1 X 0; derrota de 2 X 1 para a Seleção dos Emirados Árabes; vitória de 1 X 0 sobre o Al-Nassr, e encerrando a excursão, vitória de 1 X 0 sobre a Seleção da Arábia Saudita. Ainda nos anos 80 o Americano derrotou a seleção de Camarões por 2 X 1.

Em 1987, representando o Estado do Rio de Janeiro no Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, sagrou-se campeão, numa final histórica contra a Seleção de São Paulo, que contava com cinco jogadores da Seleção Brasileira.

Um outro grande feito do Americano, foi ter derrotado o Vasco da Gama, em 1993, por 1 X 0, tirando do cruzmaltino uma invencibilidade de 32 jogos. Pelica, aos 47 minutos da primeira etapa, marcou o gol solitário da partida.

O maior rival do Americano é o Goytacaz, também de Campos. É conhecido como o Clássico Goyta-Cano, o de maior tradição e rivalidade no interior do estado do Rio de Janeiro. Em 155 jogos entre os dois, o Americano tem 51 vitórias e o Goytacaz, 55, com 49 empates.

Em 2009 o Americano jogou a Copa do Brasil, e fez um bonito papel. Eliminou o Santa Cruz Futebol Clube, do Recife, ganhando os dois jogos. Depois eliminou nos pênaltis, o Botafogo, do Rio de Janeiro. Acabou eliminado pela Ponte Preta, de Campinas.

Em 2010, o clube teve altos e baixos no Campeonato Fluminense. Em 2011, fez uma péssima Taça Guanabara, mas se recuperou na Taça Rio. Nesse ano, mesmo classificado para Série D do “Brasileirão”, a direção preferiu não disputar, em razão de dificuldades financeiras. Em 2012, foi rebaixado pela primeira vez para a Série B do Campeonato de Futebol do Estado do Rio de Janeiro.

O Americano manda os seus jogos no Estádio Godofredo Cruz, que tem capacidade para 25 mil espectadores. Em 2009, o estádio teve a capacidade reduzida para 9 mil pessoas pela Defesa Civil, por medida de segurança .

Títulos conquistados: Campeão Brasileiro da Série B: 1 - Módulo Azul (1987); Campeão Brasileiro de Seleções Estaduais, representando o Rio de Janeiro (1988); Campeão Fluminense (1954, 1964, 1965, 1968, 1969 e 1975); Campeão da Taça Guanabara (2002); Campeão da Taça Rio: (2002); Campeão do Troféu Moisés Mathias de Andrade (2009); Campeão do Interior (1985, 1986, 1987, 1988, 1989, 1990, 1991, 1992 e 1993); Campeão Campista (1915, 1919, 1921, 1922, 1923, 1925, 1930, 1934, 1935, 1939, 1944, 1946, 1947, 1950, 1954, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969, 1970, 1971, 1972, 1973, 1974, 1975 e 1977); Campeão da Taça Cidade de Campos dos Goytacazes (???); Taça do Rei, na Coreia do Sul (1981); Torneio do Oriente Médio, nos Emirados Árabes Unidos (1994); Copa Integração Petrobrás, no Espirito Santo (2006); Vice-Campeão Brasileiro de Juniores (2000) e Vice-Campeão Brasileiro de Juvenis (1998).

Outros jogos internacionais em que o Americano participou: Vitória de 2 X 1 sobre a Seleção de Camarões; vitória de 3 X 1 sobre a Seleção de Angola e vitória de 4 X 0 sobre o Huracán Buceo, do Uruguai. (Pesquisa: Nilo Dias)

Foto: site "Terceiro Tempo", de Milton Neves)

sábado, 7 de junho de 2014

O futebol está de luto

O Ex-jogador do Internacional, de Porto Alegre, Fernando Lúcio da Costa, o “Fernandão”, de 36 anos de idade, morreu por volta de 1h30min da madrugada de hoje, na queda de um helicóptero “Esquilo”, na cidade goiana de Aruanã, próximo ao rio Araguaia.

As outras quatro pessoas que estavam a bordo da aeronave, também morreram: Edmílson de Sousa Leme, vereador de Palmeiras de Goiás, Bidó Antônio de Pádua, Lindomar Mendes Vieira, funcionário da fazenda e o piloto Milton Ananias, coronel da Polícia Militar de Goiás.

De acordo com dados da Polícia Civil, o helicóptero, que partiu da fazenda de Fernandão, foi encontrado em um banco de areia, aproximadamente às 4 horas da manhã, às margens do Rio Araguaia.

