Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

O time dos encarcerados

O Club Atletico General Lamadrid é uma pequena agremiação esportiva da periferia de Buenos Aires. Conhecido também como Lamadrid, em seus 70 anos de existência nunca conseguir ir além da 3ª Divisão do Campeonato Argentino.

O diferencial do Lamadrid para qualquer outro clube, é que o seu estádio divide muro com um presídio, o que proporcionou uma relação curiosa com os presos, que através das janelas têm com o futebol seu único contato com o mundo exterior.

Por essa razão o time é conhecido por “Carceleros” (“carcereiros”, em português).  O presídio já existia quando o Lamadrid foi fundado em 11 de maio de 1950, 27 anos depois. 

Em dias de jogos, as bandeiras azuis, cor do clube,  são estendidas não só nas arquibancadas modestas do “Estádio Enrique Sexta”, de 3.500 lugares, inaugurado em 1950,  mas também nas janelas das celas.

O clube de Vila Devoto, bairro humilde de Buenos Aires, tem uma história que nenhum outro clube do mundo tem. E que até virou tema de um livro do jornalista Marcelo Izquierdo,   “Carceleros – Lamadrid, el club y la prisión”, ainda sem título em português. O livro é vendido por 378 pesos (cerca de R$ 150) no Mercado Livre.

O prédio da prisão se localiza a cerca de 50 metros do campo, próximo o suficiente para uma visão privilegiada. Por ano, cerca de 60 bolas são perdidas ao cair além do muro. “Quando vai uma nova, às vezes volta uma velha”, ironiza o jornalista, em entrevista ao jornal Mundo Deportivo, da Espanha.

O autor é natural do bairro onde fãs e presos se unem numa mesma torcida. “Este livro é uma homenagem aos clubes de bairro da Argentina, simbolizados pelo Lamadrid”, disse Marcelo Izquierdo.

As conquistas do clube são poucas: o título da “Primera D”, de 1971, os acessos à “Primera C”, em 1983 e 1995, um acesso à “Primera B”, em 1998 e o título da “Primera División C”, na temporada 2010-2011. A maior goleada aplicada foi um 9 X 1 sobre o Defensores, de Cambaceres, em 1998

Como é comum na Argentina, onde a cultura do futebol de bairro é valorizada, o Lamadrid se tornou motivo de orgulho não só para os moradores vizinhos do estádio, mas também para os presos. Algumas das histórias resgatadas pelo livro são maravilhosas. Como a de “Mário Oriente”.

Torcedor do Boca Juniors, “El Loco Mario” foi preso e encaminhado a Villa Devoto. Com o tempo, apaixonou-se pelo Lamadrid. Ao ser solto, ele se mudou para o bairro, virou diretor do clube e criou o hino oficial dos “Carceleros”. Num modo peculiar, o futebol ajudou em sua ressocialização. (Pesquisa: Nilo Dias)


quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

A morte de uma lenda do futebol

Faleceu em Porto Alegre no último sábado (11), aos 88 anos de idade, o ex-goleiro Valdir Joaquim de Moraes. Ele estava internado na emergência do Hospital Moinhos de Vento desde a madrugada da última terça-feira, após passar mal, e teve falência múltipla dos órgãos.

Valdir Joaquim de Morais estava com a saúde debilitada desde 2016, após ter sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Em 2017, ele fraturou o fêmur e passou a ficar de cama. Seu quadro de saúde piorou nos últimos meses e passou a ser crítico nas semanas finais de vida.

Ele nasceu em Porto Alegre no dia 23 de novembro de 1931. Em sua carreira só defendeu três clubes: Renner, onde tudo começou, de 1954 a 1957. Palmeiras, de 1958 a 1968 e Cruzeiro, de Porto Alegre, onde encerrou a carreira de jogador, em 1969.

Vestiu a camisa do Verdão entre 1958 e 1968 em 482 jogos, segundo o “Almanaque do Palmeiras”, com 290 vitórias, 97 empates e 95 derrotas.

Ainda no Palmeiras, Valdir foi treinador interino por algumas vezes entre 1973 e 1980, consultor-técnico (à convite de Vanderlei Luxemburgo, atual treinador) de 1993 a 1997, período no qual enfileirou títulos.

Depois de se aposentar, Valdir Joaquim de Morais criou a profissão de preparador de goleiros em 1969, à época inexistente no Brasil. Nessa função, se tornou um dos melhores do mundo, com participação na comissão técnica da Seleção Brasileira na Copa de 1982, comandada por Telê Santana.

No São Paulo, acompanhou o “Mestre Telê” na conquista do bicampeonato da Libertadores e do Mundial. Foi o responsável pela recuperação do goleiro Zetti, tetracampeão com a “Seleção Brasileira”, e preparou Rogério Ceni no início da carreira.

Em 2007, esteve no São Bento, de Sorocaba ao lado de Rincón, mas não conseguiu evitar a queda da equipe para a “Segunda Divisão”. Em 2008, retornou ao Palmeiras na função de coordenador-técnico do time profissional, comandado por Vanderlei Luxemburgo.

No dia 13 de agosto de 2008, Valdir comemorou 50 anos de sua chegada ao Palmeiras. Disse o gaúcho sobre este momento especial. "Eu havia atuado por mais de 10 anos no Renner e recebi a visita do Osvaldo Brandão [ex-treinador do Palmeiras] no início de agosto de 1958.

Ele foi até lá para buscar eu e o Chinesinho, atacante, cuja indicação havia sido feita pelo Ênio Andrade. Lembro que, quando cheguei em São Paulo, demorei alguns dias para acertar. Foi uma novela. Mas felizmente deu tudo certo e em 13 de agosto de 1958 assinei meu contrato com o Palmeiras".

A Sociedade Esportiva Palmeiras divulgou nota oficial: “É com muito pesar que a Sociedade Esportiva Palmeiras informa o falecimento de Valdir Joaquim de Morais e manifesta condolências aos amigos e familiares do eterno goleiro do Verdão . Obrigado por tudo, ídolo!”.

A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) também se manifestou sobre a morte de Valdir. “O futebol está em luto com a morte de Valdir Joaquim de Moraes, aos 88 anos. Lenda do Palmeiras, ele foi o primeiro goleiro brasileiro a disputar uma final de Libertadores, em 1961”.

Outras manifestações. Paraná Clube: “Lamentamos a morte de Valdir Joaquim de Morais. Ele integrou a primeira comissão técnica do nosso “Tricolor da Vila”, liderada por Rubens Minelli. Aos familiares e amigos, fica aqui nossos sentimentos”.

S.C. Corinthians Paulista: “Uma pausa na Copinha para uma notícia triste. O clube informa com pesar o falecimento de Valdir Joaquim Moraes, bicampeão brasileiro (98/99) e campeão mundial (2000) como supervisor técnico do Timão. O Corinthians se solidariza aos familiares e amigos”.

Seu verdadeiro nome é Valdir Joaquim de Morais, com "i" (é assim que ele assina), mas ficou conhecido como "Moraes" por engano. Foi um dos melhores goleiros de sua época, apesar da baixa estatura, 1m70.

