Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.

domingo, 20 de abril de 2008

Te cuida, Ibis

O Íbis de Pernambuco já viu o seu status de “pior time do mundo” correr sério perigo. Já surgiram muitos candidatos. O Grêmio Atlético Sampaio, de Boa Vista, Roraima, ou simplesmente o GAS, como é mais conhecido foi o último time a assustar o rubro-negro pernambucano. Não foram poucos os críticos que chegaram a questionar o "título" do Íbis, dizendo que o GAS conseguia ser ainda pior. Em 2004 o time começou a afundar. Chegou ao fundo do poço em 2006, quando venceu um só jogo na temporada. E assim mesmo, sem jogar. Foi um W.O. sobre o Progresso, de Mucajaí, que não apareceu.

O GAS ficou sem vencer dentro de campo de 8 de maio de 2004, quando derrotou o São Raimundo, por 4 X 0 até 2007, quando venceu o Atlético Rio Negro Clube, por 4 X 3 e de virada. A história do clube até que é bonita. Em meados da década de 1960 chegaram a Roraima vários militares do Exército Brasileiro, vindos de diversos pontos do país para servirem em um dos quartéis de Boa Vista. Entre eles estava o cearense Agenor de Souza Almeida, o “seu Agenor”, que viria a fundar o GAS em 11 de junho de 1965. O nome foi uma homenagem ao seu conterrâneo General Sampaio.

O “leão” foi o mascote escolhido. O pobre animal, reverenciado como o “rei das selvas”, sinônimo de força e coragem não merecia tal “homenagem”. Os torcedores (?) apelidaram o time de “Leão do Norte” e “Leão Dourado”. O escudo tem fundo vermelho, no centro um leão em amarelo e bem em baixo o nome Sampaio, escrito em letras maiúsculas.

O clube aderiu ao profissionalismo na década de 1990. Em 1996 disputou pela primeira vez o Campeonato Roraimense de Futebol e sagrou-se vice-campeão, perdendo o título para o Baré. Foi um início promissor, tendo garantido vaga para a Série C do Campeonato Brasileiro de 1996. A campanha nacional foi terrível: perdeu todos os jogos, fez só quatro gols e abandonou a competição ainda na primeira fase.

Olhando bem, não é surpresa Roraima ter um time tão ruim. O campeonato de lá é uma verdadeira desgraça. Os outros times não são muito diferentes do GAS. E o público sabe disso. Adivinhem qual tem sido a média de público no campeonato, nos últimos anos? Não mais do que 50 pessoas nas rodadas duplas que são jogadas aos sábados à tarde. É a menor média do futebol brasileiro. Até na várzea de qualquer cidade, o público é maior.

Só um exemplo: no dia 22 de Julho de 1996, o jogo entre Progresso x Rio Negro pelo campeonato de Roraima teve apenas um pagante: o herói foi o funcionário do Ministério de Agricultura Abraão Pereira de Souza. A renda foi de R$ 5,00 e cada clube recebeu R$ 1,00.

O fundador do clube, “seu Agenor Sampaio” ainda é o presidente. A empregada doméstica de sua casa é que lava e passa o uniforme do time. Na Diretoria ele conta apenas com o genro e funcionário público, Jander Ramalho, uma espécie de “faz tudo”. Ele carrega os jogadores nos dias de jogos em sua caminhoneta “Pampa”. A maioria deles mora na periferia de Boa Vista. No elenco tem gente de tudo que é profissão, de pintor de parede a teólogo. Treino é coisa rara. E dinheiro, mais ainda. De vez em quando uma cesta básica, e fica por aí.

Já existiu um outro Grêmio Atlético Sampaio, mas no Acre. E não era ruim como o “xará” de Roraima. O Sampaio acreano, de Rio Branco foi fundado e dirigido pelo comando do exército local. Foi campeão acreano em 1967 e extinto pouco depois, em 1969. Treinava no campo da 4.a Companhia da Fronteira. O principal incentivador do GAS era o capitão Maia. Esse time deixou saudade, tanto que existe em Rio Branco uma rua que leva seu nome.

Mas o GAS de Roraima não está sozinho nessa briga para ver quem é ou foi o pior time do mundo. A lista é grande e incompleta, pois com certeza devem existir muitos outros candidatos por este mundo de Deus afora. Eis alguns.

O Estudantes, de Timbaúva (PE), foi o grande rival do Íbis no Estado. Enquanto o “pássaro preto” levava pancada na primeira divisão, o time timbauvense apanhava na segundona. Em 1995 teve um saldo negativo de 46 gols.

“Bonita” também foi a campanha do Expressinho (MA), que no campeonato de 1996 jogou 18 partidas e perdeu todas. Sofreu 67 gols e marcou apenas 3. O Vitória do Mar, também do Maranhão conheceu vitórias, só no nome. Dizem que tempos atrás o clube disputou com o Íbis o título de pior do mundo, mas nem isso conseguiu ganhar.

E do Cruzeiro de Arapiraca (AL), o que dizer? Em 1988 o time ficou conhecido como "assombroso". O técnico Eraldo Lessa era o administrador de cemitério e a torcida adversária não deixava por menos e chamava os jogadores de "coveiros", porque eles “enterravam” o time. O clube ganhou um único jogo naquela época, contra o São Domingos e num dia primeiro de abril. Vitória de “mentirinha”, diziam os gozadores de plantão.

Um outro Cruzeiro não fica atrás. É o Cruzeiro Esporte Clube, de Porto Velho (RO). A última vez que o time soube o que é uma vitória foi no dia 12 de abril de 2005, quando venceu o Pimentense, por 1 a 0, no seu estádio, o Aluízio Ferreira. Desde então, foram 18 jogos, com 15 derrotas, dois empates e mais uma vitória, mas no tapetão, contra o mesmo Pimentense. Dentre as derrotas acumuladas, o Cruzeiro sofreu uma goleada de 10 a 0 para o Ji-Paraná, no dia sete de maio de 2005. Dois jogos depois, o time melhorou e perdeu para o Genus por “apenas” 9 a 0. Nos 18 jogos disputados desde a última vitória, foram 56 gols sofridos, média de 3 gols por jogo e somente 10 gols marcados.

Outra proeza para ninguém botar defeito foi protagonizada pelo já extinto time do Bernardo, de São Bernardo do Campo (SP), que foi último colocado na 6ª divisão paulista, por seis anos consecutivos.

O mais novo aspirante ao título de pior do mundo não pode ser desconsiderado. É candidato fortíssimo. Trata-se do Esporte Clube Perilima, de Campina Grande (PB). O próprio nome do time é inacreditável. O dono, Pedro Ribeiro Lima, juntou o PE, de Pedro, o RI, de Ribeiro e o sobrenome LIMA e compôs a obra, PERILIMA.

O Perilima foi fundado em 8 de setembro de 1992, com o nome de Associação Desportiva Perilima e pertence a uma fábrica de “sordas”, uma mistura de bolachas de trigo e rapadura, típica da região Nordeste. Os jogadores são quase todos funcionários da empresa e recebem apenas um complemento de salário. O dono banca todas as despesas do clube, cerca de R$ 15 mil por campeonato. Sua única exigência é sempre ser escalado e só sair quando quiser. O que não é problema, pois além de jogador e capitão da equipe, é o técnico.

Pedro, que se diz viciado em futebol e que fica doente quando não joga, tem 1.62 metro de altura e pesa 80 quilos. Costuma jogar pelo menos o primeiro tempo, não marca ninguém e raramente toca na bola. O time não tem torcedores, mas conta com a simpatia de todos pelo seu caráter folclórico.

Em 2001 mudou o nome para Esporte Clube Perilima. Em 2003 voltou ao nome antigo de Associação Desportiva Pirilima. É conhecido como a “Águia de Campina Grande”. Vive num constante sobe e desce nos campeonatos da primeira e segunda divisões. A propósito, a segunda divisão paraibana é agora oficialmente denominada de “Troféu Chico Bala”. Entre os “craques” do time no ano passado figuravam nomes como “Chimba”, “Nego Pai”, “Fumaça” e “Foguinho”.

O ano passado a FIFA reconheceu seu Pedro como o mais velho jogador em atividade no futebol mundial (58 anos). O único gol que marcou na carreira foi no jogo em que perdeu por 5 X 1 para o Campinense, de Campina Grande, pelo campeonato paraibano, no dia 28 de março de 2007. O gol foi de pênalti, aos 35 minutos do segundo tempo. O “artilheiro” tinha dois sonhos, fazer um gol como profissional e encerrar a carreira aos 60 anos. Agora, só falta um.

No campeonato paraibano de 2007 o Perilima conseguiu 15 derrotas seguidas, sofreu 67 gols e marcou 7. Somando-se os dois jogos que perdeu na segunda divisão de 2006, um campeonato que teve apenas dois participantes - foi vice-campeão sem vencer – a marca de derrotas consecutivas em partidas oficiais sobe para 18 jogos, incluindo um jogo do estadual de 2005.

A última vitória do time das “sordas” foi em 26 de fevereiro de 2005, 1 x 0 sobre o Nacional de Cabedelo, outro time do mesmo DNA do Perilima. Foram 26 jogos oficiais sem vitória, e duas goleadas, 7 X 0 para o Campinense, a “Raposa do Nordeste” e 11 X 0 para o Treze, o “Galo da Borborema.” O único ponto conquistado no campeonato do ano passado foi no empate em 3 X 3 com o Esporte, de Patos, no estádio Amigão, em 14 de abril. Nesse jogo o “dono do time” desperdiçou um pênalti.