A área da tragédia fica 15 quilômetros do centro de Aruanã. A queda aconteceu no momento em que o helicóptero estava levantando voo e não chegou a explodir.

O Corpo dos Bombeiros não demorou a chegar ao local do acidente, de difícil acesso. O sargento Cristiano Oliveira notou que um dos passageiros, justamente Fernandão, apesar de muito ferido e inconsciente, ainda respirava com dificuldades. O ex-jogador foi o único a ser retirado do aparelho com vida, mas ao chegar no hospital não resistiu e morreu.

A Polícia Militar de Aruanã informou que o helicóptero atingiu o solo a cerca de 150 metros de uma praia de água doce, localizada a 20 quilômetros da cidade. Algumas pessoas estavam acampadas nas proximidades, visto que o local é um ponto turístico frequentado por moradores da região, a partir de junho, quando o nível de água do Araguaia diminui.

Fernandão nasceu em Goiânia e foi revelado pelo Goiás, mas foi no Internacional, de Porto Alegre que conheceu suas maiores glórias, ganhando títulos importantes como a Copa Libertadores da América e o Mundial Interclubes. Era o capitão e homem de confiança do técnico da equipe comandada por Abel Braga.

Ele defendeu o clube gaúcho por quase cinco anos e marcou gols importantes, como no jogo de sua estréia no “colorado”, no Gre-Nal do gol 1.000, de sua autoria. Fernandão esteve presente na festa de reabertura do Estádio Beira Rio, dia 5 de abril deste ano. Em 2006, ele e o então goleiro Clemer comandaram a festa do Mundial, cantando junto com um Beira-Rio lotado.

O último time em que jogou foi o São Paulo, em 2011. Ainda atuou pelo Olympique, de Marselha e Toulouse, na França, e o Al-Gharafa, no Catar. Também treinou o Internacional em 2012, e agora se preparava para comentar a Copa do Mundo pelo SporTV. Com a mulher Fernanda, o jogador teve dois filhos, Enzo e Eloá. Também é pai de Thayná, do primeiro casamento. (Pesquisa: Nilo Dias)

Saibam mais sobre Fernandão, acessando os endereços:

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Fernandão, com o troféu de campeão mundial de clubes, pelo Internacional. (Foto: Divulgação) 

domingo, 1 de junho de 2014

A morte de Marinho Chagas

Morreu na madrugada deste domingo em João Pessoa, na Paraíba, o ex-lateral esquerdo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1974, na Alemanha, Marinho Chagas, aos 62 anos de idade. Ele estava desde ontem internado no Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa.

O ex-jogador, que morava em Natal (RN), estava na capital paraibana onde lançaria uma camisa retrô da Seleção Brasileira de 1974, na banca “Viña del Mar”, no Mag Shopping. Antes, participou de um encontro com colecionadores de figurinhas da Copa do Mundo, quando se sentiu mal e começou a vomitar sangue.

Foi imediatamente encaminhado para a Unidade de Pronto-Atendimento Oceania, onde os médicos diagnosticaram uma "hemorragia digestiva alta". Devido a dificuldade que os profissionais encontraram para estancar o quadro hemorrágico, ele foi transferido para o Hospital de Emergência e Trauma, mais bem equipado para esse tipo de procedimento.

Ao que se sabe os médicos colocaram um balão no estômago de Marinho Chagas, para que o sangramento estancasse o que não deu resultado. Com o estado de saúde se agravando cada vez mais, Marinho foi mantido sedado, mas por volta das 3 horas da madrugada não resistiu e morreu.

Segundo os médicos que o atenderam, o ex-jogador chegou a tomar mais de 10 bolsas de sangue, para repor a perda provocada pela hemorragia, o que não foi suficiente para reverter o quadro grave que se instalou. Marinho enfrentava uma batalha diária contra o alcoolismo, doença que possivelmente provocou os problemas que o levaram a morte.

No ano passado, chegou a passar 10 dias internado na UTI de um hospital de Natal, entre a vida e a morte, justamente por causa de uma hemorragia digestiva. Na época, ele prometeu parar de beber para estar vivo na Copa do Mundo do Brasil. Marinho Chagas sofria de hepatite C, bronquite, ácido úrico e hipertensão. Mas a sua maior doença parecia ter sido curada de vez.

O craque, que esteve próximo de perder o jogo contra o alcoolismo, fez um transplante de fígado e vivia relativamente bem de saúde. Quando jogava, Marinho não bebia, teve problemas com o álcool só depois de encerrar a carreira.

Ao longo da semana passada, contudo, estava bem. Nos dias que antecederam o evento, deu entrevistas, falou sobre Copa do Mundo e sobre o Botafogo, seu clube do coração.

