Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Alex, o campeão do jogo limpo

Alex foi um zagueiro exemplo de disciplina, ganhador do “Prêmio Belfort Duarte”, em 10 de agosto de 1977, e símbolo de dedicação ao America Football Club, de onde chegou oriundo do Clube Esportivo Aimoré, de São Leopoldo (RS), pelo qual atuou em 1965 e 1966.

Seu jogo de estreia no clube americano deu-se num empate em 2 X 2 contra o América Mineiro, no ”Mineirão”. Já a estreia no Maracanã aconteceu a 25 de maio de 1967, na vitória por 4 X 2 sobre o Huracán, da Argentina, pelo “Torneio Internacional Governador Negrão de Lima”.

Realizou pelo clube rubro do Rio de Janeiro um total de 673 jogos entre 1967 e 1979, tendo sido campeão da “Taça Guanabara”, em 1974, e duas vezes vice-campeão (1967 e 1975). Foi ainda eleito titular absoluto do time ideal do América do século XX, em votação realizada no ano de 2000.

Ao final de 1948, Alex Kamianecky, seu irmão Miguel e o restante da  família de ucranianos chegou ao Brasil, deixando para trás uma Alemanha destruída pela guerra. Na bagagem, além da esperança por dias melhores, os dois robustos lourinhos de apenas dois anos de idade.

Desembarcaram no Rio Grande do Sul e fixaram moradia em Canoas, uma cidade em franco desenvolvimento, principalmente depois da instalação do “3º Regimento de Aviação Militar”, em 1937.

Alex Kamianecky nasceu no dia 9 de dezembro de 1945, em Hamburgo, na Alemanha. Foi como zagueiro do Clube Esportivo Aimoré de São Leopoldo (RS), que Alex assinou seu primeiro compromisso profissional. Jogava ao lado do irmão Miguel até receber um convite para treinar no Vasco da Gama.

Alex tomou coragem e foi ao Rio de Janeiro, sem imaginar que agradaria tanto ao técnico Zizinho, que depois do primeiro treinamento comparou seu futebol ao lendário Hideraldo Luís Bellini.

Mas uma indecisão dos dirigentes do Vasco, que na época tentavam negociar Brito com o Santos, precipitaram o retorno de Alex para o Rio Grande do Sul.

E foi o próprio Zizinho que indicou Alex ao América, um contato que virou contrato em 1967. A primeira participação no time principal aconteceu no empate em 2 X 2 contra o América mineiro, no Estádio do Mineirão.

No Maracanã, a primeira partida de Alex aconteceu em 25 de maio de 1967, na vitória por 4 X 2 sobre o Huracán da Argentina, confronto válido pelo “Torneio Internacional Governador Negrão de Lima”.

Moço disciplinado, zagueiro leal, Alex ainda carregava o jeitão tipicamente interiorano, o que despertava a malandragem oportunista de alguns atacantes maldosos.

Mas o América contava com Almir Albuquerque, que prontamente inibia os valentões que se metessem com o amigo Alex. E assim, a amizade entre os dois continuou por muito tempo.

Orientado pelo técnico Evaristo de Macedo, Alex foi determinante na grande campanha do América na “Taça Guanabara” de 1967. Abaixo, os registros de uma grande vitória do time de Evaristo:

16 de julho de 1967 – Taça Guanabara – América 3 X 0 Flamengo – Estádio do Maracanã – Árbitro: Cláudio Magalhães – Gols Edu aos 14’ e 20’ do primeiro tempo; Eduardo aos 20’ do segundo tempo.

América: Ita – Sérgio – Alex - Aldeci e Djair. Marcos e Ica. Joãozinho – Antunes - Edú e Eduardo. Técnico: Evaristo.
Flamengo: Marco Aurélio – Murilo – Jaime - Ditão e Válter. Carlinhos e Jarbas. Fio – Zezinho - Ademar e Rodrigues.
Técnico: Modesto Bria.

Em 1970, sob o comando do técnico João Saldanha, Alex fez parte da lista dos 40 pré-convocados para a fase de preparação para a “Copa do Mundo” daquele ano, mas acabou cortado sem chegar a vestir a camisa canarinho.

A maior conquista pelo América foi a “Taça Guanabara” de 1974. Ao todo foram 673 partidas disputadas sem nenhuma expulsão, o que lhe valeu o “Prêmio Belfort Duarte” de disciplina, recebido em agosto de 1977.

Alex nunca machucou um companheiro de profissão, ou mesmo esteve no Departamento Médico por qualquer espécie de contusão. Apenas uma hepatite contraída em 1969, que o afastou por 20 dias dos gramados.

Alex também marcava seus golzinhos, quase sempre de cabeça ou em cobranças de penalidades.

Naturalizado brasileiro, Alex permaneceu no América até 1979. Ao receber o passe livre e se transferir para o Sport Clube do Recife, Alex fez questão de incluir em seu novo contrato uma cláusula para não jogar contra seu ex-clube.

Conforme alguns registros, o zagueiro defendeu ainda por um curto período o América de Natal e Moto Clube de São Luís, onde encerrou pela primeira vez sua carreira como jogador.

Posteriormente, Alex ainda retornou aos gramados para defender o São Cristóvão em 1982, que na oportunidade disputava a Segunda Divisão do campeonato carioca.

Depois do futebol, Alex trabalhou como Representante Comercial de materiais de informática. Atualmente, mora em Canoas (RS). É empresário e ocupa-se também revelando jogadores.

No ano 2000, uma eleição promovida pela revista Placar colocou Alex Kamianecky no “Melhor América de todos os tempos”. Alex também está entre os jogadores homenageados no Hall da Fama do Estádio do Maracanã.

Desde13 de maio de  2017, a história de 13 anos, marcada por identificação, regularidade, liderança e amor pelo América que encantou o Rio de Janeiro - e o Brasil -, no fim dos anos 60 até o fim da década de 70, está registrada no livro "Alex Coração Americano: o campeão do jogo limpo", livro-homenagem de autoria de Sílvio Köhler.

Além de Alex, o lançamento do livro também contou com depoimentos de personalidades como Apolinho, Dé Aranha, Edu Coimbra, Iata Anderson, Jairzinho Furacão e Zico. (Pesquisa: Nilo Dias)


terça-feira, 8 de outubro de 2019

O time dos homens de cor

Que o racismo imperou no futebol brasileiro em seus primeiros tempos é sabido. O que pouca gente sabe é que em São Paulo um clube de futebol foi fundado como uma resposta aos que dificultavam ou restringiam a presença de atletas “pretos” e “mulatos” em suas entidades.

Sua criação também serviu como uma reação à “linha de cor” que imperava dentro e fora dos gramados naqueles tempos. Os grandes times do futebol paulista eram o Club Athlético Paulistano, a Associação Athlética das Palmeiras e o Sport Club Corinthians Paulista, nascido em 1910.

Os dirigentes desses clubes acreditavam que os atletas negros eram inferiores aos brancos na técnica e à ciência do futebol clássico Mesmo quando algum era aceito para jogar, não tinha permissão para participar das suas atividades sociais – como festas e bailes.

A Associação Athletica São Geraldo foi conhecida em seus áureos tempos como o “clube dos homens de cor”. Sua fundação ocorreu no dia 1º de novembro de 1917, por um grupo de desportistas negros: Silvério Pereira, Rufino dos Santos, Felisbino Barbosa, Horácio da Cunha, Benedito Costa e Benedito Prestes.