Um dos maiores ídolos do time que se imortalizou naquela equipe conhecida como a “Primeira Academia de Futebol do Palmeiras”, a segunda seria a dos anos 1970. Valdir apesar de ser baixo para a sua posição compensava com impulsão, presença, coragem, boa saída de gol, reflexo apurado e bom posicionamento, o que o tornou um dos mais completos camisas 1 da história do futebol brasileiro.

Foi importante em diversas conquistas pelo clube. Foi um dos grandes destaques da “Seleção Brasileira” diante da “Seleção Uruguaia” na disputa da “Taça Independência”, em 1965, na inauguração do “Estádio do Mineirão” em Belo Horizonte. O  time completo do Palmeiras representou a “Seleção Brasileira” e venceu a celeste olímpica por 3 X 0.

Títulos conquistados. Renner: Campeonato Gaúcho (1954); Palmeiras: Campeonato Brasileiro (1960, 1967, Robertão e 1967, Taça Brasil); Torneio Rio-São Paulo (1965); Campeonato Paulista (1959, 1963 e 1966) e Seleção Brasileira: Campeonato Pan-Americano  (1956). 

Vale a pena reproduzir aqui, um artigo de José Trajano, publicado em seu blog (http://www.ultrajano.com.br), uma bela homenagem ao grande goleiro que nos deixou.


“Seu Valdir não entendia que ele fez parte da infância de muitos de nós, que queríamos ser goleiros como ele. Ele que enfrentava Pelé, de quem foi a maior vítima (foi o goleiro que mais sofreu gols do Rei, porque também deve ter sido o que mais o enfrentou)”

Todo mundo queria ser Valdir Joaquim de Moraes.

“Ele tem colocação”, sentenciava meu pai, o velho Jamil, amante de futebol e observador dos segredos dos goleiros. “O Valdir está sempre atento e se você quiser ser goleiro tem que olhar para ele e para a bola, é claro!”

E como eu olhava para o camisa número 1 do Palmeiras nos jogos do velho Parque Antárctica e depois nas partidas do Jardim Suspenso!!!

Valdir jogou 10 anos, honrando o clube como poucos.

Veio o uruguaio Maidana, morava no Edifício Falstaff, na esquina da Rua Caiuby com a Apinagés. Maidana, titular da Seleção Celeste, até assinou o livro de ouro do nosso time.

Mas eu queria ser Valdir.

Veio o Picasso, que morava na Rua Caiowas e sempre dizia que iria fechar o gol nos jogos contra o Corinthians. Mesmo depois quando foi jogar no Juventus.

E fechava mesmo!

Mas eu continuava querendo ser Valdir.

A frase do meu pai latejava na minha mente quando eu entrava em campo para defender o Perdizes ou nas quadras do velho futebol de salão com aquela bola pesada.

“Co-lo-ca-ção.”

Além de encantar quando estava em campo, chegou mesmo a jogar cinco partidas pela Seleção Nacional, Valdir encantava pela honradez, honestidade e pelo orgulho que demonstrava ao defender o Palmeiras.

Quando parou de jogar, tornou-se preparador de goleiros.

E com sua alma gêmea formou a comissão técnica da Seleção Brasileira.

Eu olhava Telê Santana e via Valdir, que nessa época virou Valdir Joaquim de Moraes.

Olhava o Valdir e via o Telê na comissão técnica da Seleção.

Meu velho parceiro Colibri lembrou que um dia, numa conversa informal ainda em 1981, seu Valdir – aí também já era seu Valdir – comentou que o goleiro na Copa da Espanha seria o Valdir Perez. E nós colocamos na manchete da Folha de S. Paulo.

Colibri ficou preocupado: e se o seu Valdir desmentisse?

“Mas não desmentiu nada, quando os outros repórteres foram em cima dele no dia seguinte, manteve o que tinha comentado”, relembra o Colibri.

Reinaldo Lombardi também me mandou uma mensagem com a narração de Fiori Gigliotti de um pênalti cobrado por Garrincha, então no Corinthians, e defendido por Valdir.

“Era um ídolo da torcida palmeirense!”

E é engraçado como ele, na sua infinita humildade, não entendia já velhinho a idolatria que o cercava.

Algumas vezes almoçávamos juntos no Sampa, restaurante por quilo, nos tempos em que eu trabalhava na ESPN Brasil. Seu Valdir chegava, sentava-se com a gente e eu ficava lembrando de jogos passados, me emocionando. E quantas vezes ele não se virou, interrompeu a garfada e disse:

“Mas por que vocês gostam tanto de mim? Eu sou uma pessoa comum, só fui goleiro do Palmeiras”.

Seu Valdir não entendia que ele fez parte da infância de muitos de nós, que queríamos ser goleiros como ele. Ele que enfrentava Pelé, de quem foi a maior vítima (foi o goleiro que mais sofreu gols do Rei, porque também deve ter sido o que mais o enfrentou).

Mas seu Valdir gostava mesmo era de elogiar Coutinho, o parceiro do Rei.

“Ele tinha uma frieza na hora de concluir, Coutinho não batia forte, só colocava a bola…”

A última conversa que tive com Valdir foi por telefone.

Ele já estava adoentado, em Porto Alegre.

Conversei com a filha dele e, quando mandei um abraço e já estava desistindo da entrevista, ela me estimulou. Disse que ele adorava falar, conversar sobre sua carreira.

“Faça as perguntas a ele e, mesmo que você não entenda as respostas, eu vou traduzindo para você”.

E assim foi!

Valdir ou seu Valdir foi meu ídolo.

Foi dos grandes.

O maior que eu já vi e aplaudi.

E era um goleiro que hoje seria baixinho.

Mas, como dizia meu pai Jamil, Valdir tinha uma coisa que eu não tinha:

Co-lo-ca-ção.

E gente assim não morre.

Mesmo aos 88 anos. (Pesquisa: Nilo Dias)


sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

O criador do Campeonato Gaúcho de Futebol

O ano passado o “Campeonato Gaúcho de Futebol” completou 100 anos de existência. A primeira edição, realizada em 1919,  teve o Brasil, de Pelotas como vencedor, com uma goleada de 5 X 1, sobre o Grêmio.

O criador do torneio foi um bajeense, Aurélio de Lima Py, que foi o primeiro presidente da “Federação Gaúcha de Futebol” (FGF), na época, chamada de “Federação Rio-Grandense de Desporto” (FRGD), fundada no dia 18 de maio de 1918. Ocupou o cargo de 18 de maio de 1918 a 18 de maio de 1922.

Documentos históricos da FGF, mostram que a expectativa inicial era de que o primeiro campeonato fosse disputado em 1918, justamente o ano em que a entidade foi criada. 

Mas ninguém esperava que os danos causados pela gripe espanhola, que se espalhou pelo Estado e pais, fossem tão graves a ponto de causar o cancelamento da competição.

Quando da ideia de se criar um “Campeonato Gaúcho”, o vice-presidente da Federação era o pelotense Francisco Simões Lopes, tendo Washington Martins, como tesoureiro e Nestor Fontoura e José Revello, como secretários.
Aurélio Py tinha profundas ligações com o Grêmio. 

Tanto é verdade, que 28 anos depois da criação da FRGD recebeu o título de patrono do clube em sessão do Conselho Deliberativo, em 30 de julho de 1946. Pena é que tenha desfrutado da honraria por apenas três anos, uma vez que morreu em Porto Alegre, no dia 29 de agosto de 1949.