No exterior, perde-se a conta de quantos times ruins existem. A quantidade é enorme, por isso vou dar apenas um exemplo. O Deportivo Jalapa, da Nicarágua por incrível que pareça foi campeão nacional em 2001. E no ano seguinte foi disputar a Copa dos Campeões da Concacaf, em El Salvador. Confiram os resultados dos seus jogos: na estréia, derrota por 4 X 1. No segundo jogo, por 17 X 0. No terceiro, 19 X 0. Sofreu: 40 gols e marcou um. Ganhou o apelido de “Real Madrid às avessas”. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Pedro Ribeiro Lima, dono do Perilima e mais velho jogador de futebol profissional em atividade no mundo (Foto: Federação Paraibana de Futebol)

sábado, 19 de abril de 2008

Essas mulheres maravilhosas

Essa história de que futebol é “coisa pra macho”, já era. As mulheres conquistaram seu espaço dentro do campo de jogo e não tem mais volta. E isso já poderia ter acontecido há muito mais tempo, pois o futebol feminino não tem nada de novo. Ao contrário. Ele remonta ao ano de 1896, quando foi realizado em Londres o primeiro jogo no mundo, um amistoso entre as seleções da Inglaterra e da Escócia, embora existam registros vagos de partidas entre mulheres no começo de 1880.

Igual ao futebol masculino são muitas as histórias que falam da realização de jogos entre mulheres, em épocas bastante remotas. No século XII as mulheres francesas participavam do “futebol do povo” ou “jogos da multidão”, competições onde camponesas lutavam por uma bola de couro com fitas num jogo chamado La Soul. No século XVIII, em Coulevam, na Escócia, as mulheres casadas e solteiras da região jogavam umas contra as outras numa forma primitiva de futebol.

A inglesa Net Rolibol, em 1894 fundou o ”Senhoras Britânicas”, o primeiro time de futebol feminino do mundo. Em 1895, dez mil pessoas viram o jogo de estréia da equipe. No Canadá, surgiu em seguida o “Society Angels”, de Edmont. As francesas também se interessaram pelo futebol e em 1910, já haviam sido criados o “Rouge Esportive” e o “Femina Sports”, de Paris. No mesmo ano em Bountson Park, 53 mil pessoas assistiram um jogo beneficente do “Dick Kerr Ladies F.C.”. O estádio lotou e mais de 10 mil pessoas ficaram do lado de fora sem conseguir assistir o jogo. Foram arrecadadas mais de 70 mil libras.

Em dezembro de 1921, a Associação Inglesa de Futebol, composta por futebolistas masculinos, proibiu os filiados de cederem seus campos para jogos entre mulheres. A proibição durou longos 50 anos. Tempos depois, a Federação Francesa fez o mesmo. Nada disso conseguiu impedir que as equipes femininas continuassem organizando jogos para caridade. Mesmo assim o futebol feminino teve um rápido declínio.

Foi somente em 1950 que o interesse pelo futebol feminino ressuscitou, começando a se desenvolver na Alemanha, Dinamarca, Tchecoslováquia e Itália. As meninas começaram a jogar futebol na escola e o nível de habilidade desenvolveu-se rapidamente. No Brasil, não se sabe com certeza quando elas começaram a jogar. Alguns pesquisadores garantem que ocorreram jogos de futebol feminino no início do século XX, entre os anos de 1908 e 1909.

Outros historiadores discordam e dizem que o primeiro jogo feminino no Brasil foi disputado em 1913, entre times dos bairros da Cantareira e do Tremembé, em São Paulo. Teria sido um jogo beneficente para a construção de um hospital da Cruz Vermelha. Porém não se sabe se realmente eram mulheres jogando ou homens vestidos de mulheres, ou ainda, times mistos. Mas numa coisa todos concordam: as primeiras mulheres futebolistas vinham de bairros populares, e eram vistas como “sem classe” e “grosseiras”.

Também há quem diga que as mulheres só entraram em campo por volta dos anos 30, quando sofreram grande discriminação do governo Vargas, que alegava estabelecer a “conduta correta para a mulher, mãe ou futura mãe no seio da sagrada família brasileira”. Durante o “Estado Novo” foi publicado um decreto que proibia as mulheres de praticarem lutas, futebol, pólo aquático, pólo, rugby, baseball ou qualquer esporte ”incompatível com as corretas e naturais condições e funções femininas”. O futebol, naquele tempo era visto como algo que poderia denegrir a imagem da mulher.

A história do futebol feminino no Brasil foi sempre um mar de dúvidas. O Jornal do Brasil, edição de 29/11/76, publicou matéria sugerindo que as primeiras partidas de futebol feminino nas praias do Rio de Janeiro foram no Leblon, em dezembro de 1975, sempre tarde da noite, porque as jogadoras eram na maioria, empregadas domésticas. A Revista Veja, em uma de suas edições de 1996, também enveredou pelos caminhos do futebol feminino, afirmando que ele teve o início marcado por jogos organizados por diferentes boates gays, no final da década de 70.

O tema mereceu muitas reportagens ao longo dos anos. O Jornal do Brasil, em outra matéria, divulgada em1996, revela que o futebol feminino esteve relacionado a peladas de rua e a jogos beneficentes. Citou como exemplo um jogo ocorrido em 1959 por atrizes do Teatro de Revista, em pleno Estádio do Pacaembu, em São Paulo.

O futebol feminino começou a se organizar de verdade, com a criação em 1981, da primeira liga de futebol feminino no Rio de Janeiro. A partir daí foram realizados vários campeonatos patrocinados por empresas, como a Copertone, Casas Pernambucanas, Cinzano, Unibanco e outros. Ainda na década de 80, a televisão passou a exibir jogos de futebol feminino, o que foi fundamental para a popularização do esporte em todo o país.

Em 1965, durante o regime militar, o ex-presidente Castelo Branco regulamentou o decreto de Vargas e somente em 1982, ele foi revogado pelo Conselho Nacional de Desporto (CND). Em abril de 1985 o futebol feminino foi legalizado. Com isso as mulheres puderam voltar aos gramados sem problema. Nessa época surgiu um dos maiores times da história do futebol feminino brasileiro, o Radar F.C. do Rio de Janeiro.

Enquanto no Brasil as mulheres tiveram problemas para praticarem livremente o futebol, na Europa, muitos times foram criados ao longo do século passado, embora não existissem campeonatos regulares. Isso aconteceu só a partir dos anos 70, quando vários certames, envolvendo times e seleções, foram realizados em países como Itália, Inglaterra, Dinamarca e França.

Hoje, o futebol feminino está consolidado como esporte olímpico e desde 1991 é disputada uma Copa do Mundo organizada pela FIFA, de 4 em 4 anos, reunindo seleções de todos os continentes, inclusive de países conservadores como a China. A competição foi idealizada pelos delegados da FIFA, durante a Copa do Mundo de 1986 no México.

Antes disso, em 1971, sem reconhecimento oficial foi realizada uma Copa do Mundo de Futebol Feminino, no México e sem a participação brasileira. A Dinamarca foi campeã, derrotando as mexicanas por 3 X 0, no jogo final, disputado no Estádio Azteca, na Cidade do México, perante 100 mil expectadores.

Somente em 1988, um evento com o apoio da FIFA foi realizado na China, o I Torneio Mundial de Futebol Feminino, com a participação de 12 países, inclusive o Brasil, representado pela equipe carioca do E.C. Radar. Esse evento serviu como preparação para o I Campeonato Mundial de futebol feminino realizado na cidade de Punyu na China, em 1991.

A campanha brasileira na competição foi esta: fase classificatória. Brasil 0 x 1 Austrália; Brasil 2 x 1 Noruega e Brasil 9 x 0 Tailândia. Oitavas de final: Brasil 2 x 1 Holanda. Fase semifinal Brasil 1 x 2 Noruega. Na decisão do 3º lugar: Brasil 4 x 2 China. A seleção da Noruega venceu a seleção da Suécia por 1 x 0 na partida final.

O torneio foi o último disputado pelo Esporte Clube Radar, um clube de praia, fundado em 1932 em Copacabana. A equipe de futebol feminino foi criada em 1981 pelo empresário Eurico Lira. Até paralisar as atividades, o Radar contabilizou mais de 300 partidas, sendo 71 delas no exterior. Foram 66 vitórias, 3 empates e 2 derrotas.

O clube carioca foi um grande vencedor, empilhando conquistas. Um título importante foi o de campeão do Women Cup Of Spain, quando derrotou as seleções da Espanha, Portugal e França. O sucesso do Radar estimulou o surgimento de novos times. Em 1987, a CBF já havia cadastrado 2 mil clubes e 40 mil jogadoras.

Finalmente, em 1991 foi realizado o I Mundial, na China. Os Estados Unidos se sagraram os primeiros campeões. Em 1995, na Suécia, quem venceu foi a Noruega. Em 1999, nos Estados Unidos, nova vitória dos anfitriões. Em 2003, a Copa foi de novo nos Estados Unidos, porque uma epidemia de SARS tirou a sede da China. A Alemanha ganhou o título. Em 2007 os chineses promoveram a competição e a Alemanha foi bicampeã. O Brasil perdeu a final, por 2 X 0 e foi vice. Em 2011 a competição será na Alemanha. O número de seleções sobe de 16 para 24.

Um dos mais emocionantes momentos da Copa do Mundo feminina e talvez da história do futebol, foi quando a jogadora norte-americana Brandi Chastain tirou a camisa e deslizou de joelhos, mostrando seu sutiã esportivo na comemoração de um gol de pênalti que decidiu a final contra a China em 1999.

Em 1996 o futebol feminino foi incluído nas Olimpíadas de Atlanta. Era o reconhecimento mundial que faltava. O Brasil ficou com o quarto lugar, e os Estados Unidos com o título. Em 2000, em Sydney, ficamos outra vez com o quarto lugar e a seleção da Noruega levou o ouro. Em 2004, em Atenas quase chegamos ao topo do pódio: ficamos com a prata e os Estados Unidos com o ouro. Em 2003 e 2007, as meninas brasileiras conquistaram as medalhas de ouro nos Jogos Panamericanos. E em 2006 e 2007 a brasileira Marta foi eleita pela FIFA, como a melhor jogadora do mundo.