A finalidade era promover a prática tanto do futebol quanto do atletismo. Suas cores eram o preto e o branco. Ao longo do tempo, seus investimentos maiores foram sempre no futebol. O clube teve sedes na Barra Funda e depois em Perdizes.

Praticar o futebol já naquela época custava caro. Parte do material usado no esporte, tais como bolas, meias, calções, luvas, joelheiras e tornozeleiras era tudo importado.

Não se tem ideia de como o São Geraldo conseguia enfrentar tais despesas. É provável que a sua principal fonte de recursos derivava das mensalidades dos sócios.

Outras prováveis fontes de renda vinham de donativos e da arrecadação das festas e bailes.

Anos mais tarde, Dionísio Barbosa – o fundador e principal dirigente do “Cordão Carnavalesco Camisa Verde”, disse que cedia o salão da agremiação ao São Geraldo, para que este realizasse bailes para arrumar dinheiro, para comprar camisas. E os jogadores do São Geraldo, por sua vez, retribuíam fazendo a proteção dos bailes do “Camisa Verde”.

O clube foi criado pelos “negros da Glette”, um grupo que se encontrava na “Alameda Glette”, próximo à linha férrea. Não tinham habilidades artesanais que os favorecessem profissionalmente, nem dominavam um ofício, por isso trabalhavam como carregadores e ensacadores. Por vezes viviam à margem da ordem social vigente.

Eram respeitados pela sua força física, daí terem recebido a alcunha de “valentes da Barra Funda”. Todavia, as informações fragmentadas disponíveis não permitem tecer detalhes acerca da origem do São Geraldo.

Além do caráter recreativo, o São Geraldo também se inseriu na rede de associativismo negro que, a partir do início do século XX, floresceu em São Paulo. Foram criadas dezenas de associações voltadas para fomentar as atividades recreativas, culturais, políticas e sociais dos autodenominados “homens de cor”.

Eram entidades “dançantes”, “recreativas”, “dramático recreativas”, “dramático recreativa e literária”, “dramático recreativa literária e beneficente”, “beneficente e humanitária, recreativas e esportivas”, ou exclusivamente “esportivas”.

Apesar das diferenças de nomes, essas associações buscavam o desenvolvimento de uma identidade específica, de negros (nós), em oposição aos brancos (eles).

O São Geraldo surgiu na Barra Funda, bairro onde existia um importante segmento da “população de cor”, vinda na maioria de pequenas cidades do interior do Estado. Essa gente vinha à Capital em busca de emprego e melhores condições de vida no pós-abolição.

Era o tempo da fartura do café nas lavouras paulistanas. Na Barra Funda, foram construídos, além da estação ferroviária, grandes armazéns para estocar especialmente o produto.

A mão de obra básica era composta por negros, que realizavam as tarefas mais penosas de carregamento e descarregamento de mercadorias, tanto nesses armazéns, quanto naqueles situados no porto de Santos, para onde eles iam sempre que escasseava o trabalho em São Paulo.

Já as mulheres prestavam serviços como domésticas nas casas das famílias ricas da cidade.

Quando tinham um tempo livre os negros realizavam batuques em torno dos botequins da “Alameda Glette”, rodas de samba, jogos de pernada, umbigada e tiririca (espécie de capoeira) no “Largo da Banana” e comemoravam o Carnaval por meio dos grupos “Barra Funda”, “Campos Elísios” e “Flor da Mocidade”, cordões carnavalescos pioneiros em São Paulo.

A Barra Funda era na verdade um dos maiores “territórios negros” da cidade, nas primeiras décadas do século XX. Na parte alta do bairro, próximo ao Bom Retiro, os terrenos baldios existiam em profusão, sendo usados por essa população, nos primórdios do futebol.

A entidade organizou seus estatutos, registrou em cartório e criou uma estrutura funcional alicerçada em uma Diretoria, associados e atividades. Sua primeira sede foi Rua Barra Funda, mais tarde transferida para a Rua Florêncio de Abreu.

Aos poucos o time de futebol, cujo uniforme tinha as cores preta e branca, foi se estruturando até se filiar à Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA) – encarregada de organizar o futebol no Estado – e disputar o campeonato da chamada “Divisão Municipal”, que reunia uma série de clubes de várzea.

Não demorou para o clube ganhar destaque em meio aos negros. Tinha no time bons jogadores, como Zelão, Tita, Africano, Filipão, Olavo, Caçaróla, Pé, Buiú, Alfredo, Goiabada, Bizerrão, Caetano, Vaca Braba, Bode e Hilário, que protagonizaram, na “zona Pacaembu, jogos de escol”.

Também merecem ser lembrados Carlos Campos, o “famoso beque” Sarará, o atacante Ditinho – considerado um dos craques do time – e o “meia esquerda” Paulo, que foi uma figura brilhante.

Ao longo de sua trajetória, o “alvinegro” da Barra Funda colecionou resultados positivos dentro dos gramados, sendo o principal deles a conquista da “Copa do Centenário da Independência do Brasil” – nome dado ao campeonato paulista de 1922 –, evento que fez parte das comemorações alusivas aos 100 anos da emancipação política do Brasil.

Tratou-se de uma competição bastante disputada. O São Geraldo, clube constituído “somente de elementos de cor”, enfrentou na final o Flor do Belém, time “formado por brancos” e considerado favorito ao ambicionado título.

A decisão do “Campeonato do Centenário” se deu no “Estádio da Floresta”, num domingo de Páscoa.

Com a conquista do título, o “alvinegro” da Barra Funda tornou-se mais conhecido em São Paulo, especialmente no meio negro, legitimando-se como o principal time de futebol do gênero.

Além de disputar o campeonato da APEA, o São Geraldo costumava jogar contra outros clubes de negros. Um dos grandes rivais do São Geraldo localizava-se justamente no mesmo bairro. Era o time de futebol do Grêmio Barra Funda, com o qual disputou partidas memoráveis.

Em abril de 1926, o “Grêmio Recreativo Nem que Chova” abriu as inscrições de um “festival esportivo”, planejando reunir 10 times de futebol do meio negro no campo do “Paulista de Aniagens”, situado na Rua Glicério. Como premiação, previa-se distribuir “duas ricas taças”.

O “festival” ocorreu no dia 9 de maio daquele ano e, ao que parece, contou com a participação do São Geraldo. Já no ano de 1932, o time ganhou a “Taça Clarim d’Alvorada”, troféu de campeão entre as agremiações esportivas negras, que existiam na capital.

Também os intercâmbios do “alvinegro” da Barra Funda ocorreram com os clubes do interior paulista. Em agosto de 1929, a equipe viajou até a cidade de Campinas, para enfrentar a Ponte Preta, que venceu por 4 X 2.

Em algumas vezes o São Geraldo jogou torneios e partidas amistosas  contra adversários de outros Estados, em especial do Rio de Janeiro.

Em 1925, ocorreu uma crise na organização do futebol paulista, o que levou o Clube Atlético Paulistano a abandonar a APEA e decidir criar a Liga de Amadores de Futebol (LAF).

Seu gesto foi acompanhado imediatamente pela Associação Atlética das Palmeiras e pelo Sport Club Germânia. A nova associação nasceu com o propósito de “depurar” o futebol e incrementar a prática do esporte sobre as bases do “mais restrito amadorismo”.