Conforme dados disponibilizados pelo “Memorial do Grêmio”, Aurélio de Lima Py nasceu na  “Estância da Candiota”, em Bagé, no dia 10 de fevereiro de 1882. Ele estudou na “Escola Brasileira”, concluindo o curso primário em 1892.

Depois fez o “Curso de Humanidades” com exames parcelados em Porto Alegre e Rio de Janeiro, em fevereiro de 1900. Na capital carioca, ingressou, no mês seguinte, na “Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro”.

Em 27 de novembro de 1905, defendeu a tese “Estudo Clínico da Aortite Atheromatosa” e recebeu o grau de "Doutor em Medicina". Ao retornar para o Rio Grande do Sul, casou-se com Celina Piegas Tavares, em 10 de dezembro de 1906 em Porto Alegre.

O casal teve quatro filhos: Ecyla, Cléa, Ayrton e Cely. Em março de 1907, foi contratado como professor da “Faculdade de Medicina de Porto Alegre”. Um ano depois, passou em concurso para o cargo de professor catedrático da “Clínica Propedêutica Médica”.

Ainda na carreira da Medicina, foi provedor da “Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre”, entre 1925 e 1930. Em 1938, foi nomeado reitor da “Universidade do Rio Grande do Sul”, tendo sido o primeiro médico a assumir o cargo. E 13 anos depois, a instituição foi federada.

No dia 4 de agosto de 2010, em sessão solene na “Assembleia Legislativa”, em homenagem aos 80 anos do “Hospital São Francisco”, Py foi homenageado em memória.

Na atividade política, fez parte do “Partido Republicano Liberal” (PRL). Na “Assembleia Legislativa”, cumpriu mandato como deputado entre 1924 a 1937. Mas em meio a vida pessoal, profissional e acadêmica, o futebol sempre foi sua eterna paixão.

Seus serviços prestados ao Tricolor porto-alegrense foram amplos. No quadro social desde 1910, exerceu a função de presidente em 1912-1913, 1915, 1919-1922, 1929-1930.

Depois de 100 anos dos feitos de Aurélio de Lima Py, o futebol permanece vivo na corrente sanguínea de familiares. O sonho de ser bem sucedido dentro do esporte levou o tataraneto a seguir o mesmo objetivo, porém, com um caminho bem diferente.

Radicado nos Estados Unidos, desde 2002, Roberto Moreira Linck Júnior, 30 anos, conhecido como "Roberto Linck" ou "Betu", decidiu fundar seu próprio clube: o “Miami Dade F.C.”. A criação ocorreu no dia 20 de maio de 2014. Hoje, ele é dono e jogador da equipe.

Natural de Cachoeira do Sul, Linck vive nos EUA desde os seus 13 anos, acompanhado da família. Apaixonado por futebol, começou no futebol de salão profissional, pelo “Chicago Storn”, e no “CSM Ramnic Valcea”, da Romênia.

Em 2010, assinou contrato na” Major League Soccer” (MLS), principal liga do país, para jogar pelo “New England Revolution”. Porém, em 2011, sofreu uma lesão grave no tendão e afastou-se do futebol profissional.

A ideia de criar um time começou quando um amigo seu, que é dono de um grupo em Boston, lhe falou da necessidade de começar a pensar no futuro. Disse que um dia o futebol vai acabar. E se começar agora, daqui a 10, 20 anos, estará muito a frente nos seus projetos. E aconselhou que não esperasse tua carreira acabar para fazer isso.

Então, quando se machucou, aproveitou esse tempo para criar seu projeto, que é o “Grupo Linck".

E do Grupo Linck, surgiu a criação do “Miami Dade FC”, que é vinculado à “United Premier Soccer League” (UPSL), das divisões inferiores nos EUA. Em pouco tempo, conquistou a “National Adult League” (NAL), uma espécie de quarta divisão.

Hoje, ele tem como sócios, no clube, dois ex-jogadores: o volante Emerson e o meia Fábio Simplício. Mas o “Grupo Linck” tem um conceito muito mais amplo, com ênfase, também, com tecnologia, moda, eventos e gestão de talentos. A empresa tem sede em Miami, Flórida, porém, há uma extensão no Brasil, com investimentos da família.

Um dos aplicativos mais conhecidos, desenvolvidos pelo “Grupo Linck”, é o “Ginga Scout”, que consiste em proporcionar uma rede de contatos de jogadores com treinadores, olheiros e investidores.

A ideia partiu num diálogo entre Linck e o ex-lateral esquerdo Roberto Carlos. Perguntou ao ex-craque sobre quantos jogadores lhe pediam oportunidade. Ele disse que eram muitos, mas que conseguia ajudar um que outro.

Daí, veio a ideia do “Ginga Scout”. O jogador se registra e a empresa encaminha o contato para vários treinadores e olheiros do mundo inteiro. A família já possuia no Brasil a “Softmovel, que é administrada pelo seu pai e por um tio.

Dessa forma, Linck concilia os negócios empresariais com a paixão pelo futebol. Agora, com uma visão mercadológica do segmento, ele aponta que o futebol norte-americano tem crescido exponencialmente nos últimos anos.

Ele acredita que o "salto" se deu quando o meio-campista inglês, David Beckham acertou para jogar pelo “Los Angeles Galaxy”, em 2007, na MLS. Linck chegou aos Estados Unidos com 13 anos, em 2002.

Na época, o futebol não era nem perto do que é hoje, pois evoluiu muito. O impacto foi com o Beckham. O noticiário só falava de futebol, foi um pulo gigantesco. Hoje, o futebol está por todos os lados na cidade, com gente jogando. Hoje, os clubes tem grandes torcidas e há um interesse muito maior.

Sobre a semelhança com Aurélio de Lima Py, sobre a paixão com futebol, Linck afirma que  o tataravô, que tem uma grande história,  foi sempre uma referência para ele. Sempre as pessoas que o procuram, falam das semelhanças entre ambos.

Aurélio Py trabalhava com um clube no Sul do Brasil e Linck trabalha com um do Sul dos Estados Unido. Garante que se espelha nele e espera que um dia consiga fazer, nos Estados Unidos, o mesmo que ele conseguiu no Grêmio. E quanto a Bagé, disse que gostaria muito de visitar a cidade, um dia. (Pesquisa: Nilo Dias)


Aurélio Py, o gremista que foi o primeiro presidente da hoje Federação Gaúcha de Futebol

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Alberi o Anjo do Futebol

Alberi José Ferreira de Matosi nasceu em Recife, no dia 28 de janeiro de 1945. Embora tenha iniciado a carreira com 23 anos, idade um tanto fora dos padrões dos que buscam fazer do futebol uma profissão, ainda assim conseguiu se destacar como um dos principais jogadores na história do futebol do Rio Grande do Norte.

Quando moço até esteve nos juvenis do Santa Cruz, de Recife, onde foi campeão da categoria nos anos de 1963 e 1965. Mas arrumou emprego e deixou os gramados.

Só depois de muita insistência dos dirigentes tricolores, acabou aceitando a profissionalização como atleta. Já estava com 23 anos. Ele não confiava muito no futebol como profissão, por isso relutava em aceitar os convites para jogar.