As perspectivas para a evolução do futebol feminino no Brasil são grandes. O ano passado a CBF organizou o primeiro campeonato brasileiro, na cidade de Taubaté (SP), com o MS/Saad-SP,sagrando-se campeão. O time é fruto de uma parceria do Saad/Lindóia-SP, com o Mato Grosso do Sul para torneios regionais e nacionais. E agora, vamos para as Olimpíadas da China, com tudo para brilhar. Hoje (19), ganhamos a vaga com uma goleada de 5 X 1 sobre Gana.

Para finalizar e só a título de curiosidade, o futebol feminino também teve o seu Ibis da vida: foi o time inglês do Burton Brewers. Jogando (?) o campeonato da 5ª divisão feminina, a pior de todas, na temporada 2000/2001, levou a maior goleada que se tem notícia, 57 X 0 para o Willenhall Town, em 4 de março de 2001. E a façanha não ficou apenas nisso: o campeonato foi disputado por 12 equipes, e nos 11 jogos que participou, perdeu todos. Desistiu no meio do caminho, ainda bem. Não disputou os 11 jogos restantes e encerrou as atividades. Sofreu 234 gols, média de 21,27 gols por jogo. E marcou apenas 3 gols, média de 0,27 por jogo.

Apenas para mostrar a quem duvide, eis todos os 11 jogos do Burton Brewers: 03 de setembro de 2000, Wolverhampton United 18 x 0; 10 de setembro de 2000, Bescot 6 x 0; 24 de setembro de 2000, Shrewsbury Town Youth 17 x 0; 01 de outubro de 2000, Crewe Vagrants 13 x 2; 22 de outubro de 2000, Darlaston 21 x 0; 05 de novembro de 2000, North Staffs 27 x 0; 19 de novembro de 2000, Willenhall Town 23 x 0; 07 de Janeiro de 2001, Crewe Vargants 22 x 0; 14 de janeiro de 2001, City of Stoke 14 x 1, 18 de fevereiro de 2001, Wem Raiders 16 x 0 e em 04 de março de 2001, Willenhall Town 57 x 0. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
A jogadora dos Estados Unidos, Brandi Chastain foi protagonista de um dos mais emocionantes momentos do futebol feminino. (Foto: acervo pessoal de Brandi Chastain)

sábado, 12 de abril de 2008

Goleiros artilheiros

Dia desses num dos programas do canal Sportv se comentava os gols marcados pelo goleiro artilheiro Rogério Ceni, do São Paulo Futebol Clube. E a pergunta inevitável não tardou: qual o goleiro que fez o primeiro gol da história? Sem dúvida, uma boa pergunta. E ouvi dos participantes dos programas várias respostas. E de telespectadores, também.

Uns diziam que foi Ubirajara, do Flamengo. Outros que foi Jaguaré, folclórico goleiro do Vasco nos anos 30. Na verdade, não foi nenhum dos dois. O primeiro gol de goleiro que se tem notícia aconteceu em 25 de março de 1882. E foi marcado por James McAulay, da Seleção da Escócia, em um jogo contra País de Gales. James McAulay era goleiro, mas atuou nesse jogo como centroavante e fez um gol na vitória de 5 a 0.

O livro “Guia dos Curiosos” garante que no Brasil, Ubirajara, ex-Flamengo foi o primeiro goleiro a marcar um gol. Foi num jogo do campeonato carioca, contra o Madureira, em 19 de setembro de 1970. Ele bateu com força um tiro de meta, buscando armar o ataque, pois o time adversário estava todo avançado. A bola, quicou duas vezes, deu um “chapéu” no goleiro do Madureira e só parou dentro do gol. Mesmo com um gol de goleiro o Flamengo acabou perdendo aquele jogo por 2 X 1.

Há quem diga que o goleiro Jaguaré, do Vasco da Gama teria sido o autor de um gol “vestindo a camisa número 1”, que seria o primeiro de um goleiro brasileiro. Porém, não existem informações de quando e nem contra qual adversário esse gol aconteceu. O que se sabe com certeza sobre Jaguaré, é que foi ele quem trouxe as primeiras luvas de goleiro para o Brasil, compradas na Europa durante uma excursão do Vasco.

Outros goleiros que se destacaram em seus clubes como verdadeiros artilheiros: Rogério Ceni (79 gols), São Paulo FC; José Luis Félix Chilavert (62), C.A. Peñarol, de Montevidéu e Seleção do Paraguay; René Higuita (41), Deportivo Rionegro e Seleção da Colômbia; Jorge Campos (40), Puebla do México e Seleção Mexicana; Johnny Martín Vegas (30), Sporting Cristal, de Lima, Peru; Dimitar Ivankov Kayserýspor (30), da Bulgária; Álvaro Misael Alfaro (29), do Club Deportivo Isidro Metapán, de El Salvador; Hans-Jörg Butt (28), do Sport Lisboa e Benfica; Marco Antonio Cornez (24), do Deportes Iquique, do Chile; Dragan Pantelić (22), do FK Radnicki Nis, da Jugoslavija; Žarko Lučić (21), do Mladost Podgorica Crna, de Gora e Nizami Sadigov (21), do Turan Tovuz, do Azerbaijan.

Rogério Ceni, o maior goleiro artilheiro do mundo nasceu em 22 de janeiro de 1973, na cidade paranaense de Pato Branco, a mesma de Alexandre Pato, do Milan da Itália, mas cresceu no Mato Grosso, onde até hoje reside a maior parte de seus familiares. Foi revelado pelo Sinop Futebol Clube, da cidade de Sinop, que quer dizer Sociedade Imobiliária Noroeste do Paraná, empresa responsável pela colonização do norte de Mato Grosso por agricultores do norte do estado do Paraná. Em 7 de setembro de 1990 transferiu-se para as categorias de base do São Paulo F.C..

Depois foi para a reserva de Zeti, nos tempos do técnico Telê Santana. Em 1997, com a ida de Zeti para o Santos, Ceni assumiu a titularidade. De lá para cá todos conhecem a história. O goleiro do São Paulo se tornou um especialista na cobrança de faltas próximas à área e firmou-se como cobrador oficial de pênaltis do tricolor paulista. Rogério Ceni treinou esse fundamento por mais de 15 mil vezes. O primeiro gol foi numa cobrança de falta, em 15 de fevereiro de 1997, num jogo do Campeonato Paulista contra o União São João, de Araras. Em 13 de setembro de 1997 marcou seu primeiro gol em campeonato Brasileiro, também de falta, contra o Botafogo do Rio de Janeiro.

O primeiro gol de Rogério Ceni em um jogo internacional aconteceu em 25 de agosto de 1999, contra o San Lorenzo de Almagro, da Argentina, em jogo válido pela Copa Mercosul. E outra vez em cobrança de falta perto da grande área. O Palmeiras é o time que sofreu mais gols de Ceni, (6), seguido pelo Cruzeiro (5). No ano de 2005 chegou ao auge, marcando 21 gols, sendo o último na histórica semi-final do Mundial de Clubes, contra o Al-Ittihad, da Arábia Saudita.

Rogério Ceni não poupou seu ex-companheiro de clube, Zetti, e nem o atual goleiro reserva do São Paulo, Bosco. Fez gols nos dois: quando Zeti estava no Santos, em 1998 e Bosco na Portuguesa de Desportos, em 2002. Em compensação tomou um gol do paraguaio Chilavert, de pênalti, em 23 de outubro de 1997, no empate de 3 X 3 com o Vélez Sarsfield, da Argentina, pela Supercopa.

Rogério Ceni é um quebrador de recordes. No dia 20 de agosto de 2006, ultrapassou o goleiro paraguaio Chilavert, até então recordista mundial, com 62 gols, ao marcar contra o Cruzeiro de Belo Horizonte, em cobrança de falta o seu 63º gol em partidas oficiais. E nesse mesmo jogo ainda fez outro gol, de pênalti, chegando aos 64 gols.

Até hoje (12/04/2008), Rogério Ceni é dono deste incrível retrospecto: 79 gols marcados, sendo 46 de faltas e 33 de pênaltis. Em amistosos fez 2, ambos de falta. Os outros 77 gols foram em jogos oficiais. Chama a atenção o fato de que o São Paulo nunca perdeu nos jogos em que Rogério Ceni fez gol. Foram 54 vitórias e 16 empates.

Não foi só contra o Cruzeiro que o goleiro tricolor fez dois gols num mesmo jogo. Antes, havia marcado contra a Internacional de Limeira (SP), no campo do adversário, em 25 de abril de 1999, num jogo do Campeonato Paulista, na vitória de 2 a 1. Foi um gol de pênalti e um de falta. Em 17 de julho de 2004, num jogo no Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro, numa vitória de 2 X 1, frente o Figueirense, também com um pênalti e uma falta. E finalmente, na vitória de 4 X 0 contra o Tigres do México, pelas quartas-de-final da Copa Libertadores da América de 2005, fez dois gols de falta, e ainda perdeu um pênalti e a chance de bater um novo recorde, três gols numa só partida.

No dia 1º de setembro do ano passado, na vitória de 6 X 0 sobre o Paraná,no Morumbi, Rogério se tornou o goleiro do São Paulo que passou mais tempo sem levar gol em Campeonatos Brasileiros, 988 minutos, ultrapassando os 694 minutos de Valdir Peres, em 1983. O goleiro são-paulino só voltou a ser vazado em 15 de setembro, num jogo contra o Santos. Os goleiros que ficaram mais tempo sem sofrer gols no “Brasileirão” foram Jairo, do Corinthians, em 1978, com 1.132 minutos e Emerson Leão, do Palmeiras, em 1973, com 1.057 minutos).