O corpo de Marinho Chagas será velado no “Estádio Frasqueirão”, do ABC, em Natal, cidade onde nasceu. O sepultamento está previsto para as 9h da manhã de segunda-feira (2) no cemitério “Morada da Paz”, em Emaús, bairro de Parnamirim, na capital potiguar.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou uma nota oficial assinada pelo presidente José Maria Marin, lamentando a morte do ex-jogador da Seleção Brasileira.

Em razão das mortes de Marinho Chagas e do apresentador Maurício Torres, da TV Record, a CBF determinou que todos os jogos do Campeonato Brasileiro de hoje, fossem precedidos de um minuto de silêncio.

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, também lamentou a morte de Marinho Chagas. O dirigente se manifestou através de uma rede social na tarde deste domingo. "Muito triste com a morte trágica do ex-jogador de Seleção, Marinho Chagas. Descanse em paz", postou Blatter em seu perfil no Twitter.

Em João Pessoa, Marinho participou do programa “Globo Esporte”, na TV Cabo Branco, quando disse estar confiante na conquista do hexa e pediu ao povo que desse uma trégua nos protestos durante a Copa do Mundo.

Durante a entrevista, Marinho fez uma revelação curiosa: a estreia dele como profissional foi na Paraíba, em 1970. E jogando em Sousa. Foi pelo ABC.O time viajou num “pau-de-arara”e enfrentou a Sociedade. O campo era pequeno e a torcida ficava muito próxima

Francisco das Chagas Marinho, esse seu nome completo, nasceu em 8 de fevereiro de 1952, em Natal. Começou a carreira no Riachuelo, clube da Grande Natal. Depois foi para o ABC e América, ambos de Natal e Náutico, de Recife (PE). Mas ganhou destaque no Botafogo, do Rio de Janeiro, com atuações que o levaram até à seleção brasileira. Pelo scratch nacional jogou 36 partidas entre 1973 e 1977.

Sua estreía no clube da “Estrela Solitária” deu-se num jogo contra o Santos de Pelé. E Marinho contava que logo no primeiro lance roubou a bola do Pelé e deu um lençol nele. No seguinte, tocou a bola entre as pernas do “Rei”, que ficou muito incomodado com isso. No final do jogo Marinho se desculpou..

Na Copa do Mundo de 1974 foi considerado o melhor jogador da competição e escreveu seu nome na galeria dos grandes laterais esquerdos do país, ao lado de Nilton Santos, Júnior, Branco e Roberto Carlos.

Naquele Mundial, ganhou notoriedade ao encarar o goleiro Leão, que tinha fama de brigão, e o culpou pelo gol da Polônia que tirou da seleção o terceiro lugar.

Depois da Copa de 1974 vestiu as camisas de Fluminense, São Paulo, Bangu, Fortaleza, voltou ao América, de Natal, e teve duas passagens por clubes dos Estados Unidos, tendo jogado no NY Cosmos, onde atuou ao lado de Franz Beckenbauer, Johan Cruyff, Pelé e Carlos Alberto. Ainda atuou no Fort Lauderdale Strikers e no LA Heat.

Também defendeu o alemão Harlekin Augsburg, seu último time como jogador, em 1988. Como treinador, comandou apenas o Alecrim, de Natal.

Dono de um chute muito forte era chamado pelos torcedores potiguares de “Canhão do Nordeste”. No Botafogo marcou muitos gols cobrando faltas. Outro apelido que ganhou na carreira foi de "Bruxa".

Marinho Chagas tinha longos cabelos louros que balançavam ao vento à medida que dava velocidade às jogadas. Pinta de playboy usava uma pulseirinha preta no pulso.

O ex-lateral esquerdo foi um jogador polêmico, dentro e fora de campo. Mas inegavelmente estava a frente de seu tempo, já que costumava apoiar o ataque com avançadas rapidadas até o lado adversário, caracteristicas de um ala no futebol moderno. Mas por causa disso, os adversários diziam que ele deixava uma verdadeira "Avenida Marinho Chagas".

O que poucos sabem, é que a famosa e polêmica "paradinha", já banida do futebol recentemente, foi criada por Marinho Chagas nos anos 70, quando de uma excursão do Fluminense à Europa. E ele contava como se deu o lance, que acabou inspirando jogada executada nos últimos anos pelo chileno Valdivia.

Foi na Espanha. Marinho, ao cobrar um pênalti, deu um giro de 360 graus, jogou a perna para o lado e chutou o vento. O goleiro caiu e ele só encostou a bola para a rede. Os espanhóis ficaram boquiabertos, sem saber como ele tinha feito aquilo.