Mas ao final valeu a pena. Se destacou no “Santinha” e em 1968 acabou vendido ao ABC, de Natal por Cr$ 10.000. E por lá virou ídolo, sendo até chamado de “Anjo do Futebol”. 

Sua estreia no novo clube não poderia ser melhor. Marcou dois gols na vitória de 3 X 2 do ABC frente o Ferroviário pelo certame estadual, dia 10 de abri de 1968, no “Estádio Juvenal Lamartine”.

A trajetória de Alberi no ABC, entre saídas e voltas, foi de 10 anos. Nesse período foi tetracampeão do Estado (1970, 1971, 1972 e 1973) e ganhou em duas oportunidades a “Taça Cidade de Natal”.

E de lambuja foi artilheiro dos campeonatos estaduais de 1971 (16 gols) e de 1972 (10 gols). E fez parte da famosa “Seleção Bola de Prata”, da “Revista Placar”, que premiava os jogadores que se destacavam em cada posição no “Campeonato Brasileiro”, desde o ano de 1970.

Alberi foi premiado com a “Bola de Prata” em 1972, ao lado de outros monstros sagrados do futebol brasileiro, como Emerson Leão,  Marinho Chagas, Figueroa, Paulo Cesar Cajú e Ademir da Guia.

É até hoje o único atleta a ganhar o prêmio, atuando por um time do Rio Grande do Norte

A inclusão de seu nome numa seleção tão importante como a “Bola de Prata”, fez com que o Fluminense, do Rio de Janeiro, se interessasse em contratá-lo. Recebeu uma proposta quase irrecusável de Cr$ 15.000 por mês. Ganhava só Cr$ 1.800.

E ainda assim recusou, sob a justificativa de “o que importa é nos sentirmos bem”. E naquele momento, o lugar onde sentia isso era em Natal, no ABC FC.
Ao longo de sua trajetória, Alberi marcou 210 gols pelo ABC e é até hoje o segundo maior artilheiro do clube, atrás apenas de Jorginho, com 219 gols.

Em 1976 foi jogar no América, de Natal e foi foi campeão Potiguar no ano seguinte e campeão da “Taça Cidade de Natal”, de 1977. Entre 1979 e 1981 jogou pelo Alecrim, também de Natal, onde foi campeão da “Taça Cidade de Natal”, de 1979.

Jogou ainda nas equipes do Rio Negro, Sergipe, Campinense, Icasa e Baraúnas, de Mossoró. Voltou para o ABC em 1984, ano que encerrou a carreira.
No total, Alberi comemorou seis títulos estaduais, sendo quatro pelo ABC, um pelo América e outro pelo Campinense. Parou aos 38 anos dizendo a seguinte frase:

“Quando as pessoas começam a olhar para você com desconfiança, por causa da idade, é melhor deixar a bola de lado. Foi exatamente o que eu fiz”, disse em sua despedida. Hoje, Alberi mora em Natal, é casado pai de nove filhos e 11 netos.

Algumas curiosidades vivenciadas por Alberi. Houve uma partida na Grécia, contra o Panathinaikos, um dos grandes clubes do país. O bicho era de 10 dólares para os outros jogadores do time, e Alberi recebeu 20 dólares, porque simplesmente acabou com o jogo.

Em 2015, a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN) fez uma homenagem em comemoração aos 100 anos de fundação do ABC, por sugestão do deputado José Adécio. Nove personalidades importantes da vida do clube foram homenageadas, entre elas, Alberi.

Em 2012, a vida de Alberi foi parar nas telas dos cinemas. O documentário "Alberi, o craque alvinegro" é o título de um vídeo produzido pelos estudantes de Cinema da “Universidade Potiguar”. (Pesquisa: Nilo Dias)


sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Um clube centenário em Nova Friburgo.

Ao início do século 20, ia cidade de Nova Friburgo (RJ) começou a receber estudantes vindos de várias partes do país. Alguns deles, já conhecedores do futebol, trouxeram na bagagem bolas, que eram desconhecidas na localidade, para poderes se divertir nos momentos de folga.

Muitos deles foram morar num bairro chamado “Vilage”. Eram, na maioria, estudantes do Colégio Anchieta. Aproveitaram, então, um área de campo existente na escol, para lá promoverem jogos amistosos.

Com o tempo a brincadeira tomou proporções maiores. As famílias Sertã, Spinelli e Van Erven estreitaram as relações com os estudantes e passaram a organizar os jogos. No dia 26 de abril de 1914, uma reunião no Hotel Salusse serviu para fundar o Friburgo Futebol Clube.

Durante os primeiros anos, os jogos foram realizados na Avenida Galdino do Valle Filho e na Rua Oliveira Botelho. A parir de 4 de setembro de 1922, o clube passou a utilizar o “Estádio Raul Sertã”, no coração da cidade.

O time do Friburgo, que tinha as cores vermelha e branca tornou-se o time a ser batido. Era o mais forte e organizado da cidade. Em novembro de 1915, em jogo amistoso, o Friburgo goleou o União, pelo escore de 11 X 0.

O União foi fundado por operários em 2014, e tornou-se um dos clubes mais vitoriosos da história do futebol amador de Nova Friburgo. A equipe verde e branca foi campeã municipal em 1931, 1939, 1941, 1943, 1944, 1948, 1955, 1961 e 1976.

Depois do jogo, os dirigentes do time derrotado, insatisfeitos com o árbitro Peri Bartojo, que além de ter beneficiado o adversário, ao término da partida teria dito aos jogadores do União, cuja camisa era preta e branca: “preto que quer ser branco, não é uma coisa nem outra”.

O preconceito contra o negro era latente na sociedade da época e se refletia no futebol, tido como esporte da elite. Por conta da confusão, em 5 de dezembro de 1915 o União transformou-se em Esperança Foot-Ball Club , com as cores verde e branco.

Foram fundadores do Esperança F.C.: Adelino Salerno, Armando Ferreira, Antônio da Fonseca Coelho, Antônio Gonçalves de Mello, Alfredo Marques de Oliveira, Alfredo Pio de Oliveira, Admário Silva, Adolpho Ferreira Serpa, Arthur Guimarães, Carlos Rotay, Carlos Silvério, Contran Mury, Dídimo Manoel de Oliveira, Dionízio de Oliveira, Elias Marra da Silva, Elpídio Baltazar, Ernesto Tessarollo, Eugênio Costa, Ezídio de Assis, Feliciano Moreira, Francisco de Oliveira, Francisco Torres, Feliciano Moreira, Guilherme Bastos, Gumercindo de Oliveira, Horácio de Oliveira, Humberto Moraes, Henrique Raposo, Hermenegildo Falchetto, Januário Caputo, João Bazeti Júnior, João Cearense, João Gonçalves, José Cordoeira Neto, José Gonçalves, Jorge de Carvalho, José Guadagnini, José Vasques, Juvenal Folly, Manoel Gonçalves Neto, Manoel Ventura, Nelson Knust, Oscar Gonçalves, Octacílio Carvalho, Onézio Warol, Ricardo de Oliveira e Waldemar Reis.

Essas pessoas reuniram-se na Rua Visconde do Bom Retiro, atual Rua Moisés Amélio. O sócio contribuinte número 1 foi João Bazeti.