Esse extraordinário jogador atuou 17 vezes pela Seleção Brasileira e fez parte do grupo campeão do mundo em 2002. Em 22 de junho de 2006 jogou pela primeira vez uma partida de Copa do Mundo, ao substituir o titular Dida, aos 36 minutos do segundo tempo da goleada de 4 X 1 frente o Japão. A última vez que a seleção utilizou dois goleiros numa mesma Copa do mundo foi em 1966, na Inglaterra.

A galeria de troféus de Rogério Ceni é de dar inveja a qualquer um: ganhou por cinco vezes a Bola de Prata, concedida pela Revista Placar. Em 2006 recebeu o troféu de ouro da CBF, como melhor goleiro e melhor jogador do Campeonato Brasileiro. O ano passado abusou de ganhar prêmios: Melhor Goleiro do Campeonato Brasileiro, Craque do Brasileirão e Craque da Torcida, todos concedidos pela CBF.

O experiente goleiro do São Paulo já teve seu nome incluído por três vezes na lista dos dez melhores goleiros do mundo, organizada todos os anos pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS). Em 2005 ocupou a nona posição, em 2006 foi sexto colocado e em 2007, o quinto classificado. O ano passado foi o único jogador atuando no futebol sul-americano indicado para o Prêmio Bola de Ouro, da revista “France Football.” (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Rogério Ceni, um quebrador de recordes (Foto : Site Oficial de Rogério Ceni)

sexta-feira, 11 de abril de 2008

O maior campeonato do mundo

Quem não lembra da Copa Arizona de Futebol, que foi disputada nos anos 70 e envolvia equipes amadoras de todos os Estados do Brasil. A competição era organizada pelo jornal “A Gazeta Esportiva”, de São Paulo e patrocinada pela Companhia Souza Cruz, fabricante dos cigarros Arizona. Foi considerado, na época pelo Livro Guinnes, o maior campeonato do mundo, ao reunir cinco mil equipes, sendo 1.032 só do Estado de São Paulo.

O regulamento era simples. Primeiro as fases regionais que classificavam os campeões de cada Estado. Depois vinham as finais disputadas na capital paulista e precedidas de uma grande festa. Em 1976, por exemplo, durante mais de duas horas jogadores amadores de todo o Brasil desfilaram frente um palanque armado na avenida São João, ao som de bandas e fanfarras.

Eu cheguei a participar de uma Copa Arizona, foi no ano de 1975, quando fui técnico de um time chamado Cruzeiro do Sul, na cidade de Pelotas. Saímos invictos da competição. Ganhamos a fase local e na regional fomos eliminados nos pênaltis pelo Internacional, de Arroio Grande, depois de 90 minutos e uma prorrogação de 30, com empates de 0 X 0. O Cruzeiro do Sul revelou um grande número de jogadores que depois brilharam em equipes profissionais, como Joaquim, zagueiro do Internacional de Porto Alegre.

A Copa Arizona disputava popularidade com os campeonatos dos times tradicionais de várzea. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a competição tinha tanto prestígio, que os clubes que se sagravam campeões, mesmo sem o reconhecimento da Federação Gaúcha de Futebol (FGF), se auto proclamavam campeões estaduais de amadores.

Lembro que a cidade de Ijui, terra do técnico Dunga, da Seleção Brasileira tinha dois times quase imbatíveis, o Ouro Verde e o Estrela Vermelha, que abocanharam três estaduais, em 1975, 1977 e 1980.

Infelizmente eu não tenho a lista completa dos campeões nacionais da Copa Arizona. Tentei buscar esses dados com a Companhia de Cigarros Souza Cruz, mas a memória se esvaiu com o passar dos anos. Só a Gazeta Esportiva guarda essas informações na sua coleção de jornais.

Também não consegui nada, pois seria necessária uma pesquisa demorada e paga. Como moro em Brasília, num primeiro momento isso me pareceu inviável. Mas tenho fé que algum leitor deste artigo traga luz a esse escuro existente na história da maior competição esportiva que o país conheceu. Pena que não tenha tido continuidade.

A Copa Arizona começou em 1974 e só deu São Paulo. O ADC Frum, da Vila Maria foi o campeão. O vice foi o G.E. Black Power, e o Americano, de Américo Brasiliense, chegou em terceiro lugar. Em 1975, o Esporte Clube Golfinho, de São Paulo foi o campeão, e o vice o Ajax, de Florianópolis (SC). Em 1976 o Golfinho, foi bicampeão, com a Campineira, da cidade de Sobradinho (DF), onde moro, ficando com o vice-campeonato. Apenas como detalhe, a Campineira foi campeã de Brasília, nos tempos do amadorismo, em 1975.

Em 1977, o Francisco Xavier, do Rio de Janeiro, foi campeão ao derrotar o Lagoinha, de Minas Gerais, na final, por 3 X 0. Em 1978, o campeão foi a Associação Atlética Portofelicense, de Porto Feliz (SP), que derrotou na final o Elnema, também de São Paulo, por 3 X 0. O Francisco Xavier (RJ) foi terceiro colocado.

COPA ARIZONA DE FUTEBOL AMADOR – 1980

ZONA NORTE

RIO GRANDE DO NORTE

21/09/1980
Final
Gigante Rubro 2 X 0 São Paulo, de Eduardo Gomes
Local: Estádio Juvenal Lamartine, em Natal

PERNAMBUCO
27/09/1980
Final
Juventus de Camaragibe 2 X 2 Bandeirante, de Casa Amarela
Prorrogação: Juventus 1 X 0

PARAÍBA
Grupo de João Pessoa
Semifinals
16 e 17/agosto de 1980

Grupo A
Cinco de Agosto, de Palmeiras da Torre
Íbis, de Posto Nossa Senhora da Penha

Grupo B
Proserv, de São Paulo de Tambia
Esferal, de Cimepar

Grupo de Campina Grande
Final
Confiança 2 X 0 Renascença

Estágio Final
13/09/1980
Palmeiras da Torre X Confiança de Campina Grande

FINAIS REGIONAIS

CEARÁ E PIAUÍí
Redes Santana (CE) 0 X 3 Kosmos (PI)

PARAÍBA, ALAGOAS E PERNAMBUCO
Todas as partidas disputadas em João Pessoa (PB)
04/10/1980
Flamengo (AL) 1 X 2 Juventus (PE)
05/10/1980
Palmeiras (PB) 3 X 3 Juventus/ (PE)
Prorrogação: Palmeiras 1 X 0

RIO GRANDE DO NORTE
Gigante Rubro já classificado por sediar a etapa final

FINAIS DA ZONA NORTE
Todas as partidas disputadas no Estádio Juvenal Lamartine, em Natal
10/10/1980 – Gigante Rubro (RN) 1 X 0 Palmeiras (PB)
11/10/1980 – Palmeiras (PB) 2 X 2 Kosmos (PI)
12/10/1980 – Gigante Rubro (RN) 1 X 1 Kosmos(PI)
Gigante Rubro, campeão do Norte, classificado para as finais nacionais.

ZONA CENTRO

ESPÍRITO SANTO
Final
Estrelinha 1 X 0 Siderúrgico
Gol: Moacir Calado
Grêmio Atlético Estrelinha, de Jacutuquara/Vitória, classificado

MINAS GERAIS
Finais
Ferroviária 1 X 0 Rosário
Ferroviária 0 X 0 Rosário

RIO DE JANEIRO
Capital
Final
Francisco Xavier X Frigorífico, de Nilópolis
Petropolitano X Machado Viana, de Campos
Francisco Xavier classificado

FINAIS REGIONAIS

10/10/1980 - Ferroviária X Estrelinha
11/10/1980 - Francisco Xavier X Estrelinha
12/10/1980 - Ferroviária X Francisco Xavier

Francisco Xavier, campeão do Centro, classificado para as finais nacionais.

ZONA SUL
SÃO PAULO
Final
Buenópolis de Morungaba 4 X 0 Nove de Julho, de Bauru
São Paulo Capital
Final
ADC Frum 4 X 2 Progresso

RIO GRANDE DO SUL
Grupo Grande Porto Alegre
Finalistas
Safurfa, Gloriense, Guaspari, Dínamo, Alpes, Colônia, Unidos e Icotrom
Safurfa classificado

GRUPO DE CAXIAS DO SUL
Semifinals
Noroeste 2 X 0 Conceição
Randon 0 X 0 União Forquetense
Classificado o União Forquetense
Final
Noroeste 1 X 0 União Forquetense

Água Verde de Alegrete X Madureira, de Santa Maria
Cruzeiro, de Passo Fundo 0 X 0 Noroeste
Pênaltis: Cruzeiro 4 X 3
Ouro Verde de Ijuí  X Flamengo de Livramento
Água Verde de Alegrete X Tulipa
Operário X Novo Avante, de Rio Grande

SEMIFINAIS

Tulipa, de Cachoeira do Sul
Ouro Verde, de Ijuí
Cruzeiro, de Passo Fundo
Operário, de Bagé

FINAIS

Ouro Verde 3 X 1 Safurfa
Local: Estrelão, em Porto Alegre
Gols: Bertil, Dirceu e Lauri para o Ouro Verde. Zezé descontou para o Safurfa
Ouro Verde: Poty - Zé Galvão – Casca - Paulo Perin e Jair – Toni - Lauri e Pincho (Paulo Morais) - Bertil (Gelson) - Capucho e Dirceu.

FINAIS REGIONAIS

18/10/1980
Em São Paulo
Ouro Verde X Taquarassu (MS)
ADC Frum X Buenópolis
ADC Frum, campeão do Sul, classificado para as finais nacionais.