Tanto a APEA quanto a LAF reivindicavam para si o direito de representar oficialmente o futebol do Estado de São Paulo. Neste cenário, o São Geraldo aderiu à nova associação, disputando o campeonato da divisão “intermediária”.

Convém lembrar que, nessa época, não havia lei de acesso. Os nove times considerados grandes: Club Atlético Paulistano, Sport Club Germânia, Sport Club Corinthians, Associação Atlética das Palmeiras, Britânia Atlético Clube, Clube Atlético Santista, Antártica Futebol Clube, Clube Atlético Independência e Paulista Futebol Clube, que compunham a divisão mais importante da LAF, jogavam entre si e não corriam o risco de rebaixamento.

Já o São Geraldo jogava contra os clubes menores, muitos dos quais egressos do futebol de várzea. E mesmo que aí se destacasse, não havia a perspectiva de ascender à divisão principal.

A imprensa negra costumava acompanhar o desempenho do São Geraldo: “A Associação Atlética São Geraldo é uma das agremiações de homens pretos que, no esporte, tem sabido honrar sobremaneira o nome do negro brasileiro”.

Segundo jornal “O Clarim d’Alvorada”, o São Geraldo fechou a competição de 1929 de “um modo brilhante e digno de todos os encômios”. Basta dizer que, no decorrer do ano, seu “quadro” não sentiu o gosto da derrota. Os “jogadores não sofreram a menor pena ou censura, em se tratando de disciplina”.

Aquele foi o último campeonato que o São Geraldo disputou na LAF.
Lentamente, os times foram regressando à APEA. Foi o caso do Sport Club Corinthians, que ajudou a erguê-la em 1925, e retornou à APEA em 1927, tendo nela participado de apenas um campeonato. Ao todo, a LAF organizou três campeonatos paulistas, extinguindo-se em 1929.

O insucesso da entidade deveu-se basicamente à sua insistência em manter o futebol amador. Enquanto isso, a APEA, que na teoria preconizava o amadorismo, na prática deixava que clubes e jogadores experimentassem o profissionalismo.

Não tardou para que os melhores jogadores da entidade dissidente começassem a se transferir para as equipes da APEA. Os que lá permaneceram, com raras exceções, não desejavam mesmo se profissionalizar como futebolistas.

Foi neste contexto que o São Geraldo elegeu uma nova diretoria e voltou a se afiliar à APEA, participando de suas competições. Mas, naquela altura, o clube da Barra Funda já não era o mesmo.

Pouco a pouco entrou em crise, enfrentou tensões internas e se desarticulou coletivamente. Sem resultados expressivos dentro de campo, restava viver de um discurso saudosista. Não é possível assegurar, quando o time encerrou as suas atividades, mas parece que foi na primeira metade da década de 1940.

O insucesso do São Geraldo deveu-se basicamente à sua insistência em manter o futebol amador – condição na qual os jogadores ficavam desprovidos de salário, vínculo formal e não conseguiam viver exclusivamente do futebol.

Conforme revelou “A Voz da Raça” em julho de 1933, “os principais clubes de futebol aos poucos iam reformando seus estatutos e entre cláusulas abolidas figurava sempre a que proibia a entrada de homens de cor”.

Para o veículo de comunicação “oficial da Frente Negra Brasileira”, o jogador símbolo do “ingresso do negro nos altos cenários” do futebol foi Mateus Marcondes.

O “másculo” atleta do Clube Espéria teria sido a última “figura a aparecer vitoriosamente em nossos esportes, vencendo e convencendo aos paredros do futebol bandeirante”.

Muitos clubes da primeira divisão do futebol paulista passaram a “recrutar” jogadores negros na década de 1930. Isto não significa que tenham cessado as denúncias de que tais jogadores, embora elevassem o nome das agremiações desportivas, eram aceitos apenas como atletas e não como sócios.

Seja como for, emergiu um fenômeno novo: alguns dos melhores jogadores negros migraram para os grandes clubes. Bianco, o famoso “gorrinho encarnado” do Sul-América, transferiu-se para a Associação Atlética das Palmeiras.

Talvez o caso mais emblemático tenha sido Petronilho de Brito, um típico jogador da várzea paulistana que, na concepção de Thomaz Mazzoni, trouxe pioneiramente para o “futebol dos grandes clubes o verdadeiro futebol da raça negra”.

Quem um dia descobriu o São Geraldo foi o Corínthians. Começou a passar a mão nos negros devagarinho, tirou um, tirou outro e destruiu o São Geraldo.

O São Geraldo, continuou a ser evocado no meio negro como o “Campeão do Centenário”. Dada a importância do acontecimento, devia ser celebrado, rememorado e transmitido de geração para geração, para não cair no esquecimento.

Em 1948, ao recordar os “maiores feitos do futebol brasileiro”, a folha “Mundo Esportivo” mencionou o título do São Geraldo de campeão do Centenário da “Divisão Municipal”.

A esse respeito, o “Clarim d’Alvorada” já tinha sido bem incisivo em sua edição de 26 de julho de 1931: “o São Geraldo é um clube que honra a coletividade negra no futebol paulista”.

Para muitas “pessoas de cor”, o São Geraldo era uma fonte de orgulho racial. Na prática desportiva, constituía uma espécie de sismógrafo do quanto o negro era perseverante, dotado de disciplina e qualidades físicas, aliadas à inteligência e competência para alcançar os pináculos da vitória e se impor perante os desafios da vida (e da nação), colocando em xeque a ideologia de sua inferioridade racial. (Pesquisa: Nilo Dias – Fonte maior: “Verminosos por Futebol)

O São Geraldo sagrou-se campeão municipal do centenário, em 1922 (Foto: Cacellain)

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Grêmios vermelhos e Inter azuis

A dupla Gre-Nal faz o maior clássico do futebol brasileiro e um dos maiores do mundo. A rivalidade é enorme, muitas são as histórias que envolvem de tudo um pouco, até brigas eternas entre familiares.

O Rio Grande do Sul está dividido entre as cores vermelha e azul. Grêmios vermelhos? Sim. Existem. E aos montes. Normal. Mas um time com o escudo igual ao do Internacional nas cores azuis. Isto sim é bastante estranho.

Em nenhum outro Estado, a rivalidade entre dois clubes é tão forte. A ponto de fazer "Papai Noel" deixar de lado a roupa vermelha e patrocinadores abrirem mão do azul.

No final de 2014, o clássico gaúcho foi apontado pela revista inglesa “FourFourTwo” como um dos 10 maiores do mundo. Foi o único brasileiro incluído na lista.

Sei que tem gente fora do Rio Grande do Sul que não quer aceitar essa realidade. E aponta Vasco X Flamengo, Fla,engo X Fluminense, Palmeiras X Corinthians, Cruzeiro X Atlético como os maiores clássicos. Mas no fundo sabem que não são.

Pelos "pampas" a coisa é tão absurda, que torcedores dos dois lados preferem perder campeonatos, só para ver o adversário cair para a segunda divisão ou não classificar para torneios importantes, como a Copa Libertadores da América.

No Rio Grande do Sul e até mesmo em outros Estados da Região Sul, como Paraná e Santa Catarina, onde as torcidas de Grêmio e Internacional são grandes, tricolores e colorados se colocam em lados opostos em diversas situações.