A primeira diretoria foi constituída pela assembleia de fundação. O primeiro presidente foi Manoel Gonçalves Neto, o “Zinho”; o vice-presidente foi Dídimo Manoel de Oliveira, o tesoureiro, Gumercindo de Oliveirae o secretário, Francisco de Oliveira.

Os primeiros anos de vida do Esperança F.C. foram
muito difíceis. O clube não contava com a simpatia nem a aprovação da burguesia, reunida pelo Friburgo F.C.

Dentre tantas histórias e curiosidades, há quem diga que a imprensa era contrária ao time. O jornal “A Paz”, ligado ao grupo do político liberal Galdino do Valle, fazia distinções entre os eventos patrocinados pelos dois clubes.
O meio de comunicação era pródigo em elogios ao Friburgo F.C., o que não acontecia em relação ao Esperança F.C.

O símbolo do clube, um “Dragão Verde” foi escolhido pelo radialista Sebastião Oliveira em 26 de maio de 1955, durante o programa radiofônico “Ondas Verdejantes”, da Rádio Sociedade de Friburgo AM. A partir daí nasceu uma grande rivalidade entre Friburgo e Esperança.

Durante uma assembleia realizada em 16 de setembro de 1973, foi aprovada a fusão com o E.C. Conselheiro Paulino. Exatamente seis anos depois - 16 de setembro de 1979 - uma nova fusão foi concretizada: Esperança F.C. e Friburgo F.C., dando origem ao Nova Friburgo Futebol Clube.

O resto é história, muita história, que pode ser pesquisada nas páginas do jornal “A Voz da Serra”, ao longo de seus mais de 70 anos de existência. 

Em 5 de dezembro de 2015 deveria ter sido comemorado os 100 anos de fundação do Esperança Futebol Clube. Mas como não foi possível fazer festa nessa data, esta foi trasferida para o ano seguinte,2016, quando também foram inauguradas as novas instalações de sua sede social, localizada na Rua José Eugênio Müller, 75, Centro.

“O sonho que virou Esperança, e a esperança que virou paixão”. E foi eternizada quando houve a fusão com o Friburgo, para a formação do Nova Friburgo Futebol Clube.

E assim, agora os esperancistas, entre idosos e jovens, se reuniram para comemorar o centenário de seu futebol. (Pesquisa: Nilo Dias)

 O Esperança Foot-Ball Club, em 1917.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

La Toumba, um estádio infernal

O Estádio “La Toumba” situado no distrito de Tumba, em Salónica, Grécia, é onde o Paok Salónica Futebol Clube manda seus jogos. Foi inaugurado em 1959, e sua construção demorou dois anos. É um dos campos de futebol mais temidos do futebol europeu, devido aos seus agressivos torcedores.

É normal ver as grades de proteção derrubadas, quando de jogos do Panthessalonikeios Athlitikos Omilos Konstantinoupoliton (PAOK), especialmente no clássico local contra o Aris Salónica F.C., e frente aos grandes do futebol grego, como Olympiacos F.C., Panathinaikos F.C. e AEK Atenas F.C.

Esse ambiente infernal que se verifica em “La Toumba” já provocou vários incidentes, como o vivido em 1998, durante um jogo entre PAOK e Olimpiacos, quando o árbitro Dimitris Papapetru suspendeu a partida em razão de que 20 ultras invadiram o campo, como protesto por um gol anulado do PAOK.

O escore estava em 2 X 1 para a equipe visitante. Dois anos mais tarde, em 2000, num jogo entre PAOK X Aris, 20 pessoas resultaram feridas, 15 presos e 3 mil cadeiras.

Visitar o estádio do PAOK é viver emoções. Fãs apaixonados, enlouquecidos lotam todos os lugares da “Toumba” em cada jogo do Paok. E se for o derbi local, aí é confusão na certa.

O estádio foi construído em 1959 e tinha capacidade para 40 mil torcedores.​ No entanto, por razões de segurança, em 1998 a capacidade foi reduzida para 32 mil pessoas todas sentadas, graças a colocação de cadeiras.

Em 2000, foi realizada uma reforma, e para dar mais segurança, ainda, a capacidade de público foi novamente diminuída, dessa vez para 28.701 espectadores.

O maior público que o estádio recebeu em sua história foi de 45.252 torcedores, em 19 de dezembro de 1976, em uma partida entre os times gregos do PAOK e AEK. O estádio também serviu para os treinos da Seleção Grega para os Jogos Olímpicos de Atenas em 2004. 

O PAOK, dono do estádio, foi fundado em 1926 por cidadãos de origem grega expulsos de Constantinopla. na Turquia. no princípio da década de 1920. 

O clube não era aberto para qualquer cidadão de Salônica, liderando uma pequena rivalidade com o AEK Thessaloniki, o outro time constantinopolitano da cidade, na qual jogavam somente refugiados. O logo original do PAOK, era uma ferradura e um trevo de quatro folhas.

Finalmente os dois times se fundiram em 1929. E o atual símbolo veio deste junção, em 1929 a águia de duas-cabeças. A águia simboliza as origens do clube da parte do Império Bizantino, a capital Constantinopla, e o legado da população refugiada grega do Império Otomano.


Em 1950, o clube ganhou a Campeonato de Tessalônica por quatro anos consecutivos. Em 1956 o novo Toumba Stadium foi aberto.

Giorgos Koudas, a grande estrela do time fez sua estreia em 1963. Com ele o PAOK ganhou seu primeiro título nacional, a Copa da Grécia em 1972 e 1974. Ainda, ganharam o primeiro Campeonato Grego em 1975–76, algo só repetido na temporada de 1984–85.

Em nível europeu, o clube fez sua melhor performance, nas quartas de finais da Copa dos Campeões da UEFA em 1973-1974, na qual eles foram eliminados pelo Milan.

PAOK também fez uma grande partida contra o Bayern, de Munique na Copa da UEFA de 1983–84, quabndo perdeu nos pênaltis, após um empate em dois gols.

Em 2018, o clube foi suspenso após o presidente Ivan Savvidis entrar em campo armado, durante uma partida, depois que o árbitro anulou um gol contra o AEK Atenas. (Pesquisa: Nilo Dias)


Time do PAOK, em 1926.

Time do PAOK, em 1936-1937.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Raio mata um time de futebol na África

Em outubro de 1998, todos os 11 jogadores de um time de futebol amador na África morreram quando um raio atingiu o campo onde jogavam, na província oriental de Kasai. O incrível é que nenhum membro do time adversário sofreu qualquer tipo de ferimento. Esse foi, sem dúvida, um dos episódios mais tristes do futebol.

O time que perdeu todos seus jogadores foi o “Bena Tshadi”, da República Democrática do Congo. Estava jogando contra o "Basang" quando o raio atingiu o campo. O jogo estava empatado em 1 X 1. Os 11 jogadores do Bena Tshadi morreram. Isso levou a rumores de feitiçaria.

Os mortos eram jovens com idades entre 20 e 35 anos. O jornal “L'Avenir”, de Kinshasa noticiou que outras 30 pessoas sofreram queimaduras. 

Imediatamente, acusações de bruxaria surgiram. Sabe-se que muitas equipes da África Central e Ocidental empregam os serviços de feiticeiros para atingir seus adversários. 