FINAIS NACIONAIS

Equipes participantes
Zona Norte – Gigante Rubro, de Natal (RN)
Zona Centro – Francisco Xavier E.C., do Rio de janeiro
Zona Sul – ADC Frum, de São Paulo

FASE FINAL

Francisco Xavier 1 X 0 Gigante Rubro
Data: 24/10/1980
Local: Estádio do Bonsucesso
Juiz: Valdo Luís Machado
Gol: Rui
Francisco Xavier: Delfino – Tizil – Geraldão - Otávio e Canário – Rui - Paulinho (Vila) e Djalma – Mendes - Izac e Cazela (Levi)
Gigante Rubro: Romildo - Saraiva, - João Maria - Grimaldi e Ronaldo – Álvaro - Valério e Marcos – Ferreira - Neto e Hideraldo.

ADC Frum 0 X 0 Gigante Rubro
Data: 25/10/1980
Local: Estádio do Bonsucesso
Juiz: Antônio Dornellas
ADC Frum: Zé Roberto – Valtão – Alemão - Leonardo e Gato – Zucheto - Junior e Novaes – Cerejeira - Kiko (Teixeira) e Mauro (Reginaldo).
Gigante Rubro: Romildo – Saraiva - João Maria - Grimaldi e Ronaldo - Álvaro (Marcos) - Valério e Tito – Ferreira - Neto (Viana) e Adelmo.

Francisco Xavier 1 X ADC Feum
Data: 26/10/1980
Local: Estádio do Bonsucesso
Juiz: Valdo Luís Machado
Gol: Izac aos 28 do segundo tempo
Francisco Xavier: Delfino – Tizil – Geraldão - Otávio e Canário - Rui (Vila) - Reinaldo e Djalma – Mendes - Izac e Levi.
ADC Frum: Zé Roberto – Reginaldo – Valtão - Alemão e Leonardo – Zucheto - Junior (Neovaldo) e Novaes – Kiko - Teixeira e Valverde (Mauro).
Observação: A partida foi encerrada aos 79 minutos pela expulsão de cinco jogadores da equipe paulista.

Francisco Xavier campeão

Segundo o Diário de Pernambuco, a ADC Frum declinou da decisão da segunda posição contra o Gigante Rubro, e o clube natalense sagrou-se vice-campeão.

Quando a Copa Arizona acabou, em 1980, totalizou a estrondosa participação de 104 mil jogadores entre os anos de 1974 a 1980.

A Copa Arizona teve também o seu lado folclórico. Esta, eu tirei da coluna “Baú do Guidugli”, do professor Marco Antônio Guidugli, no “Jornal do Povo”, de Cachoeira do Sul (RS).

Campeão amador do Rio Grande do Sul o Ferreira Futebol Clube foi jogar em São Paulo a fase nacional da Copa Arizona. Na viagem de avião os atletas Teco, Beto Scarparo e Homerinho divertiam-se comendo pastéis, cerveja, pedaços de galinha e refrigerantes.

Outro atleta, Claudionor, ficava apenas observando. Sem saber que toda a comida era gratuita, Claudionor foi orientado pelos colegas de que teria de pagar tudo quando desembarcasse. Com pouco dinheiro, resolveu economizar, não comendo nada a viagem toda. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
A equipe do Moleque Travesso que disputou a Copa Arizona de 1974. (Foto: Futebol Amador)

Manoel disse...
Sr. Nilo Dias boa tarde meu nome é Manoel Cardoso, sou de São Paulo-SP. Gostaria de lhe transmitir alguns dados das edições da Copa Arizona Futebol Amador 79/80, pois
participei destas duas edições sendo inclusive campeão em 79 e vice em 80. Caso queira informações entre em contato atraves de manoel@arcparts.com.br
que terei imenso prazer em lhe fornecer informações muito ricas com relação ao torneio.
Abraços
Manoel
me forneça seu e-mail
28 de novembro de 2008 13:11

vilmar facre disse...
Tenho a medalha e o trofeu de campeão da copa arizona de 1979.este time se chama Cruzeiro Esporte Clube (Três Rios-RJ. Este torneio era patrocinado pela Souza Cruz,e gostaria de alguma notícia sobre este campeonato.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Do velho “capotão” à alta tecnologia

O americano Charles Goodyear, nascido em New Haven, no dia 29 de dezembro de 1800 ficou mundialmente conhecido por ter descoberto a vulcanização da borracha. E o futebol agradece ao inventor pela criação da primeira bola de borracha vulcanizada, em 1855. Antes, as bolas tinham um aspecto horrível: bexigas de bois e porcos, com uma cobertura de couro para tentar um formato mais ou menos redondo, pois geralmente eram ovais. Às vezes era preciso pregar botões para conseguir fechá-las. O tamanho da bola variava de acordo com o tamanho da bexiga.

A fabricação de bolas verdadeiramente redondas, só aconteceu a partir de 1862. Isso, depois que um inglês de nome H. J. Lindon, desenvolveu a primeira bola inflável de borracha. Ele queria evitar que outras pessoas morressem de doenças respiratórias provocadas pelo esforço de encher com a boca milhares de bexigas. Foi assim que ele perdeu a esposa.

Mesmo com a nova tecnologia, durante algum tempo muitos fabricantes continuaram a usar botões. O envoltório de couro só apareceu a partir de 1880. Nas regras do futebol não havia nenhuma citação técnica sobre como a bola deveria ser. Por isso tinham pesos e tamanhos diferentes.

Com a fundação da Liga Inglesa de Futebol, em 1886 as empresas Mitre e Thomlinson’s deram início a produção maciça de bolas de futebol. A “Lillywhite”, número 5 foi escolhida como oficial. E quando começou a ser usada na “F A Cup” consagrou o “number 5” como tamanho padrão da bola de futebol. Mesmo assim os europeus ainda usaram a bola número 4 até 1940.

Em 1863 foi determinado que a circunferência da bola seria entre 68 e 70 centímetros, ou entre 27 e 28 polegadas. O peso só foi regulamentado em 1889: a bola deveria ter entre 340 e 420 gramas. Depois, em 1937, ela passou a pesar entre 410 e 450 gramas, ou entre 14 e 16 onças, que permanece até hoje.

Um exemplo das diferenças existentes entre os vários tipos de bolas, foi no jogo final da Copa do Mundo de 1930, entre as Seleções do Uruguai e da Argentina. Não houve acordo quanto à bola a ser usada. A solução foi jogar o primeiro tempo com bola argentina e o segundo com bola uruguaia. O Uruguai venceu por 4X 2. No primeiro tempo, com bola argentina perdia por 2 X 1.

No Brasil, as duas primeiras bolas chegaram em 1894. Eram inglesas, da marca “Shoot”, vindas na bagagem do estudante Charles Miller. O pioneirismo na fabricação de bolas brasileiras pertence ao padre Manuel Gonzáles, do Colégio Vicente de Paula, em Petrópolis, e a um sapateiro paulista chamado Caetano.

Quando começaram os jogos à noite, os jogadores tinham dificuldades em ver a bola, por causa da cor marrom. A idéia de se jogar com bolas brancas foi de um diretor do Vasco da Gama, Joaquim Simão Gomes, mais conhecido por “seu Gomes”, num amistoso com o São Paulo, ao início dos anos 30.

Ele sugeriu ao diretor tricolor, Mário Cunha Bueno que a bola fosse pintada de branco. Autorizado, comprou uma tinta da marca “Duco Alemão” e criou a primeira bola branca do futebol mundial. A partir desse jogo, ela correu pelos gramados do mundo.

Eu lembro bem das antigas bolas de “capotão” ou de costura, que lá na minha terra chamavam de “bola de tento”, por causa da tira de couro usada para fechar a abertura por onde se colocava a câmara de ar. Era uma bola bem mais pesada que as de hoje. Em dias de chuva pesava mais ainda. Quando o chute atingia a parte irregular da costura ou o “tento”, causava grande dor. O goleiro, dependendo da violência do chute, era o que mais sofria. Foi um alívio quando chegou a “bola de válvula”.

Hoje é tudo diferente. A tecnologia transformou a bola de futebol num instrumento quase de luxo, que é lançado em concorridos desfiles de grifes. O velho “balão de couro” costurado a mão deu lugar a materiais modernos. Há quem diga que se Pelé jogasse hoje, seria melhor ainda do que já foi. Se a velha e defeituosa bola de 1958 lhe obedecia cegamente, a de hoje lhe beijaria os pés. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Bola de futebol usada em gramados da Europa )Foto: Divulgação)

terça-feira, 8 de abril de 2008

O folclórico Gentil Cardoso

Gentil Cardoso foi talvez o mais folclórico técnico do futebol brasileiro. Ele começou a carreira de treinador no F.B.C. Rio-Grandense, de Rio Grande, por quem foi campeão gaúcho em 1939. Depois de Rio Grande, onde foi oficial da Marinha, Gentil Cardoso ganhou o Brasil e o mundo. Treinou vários clubes do futebol brasileiro, entre os quais Fluminense, Bangu, Vasco da Gama, Portuguesa de Desportos, Ponte Preta, São Paulo, Sport Recife, Santa Cruz e Náutico. Foi o primeiro negro a ser contratado pelo Náutico do Recife em 59 anos de existência.

Também treinou a famosa seleção pernambucana, chamada de “Cacareco”, que representou o Brasil no Sul-Americano Extra do Equador, em 1959. No exterior dirigiu o Sporting, de Lisboa, Portugal. Gentil Cardoso foi considerado um dos melhores treinadores brasileiros na época, mas ganhou fama pela facilidade de criar frases que entraram para o folclore do nosso futebol.