Mas em 2015 a diretoria do Internacional surpreendeu com a iniciativa de destinar um espaço no Beira Rio para torcida mista no Gre-Nal do dia 1º de fevereiro, pelo “Gauchão”. Os torcedores, a partir de então, puderam ficar lado a lado, provando que são rivais, mas não inimigos.

A rivalidade entre tricolores e colorados é tanta que na década de 1980, quando a “Coca-Cola” patrocinava os principais times do futebol brasileiro, a multinacional teve de abandonar sua tradicional cor vermelha para estampar a camisa do Grêmio.

Até mesmo o “Papai Noel” dos tricolores é azul. Um caso parecido também aconteceu quando o Internacional passou a ser patrocinado pelo “Banco do Estado do Rio Grande do Sul” (Banrisul) no início dos anos 2000. É que a cor da marca do banco era azul. Uma agência chegou a se utilizar da cor vermelha para agradar os colorados.

Campos dos Goytacazes (RJ), município com tradição no futebol e que já revelou os campeões mundiais pela seleção brasileira Didi e Amarildo, é um dos locais onde existe um Grêmio “Vermelho”.

É isto mesmo. Na terra que é mais conhecida pela grande rivalidade entre Americano e Goytacaz, encontra-se um time amador que contraria a lógica.

O Grêmio Esportivo Custodópolis, fundado em 1967, tem as cores vermelha e branca, as mesmas do arquirrival do Grêmio de Porto Alegre, o Internacional. Uma afronta tanto para gremistas, quanto para colorados.

“Não estranho o Grêmio Esportivo Custodópolis utilizar a cor vermelha como referência, pois o termo “Grêmio” não é um substantivo próprio. O significado da palavra remete a um grupo que compartilha dos mesmos ideais. Portanto, a meu ver, o time chama-se “Custodópolis”.

Seguindo a ideia, o clube gaúcho corretamente rotula-se “Porto Alegrense”, defende o professor e escritor Cristiano Pluhar, sócio do Internacional, gaúcho radicado em Campos desde 2009.

O fato é comum se considerarmos que o termo Grêmio se refere a uma agremiação. Existem outros Grêmios vermelhos pelo Brasil afora, como o Grêmio Vesúvio, um time de bombeiros da mesma Campos; o Grêmio Paulista Futebol Clube, de Campinas (SP); o Grêmio da Boa Vista, de Italva (RJ); o Grêmio Ubaense, de São José do Ubá (RJ); o Grêmio Atlético Sampaio, de Boa Vista (RR).

E pelo Rio Grande do Sul afora também temos Grêmios para ninguém botar defeito: Grêmio Atlético Glória, de Carazinho, vermelho e branco; Grêmio Esportivo Brasil, de Pelotas, vermelho e preto; Grêmio Esportivo Gabrielense, de São Gabriel, vermelho e branco: Grêmio Santanense, de Santana do Livramento, vermelho e branco. E por ai vai.?

Já times com o nome de Internacional geralmente são vermelhos e brancos, casos dos Internacional, de Lajes (SC), de Bebedouro (SP), de São Borja (RS, de Santa Maria (RS), Internacional de Salvador (BA), Internacional de Rio Branco (AC), Internacional de Ajuricaba (RS), Internacional de Cuiabá (MT), Internacional de Laguna (SC), Internacional de Pato Branco (PR), Internacional de Santo Augusto (RS), Internacional de Bom Retiro do Sul (RS) e Internacional de Santa Rita (PB).


Mas tivemos também Internacional de cor azul, como o de Rosário do Sul. E preto e branco, como o de Limeira (SP). 


Este ano, o Nacional, do Uruguai, cometeu uma gafe no seu site ao divulgar informações sobre ingressos para a partida contra o Internacional pela Copa Libertadores da América. 

A venda exclusiva para sócios, na arte que mostrava os valores das entradas nos diferentes setores do "Estádio Gran Parque Central", o símbolo colorado estava na cor azul. O mesmo ocorreu em outra imagem, que dava instruções sobre a compra de ingressos.

E o que dizer do hino do Internacional que em uma parte diz assim: "Colorado de ases celeiro/Teus astros cintilam num céu sempre "azul"/Vibra o Brasil inteiro/Com o clube do povo do Rio Grande do Sul".

Mas o mais curioso é o Sport Club Ivoti, da cidade homônima Ivoti (RS), a “Cidade das Flores”, que tem cerca de 20 mil habitantes. Trata-se de um time amador, fundado em 6 de janeiro de 1953, campeão sul-brasileiro amador em 1996.

Em 2010, o Ivoti teve de mudar o escudo a pedido do Internacional. Porque tinha o distintivo muito parecido com o do Inter, mas com as cores azuis! Pode?



O Grêmio Esportivo Custodópolis, de Campos (RJ), joga de vermelho, enquanto o Sport Club Ivoti, de Ivoti (RS), já teve escudo semelhante ao do Internacional, mas com a cor azul (Foto: Divulgação)

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Mais um clube gaúcho torna-se centenário

O Clube Esportivo Bento Gonçalves, conhecido apenas como Esportivo, é mais um clube gaúcho e brasileiro a se tornar centenário. Fundado no dia 28 de agosto de 1919, o clube tem sua sede na cidade de Bento Gonçalves.

O primeiro jogo oficial foi disputado no dia 21 de setembro do mesmo ano, tendo empatado pelo placar de 1 X 1 com a equipe do Garibaldi. O primeiro título amistoso foi em 1939, quando ganhou a “Taça Perdigueiro.”

A primeira conquista a nível estadual ocorreu em 1969, com o título da segunda divisão do “Campeonato Gaúcho”, estabelecendo assim uma expansão da marca do clube para todo o Estado.

No ano seguinte, em 1970, a equipe passou a disputar a primeira divisão do “Campeonato Gaúcho”, onde, naquele mesmo ano, se sagrou campeã do interior, ao terminar o campeonato na quarta posição.

Os principais títulos conquistados pelo clube foram a “Copa FGF” de 2004, a “Copa Governador do Estado” em três oportunidades, a “Divisão de Acesso” do “Campeonato Gaúcho”, também em três oportunidades e o “Campeonato do Interior” em seis oportunidades.

A equipe já participou de competições nacionais, como a “Copa do Brasil”, onde atingiu a segunda fase em 2005, bem como três vezes da “Série B” e outras três da “Série C” do “Campeonato Brasileiro”. Atualmente, integra a “Divisão de Acesso” do “Campeonato Gaúcho”.

Os jovens da recém formada cidade de Bento Gonçalves praticavam futebol aos finais de semana, jogando em campos improvisados, terrenos baldios, ou locais cedidos por alguma família, espalhados por diferentes zonas da cidade.

A cidade já possuía alguns times amadores, os principais eram São Luiz, Canto-Fura, Liberal e Caramuru. Por serem amadores, estes clubes não tinham consistência para enfrentar igualmente agremiações das cidades vizinhas de Caxias do Sul, Garibaldi, Carlos Barbosa, Alfredo Chaves, Prata e Montenegro.

Com a ideia de representar a cidade em competições intermunicipais, Leonardo Carlucci lançou a ideia de fundar um clube que pudesse tomar parte nas competições intermunicipais.