Nessa mesma excursão, Marinho Chagas se vangloriava de ter feito uma de suas maiores conquistas amorosas, ao namorar com uma “princesa de Mônaco”.

Dizia que naqueles tempos era bonito e sarado, loirão de olhos verdes. A princesinha teria ficado doida quando o viu numa festa com o pessoal do time. Marinho dançou com ela a noite toda e a beijou várias vezes. Não foi além disso, porque o time viajaria na manhã seguinte.

Marinho Chagas era considerado uma espécie de David Beckham dos anos 70 e 80. Gostava de vestir roupas espalhafatosas, cordões de ouro e carrões de marca eram constantes em sua carreira. E isso lhe rendeu mais uma boa história. Dessa vez com um Mercedes-Benz conversível.

Estava caminhando na rua de um país europeu e passou na frente de uma loja. Quando viu aquele carro, não conseguiu se controlar. Alugou o "bicho" e foi direto para o hotel onde o time estava hospedado.

Chegando lá, todo mundo o chamou de maluco, inclusive o Paulo Cezar Caju. Foi muito engraçado, porque o presidente do Fluminense, Francisco Horta, pegou carona com ele.

Marinho guardava uma mágoa, de não ter sido convocado para as Copas do Mundo de 1978 e 1982. Ele achava que ainda era o melhor lateral-esquerdo do país e estava no auge da carreira. Lembra que o técnico Claudio Coutinho também não levou Falcão e Paulo Cezar Caju. “Deu no que deu”, dizia.

Marinho, que atualmente era comentarista esportivo da Band Natal, emissora do Grupo Bandeirantes de Comunicação, e ocupante de  cargo comissionado na Prefeitura de Natal, havia sido nomeado o ano passado, pela então prefeita da cidade, Micarla de Sousa, embaixador da Copa do Mundo 2014 na capital potiguar.

O ex-jogador foi homenageado diversas vezes pelo Estado do Rio Grande do Norte. A última delas foi uma estátua sua de sete metros de altura, feita pelo artista plástico Guaraci Gabriel, que foi colocada entre as decorações da cidade do Natal para a Copa do Mundo. Antes, em fevereiro, já tinha sido homenageado com uma marchinha de Carnaval pelo bloco “Jegue Empacado”.

Títulos conquistados. ABC: Campeão Potiguar (1970); São Paulo: Campeão Paulista (1981); Fluminense: Campeão do Troféu Teresa Herrera – Espanha (1977); Seleção Brasileira: Campeão do Torneio Bi-centenário dos Estados Unidos (1976); Prêmios individuais: Bola de Prata – Revista Placar (1972, 1973 e 1981; 2º Maior Futebolista Sul-Americano do ano (1974) e Melhor Jogador da Copa do Mundo da Alemanha (1974). (Pesquisa: Nilo Dias)


quinta-feira, 29 de maio de 2014

A força das sociedades negras

Em três cidades gaúchas foram criadas ligas de futebol exclusivas para negros: em Porto Alegre a Liga Nacional de Futebol, pejorativamente chamada de Liga da Canela Preta; em Pelotas, a Liga José do Patrocínio e em Rio Grande a Liga Esportiva Rio Branco.

Mas o que chama a atenção foi a existência de entidades voltadas somente para indivíduos negros em Novo Hamburgo, município com população de origem alemã e em Caxias do Sul, de descendência italiana.

O Sport Club Cruzeiro do Sul foi fundado em 18 de outubro de 1922, por um grupo de amigos que se reuniu ao ar livre, frente ao salão do senhor Alfredo Quadros, no bairro África, atual bairro Guarani, em Novo Hamburgo, na época distrito de São Leopoldo. O nome do clube, segundo se sabe, foi inspirado na noite límpida de luar admirável, quando da reunião.

Os desportistas fundadores do time de futebol, conforme consta em ata, foram João Teles, Casiano Teles, Álvaro Pacheco, João de Deus, Valdemar Rodrigues, Guilherme Paz, Adão Lozada e Alfredo de Quadros.

O bairro do África era também o berço do Bloco Carnavalesco “Os Leões”, cujos integrantes, na maioria negros, se integraram ao Sport Club Cruzeiro do Sul. “Os Leões”, durante o Carnaval costumavam desfilar pela Avenida Pedro Adams Filho. Não demorou para que as duas entidades se fundissem, para garantir um melhor aproveitamento do espaço existente.