O técnico do Flamengo Joel Santana chama a atenção pela inseparável prancheta. Gentil, pelo quadro negro que usava para explicar táticas aos jogadores, recurso que ele aprendeu numa das viagens à Europa, quando ainda era marinheiro. Também não se separava do boné, outra de suas marcas registradas.

São muitas as passagens hilariantes atribuídas ao gordo treinador. Vamos conferir algumas delas:

Em 1946, contratado pelo Fluminense, prometeu: “Dêem-me Ademir de Menezes que lhes dou o título”. O jogador veio e o título, também. Depois voltou ao Vasco da Gama e repetiu a promessa. Não deu outra, faixa no peito de novo.

Em 1952, correu um boato de que o Vasco pretendia mandá-lo embora. Um repórter perguntou o que ele achava disso e a resposta foi imediata: “Eu estou com as massas, e as massas derrubam até governos". No outro dia foi despedido.

Foi Gentil Cardoso que lançou Garrincha no futebol carioca. O “homem das pernas tortas” chegou a General Severiano, em 1953, encaminhado pelo lateral Arati, para fazer testes. Disse que jogava de meia-direita no Palmeiras de Pau Grande, sua terra natal. Gentil olhou um treino e disse que ele seria ponteiro-direito, pois sua grande virtude era a arrancada.

Falavam na época, ninguém assegura se é ou não verdade, que antes do primeiro treino de Garrincha com os profissionais do Botafogo teria ocorrido este diálogo entre o técnico e o jogador: "Você joga de que, meu filho?", perguntou Gentil Cardoso. "De chuteiras, moço." Caíram todos na gargalhada e o garoto, chateado, tentou remendar: "Se quiser, posso jogar descalço. Não ligo para isso". De cara amarrada, o treinador explicou: "Qual é a posição?".

Gentil o colocou na ponta direita do time reserva, e ele descadeirou ninguém menos do que Nilton Santos, a “Enciclopédia do Futebol”, já consagrado como um dos maiores laterais do futebol brasileiro e mundial de todos os tempos. Anos depois, quando Garrincha já estava morto, Nilton Santos costumava dizer: "A bola era a maior amiga e a principal distração daquele garoto. Era só o que ele sabia fazer".

Mas, continuemos com o folclórico Gentil Cardoso: uma tarde, depois de uma derrota e cercado de repórteres alguém lhe perguntou por que havia perdido o jogo. E a resposta veio sem meias palavras: “Perdemos, porque o adversário fez mais gols".

Num treino do Vasco, um jogador “cabeça-de-bagre” tentou dar uma bicicleta e caiu no chão. Gentil, que olhava tudo, não agüentou e soltou esta frase antológica: “Meu filho, você já é ruim chutando em pé, imagine de cabeça para baixo’’.

Num treino da equipe juvenil, Gentil Cardoso se preparava para substituir um garoto alto e magro, ruim de bola, quando um sócio do clube gritou do outro lado da cerca: ”Aquele lá é meu filho. Sempre quis que ele crescesse e se tornasse um craque”. Gentil olhou nos olhos do pai coruja e cinicamente disse: ”Bem, pelo menos ele cresceu direitinho”.

Nos anos 50 jogava no Vasco um goleiro chamado Bituca, que tinha um medo terrível de mandinga. Gentil Cardoso treinava o Bangu e pediu ao atacante Mário que levasse para o campo uma mistura de areia e talco e jogasse na cabeça do goleiro, dizendo que era feitiço. Dito e feito. Mal começou o jogo e Bituca aceitou um frango fenomenal. Daí a pouco novo gol numa bola defensável. E um gol atrás do outro, para desespero do técnico vascaíno, Aimoré Moreira, que gritava: “Pega a bola, safado! Pega a bola”. E Bituca, quase chorando respondeu: “Não posso, tô macumbado”.

Em outra ocasião um jogador não parava de dar chutões para o alto. Irritado, Gentil Cardoso chamou o moço e perguntou: "Meu filho, bola é feita de quê?" “De couro seu Gentil”. "E couro, meu filho, vem de onde?" “Da vaca seu Gentil”. "Então, meu filho, aprende: vaca gosta de grama, bola gosta de rolar na grama”.

Quando era treinador da Ponte Preta, Gentil Cardoso levou um megafone para dentro de campo, durante um jogo amistoso. Na época jogava no time de Campinas, um volante de nome Pepino, muito bom de bola. Gentil pedia aos seus jogadores que tocassem a bola sempre de primeira. E gritava: "Zezinho, lança para o Marcos na esquerda. Isso, muito bem". Como era um jogador altamente técnico, Pepino abusava dos dribles, antes de fazer o passe. Gentil Cardoso não perdoava: "Eu falei pra você passar de primeira, Pepino".

No outro dia Pepino colocou as mãos na cintura, olhou para o treinador balançando a cabeça e mostrando-se contrariado. Gentil Cardoso não perdeu tempo, estufou o peito e gritou: "É a sua". O médico do clube, surpreso, disse ao treinador: "Mas ele não falou nada..." "Não falou, mas pensou", disse Gentil.

Foi Gentil Cardoso que criou a expressão “zebra”, hoje tão popular no futebol e que explica a vitória de um time pequeno, contra um grande: “deu zebra”. Gentil treinava a Portuguesa carioca, que no domingo ia jogar contra o Vasco. Um repórter perguntou o que o técnico achava do jogo: “Vai dar zebra”, foi a resposta. E deu, a Portuguesa cometeu o “crime” e venceu. A zebra, que não existe no Jogo do Bicho, simboliza o improvável na Loteria Esportiva.

Treinando a seleção “Cacareco”, Gentil conseguiu a proeza de derrotar a poderosa seleção paulista em jogo pelo campeonato brasileiro de seleções por 4 X 2. A equipe de São Paulo tinha craques como Pelé, Gilmar, Olavo, Zito, Julinho e Chinezinho. No lado pernambucano, os jogadores só eram conhecidos em Pernambuco.

Para finalizar, algumas frases célebres atribuídas ao grande treinador: "Quem se desloca, recebe, quem pede, tem preferência"; “Treino é treino, jogo é jogo”; "Quem não faz, leva"; “O craque trata a bola de você e não de Excelência"; “Futebol é uma caixinha de surpresa”; "Eu quero que vocês corram atrás da bola como se ela fosse um prato de comida". E a última frase da sua vida, quando estava no hospital, dias antes de morrer: “Eu quero sair daqui na vertical e não na horizontal”. Não deu. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
O folclórico Gentil Cardoso, quando treinava o F.B.C. Rio-Grandense, de Rio Grande. (Foto: Livre)

segunda-feira, 7 de abril de 2008

O calvário do América do Rio

Perde o futebol carioca, perde o futebol brasileiro. Ninguém queria a queda do América F.C., para a 2ª Divisão do futebol carioca, uma verdadeira sucursal do inferno. Mas lamentavelmente aconteceu. No último sábado (5), o América dependia de uma improvável combinação de resultados para escapar. Não bastava vencer ao Friburguense, como aconteceu (2 X 0). Cardoso Moreira e Mesquita teriam de perder. Não deu. O Mesquita perdia de 2 X 0 e virou para 4 X 2. Fim de festa.

Chovia forte sobre Nova Friburgo. E lágrimas corriam dos olhos da apaixonada torcida americana, que deixou o estádio em comovente silêncio. Foi de doer no coração. Afinal de contas é um clube com 104 anos, vencedor de vários torneios nacionais e internacionais, uma Taça Guanabara (1974), uma Taça Rio (1982), um Torneio dos Campeões da CBF (1982) e sete títulos estaduais, 1913, 1916, 1922, campeão do Centenário da Independência do Brasil, 1928, 1931, 1935, e 1960, primeiro campeão do Estado da Guanabara.

Mesmo com todas essas glórias, o América acaba de entrar numa espécie de UTI do futebol, de onde dificilmente sairá com vida. A “Segundona” carioca é diferente de outros Estados, não é divulgada pela imprensa, não tem público e os clubes são na maioria patrocinados por prefeituras municipais. Quem vai querer patrocinar o América numa situação dessas?

Eu acho que a Federação carioca poderia fazer algo para melhorar seu campeonato, que vem piorando a cada ano. Os chamados clubes pequenos estão impedidos de jogar em seus estádios contra os “grandes”. E ainda enfrentam arbitragens suspeitas. É um campeonato de cartas marcadas. Eu lembro, e com saudade dos bons tempos em que o Carioca era o melhor torneio do Brasil. Hoje, perde disparado para São Paulo. Só se salvam os jogos finais. E olhe lá.

Onde estão clubes tradicionais como Bangu, Bonsucesso, Portuguesa, Olaria, Campo Grande, São Cristóvão e até o Canto do Rio? Sumiram nas divisões inferiores ou fecharam as portas. Desses “pequenos” só o Madureira resiste, e Deus sabe até quando. A desvalorização do campeonato regional e a incompetência dos “cartolas” da Federação levaram a isso. Sem dinheiro e sem incentivo, o América também afundou. E eu absolvo seus dirigentes de qualquer culpa. Fizeram o que era possível.

Não sou defensor de viradas de mesa. Mas no caso do América, vou torcer para que aconteça. E de carona também se salve o Bangu. É muita história para ser jogada fora. O futebol não merece isso. Eu até sugiro que se crie uma lei protegendo esses clubes tradicionais.

O América nasceu no dia 18 de outubro de 1904, fruto de uma cisão no Clube Atlético da Tijuca. O nome foi sugerido por um dos fundadores, Alfredo Koehler, em homenagem ao continente como um todo. No primeiro jogo oficial, a primeira derrota, 6 X 1 frente o Bangu Athletic Club, no dia 6 de agosto de 1905. O jogador Amilcar Teixeira Pinto, estudante de Medicina marcou o primeiro gol da história do clube.