A sugestão foi aprovada por todos e foi criado o clube, que a princípio chamava-se "Club Sportivo Bento Gonçalves", afirmando a forte influência italiana. Em 24 de agosto de 1919, o clube formado, elegeu seu primeiro presidente, Gastão de Almeida, e vice-presidente, Ernesto Lorenzoni.

A inauguração do clube, no dia 21 de setembro de 1919, foi tida como um grande evento na cidade, marcado pelo comparecimento dos associados e vários convidados no ato realizado.

Depois, foram assistir ao primeiro jogo da equipe, enfrentando o Garibaldi. Antes da partida ocorreu a apresentação da banda de Bento Gonçalves.

Referente ao jogo entre os clubes de Bento Gonçalves e de Garibaldi não existem muitos relatos, porém sabe-se que a partida terminou empatada em 1 X 1.

O Esportivo estava assim escalado: Pasquetti - Holleben e Salton. Cardoso - Turcato e Enricone. Zanoni – Fedullo – Bissaco - Ros e Ponzoni.

Logo após sua fundação, o Esportivo começou a construir sua trajetória pelo interior do estado do Rio Grande do Sul. Como resultado disso, as agremiações de caráter amador que pertenciam a cidade de Bento Gonçalves acabaram cessando suas atividades, devido ao fato de praticamente todos os jogadores terem se transferido para o Esportivo.

O Esportivo em seus primeiros anos de existência realizava muitas excursões para as cidades vizinhas de Garibaldi e Carlos Barbosa. As viagens até o destino das partidas eram realizadas por meio de trem, carroças ou a cavalo.

Como os jogadores não recebiam nada pelos seus serviços e nem todos podiam cobrir as despesas de tais viagens, outros jogadores mais favorecidos economicamente e sócios custeavam esses valores.

Uma rivalidade grande com equipes de Caxias do Sul foi formada. Os principais adversários eram o Juvenil, Juventude e Americano. Os times caxienses eram mais antigos e possuíam reforços de jogadores estrangeiros, principalmente uruguaios que eram famosos na época.

Relatos afirmam que a rivalidade era tanta que muitas vezes as partidas não eram concluídas por confusões geradas dentro do campo de jogo. Porém, ao término do confronto, à noite o time mandante oferecia um baile aos visitantes, onde ocorria uma confraternização.

No ano de 1923, a cidade de Bento Gonçalves recebeu a equipe do Grêmio Foot Ball Porto Alegrense, que enfrentou o time local. O Esportivo terminou o primeiro tempo vencendo por 2 X 0 .

Entretanto, o Grêmio, comandado por Eurico Lara conseguiu se sobressair na segunda etapa devido ao melhor preparo físico, marcando seis gols e vencendo o jogo pelo placar de 6 X 2.

Somente 15 anos depois da visita do Grêmio, no dia 23 de outubro de 1938, o Esportivo disputou novamente um jogo com outro tradicional clube de Porto Alegre.

O Sport Club Internacional realizou um amistoso com o Esportivo, marcado por grande festividade, e homenagem do Esportivo presenteando o Internacional com um buquê de flores.

Na partida, a equipe do Esportivo obteve uma vantagem de 3 X 1, porém não resistiu à pressão imposta pelo Internacional, que empatou o jogo em 4 X 4.

Apenas 22 anos depois de sua fundação, no dia 24 de setembro de 1941, o Esportivo deu os primeiros passos para adquirir o próprio estádio. Erny Hugo Dreher, presidente do clube, enviou ofício ao então prefeito de Bento Gonçalves, João Dentice, solicitando junto a prefeitura a doação de um terreno para a construção de seu estádio.

Primeiramente, o presidente Dreher expôs que há mais de 20 anos já havia solicitado junto à prefeitura um terreno para a prática do futebol pelo clube. Também, disse que o terreno cedido pela prefeitura foi cercado e a infraestrutura melhorada com despesas pagas pelo próprio clube, mas que as melhorias já não se encontram mais em boas condições.

Outro ponto destacado pelo presidente do Esportivo foi a solicitação de auxílio financeiro de sete contos e quinhentos mil réis à prefeitura, para uma reforma no campo que já não estava em boas condições, principalmente para prática do futebol.

No ano seguinte, em 19 de abril de 1942, foi lançada a pedra fundamental para a construção do novo estádio. Enquanto as obras do estádio seguiam, o Esportivo continuava sua caminhada em jogos, já percorrendo todo estado, participando inclusive do campeonato estadual amador.

A inauguração do estádio do Esportivo ocorreu três anos depois de iniciadas, em 26 de agosto de 1945. A maior renda vista no estádio do Esportivo, nesta época, foi na data de sua inauguração, em uma partida comemorativa contra o Clube Atlântico da cidade de Erechim.

Cerca de quatro mil espectadores estavam presentes gerando uma renda de quase 900 mil cruzeiros, recorde no Estado naquele período. Os jogadores de ambos os times foram recebidos com fogos, confetes e serpentinas.

Dante Marcucci, fundador do Juventude, de Caxias do Sul sobrevoou as imediações do estádio com a esquadrilha de aviões do aeroclube de Caxias do Sul.

Além disso, clubes do Estado enviaram presentes ao Esportivo, parabenizando o clube pela data. A partida terminou empatada em 0 X 0. O estádio, denominado “Estádio da Montanha”, estava localizado em uma área elevada da cidade, onde hoje é o bairro “Cidade Alta”.

Em 1952, a equipe disputou sua primeira competição profissional, a “Segunda Divisão”, onde foi eliminado na fase de grupos. Jogou os campeonatos de 1953, 1954, quando foi campeão do torneio da zona leste e classificou-se para a fase final, onde terminou na terceira colocação. 

Em 1955, não participou de nenhum campeonato. Em 1956 e 1957 a equipe classificou-se para as semifinais e terminou a competição na terceira e quarta colocação, respectivamente. Entre os anos de 1958 e 1968, a equipe disputou os torneios preliminares da “Segunda Divisão”, porém não conseguiu classificar-se para a fase final.[

Continuou as disputas em 1969, alcançando pela primeira vez classificação para a primeira divisão do “Campeonato Gaúcho de 1970Entre os anos de 1971 e 1978, a equipe não fez grandes campanhas no “Campeonato Gaúcho”, terminando na terceira colocação nas edições de 1971 e 1976 e na quarta colocação em 1973 e 1978.

Nesta década, a equipe conquistou vitórias importantes sobra a dupla Grenal. Contra o Grêmio venceu por 5 X 2 em 1971, encerrando a sequência de 24 partidas sem derrotas da equipe, e contra o Internacional, onde venceu por 2 X 1, sendo a primeira equipe do interior gaúcho a vencer no “Estádio Beira-Rio”.

Já na edição de 1979, a equipe fez a melhor campanha da sua história no Campeonato Gaúcho. A equipe conquistou 17 pontos e foi vice-campeã do “Campeonato Gaúcho”, terminando o campeonato a frente de equipes tradicionais, como o Internacional e Juventude.

Com a conquista, a equipe teria direito de disputar a primeira divisão do “Campeonato Brasileiro”, porém, segundo anunciado pela “Federação Gaúcha de Futebol”, a equipe não teria um estádio adequado para a disputa da primeira divisão.

Entre 1970 e 1991, a equipe disputou a “Copa Governador do Estado”, na qual foi campeã em três oportunidades. 