Foi assim que surgiu a Associação Esportiva, Beneficente e Cultural Sociedade Cruzeiro do Sul, que a partir de então passou a ser a responsável pela maioria das atividades de cunho recreativo e social, organizadas pelos negros de Novo Hamburgo e proximidades. A nova entidade passou a ter no estandarte a figura de um leão, entrelaçado com a constelação do Cruzeiro do Sul.

Campeonatos de futebol foram organizados e deles participavam negros vindos de outras cidades, como Alegrete, Pelotas e Montenegro. Os jogos geralmente aconteciam em terras da família Malaquias Oliveira, localizadas onde hoje fica o bairro Rincão. Após os jogos as famílias negras iam se banhar em um arroio que corria próximo ao campo de futebol.

Antes da construção da sede, ocorrida nos anos 40, os integrantes da sociedade costumavam organizar festividades voltadas às datas relevantes para a comunidade negra local, como o “13 de Maio” e “7 de Setembro”,  cuja mobilização revertia em bailes, almoços e piqueniques comemorativos.


já as atividades como bailes, casamentos, chás, almoços, entre outros eram realizados em locais alugados pelos responsáveis pela associação, já que a construção da sede do clube se tornaria realidade somente muitos anos mais tarde, após uma soma de contínuos esforços por parte dos integrantes do clube desde a sua fundação.

Depois que a sede social foi erguida, nela se realizaram muitas festas, entre as quais os bailes de debutantes, que contava com a participação de jovens que eram apresentadas à sociedade, e também os da escolha da Rainha da Cruzeiro do Sul, das 24 Estrelas e das Rosas, sendo este uma noite de gala.

Nesses encontros sociais vinham famílias de outras localidades, como São Sebastião do Caí, São Leopoldo e Canoas, entre outras. A sede da sociedade servia para as famílias negras de Novo Hamburgo e arredores comemorarem casamentos, batizados e aniversários, realizarem almoços de confraternização e ainda como espaço de discussão e de lazer.

O auge da Sociedade Cruzeiro do Sul ocorreu num período em que não era fácil a convivência entre negros e brancos, em uma cidade predominantemente de origem alemã, em que até os lugares no cinema local eram separados. No Guarani, tinha platéia em baixo e em cima. Conta a história que um negro chamado Arnaldo, irmão de Malaquias, dono das terras onde o time jogava, foi o primeiro a sentar na platéia.

Tudo isso ficou para trás. Hoje Novo Hamburgo comporta em sua história o papel significativo de pessoas negras que participam ativamente da vida da cidade, mostrando que em “terras germânicas”, negros atuam como sujeitos históricos capazes de reivindicar, elaborar táticas, demarcar espaços e concretizar sonhos. 

A Sociedade Sport Club Cruzeiro do Sul existe até hoje, mas apenas como uma entidade carnavalesca, a mais antiga de Novo Hamburgo. Foi campeã do Carnaval da cidade nos anos de 1999, 2003, 2004, 2005, 2011, 2012 e 2014. Em Estância Velha ganhou o concurso em 2009.

Em Caxias do Sul existiu o Clube Gaúcho, nascido num tempo em que os negros eram proibidos de frequentar qualquer entidade social da cidade. Os porteiros não os deixavam entrar, só brancos. E isso acontecia desde décadas anteriores.

O racismo era tão latente, que um jornal da cidade, o “5 de Abril”, em sua edição de 6 de março de 1936, publicou uma nota em que os individuos negros pleiteavam espaços próprios nos cinemas, onde também não lhes era permitida a entrada.

Toda essa situação motivou a população negra a fundar um clube social e esportivo. Foi assim que nasceu o Sport Club Gaúcho, no dia 23 de junho de 1934. O primeiro Estatuto já dizia que o clube destinava-se ao desenvolvimento físico de seus associados por meio do futebol e outros esportes, podendo ainda realizar em sua sede quermesses, bailes e outras diversões.

A primeira Diretoria foi constituída por Paulino Dias Belíssimo, João Moreira dos Santos, José Alves de Oliveira, Miguel Coelho, Theodoro Rosa, Jovino Antunes Pereira, Laudemiro Martins, Marcelino Martins, Luiz Raimundo da Silva e Antonio José dos Santos. Durante seus primeiros anos de existência, o Clube Gaúcho manteve duas diretorias: uma masculina e outra feminina.

O Gaúcho não foi a única associação negra da cidade, na época. Sabe-se da existência de outros clubes exclusivos para negros, como o “Eurico Lara”, “XV de Novembro” e “Margaridas”. Esse último, fundado em 1933 e provavelmente incorporado ao Clube Gaúcho.

A respeito dos outros clubes, “Eurico Lara” e “XV de Novembro”, as informações são poucas e não se sabe nem mesmo as datas de suas fundações.