O primeiro uniforme americano tinha camisas e meias pretas, calções e gravatas brancos. A camisa apresentava sete botões: dois no colarinho e cinco na camisa, que simbolizavam os sete fundadores do clube. Em 1908 foi adotada a camisa vermelha e calção branco, uma homenagem à Associação Athletica Mackenzie Colege, de São Paulo, a quem o América havia enfrentado em jogo amistoso interestadual.

O primeiro jogo internacional disputado pelo América foi em 18 de setembro de 1912, perdendo para a Seleção Chilena por 3 X 2. Em 1913 começou a se firmar como clube grande, com a conquista pela primeira vez do título carioca. Foram 12 vitórias e apenas 3 derrotas. No último jogo uma vitória suada de 1 X 0, frente o São Cristóvão (que era time grande) em 30 de novembro, gol de Gabriel de Carvalho.

Foi nesse campeonato que o jogador americano Belfort Duarte tocou a bola com a mão dentro da área, e como o árbitro não viu, ele próprio se acusou e o pênalti foi marcado. Belfort Duarte, que nunca foi expulso em sua carreira, virou nome de prêmio oferecido aos jogadores que não fossem expulsos durante 10 anos de carreira. Oportunamente escreverei sobre isso.

O América sempre foi um time de raça, honrando o vermelho cor de sangue de sua camisa. Em 18 de dezembro de 1938, foi escrita uma das mais emocionantes páginas da história do clube. Em jogo contra o Vasco, válido pelo campeonato carioca, na rua Campos Sales, o América conseguiu virar um resultado de 4 a 0, para um espetacular 6 a 4.

Em 1954 o Jornal dos Sports divulgou uma pesquisa do Ibope que media o tamanho das torcidas dos clubes cariocas. A maior é claro foi a do Flamengo com 29%. Depois, na ordem Fluminense 19%, Vasco 18%, América 6%, Botafogo 5%, Bangu 2% e São Cristóvão 1%. Só a partir da década de 1960, quando o Botafogo teve grandes momentos, é que sua torcida superou a do América.

Até 1986 o América disputou todas as edições do Campeonato Brasileiro na Série A. A partir dai começou a decadência. Até 1999 foram decepções que não paravam mais. A recuperação do clube começou em 2000 com a inauguração do estádio Giulite Coutinho, seguindo-se com as classificações para as Copas do Brasil de 2004 e 2005.

Em 2006 voltou a viver bons momentos, sendo a sensação do Campeonato Carioca, chegando as finais das Taças Guanabara e Rio. Em 2007 foi semifinalista da Taça Guanabara. E veio o trágico 2008. Nomes como Jorge Vieira, o técnico campeão de 1960 e Amarildo, ex-jogador da Seleção Brasileira, chamado de "O Possesso" não foram suficientes para salvar o América. Agora, está tudo nas mãos de Deus.

Alguns fatos marcantes na vida do clube. Em 12 de outubro de 1914, o América participou da segunda partida noturna no Brasil ao derrotar o Vila Isabel por 6 a 1. Em 30 de julho de 1939, em jogo contra o Vasco, o centroavante americano, Plácido de Assis Monsores fraturou o antebraço e continuou no jogo apenas com uma tipóia e ajudando o time a ganhar o clássico por 3 a 1. No dia 3 de novembro de 1929 o América aplicou uma das maiores goleadas do Campeonato Carioca, em todos os tempos: 11 X 2, em cima do Botafogo.

Em 1951 Arsenal e Portsmouth da Inglaterra excursionaram pelo Brasil, e ambos enfrentaram o América no Maracanã. Em 27 de maio o América bateu o Arsenal por 2 X 1 e em 8 de junho ao Portsmouth por 3 a 2. Em 18 de julho de 1951, data nacional uruguaia, o América conseguiu uma vitória que entrou para a história: diante de 65 mil torcedores, derrotou em plena Montevidéu ao Peñarol, base da “Celeste”, por 3 a 1. Em 1955, o América excursionou pela Europa, realizando 18 partidas, ganhando 13, empatando uma e perdendo duas.

Entre os anos de 1933 e 1937 o futebol carioca viveu séria crise, com duas ligas paralelas. América e Vasco da Gama fizeram um jogo para selar a paz. Daí o nome de “Clássico da Paz”. A firma “O Camiseiro”, ofereceu um troféu. Em 25 de agosto de 1938 o América venceu o jogo por 2 x0. Dias depois emprestou o Troféu ao Vasco da Gama para uma exposição. Até hoje não foi devolvido. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Times do América e Bangu, no primeiro jogo oficial do clube americano (Foto histórica: Acervo do América F.C.)

domingo, 6 de abril de 2008

As maiores goleadas da história do futebol

Alguém já imaginou um time levar 36 X 0, e ainda mais num jogo de campeonato? Eu nunca vi, nem nas tradicionais e saudosas “peladas” jogadas em qualquer campinho, com montes de roupas improvisando as goleiras e surradas bolas quase furando. Lembro que se combinava o jogo em até 10, com mudança de lado aos cinco gols. E muitos jogos ficavam com o escore pelo caminho, pois chegava a noite e não se via mais nada. Não era fácil levar muitos gols.

Palmas ao Bon Accord FC, de Aberdeen, que conseguiu a façanha de levar 36 gols num único jogo. Foi no distante dia 12 de setembro de 1885, pela primeira rodada da Copa da Escócia daquele ano. O jogo foi disputado na cidade de Arbroath e o time local do Arbroath F.C. (hoje na 3ª Divisão) foi o terrível carrasco. Só o atacante John Petrie, fez 13 gols e detém até hoje o recorde mundial de gols em um só jogo.

E bem que o escore poderia ter sido de 43 X 0, pois sete gols foram anulados pelo árbitro Dave Stormont. Naquela época não havia o travessão e nem redes, e algumas vezes não ficava claro se a bola passara dentro ou fora da meta. O goleiro do Arbroath, James Milne, também conhecido como "auld Milne", ou o homem de "olhos de águia" foi um privilegiado expectador. Não tocou na bola uma única vez. Ele passou a maior parte do jogo abrigado da chuva debaixo de uma sombrinha, emprestada por um torcedor.

Na temporada, os "Lichties" , como era chamado pelos torcedores, jogaram 42 vezes, ganharam 26 e perderam 11 partidas, marcando incríveis 178 gols e sofrendo 81. Em setembro de 1887, o Arbroath aplicou outra goleada fantástica: 20 X 0, sobre o Orion.

Parece mentira, mas é verdade. No mesmo dia aconteceu a segunda maior goleada da historia do futebol. O Dundee Harp aplicou 35 X 0 no Aberdee Rovers, também pela Copa da Escócia. Foi tanto gol que até o juiz ficou confuso, pois a chuva forte molhou o papel e apagou as anotações com os números do jogo. Ao final, os jogadores é que confirmaram o resultado. O árbitro pensou que tinha sido 37 X 0. A
dúvida ficou, e o resultado verdadeiro pode ter sido maior.

Teve um outro jogo com uma estratosférica goleada de 149 X 0, mas não foi levada a sério. Os jogadores do SOE, de Madagascar, fizeram um protesto e seus jogadores marcaram contra a própria meta por 149 vezes, no jogo com a Association Sportive Adema Analamanga, na segunda partida de um play-off entre as duas equipes, pelo campeonato local. Não existem outras informações desse jogo (?), nem mesmo a data.

Apenas a título de curiosidade algumas outras grandes goleadas: segundo o “Jornal de Pouso Alegre (MG)”, de 21 de setembro de 1968, o recorde mundial aconteceu lá. Foi no dia 15 de setembro de 1968, quando o Pouso Alegre Futebol Clube, em jogo amistoso aplicou 38 X 0 no Grêmio Recreativo Beta, equipe amadora da cidade de São Paulo.

Nos campeonatos regionais, Pernambuco é campeão de goleadas. Apenas algumas, pois a lista é enorme: 1 de janeiro de 1945, Náutico 21 X 3 Flamengo; 19 de junho de 1938, Sport 16 X 0 Flamengo; 26 de maio de 1935, Náutico 15 X 0 Encruzilhada; 21 de dezembro de 1944, América 15 x 2 Flamengo e 9 de março de 1969, Santa Cruz 15 X 2 Santo Amaro.

No campeonato paulista a maior goleada aconteceu no dia 16 de maio de 1920, quando o Paulistano fez 12 X 0 na Associação Atlética das Palmeiras. Depois, 28 de agosto de 1921, Paulistano 12 X 1 Ypiranga; 3 de maio de 1927, Santos 12 X 1 Ypiranga; 8 de julho de 1945, São Paulo 12 X 1 Jabaquara, a maior goleada da história do Pacembu; 27 de agosto de 1923, São Paulo da Floresta 12 x 1 Sírio e em 19 de novembro de 1959, Santos 12 x 1 Portuguesa Santista.

As maiores goleadas no estadual maranhense: em 2 de setembro de 1954, Sampaio Corrêa 20 x 0 Santos Dumont; 15 de outubro de 1933, Sampaio Corrêa 15 x 0 União e em 24 de abril de 1988, Imperatriz 14 x 2 Tocantins. A maior goleada já registrada, em campeonatos paraenses, foi aplicada pelo Paysandu Sport Clube sobre a equipe do Brasil Sport, em 16 de maio de 1915, 17 x 1.

No campeonato Mineiro as duas maiores goleadas pertencem aos times do Cruzeiro e América. Em 1928 o estrelado fez 14 X 0 no Alves Nogueira, de Sabará. No mesmo ano o América também aplicou 14 X 0 no Palmeiras, de Belo Horizonte.