A natureza exata do raio dividiu a população dessa região, conhecida pelo uso de “fetiches” no futebol.  No entanto, nunca houve confirmação oficial de tal suspeita.

Na verdade não houve nada de bruxaria. O que aconteceu é que os jogadores do "Bassang" usavam chuteiras com agarradeiras de borracha, enquanto os do “Bena Tshadi” calçavam chuteiras com agarradeiras de metal.

Este não é o único exemplo de um raio atingindo uma partida de futebol. Poucos dias antes do incidente com o “Bena Tshadi”, um jogo da “Premier League da África do Sul” foi paralisado , faltando 12 minutos para acabar, depois que sete jogadores e o árbitro foram atingidos por um raio, no gramado.

O jornal “The Guardian” noticiou que dois jogadores do “Moroko Swallows” foram mantidos no hospital. O técnico Jomo Cosmos, do time adversário, deu a entender que alguns atletas do “Swallows” haviam falsificado uma lesão.  O “Swallows” perdeu por 2 X 0. (Fonte: Sports Nova)



terça-feira, 19 de novembro de 2019

O Carrossel de Rinus

Em Guaratinguetá (SP) existe um clube de futebol, no mínimo curioso. Trata-se da Academia Desportiva Manthiqueira, fundada em 4 de agosto de 2005, que tem as cores laranja e preto. 

A cor laranja não foi escolhida por acaso. O clube se inspira na lendária “Laranja Mecânica”, a “Seleção da Holanda” que encantou o mundo na “Copa de 1974”. O escudo do time homenageia Rinus Michels, o revolucionário treinador do “Carrossel Holandês”. Por isso o time é chamado de "Carrosel de Rinus".

O nome Manthiqueira com “th”, é uma homenagem ao Corinthians, clube pelo qual o seu fundador e presidente Geraldo Margelo Oliveira, mais conhecido por “Dado”, é torcedor.

O clube quando da fundação era tido como uma evolução do trabalho realizado pela escolinha de futebol do São Caetano, em Guaratinguetá. Porém, o clube registrou sua filiação a "Federação Paulista de Futebol" (FPF) somente no ano de 2010, dando o primeiro passo para se tornar clube profissional.

A profissionalização do futebol do Manthiqueira aconteceu no mesmo período em que a direção executiva do Guaratinguetá Futebol Ltda., clube empresa da cidade, anunciou a mudança de sede para o município de Americana, tornando-se o Americana Futebol Ltda.

O estatuto social da Manthiqueira foi alterado com uma cláusula que impede a mudança de município. A medida foi utilizada como forma de ganhar a confiança da comunidade guaratinguetaense, que passou a ter descrédito com clubes-empresa e, em particular, com o Guaratinguetá após a sua transferência.

Em 2011, o clube disputou pela primeira vez a “Segunda Divisão”, considerada a última na estrutura do futebol profissional em São Paulo. Desde então, particip das edições da competição.

Em 2017, o clube se preparou para sua sétima vez no “Campeonato Paulista da Segunda Divisão”, e estava sendo treinado por Nilmara Alves, uma das primeiras mulheres a treinar uma equipe masculina de futebol profissional no Brasil, que ficou no clube até junho daquele ano e encerrou o vinculo de mais de oito anos na equipe. O treinador Luís Felipe, natural de Guaratinguetá, assumiu em seu lugar.

Nesse mesmo ano, o Manthiqueira conseguiu o primeiro acesso da sua história, para a “Série A3” do ”Campeonato Paulista”, ao passar pelo União Mogi nas semifinais, empatando o jogo de ida por 0 X 0, em Mogi das Cruzes, e vencendo, de virada, em Guaratinguetá pelo placar de 3 X 1.

Na final, enfrentou a equipe do Esporte Clube São Bernardo e conquistou o inédito título de campeão da “Segunda Divisão Paulista”. No primeiro jogo o placar ficou em 1 X 1 e no jogo de volta o placar foi de  2 X 1.

Muita gente em Guaratinguetá costuma chamar “Dado” de louco. Ele assume a fama com naturalidade e garante que sempre foi meio louco mesmo. Não abre mão de ética e honestidade no futebol, o que parece mesmo ser uma loucura.

Ele dispensa carros de luxo, mora em casa simples e leva uma vida sem ostentação. Praticamente todas as suas economias foram investidas no clube – e na causa – que encampou. Para ele o Manthiqueira é mais que um time de futebol, sim uma filosofia de vida.

Depois de quase fechar as portas do clube, por causa de dívidas que somavam mais de 1 milhão de reais, o Manthiqueira enfim deixou a última divisão paulista após algumas pitadas de “loucura” de seu presidente.

Por ideia de “Dado”, o técnico Luís Felipe fez uma opção inusitada: escalou o zagueiro “Léo Turbo” como atacante no jogo decisivo contra o Osvaldo Cruz, nas quartas de final. O Manthiqueira venceu por 1 X 0, gol dele.

Essas e outras maluquices do presidente têm fundamento. No centro de treinamento do clube, uma enorme cartilha dá logo o recado aos novos jogadores. Nela, estão listados os mandamentos que todos os funcionários devem seguir. “Malandragem proibida”, diz a primeira regra.

O Manthiqueira preza pelo jogo limpo e não admite que seus atletas tentem simular faltas para enganar a arbitragem. Ele explica que a corrupção de nossos políticos reside nos pequenos desvios de comportamento que não condenamos como sociedade.

Além da Holanda, a outra inspiração de ”Dado” são os princípios éticos pregados pelo filósofo Immanuel Kant.

Por isso, seus jogadores recebem orientação para se acusarem ao árbitro em caso de uma infração cometida de forma intencional, como aquela famosa do gol de mão marcado por Jô contra o Vasco, por exemplo, jamais seria tolerado no Manthiqueira – e a respeitar a autoridade do juiz.

“Dado” também afirma que o clube fundado por ele é laico. Em vez da típica oração antes de entrar em campo, os jogadores meditam em silêncio durante dois minutos para respeitar todas as religiões. 

A diversidade é uma das principais bandeiras do Manthiqueira. Tanto que, ao longo de cinco anos, foi o único clube masculino de São Paulo treinado por uma mulher.

Quando contratou Nilmara Alves, “Dado” ouviu de torcedores e empresários da cidade que a ideia de colocar uma mulher para treinar homens seria um fracasso. Mesmo depois de sofrer duras derrotas, “Dado” a manteve no comando e, em 2015, o time alcançou um histórico sexto lugar na “4ª Divisão Paulista”.

Nilmara só deixou o cargo porque foi aprovada em um concurso público em outra cidade e preferiu abrir mão da carreira no futebol. “Dado” a escolheu para comandar seu time porque entendeu que seus princípios casavam com os do clube.

"Dado" diz ter orgulho de ter alcançado a vitória sem nunca precisar de um gol de mão ou jogada irregular. "Assim como na vida, é possível vencer com ética no futebol", filosofa. 