O “Clube das Margaridas” era uma associação de “mulheres de cor”. Nenhuma documentação sobre a entidade foi encontrada. O pouco que se sabe sobre ela, provém de depoimentos. Acredita-se que “As Margaridas” tenha sido incorporada ao Gaúcho, porque uma de suas prováveis fundadoras, Regina Machado, em seguida apareceu como sócia do Clube Gaúcho.

O Clube Gaúcho tinha o seu time de futebol, mas não existem indícios de que em Caxias do Sul tenha sido formada uma liga especial para os times formados por negros. O clube participava de campeonatos varzeanos na cidade e ainda organizava campeonatos. Poucos títulos conquistou.

O jornal “O Bandeirante”, publicou em sua edição de 26 de outubro de 1935, uma nota em que se referia a um torneio “promovido pelo S. C. Gaúcho, que deverá realizar-se amanhã (27/10/1935), com a participação de “vários quadros locais”.

Em 1944, o Gaúcho promoveu o “Torneio Relâmpago”, patrocinado pela Liga de Defesa Nacional (LDN), com a participação dos seguintes times de várzea: Az de Ouro, Tupy, Americano, Internacional, Juvenil, Vera Cruz, Aimoré, Pombal, Botafogo, Vitória e o próprio Gaúcho. O clube ainda participou de vários campeonatos na cidade, muitos deles organizados pela Liga Caxiense de Futebol, fundada em 1936.

A atividade social na sede era muito intensa. Após os jogos, costumavam se realizar bailes, entre os quais o “Da Pelúcia”, quase sempre sob a responsabilidade das associadas. Também eram elas que se encarregavam da organização dos Bailes de Debutantes, Bailes de Gala e da decoração do salão de festas para essas ocasiões.

Ainda organizavam concursos de beleza, entre os quais “Rainha do Clube”, “Rainha do Carnaval”, “Rainha da Primavera” e outros. A escolha das rainhas era um atrativo a mais para os bailes realizados e durante muito tempo ajudaram nas finanças do Clube.

Era comum quando de dificuldades financeiras, eleger-se a Rainha através da venda de votos. Dessa forma, aquela que vendesse mais votos ganhava o título e o dinheiro ficava com o Clube.

Também cabia às mulheres a organização do bloco carnavalesco do clube. Em 1950, uma comissão de senhoritas percorreu a cidade a fim de angariar fundos para a formação de um cordão carnavalesco. Logo após, foi fundada a Escola de Samba “Os Protegidos da Princesa”.

No carnaval de 1960, o Gaúcho foi o clube que melhor se apresentou no desfile do Carnaval de rua de Caxias do Sul. Em 1962, aconteceu o primeiro concurso entre os blocos carnavalescos da cidade, numa promoção da Rádio Caxias e oficializado pela Prefeitura Municipal. O campeão foi o bloco “Os Protegidos da Princesa”.

A escola venceu todos os Carnavais na década de 1960. Em 1970 não desfilou. Voltou em 1971, não mais como escola de samba, sim como tribo carnavalesca. A partir daí o clube passou a ter uma participação inconstante no Carnaval de rua caxiense. Isso se explica pela economia destinada a construção de uma nova sede.

A primeira sede do Gaúcho foi no centro da cidade, na Rua Pinheiro Machado, 2369. No início do ano de 1950, mudou-se para outro local, na região conhecida como Zona Tupy.

Em 1966 deu início a construção de uma nova sede. A participação decisiva de casais de sócios, que conseguiram um empréstimo junto a Caixa Federal e se tornaram fiadores do Clube, permitiu a concretização do objetivo.

Em sua nova sede, na rua São José, o Gaúcho reservou lugar de destaque para a sua biblioteca, inaugurada em 1962. Nesse novo espaço foram realizados o Iº Encontro de Estudos Sócio Culturais de Integração Afro-Italiana, na década de 1970, e a Iª Semana do Negro, já nos anos 1980. O espaço também serviu para a realização de cursos de alfabetização e de corte e costura.

A história do Sport Club Gaúcho, mesmo tendo sido em certa época invisibilizado pela historiografia caxiense, teve papel importante na história da cidade. O Clube participou, de forma intensa, nos mais diversos setores da sociedade local, tanto através do futebol, quando estabeleceu laços de solidariedade com os demais clubes da cidade, o que possibilitou a integração junto aos brancos, descendentes de italianos, lusos e tantos outros.