No dia 30 de maio de 1979, ocorreu um jogo histórico no futebol brasileiro. O Esportivo enfrentou o Grêmio na “Montanha”, num jogo disputado com muita neve, numa temperatura que chegou a -2 °C. Pessoas que filmavam a partida aproveitaram para fazer tomadas deste jogo histórico. A partida terminou em 0 X 0 e foi batizada como "O Jogo da Neve".

Além destes títulos, a equipe também conquistou o “Campeonato do Interior Gaúcho” em seis oportunidades (1970, 1971, 1976, 1979, 1982 e 1987), título que era muito cobiçado pelas equipes do interior gaúcho na época.

No “Campeonato Gaúcho” de 1980, a equipe foi rebaixada para a “Segunda Divisão”. Na “Segunda Divisão” de 1981, a equipe terminou a primeira fase na primeira colocação e foi promovido novamente para a “Primeira Divisão”.

Na década de 80, a equipe passou a disputar competições a nível nacional, participando do “Série B” em três oportunidades. Em 1983 terminou na terceira colocação com seis pontos ganhos em cinco jogos, tendo duas vitórias, dois empates e uma derrota, não conseguindo qualificar-se para a próxima fase.

Disputou pela segunda vez em 1987, terminando na última colocação, com apenas dois pontos ganhos em cinco jogos, com nenhuma vitória, dois empates e três derrotas.

A última participação na “Série B” foi em 1989, terminando novamente na última colocação, com apenas dois pontos ganhos em 10 jogos, com nenhuma vitória, dois empates e oito derrotas.

A equipe participou da “Série C” também por três oportunidades. Na primeira participação, em 1988, ficou na terceira colocação com nove pontos ganhos em seis jogos, apenas a dois pontos da classificação para a próxima fase.

Participou novamente em 2004, terminando novamente em terceiro lugar, com cinco pontos conquistados em seis jogos, tendo uma vitória, dois empates e três derrotas.

Sua última e melhor participação foi na edição de 2007, onde foi eliminado somente na terceira fase.

No “Campeonato Gaúcho” de 1997, a equipe foi rebaixada após terminar o campeonato na última colocação, conquistando apenas sete pontos em 13 jogos disputados, com uma vitória, cinco empates e sete derrotas.

Já em 1999, a equipe conquistou seu bicampeonato da “Segunda Divisão”. No quadrangular final, a equipe terminou novamente na primeira colocação, com 15 pontos ganhos em seis jogos, tendo cinco vitórias e uma derrota, sagrando-se bicampeão da “Segunda Divisão” e conquistando a vaga para a “Série A” de 2000.

Entre os anos de 2000 e 2004, a equipe não fez campanhas de destaque no “Campeonato Gaúcho”, terminando sempre entre a quinta e a sétima colocação.

O ano de 2004 foi marcado por grandes conquistas para a equipe. No dia 29 de fevereiro de 2004, o Esportivo inaugurou seu novo estádio, o “Parque Esportivo Montanha dos Vinhedos”, durante amistoso contra o Pelotas, onde venceu por 2 X 0, com o primeiro gol marcado pelo jogador Ernestina do Esportivo.

O estádio, com capacidade para 12.859 pessoas, na época da inauguração era o terceiro estádio mais moderno do Rio Grande do Sul, ficando atrás apenas do “Estádio Beira-Rio” e “Estádio Olímpico Monumental”.

A construção do estádio foi iniciada em 1983, levando 21 anos para ser concluída. No dia 4 de abril de 2004, um mês após a inauguração, um clássico Grenal, válido pelo “Campeonato Gaúcho”, foi disputado no estádio, terminando com a vitória do Internacional pelo placar de 2 X 1.

Neste mesmo ano, a equipe disputou a primeira edição da “Copa FGF”, organizada pela “Federação Gaúcha de Futebol”. Na grande final, enfrentou a equipe do Gaúcho. No primeiro jogo em 15 de novembro, no “Parque Esportivo Montanha dos Vinhedos”, a equipe do Esportivo venceu por 3 X 0, com gols de Cadu, Caio e Jal.

No jogo de volta em 21 de novembro, no “Estádio Wolmar Salton”, a equipe venceu novamente por 2 X 0, conquistando o título e classificando-se para a “Copa do Brasil” de 2005. Além do título, o jogador Fernando Rech, do Esportivo foi o artilheiro da competição, com 13 gols marcados.

Classificado, disputou a “Copa do Brasil” de 2005. Na primeira fase, a equipe eliminou o Londrina, vencendo o primeiro jogo por 4 X 1 e perdendo o segundo jogo por 2 X 0.

Na segunda fase, enfrentou o Fluminense. O primeiro jogo, no “Parque Esportivo Montanha dos Vinhedos”, a equipe do Fluminense venceu por 2 X 1, com dois gols do jogador Gabriel.

A segunda partida foi histórica para a equipe, era a primeira vez que iriam jogar no “Estádio do Maracanã”, considerado o templo do futebol mundial na época.

Novamente o Fluminense venceu, por um placar de 1 X 0, com gol marcado pelo jogador Marquinho, eliminando o Esportivo da competição.

No “Campeonato Gaúcho” de 2010, a equipe foi rebaixada para a “Segunda Divisão”, após terminar o campeonato na penúltima colocação, com 10 pontos conquistados em 15 jogos, com três vitórias, um empate e 11 derrotas. Na “Segunda Divisão” de 2011, a equipe foi eliminada na segunda fase.

Na edição de 2012, a primeira denominada "Divisão de Acesso", ganhou o direito de disputar a “Primeira “Divisão” de 2013.

Na partida de ida da final, a equipe venceu por 2 X 1 em jogo no “Estádio Vermelhão da Serra”. No jogo de volta no “Parque Esportivo Montanha dos Vinhedos”, a equipe manteve o empate por 1 X 1 e conquistou o tricampeonato da “Divisão de Acesso”. A campanha perfeita da equipe no campeonato fez com que ela ganhasse o apelido de "Polenta Mecânica".

Em 2014, no dia 5 de março, num jogo contra o Veranópolis, no estádio “Montanha dos Vinhedos”, o Esportivo venceu por 3 X 2 e, após o apito final, o árbitro Márcio Chagas da Silva encontrou bananas em seu carro, estacionado no local reservado para árbitros dentro do estádio.

No dia 13 de março, ocorreu o primeiro julgamento deste caso, na sede da “Federação Gaúcha de Futebol”. O julgamento, que teve início às 17h30min, durou mais de quatro horas. Como resultado, o Esportivo perdeu cinco mandos de campo e teve que pagar uma multa de 30 mil reais.

No dia 10 de abril, ocorreu o segundo julgamento deste caso, também na sede da “Federação Gaúcha de Futebol”. Neste julgamento, por 6 votos a 2, o Esportivo perdeu nove pontos, 5 mandos de campo e foi multado em 30 mil reais.

Coube ao clube tentar recurso no “Superior Tribunal de Justiça Desportiva”, no Rio de Janeiro. Em novo julgamento, dia 17 de julho, o Esportivo recuperou seis dos nove pontos perdidos, além de reverter a perda dos mandos de campo.

Mas, como o Passo Fundo também havia conseguido recuperar oito pontos no tribunal, o Esportivo foi rebaixado à “Divisão de Acesso” do “Campeonato Gaúcho” de 2015.