O time do Manthiqueira disputou a “Copa São Paulo de Futebol Júnior”, neste ano de 2019, além de participar pela segunda vez consecutiva do “Campeonato Paulista da Segunda Divisão”, equivalente ao quarto nível do futebol no Estado, competições que voltará a disputar em 20210. (Pesquisa: Nilo Dias)


terça-feira, 12 de novembro de 2019

A morte do roupeiro do Inter-SM

Monovan Gomes, mais conhecido por “Mano”, 66 anos, era praticamente um desconhecido, até virar notícia naquela noite de 27 de março de 2014. Pode parecer cruel, mas ganhou notoriedade por que morreu logo depois que o atacante Josiel, ex-Flamengo, do Rio de Janeiro, errou um pênalti, em jogo contra o F.C. Santa Cruz, de Santa Cruz do Sul, válido pelas quartas de final do primeiro turno da “Divisão de Acesso” do “Campeonato Gaúcho”, disputado no “Estádio Presidente Vargas”, na “Cidade Universitária”.

Ele só virou notícia por causa de Josiel, que além de ter jogado no rubro-negro carioca, foi artilheiro do “Brasileirão” de 2007 pelo Paraná Clube.

Josiel já havia feito 1 X 0 para o Internacional, de Santa Maria, quando ele próprio cavou um pênalti após cobrança de falta na área do Santa Cruz aos 18 minutos do segundo tempo, provocando ainda a expulsão do zagueiro Diego Borges, que o teria agarrado, na visão do árbitro Daniel Nobre Bins.

O próprio Josiel partiu para a cobrança. O pênalti acabou parando na trave esquerda do goleiro Juliano. E a classificação à semifinal, que parecia certa, ficou ameaçada. No lance seguinte, Caio empatou a partida para o time de Santa Cruz.

Revelado nas categorias de base do Inter de Santa Maria, Josiel acabara de retornar ao clube já em final da carreira, na esperança de devolvê-lo à “Primeira Divisão” do futebol gaúcho. 

Depois do estrelato, o atacante nascido em "Rodeio Bonito" (RS) vivia um ocaso na carreira, e sua volta ao clube que o havia revelado no final dos anos 90, era uma daquelas potenciais histórias em que ídolo e time se reencontram para se reerguerem.

A notícia vinda do vestiário acabou parando a partida por cerca de 13 minutos. “Mano”, o roupeiro do clube, havia sofrido um mal súbito e teve de ser levado ao "Pronto-Atendimento" do bairro Patronato.

A bola voltou a rolar e o Inter acabou vencendo por 2 X 1, avançando à semifinal do primeiro turno, quando acabou eliminado pelo Ypiranga. No segundo turno, o time não conseguiu a classificação para a fase final.

Na manhã de 28 de março de 2014, o jornal “Diário de Santa Maria” noticiava em manchete: “Roupeiro do Inter de Santa Maria morre após mal súbito em jogo do time na Divisão de Acesso”.

A notícia rapidamente ganhou os portais nacionais. No UOL, a manchete procurava chamar a atenção do leitor, fazendo a conexão do atacante Josiel, em campo naquela partida, com seu ex-clube mais famoso: “Roupeiro sofre infarto e morre após ex-flamenguista errar pênalti”.

Sites de todo o Brasil publicaram a notícia inusitada sobre a morte de um roupeiro após seu time perder uma cobrança de pênalti. Os jornais de Santa Maria ainda noticiaram o enterro do funcionário do clube, mas depois do dia 28 de março nenhum outro site voltou à história, que rendera cliques na noite anterior, mas já era passado.

Por trás da notícia inusitada, que perdeu o interesse no intervalo de 24 horas, está a história de um homem que dedicou grande parte da sua vida a um clube do interior gaúcho — e que por fim saiu de cena exatamente numa partida do clube que tanto amou.

Após o gol de empate do Santa Cruz, ”Mano” chamou no vestiário o conselheiro Rafael Pillar, e disse que estava se sentindo mal. Pillar auxiliou o roupeiro a deitar-se numa maca e informou o delegado da “Federação Gaúcha de Futebol” Hamilton Oliveira, que prontamente interrompeu a partida e chamou a ambulância.

Antes de deitar, o “Mano” ainda teve o cuidado de aumentar o volume do rádio para seguir acompanhando o jogo.

Ele foi levado à ambulância de onde seguiu para o “Pronto Atendimento" do Patronato, bairro próximo ao campo do Inter. Junto na ambulância, o roupeiro carregou consigo o inseparável radinho, por onde pôde ouvir o segundo gol do alvirrubro, marcado pelo zagueiro Diego Rocha. 

E antes de entrar em óbito ele conseguiu ouvir que o Inter tinha conseguido a classificação.

"Mano" não resistiu, sofreu um infarto e faleceu logo após a partida. Os jogadores ficaram sabendo de sua morte só depois. No dia seguinte, todo o grupo compareceu ao velório para dar o último adeus ao funcionário com o qual conviviam todos os dias.

“Nós vimos que o "Mano" saiu de ambulância, mas ninguém esperava que fosse acontecer aquilo, isso abalou todo o grupo”, comentou Josiel. O zagueiro Diego Rocha, autor do gol da classificação, se surpreendeu quando ficou sabendo que “Mano” ainda conseguiu ouvir a vitória do clube que mais amava.

“Jamais esperava que ocorresse isso com ele, era uma pessoa muito boa, mas agora quero que aquele gol fique como uma homenagem”, disse.

Sua morte virou notícia, mas ninguém procurou saber sobre sua vida dedicada a um clube do interior gaúcho.

“Mano” era o nono de 12 filhos. A ligação com o Esporte Clube Internacional, clube de Santa Maria, vinha de casa. Seu pai, Miguel Pereira Gomes, conhecido popularmente como “Tabica”, foi um dos fundadores do clube em 1928 e chegou a ser jogador.

A mãe, dona Valmira, também frequentava os jogos, o que fez até o fim da vida. O Inter de Santa Maria, no fim das contas, era mais um filho do casal. O Inter era um irmão de “Mano”.

Nascido em 1947, “Mano” tentou jogar futebol, mas não obteve sucesso. No entanto, nunca esteve distante do clube que o viu nascer. No início dos anos 1980, foi parte de um capítulo importante da história do Inter-SM ao criar, ao lado de Marcelino Cabral, a torcida “Maré Vermelha”, uma das primeiras torcidas gays do Rio Grande do Sul e reconhecida em todo o interior do Estado.

Marcelino Cabral era carnavalesco e conhecido por ser integrante da “Escola de Samba Vila Brasil”, que tinha uma ala gay na sua composição. O Marcelino e um grupo de gays decidiram ir a um jogo do Riograndense e tiveram o acesso negado.

A partir daí eles acabaram se organizando e foram para o Inter-SM. Dessa forma surgiu a “Maré Vermelha”. O nome veio em consequência do desastre ocorrido em 1978 na costa de Santa Vitória do Palmar, no extremo-sul brasileiro, em que milhares de animais marinhos começaram a aparecer mortos na "Praia de Hermenegildo".

A casa de “Mano” acabou virando uma grande sede da “Maré Vermelha”. A mãe dele e toda família se agregaram a torcida. Na casa eram feitas algumas comidas para vender e angariar recursos para confeccionar camisetas e faixas naquela época.

A torcida que animava o "Estádio Presidente Vargas" acabou extinta em meados dos anos 90 devido a uma briga entre um diretor do clube e Marcelino Cabral, um dos seus fundadores. “Mano”, que nessa época trabalhava em lojas do comércio local, não deixou de acompanhar o clube do coração e seguiu frequentando os jogos.