O clube, apesar das dificuldades, principalmente financeiras, resistiu e até hoje promove os mais diversos eventos. Foi lá, na sede construída na década de 1970, na Rua São José, que foi eleita a Mais Bela Negra de Caxias do Sul, que acabou sendo eleita a mais bela do Rio Grande do Sul. (Pesquisa: Nilo Dias)


Foto do tempo em que a entidade praticava o futebol. (Fonte: www.efdeportes.com)

domingo, 25 de maio de 2014

Morre ex-artilheiro do Fluminense

Morreu hoje aos 54 anos de idade, o ex-jogador de futebol Washington César Santos, ou simplesmente Washington, centroavante que se destacou no Atlético Paranaense e Fluminense, do Rio de Janeiro.

Ele sofria de esclerose lateral amiotrófica, uma doença degenerativa e progressiva, a mesma que afeta o famoso físico e cosmólogo, Stephen Hawking. Washington foi encontrado morto em sua casa, em Curitiba.

Nos últimos meses, o ex-jogador era acompanhado diariamente por uma equipe médica, paga pela Unimed, patrocinadora do Fluminense. O Atlético Paranaense também ajudava financeiramente o seu ex-atleta, inclusive com campanhas de marketing.

Em 2009, quando de um jogo entre Fluminense X Atlético Paranaense, no Maracanã, o clube carioca organizou o "Washington Day", para levantar recursos destinados ao tratamento do ex-camisa 9. Sete urnas foram espalhadas pelo Maracanã para que os torcedores nelas colocassem suas contribuições.

Na ocasião o atacante Fred, destaque do time carioca, se mostrou solidário com o drama do antigo artilheiro. Ele fez o leilão de uma camisa autografada por ele e por Washington. A renda foi revertida para o ex-centroavante.

Washington nasceu na Cidade de Valença (BA), no dia 3 de janeiro de 1960. Começou a carreira no Galícia, de Salvador, tendo passado depois por Corinthians Paulista, Operário, Internacional, de Porto Alegre, Guarani, de Campinas, Fortaleza, Santa Cruz, entre outros. Mas alcançou sucesso no Atlético Paranaense e no Fluminense.

Em 1982 foi parar nas categorias de base do Atlético Paranaense, depois de uma troca que envolveu o lateral Augusto, negociado com o Internacional gaúcho. Foi quando conheceu Assis, com quem formou uma dupla infernal de atacantes, que foi apelidada pelos torcedores de “Casal 20”, nome de um seriado de televisão que fez sucesso na época.

Ainda em 1982 os dois foram campeões estaduais pelo Atlético. Em 1983, o clube paranaense teve destacada participação no Campeonato Brasileiro, tendo sido terceiro colocado, depois de eliminado pelo Flamengo, que foi campeão.

Washington se transferiu para o Fluminense em 1983 junto de Assis, formando uma das mais famosas duplas de ataque da história do tricolor carioca. O jogo de estréia dos dois foi em 2 de julho de 1983, na abertura do Campeonato Carioca, quando o Tricolor derrotou o São Cristóvão por 3 X 0. Washington marcou o terceiro gol da partida.

Jogador de estatura alta, 1,88 m e grande impulsão, quase sempre levava vantagem sobre os zagueiros adversários. Quando de escanteios para seu time, os torcedores do Fluminense costumavam cantar, já na expectativa de mais um gol: “Ão, ão, ão, na cabeça do negão...".

Títulos. Galícia: Vice-Campeão Baiano (1980); Internacional: Campeão Gaúcho (1981); Atlético Paranaense: Campeão Paranaense (1982); Fluminense: Campeão Carioca (1983, 1984 e 1985) e Campeão Brasileiro (1984); Botafogo: Campeão Carioca (1990); Desportiva Ferroviária, do Espirito Santo: Campeão Capixaba (1992) e Santa Cruz: Campeão Pernambucano (1993).

Jogou cinco partidas pela Seleção Brasileira principal, tendo marcado 2 gols e mais 4 jogos pela Seleção Olímpica, também com 2 gols. É, até hoje, o oitavo maior artilheiro da história do Fluminense com 118 gols em 311 jogos. (Pesquisa: Nilo Dias)


sexta-feira, 23 de maio de 2014

Os 100 anos do "Canarinho" de Bom Jesus do Norte

O Ordem e Progresso Futebol Clube, de Bom Jesus do Norte, cidade interiorana do Espirito Santo, é mais um cube centenário do futebol brasileiro. Foi fundado no dia 6 de maio de 1914 por seis jovens idealistas, que colocaram em prática a necessidade de haver um clube de futebol na localidade. As cores escolhidas foram o amarelo e verde.

Os fundadores do clube foram Antonio de Oliveira Borges, José de Oliveira Borges, José de Souza Firmo, José Cabeça Freire, Oswaldo Santos e Otis Menezes.