Na “Divisão de Acesso” de 2015, a equipe fez uma campanha ruim, conquistando seis pontos em sete jogos, ficando com o mesmo número de pontos do Nova Prata, equipe que foi rebaixada.

No ano seguinte, em 2016, a equipe se recuperou e terminou a primeira fase na terceira colocação, com 22 pontos em 14 jogos.
Porém na segunda fase, a equipe foi eliminada após terminar na terceira colocação com 14 pontos em oito jogos.

Em 2017, a equipe se classificou na primeira fase na quarta colocação, com 22 pontos em 14 jogos. Porém, nas quartas de final, foi eliminado após vencer do Avenida em casa por 2 X 1 e perder no segundo jogo por 2 X 0.

Em 2019, o clube sagrou-se vice-campeão da "Divisão de Acesso", ao perder duas vezes para o Ypiranga, de Erechim, por 2 X 1. Mas conseguiu o retorno a elite do futebol gaúcho. (Pesquisa: Nilo Dias)

O Esportivo classificou-se para a elite gaúcha, ao sagrar-se este ano, vice-campeão da "Divisão de Acesso".

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Morre atacante histórico do Flamengo

Morreu na manhã de ontem (30), aos 70 anos de idade, o ex-ponteiro esquerdo Arílson, que defendeu o Flamengo, do Rio de Janeiro, nos anos 60 e 70, tendo disputado 224 jogos com a camisa do clube carioca, alcançando 107 vitórias, 64 empates, 53 derrotas e 36 gols marcados.

Ele conquistou a “Taça Guanabara” (1970, 1972 e 1973), os títulos cariocas de 1972 e 1974, além do “Torneio do Povo” (1972) e “Torneio de Verão” (1970 e 1972).

Em seu perfil oficial no Twitter, o Flamengo lamentou a morte do ex-jogador: “Lamentamos profundamente a morte do nosso ex-ponta esquerda Arílson, que nos deixou neste fim de semana. Obrigado por tudo o que você fez com o “Manto”. Muita força aos amigos e familiares neste momento.“

Arílson Pedro da Silva nasceu no Rio de Janeiro, em 18 de outubro de 1948. Garoto bom de bola, seu futebol foi descoberto nos campinhos de terra batida do bairro Itacolomi, na “Ilha do Governador”. 

Mais tarde, o rapazola foi encaminhado aos quadros amadores da Associação Atlética Portuguesa, da “Ilha do Governador”. Jogador de rara habilidade, em pouco tempo foi aproveitado como ponteiro-esquerdo.

O futebol atrevido e vistoso logo despertou o interesse dos representantes do Clube de Regatas do Flamengo em 1965. No início de 1967, Arílson foi convocado pelo técnico Zagallo para a seleção carioca juvenil que jogaria o brasileiro da categoria em Belo Horizonte.

Na apresentação dos atletas, o repórter José Castelo, do “Jornal dos Sports”, assim definia seu futebol: “É esperança rubro-negra para 1967 e da própria seleção carioca com vistas ao penta brasileiro. Titular, tem a velocidade, o drible fácil e a potência de chute, qualidades exigidas de um bom ponteiro”.

Considerado então um jogador-chave nos juvenis do clube, Arílson tinha praticamente certa a sua promoção ao time de cima para o lugar do veterano Osvaldo “Ponte Aérea”, em vias de deixar a Gávea e retornar ao futebol paulista de onde viera.

Mas na metade do campeonato da categoria de base, o garoto sofreu uma violenta entorse no tornozelo direito que o tirou de ação por vários meses, adiando seu melhor aproveitamento.

Mesmo assim, de pé gessado, vestiria a faixa de campeão carioca de juvenis em junho. A lesão e as frequentes trocas de comando no time de cima foram minando as chances do garoto. Chegou a treinar como lateral e a ser oferecido como moeda de troca na tentativa de contratação do veterano ponteiro Dorval, ex-Santos, que estava no Atlético Paranaense.

Só no fim de 1968, durante o “Torneio Roberto Gomes Pedrosa”, ele ganhou uma certa sequência na equipe – retribuída com passes e assistências, aparecendo bem apesar da campanha fraca do time.

Sua virada aconteceria pelas mãos do técnico Tim. O experiente treinador, que chegou ao Flamengo no início de 1969, transformou o ponta o qual considerava indisciplinado taticamente – embora de inegável talento individual – num jogador solidário, que se sacrificava pelo time.

Assim, Arílson passou a ajudar a preencher o meio-campo e ajudar na cobertura do lateral, e ao mesmo tempo, aparecer mais bem colocado na frente para dar passes e até marcar mais gols.

Seu futebol cresceu a olhos vistos, e ele viveu a primeira grande fase da carreira, senão a melhor. O ano começou com uma excursão ao Suriname e ao Pará e Amazonas, nas quais o Flamengo levava como atração o velho “Mané Garrincha”, 35 anos, contratado em novembro do ano anterior.

Arílson, na outra ponta, fez bons jogos e alguns gols, mantendo o crédito conquistado pelas atuações no “Robertão”, mas sofreu uma distensão na coxa no fim de março, perdendo parte do turno do Carioca, em que o time acumulou alguns tropeços.

Com efeito, Arílson começou o ano de 1970 voando. Fez o primeiro gol do time na temporada, no empate em 1 X 1 com o América Mineiro num amistoso em Belo Horizonte.

E fez três partidas memoráveis no “Torneio Internacional de Verão”, quadrangular conquistado pelo Fla em fevereiro. Na estreia, uma folgada goleada de 4 X 1 sobre a seleção da Romênia, ele marcou dois gols – um em cobrança de falta na gaveta e outro numa inteligente tabela com Dionísio – e arrancou muitos aplausos entusiasmados da crônica esportiva.

No segundo jogo, outro massacre: 6 X 1 diante do forte Independiente, da Argentina. Arílson não balançou as redes, mas fez um lindo lançamento para Dionísio anotar o terceiro gol e foi apontado como o melhor do ataque pela imprensa, por sua eficiência e facilidade de jogar.

E no terceiro, a vitória por 2 X 0 sobre o Vasco que valeu o título, o ponta criou com Dionísio a jogada do primeiro gol, marcado por Liminha, e anotou ele mesmo o segundo, cabeceando cruzamento de Ademir da direita, sendo novamente escolhido o destaque.

Bastante elogiado também por treinadores de outras equipes que compareceram ao Maracanã para observar o torneio, Arílson caiu também nas graças de Zagallo, que em 18 de março daquele ano substituiria João Saldanha no comando da Seleção Brasileira.

Ele próprio um ex-ponta-esquerda rubro-negro e de estilo algo semelhante ao do jovem talento de 21 anos, o treinador surpreendeu ao incluí-lo, logo no dia seguinte ao que assumiu o cargo, na convocação de cinco novos nomes para os treinos de início de preparação para a “Copa do Mundo” do México.

Disputando um espaço com os mais experientes Paulo Cézar “Caju” e Edu, Arílson representava um meio-termo entre o estilo de ponta recuado, mais armador, do botafoguense e o jogo mais veloz e ofensivo do santista.