Ele participou desde o início até o fim da torcida, mas, segundo a família, sempre foi reservado com relação a sua orientação sexual. Sempre foi solteiro, nunca teve companheiro ou companheira.  Era muito discreto, se era homossexual ou não, isso nunca interferiu no trabalho dele.

Após o término da torcida, “Mano” recebeu o convite para se tornar funcionário do clube do coração. O cargo no papel era de roupeiro, mas diante do amor que tinha pela instituição não tardou a exercer uma função de faz-tudo. Era o primeiro a chegar e o último a sair.

O volante Douglas T-Rex, que estava presente no fatídico jogo diante do Santa Cruz recorda: “O Mano vivia o Inter. Todos os dias que a gente chegava para treinar, o treino estava marcado para às 9h da manhã, e uma hora antes já estavam todas as caixinhas prontas com o material de treino de cada jogador. Com as chuteiras limpas e lustradas. “Mano” era um roupeiro muito caprichoso, não parava um minuto quieto no vestiário.

“Mano” conhecia cada canto do “Estádio Presidente Vargas”, ali era o seu lugar, o ambiente em que mais gostava de estar. Ele vivia mais no Inter do que em casa, levantava de manhã cedo e já saía para o Estádio, passando o dia todo lá.

“Mano” não teve filhos, nas horas vagas gostava de ir a festas, entre música e dança, sua principal característica era a animação. O sentimento de pai talvez tivesse sido transportado para a relação com os jogadores.

“Todos eram unânimes em ressaltar a alegria dele no vestiário. Estava sempre de bom-humor, era um cara do bem, tranquilo, bem respeitoso com os atletas e fazia o trabalho dele com discrição na maior parte do tempo, mas também entrava nas brincadeiras junto com todo grupo”, contou o atacante Josiel, protagonista daquela partida.

A preocupação com os outros era um traço marcante na personalidade de “Mano”. A situação financeira sempre difícil dos clubes do interior gaúcho foi algo que jamais desmotivou o ex-roupeiro no seu trabalho diário, nunca interrompido por falta de pagamento.

Se a situação era difícil, ele dava um jeito de colaborar. De vez em quando, se dava algum problema lá no Inter, ele trazia o fardamento dos jogadores para lavar em casa. Algumas vezes foram feitas jantas por seus familiares, para os jogadores também, principalmente para aqueles que não eram de Santa Maria e região.

Fundado em 1928, o Inter-SM surgiu a partir da ideia de criar uma equipe que pudesse fazer frente ao Riograndense Futebol Clube, na época uma potência do futebol gaúcho e vice-campeão estadual em 1921. 

O “Periquito”, como é conhecido o Riograndense, representava a comunidade ferroviária de Santa Maria, um importante polo desse setor no Rio Grande do Sul.

A história começou com três guris que se juntavam para bater uma bola. Eles tiveram a ideia de formalizar essa iniciativa criando um clube de futebol. O tio de um deles “patrocinou” os meninos com os equipamentos e assim nasceu o Esporte Clube Internacional”, explicou o jornalista e escritor Cândido Otto da Luz, autor do livro “Almanaque dos 80 anos — E.C. Internacional”.

Os mentores da criação foram Érico Weber, José Benevenutto Lozza, o Juca Lozza, e Olavo Castagna. Antônio Lozza, tio de Juca, foi quem doou os primeiros uniformes, já em vermelho para combinar com a cor de preferência de seu lenço, já que Lozza era partidário dos maragatos.

Como o "Colorado", de Porto Alegre havia sido campeão gaúcho pela primeira vez em 1927, o nome escolhido foi Internacional, também pelo fato de que em Santa Maria já havia o “Grêmio”, o extinto Grêmio Sportivo Brasil.

Os primeiros enfrentamentos entre Inter-SM X Riograndense apontavam amplo predomínio do clube ferroviário. Foi apenas nos anos 1940, no entanto, que as disputas se equilibraram no duelo “Rio-Nal”.

Nessa década, o Inter-SM conseguiu a primeira vitória em clássicos, em 1940, e obteve algumas conquistas do campeonato citadino. Porém, a impulsão do clube se deve a outro fator.

O Inter-SM esteve a ponto de fechar, mas a construção do ”Estádio Presidente Vargas”, em 1947, sem dúvida nenhuma foi o ponto de virada para o clube se estruturar, afirmou Cândido, se referindo à importância da construção da “Baixada Melancólica” para o crescimento da entidade.

Erguido ao lado do “Cemitério Municipal”, palco de repetidas derrotas em jogos importantes e atravessada, no inverno, por um cortante vento de mau agouro, o “Presidente Vargas”, também chamado de “Baixada”, logo viu o “Melancólica” juntar-se ao nome.

Em 1949, o alvirrubro santa-mariense revelou Waldemar Rodrigues Martins, o Oreco, que posteriormente se tornou ídolo no Internacional, de Porto Alegre e integrou a “Seleção Brasileira” campeã da “Copa do Mundo”, na Suécia, em 1958.

O grande período da história do Internacional, de Santa Maria foi, sem dúvidas, o início dos anos 1980. O clube teve campanha de destaque no “Gauchão” de 1980, fato que garantiu a classificação para a disputa da “Taça de Prata” do ano seguinte (equivalente à “Segunda Divisão” do “Campeonato Brasileiro”).

Ainda naquele ano, o Inter-SM sagrou-se campeão do interior com vitórias sobre Grêmio e Internacional na campanha exitosa. A vitória sobre o Grêmio, aliás, é guardada com carinho na memória do torcedor alvirrubro.

No dia 8 de novembro de 1981, o Inter-SM derrubou o "Tricolor" gaúcho, então campeão brasileiro, por 3 X 1, no “Estádio Presidente Vargas”. No elenco gremista estavam nomes como o goleiro Leão, Hugo De León, Tarciso e Baltazar.

O desempenho no “Campeonato Gaúcho” de 1981 rendeu a classificação para a disputa da “Taça de Ouro” de 1982, “Primeira Divisão” do “Campeonato Brasileiro”. 

O clube chegou a enfrentar o Vasco da Gama em duas oportunidades, goleada vascaína por 7 X 0 no”Maracanã” e resposta colorada em Santa Maria, com vitória por 3 X 0 sobre o cruzmaltino de Roberto Dinamite e Antônio Lopes.

A ascensão do lado vermelho de Santa Maria coincidiu, no entanto, com o enfraquecimento do maior rival. Com a decadência do setor ferroviário, o Riograndense encerrou as atividades profissionais, fechando o departamento de futebol e licenciando-se da FGF.

O enfraquecimento econômico da região central do Rio Grande do Sul também acabou por vitimar o Inter-SM. O clube perdurou por anos na elite do futebol gaúcho até ser rebaixado em 1989.

De lá pra cá, alternou acessos e rebaixamentos. O último acesso do clube foi em 2007. No ano seguinte, na "Primeira Divisão", o alvirrubro fez excelente campanha e terminou na terceira colocação.

Contudo, as dificuldades financeiras impuseram um novo rebaixamento à “Divisão de Acesso” em 2011, onde o clube se encontra até hoje. (Pesquisa: Nilo Dias)


O roupeiro "Mano".