José de Souza Firmo, um dos fundadores da nova agremiação esportiva ficou encarregado de pedir ao seu pai, Carlos Firmo, a cessão de um terreno, para que nele fosse construído um estádio. E deu certo.

O terreno foi doado e até hoje nele está o Estádio Carlos Firmo. O nome é uma homenagem ao doador da área. O estádio tem capacidade para receber até 3 mil torcedores.

O maior rival do Ordem e Progresso é o Olympico, da cidade vizinha de Bom Jesus do Itabapoana, no Estado do Rio de Janeiro.

Títulos. Vice-Campeão Capixaba (1951, 1952 e 1953); Em 15 de agosto de 1959, por ocasião do desfile na Praça Governador Portela, conquistou o troféu Governador Roberto Silveira; Campeão do Torneio Incentivo do Campeonato Capixaba da 1ª Divisão (1979); Campeão Invicto da Repescagem e Seletiva da 1ª divisão Capixaba (1980); Campeão do 1º Turno do Campeonato Capixaba (1989); Campeão da L.B.D. (1957); Vice-Campeão Sulino (1962); Campeão do Torneio Início da L.D.C.I. (1965); Campeão da LIDEG (1972); Campeão da L.D.C.I. (1974); Vice-campeão da LIDEG (1976 e 1977); Campeão da Taça “A Gazetinha” e “Rede Manchete” – Divisão de Base (1986); Campeão do 2° Torneio Quadrangular Interestadual (1993) e Campeão da Taça União LRDSS (2001).

O Ordem e Progresso foi chamado carinhosamente de "Canarinho" em 1952, pela imprensa capixaba. Em vista disso o mascote do clube é um “Canário”. Em pesquisa feita pela Rádio Bom Jesus e Jornal “O Norte Fluminense” em 16 de outubro de 1957 o Ordem e Progresso foi considerado “o mais querido”, da região, com esmagadora vitória sobre os clubes do vale do itabapoana.

O presidente atual é o desportista João Carlos (Polaca).  Licenciado das atividades profissionais, o Ordem e Progresso prioriza atualmente as categorias de base.

O consagrado historiador calçadense Pedro Teixeira, está lançando um livro sobre os centenários dos clubes Olympico Futebol Clube e Ordem e Progresso Futebol Clube. O livro conta fatos pitorescos de ambas as agremiações.

As comemorações alusivas aos 100 anos começaram dia 1º de maio, com partidas de futebol entre times das Divisões de Base do Ordem e Progresso X Rio Branco, de Campos dos Goytacazes, realizadas no Estádio Carlos Firmo.

No dia 5, o clube foi homenageado pela Câmara Municipal de Bom Jesus do Itabapoana. Dia 6 foi realizado o “Forró da Melhor Idade”, com Lucinha Braga. Dia 7 foi feita a entrega de Diplomas aos Ex-Presidentes e Diplomas de Honra ao Mérito a diversas personalidades que trabalharam em prol do clube.

Dia 9, um dos pontos altos das comemorações, o “Baile do Centenário”, com a “Banda Aço Doce”. Dia 11, “Missa de Ação de Graças”, na Igreja São Geraldo.

Ainda tivemos no dia 25, um "Culto em Ação de Graças pelo Centenário", na Igreja Batista de Bom Jesus do Norte.  O Encontro dos ex-jogadores do Ordem e Progresso Fc., agendado para o dia 25 de maio, foi transferido para o dia 16 de agosto.

Com o objetivo de relembrar as histórias centenárias de Olympico e Ordem e Progresso, o Espaço Cultural Luciano Bastos e o Centro de Memória do Campus Bom Jesus, realizaram a exposição “Memórias do nosso Futebol”, que foi inaugurada no dia 15 de maio.

Coleções de faixas, medalhas e troféus conquistados pelos clubes, apresentação de banners, fotografias, documentos, uniformes, bandeiras, ingressos de jogos, entre outros objetos que contam a história do Olympico e do Ordem e Progresso, fazem parte da exposição, que ficará aberta para visitação até o dia 27 de junho.

Idealizada pela coordenadora do Espaço Cultural, Cláudia Bastos, a exposição “Memórias do nosso Futebol: 100 anos do Olympico F.C. e do Progresso F.C.” integra a 12ª Semana de Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro dos Museus (Ibram), com o tema “Museus: as coleções criam conexões”. (Pesquisa: Nilo Dias)

Uma das primeiras formações do clube. (Foto: Acervo fotográfico do Ordem e Progresso F.C., publicadas no "Blog do Polaca" (presidente do clube)