Porém, teve poucas chances de mostrar seu jogo. Nas semanas em que treinou com a Seleção, disputou apenas dois amistosos não oficiais por uma equipe B (contra a seleção amazonense B e o Olaria) e atuou até fora de sua posição, prejudicando sua observação. Acabou cortado em 27 de abril, a dois dias do amistoso contra a Áustria no Maracanã.

Reintegrado ao Flamengo, reforçou o time na reta final da “Taça Guanabara”, na época ainda um torneio separado do Estadual – e naquele ano disputada em três turnos, estendendo-se de março a maio.

Arílson chegou às vésperas do turno final, quando a equipe encaminhou o título batendo Vasco (2 X 0), Bangu (3 X 1, com dois gols seus), Botafogo (2 X 1) e América (2 X 0), finalizando com um empate em 1 X 1 diante do Fluminense que valeu o ponto necessário para a confirmação da conquista.

Só que, em meio à festa, começava um drama. Durante o jogo, Arílson dividiu uma bola com o lateral tricolor Oliveira e levou a pior, mas seguiu no jogo. Mais tarde descobriu: havia estourado os meniscos do joelho esquerdo.

Mal conseguindo suportar o incômodo das dores, uma primeira cirurgia no joelho foi marcada pelo departamento médico do clube. Depois da cirurgia, Arílson tentou voltar mas foi vencido pelas dores. Apesar do esforço, o atacante mal conseguia treinar.

O segundo parecer médico foi uma bomba. Quando Arílson revelou publicamente que ainda existiam fragmentos do menisco no joelho operado foi um escândalo. Os dirigentes então acusaram os jornalistas de sensacionalistas.

Para abafar o caso, Arílson foi proibido de falar. No terceiro andar do Hospital da Cruz Vermelha, o acesso ao quarto do jogador foi totalmente proibido e vigiado 24 horas. E como num passe de mágica, uma nova versão oficial apareceu do nada: Era o menisco externo que tinha estourado.

Em reportagem assinada por Fausto Neto, a revista “Placar” de 5 de fevereiro de 1971 ofereceu aos leitores um pouco do momento delicado vivido pelo jogador Arílson. Os médicos evitavam tocar no assunto, enquanto os dirigentes queriam mesmo era silenciar o jogador de qualquer maneira.

Talvez, o medo de revelar a evidente falta de estrutura que ainda assolava o futebol brasileiro no início da década de 1970. Mas o temor poderia ser bem maior. Quem sabe, o risco de tornar público os enganos médicos cometidos contra os jogadores Arílson, Dionísio e Tinho.

Algum tempo depois, outro diagnóstico apontou que de fato o menisco externo apresentava problemas. Todavia, os fragmentos não foram removidos totalmente na primeira cirurgia.

Sensibilizado, o jovem ponteiro-esquerdo do Flamengo agradeceu o apoio dos companheiros, principalmente do treinador Dorival Knippel, o conhecido Yustrich: “O seu Yustrich me deu muita força. Sempre perguntava como eu estava”.

Munido de esperanças para voltar rapidamente aos gramados, lá foi Arílson para o segundo procedimento cirúrgico. Na recuperação da cirurgia; algumas revistas de palavras cruzadas, embrulhos com maçãs e maços de cigarros tentavam melhorar o ambiente monótono. O tédio só era quebrado na presença do repórter da revista “Placar”.

Como a imprensa não era bem-vinda, o repórter Fausto Neto precisava mentir para o vigilante do quarto. “Sou primo dele e estou trazendo umas coisinhas”. Então Arílson acenava sorridente e o repórter tinha livre acesso ao leito do jogador.

Em sua volta aos gramados, Arílson foi aos poucos ganhando confiança. O rendimento não era mais o mesmo, mas o suficiente para colaborar nas grandes conquistas daquele período.

Arílson jogou ainda por um curto período no Corinthians em 1975. Depois, atuou pelo Americano e pelo Volta Redonda, clube onde encerrou sua trajetória nos gramados em 1977.

Conforme matéria da revista “Placar” de 16 de setembro de 1983, após deixar o futebol, Arílson dedicou seu tempo ao bar que inaugurou em 1980, no bairro carioca do Grajaú: “Minha sorte é que nos finais de semana aparecem por aqui o Carlinhos, o Dida e o Silva. Então, os clientes lotam o estabelecimento e eu faturo alto”, contou.

Posteriormente, Arílson ainda trabalhou nas categorias amadoras do Flamengo, até ser demitido sem qualquer explicação. (Pesquisa: Nilo Dias)


sábado, 28 de setembro de 2019

Um clube amador de muita tradição

Na comunidade mais antiga de Candiota, o Seival, também foi onde nasceu a equipe de futebol amador mais longeva da região, o Grêmio Sportivo Santa Rosa. Fundado em 1921 o Santa Rosa teve sua primeira ata lavrada em 16 de junho de 1927, que estabelecia a composição de sua Diretoria.

Naquele dia foi eleito o presidente Floriano Rosa, que dividia o comando da instituição com o secretário João Marimom Júnior e o tesoureiro  José Torres.

A história do  clube é contada no livro “Dentro e fora das quatro linhas”. Essa administração de 1927 semearia  o sonho de edificar uma sede. E ali começava uma tradição no Seival. O clube Santa Rosa era ativo, promovia festa todo o mês, recebendo, inclusive, pessoas de outras cidades da região.

Seus adversários mais tradicionais eram o Rio Negro, de Hulha Negra, Luz e Ordem, de Pinheiro Machado, Guarany, de Bagé e até o Brasil, de Pelotas. O time das cores vermelha e branca era respeitado e tinha fama de jogar bonito.

Sem a sede social, destruída pelo tempo, pelo descaso e vandalismo, o time também estava desativado desde 2011. Na história de quase 100 anos esta é a segunda vez que o time é retomado.

Na década de 1950, por questões de ordem financeira, o clube eu leva o nome da padroeira da localidade, foi forçado a fechar as portas por um ano. Em 1954, por conta de sua reinauguração a Diretoria foi presenteada com um poema, atribuído a Cadmo Artisone, mesmo artista que imortalizou a equipe numa tela a óleo, que até hoje está desaparecida.

Há algum tempo a retomada da equipe vinha amadurecendo. Uma nova Diretoria foi formada, tendo como presidente o desportista Danglar Azambuja.
As traves foram doadas pela UTE Pampa Sul e as obras dos novos vestiários feitas com auxilio da comunidade.

O campo de futebol do Santa Rosa, em Seival foi doado por Floriano Brisolara da Rosa. É um terreno cercado de casuarinas e eucaliptos. Os lances principais são na goleira de baixo, na direção da caixa d'àgua e da estrada antiga de quem vem de Bagé, pela estrada antiga, passando pela Trigolândia, na Hulha Negra.

A primeira vinícola registrada do Brasil ficava na Campanha Gaúcha, fundada por José Marimon. A “Vinícola J. Marimon & Filhos” iniciou o plantio de seus vinhedos em 1882, na Vila do Seival, onde hoje fica o município de Candiota. Seus primeiros vinhos foram elaborados em 1886 e manteve-se em atividade por 88 anos. (Pesquisa: Nilo Dias)

Santa Rita, o time de futebol amador mais longevo da região de Candiota. (Foto: Jornal "Tribuna do Pampa", de Candiota-RS)


Esta foto do Grêmio Sportivo Santa Rita é de 5 de agosto de 1939. (Fonte:Arquivo de Geraldo Tiaraju Barbosa)