Os maiores escores do clássico Gre-Nal: Grêmio 10 x 0 Internacional, em 18 de julho de 1909; Grêmio 10 x 1 Internacional, em 18 de junho de 1911; Internacional 7 x 0 Grêmio, em 17 de setembro de 1948 e Internacional 7 x 3 Grêmio, em 28 de maio de 1944. No Clássico-Rei, entre Fortaleza e Ceará, a maior goleada foi no Campeonato Cearense de 1927, Fortaleza 8 X 0 Ceará. No Ba-Vi, o Bahia aplicou a maior goleada, 10 x 1, em 8 de dezembro de 1937, no campo da Graça.

Nos clássicos do Rio de Janeiro a maior goleada foi registrada no campeonato estadual de 1927, quando o Botafogo fez 9 x 2 no Flamengo. No camepeonato estadual o maior escore foi Botafogo 24 X 0 Mangueira, que é recorde sulamericano. A maior goleada ocorrida no Maracanã foi no jogo Flamengo 12 x 0 São Cristóvão, pelo Campeonato Carioca, no dia 28 de outubro de 1956.

A maior goleada que a Seleção Brasileira já aplicou foi 14 x 0 em cima da Nicarágua pelos Jogos Pan-Americanos de 1977. Contra os argentinos, o maior placar a nosso favor aconteceu em 20 de dezembro de 1945, pela Copa Rocca, 6 X 2.

Em Copas do Mundo a Hungria fez a maior goleada: 10 X 1 em cima de El Salvador, no dia 15 de junho de 1982. Em eliminatórias para a Copa do Mundo o recorde pertence à seleção da Austrália, que em 11 de abril de 2001 massacrou a seleção da Samoa Americana por inacreditáveis 31 x 0. Dois dias antes, a Austrália já havia vencido Tonga por 22 x 0, na segunda maior goleada em jogos classificatórios para o Mundial.

Na Copa Libertadores da América a maior goleada aconteceu em 1970, quando o Peñarol de Montevidéu bateu o Valencia, da Venezuela, por 11 a 2. A maior goleada de um clube brasileiro foi de 9 a 1, do Santos sobre o Cerro Porteño, em 1962. Na Copa América os maiores escores da história foram: Argentina 12 x 0 Equador (Uruguai, 1942) e Argentina 11 x 0 Venezuela (Argentina, 1975).

A maior goleada de um time brasileiro contra estrangeiros, foi obra do América mineiro que aplicou 20 X 2 no Kaindorf, da Áustria, em partida amistosa realizada em julho de 1920.

Na extinta Taça Brasil as maiores goleadas foram: 31 de agosto de 1960, Fluminense 8 X 0 Fonseca (RJ) e Grêmio 8 X 0 Perdigão (SC), em 19 de novembro de 1967. No Campeonato Brasileiro, a maior goleada foi aplicada pelo Corinthians em cima da Sociedade Esportiva Tiradentes (PI), em 9 de fevereiro de 1983: 10 X 1. Já na Copa do Brasil, o Caiçara Esporte Clube (SC) apanhou de 11 X 0 do Atlético Mineiro, em 1991.

As maiores goleadas da Copa São Paulo de Juniores: Juventus (SP) 12 X 0 São Raimundo (AM), em 2000; Comerciário (MA) 0 X 12 Internacional (RS), em 10 de janeiro de 2007 e Grêmio 12 X 1 Ypiranga (PE), este ano.

No Futsal a Seleção Brasileira tem o recorde mundial, 76 X 0 no Timor Leste, nos Jogos da Lusofonia de 2006, disputados em Macau na China. O pivô Valdin, com 20 gols quebrou o recorde mundial num só jogo. O Brasil ainda aplicou 27 X 0 em Macau, que também foi goleado pela Seleção de Portugal, por 22 X 0. Antes desse torneio a maior goleada da história da seleção era um 38 X 3 sobre o Uruguai, em 1991. E no futebol feminino um escore lunar: o time inglês do Burton Brewers, disputando o campeonato da 5ª divisão feminina, temporada 2000/2001, levou a maior goleada que se tem notícia, 57 X 0 para o Willenhall Town, em 4 de março de 2001. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
O Arbroath foi impiedoso ao protagonizar a maior goleada da história do futebol mundial (Foto: Acervo Arbroath F.C.)

Nilo,
Li uma matéria sua do dia 29/04 sobre torcedores fanáticos. Vc cita uma pessoa de nome Carlinhos, do Atlético Paranaense. Ele ainda é vivo? Você tem o nome completo dele e o contato? Estou fazendo uma pesquisa, preciso desse material.
Abraços. Adriana
adriana.lemos@rai.com.br

sábado, 5 de abril de 2008

Um verdadeiro saco de pancadas

A maior goleada já registrada em gramados brasileiros e sul-americanos aconteceu em 30 de maio de 1909, no antigo campo da rua Voluntários da Pátria, no Rio de Janeiro. Em jogo válido pelo Campeonato Carioca o Botafogo não teve pena dos jogadores-operários do Sport Club Mangueira e aplicou 24 X 0, escore que até hoje, passados 99 anos, não foi nem mesmo igualado. O jogador alvinegro Gilbert Himes cansou de fazer gols: foram nove.

No dia seguinte o jornal carioca “Gazeta de Notícias”, descreveu o jogo em apenas duas linhas: "O Botafogo dominou completamente o adversário, que deveria ter entregado antecipadamente os pontos, para evitar uma tão estrondosa derrota".

Azar do time do Mangueira, que além de muito ruim teve de enfrentar o Botafogo com apenas 10 jogadores em campo, pois um atacante se machucou logo ao inicio do jogo e naquela época não eram permitidas substituições. O “saco de pancadas” do futebol carioca, ainda naquele ano apanhou de 8 X 0 para o Fluminense e de 6 X O para o América, que por incrível que pareça, era time grande. A campanha mangueirense fala sozinha e diz tudo: 45 gols contra e três a favor. E é claro, a “lanterna” como troféu. E por certo provoca ciúmes históricos ao Íbis pernambucano.

O time nada teve a ver com a popular Escola de Samba da Mangueira. “Graças a Deus”, devem exclamar os sambistas da verde e rosa. O Sport Club Mangueira, fundado em 1906 reunia operários da extinta Fábrica de Chapéus Mangueira, demolida no final dos anos 60 para a construção do metrô Maracanã. A história do clube não poderia ser diferente: em 21 anos de existência, ganhou apenas um título, o de “campeão de derrotas”.

No dia 3 de maio de 1912, no antigo campo do América, na rua Campos Salles, o Mangueira escreveu seu nome na história do Flamengo, ao ser seu primeiro adversário em competições oficiais. O Flamengo recém fundara um departamento de futebol e seu time contava com nove ex-jogadores do Fluminense, entre esses o atacante Borgeth, um dos grandes craques da época. O Flamengo não tomou conhecimento do seu opositor e aplicou impiedosos 16 X 2.

Depois de sofrer goleadas do Botafogo, Flamengo, Fluminense e América só faltava o Vasco da Gama. Em 1922, o Sport Club Mangueira estava na segunda divisão e foi o último adversário vascaíno, que se sagrou campeão e ganhou o direito de disputar o principal campeonato do Rio de Janeiro. As referências sobre o jogo não existem. Nem mesmo o resultado. Os jornais da época divulgavam mais o turfe e esqueciam do futebol. E no caso do Vasco era bem pior, pois seu time era formado na maioria por negros, que eram mal vistos pela imprensa racista da época.

O Mangueira também teve seus 90 minutos de glória. Foi em 1917, na primeira fase do campeonato carioca. Em pleno Estádio das Laranjeiras conseguiu um empate de 0 X 0 com o Fluminense, que era considerado uma verdadeira máquina de jogar futebol, tendo em seu elenco craques da envergadura de Chico Neto, Welfare e do goleiro Marcos Mendonça, o 'fita roxa', que anos depois seria presidente do clube. Demorou dois anos para o Fluminense se vingar e enfiar 8 X 0 no Mangueira.

A despedida do Sport Club Mangueira aconteceu em 1924, quando disputou seu último campeonato. As camisas com listras verticais em vermelho e preto foram recolhidas e guardadas para sempre. Nos anos 40 alguém do Morro da Mangueira tentou trazer o time de volta, embora não fosse cria de lá, mas era tarde demais. A Escola de Samba já dominava as atenções dos moradores do morro.

No próximo artigo escreverei sobre outras goleadas registradas no futebol brasileiro e mundial. Que time nenhum entre em desespero, pois sempre vai existir um outro pior. Consolo para os “Mangueiras” e “Íbis” da vida: um time chamado “Bon Accord”, levou 36 X 0 do “Arbroath”, num jogo pela Copa da Escócia. Essa é até hoje a maior goleada do futebol mundial. Reconhecida, mas já houve maior. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
O Mangueira levou a maior goleada do futebol brasileiro em todos os tempos (Foto: Museu dos Esportes)

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Por que são 11 jogadores nos times e outras coisas

Porque os times de futebol formam com 11 jogadores e não 10, 12, 13 ou mais, ou menos? Existe alguma razão especial para isso? Encontrei em minhas pesquisas duas explicações. Fica ao gosto do freguês, qualquer delas é digna de ser verdadeira. O número seria uma homenagem aos 11 colégios que participaram da reunião que determinou as regras do esporte em 1863, na Inglaterra. Ou, então, porque 11 era a quantidade de atletas nos times da Universidade de Cambridge, também na Inglaterra, primeira a publicar as definições básicas do jogo.

Essa segunda hipótese é um tanto curiosa. Cada classe, na época, tinha apenas dez estudantes, e para completar os times eram chamados os bedéis (inspetores de aulas), que jogavam sempre como goleiros. A FIFA aceita essa versão como a que mais se aproxima da lógica. O que se sabe de verdadeiro é que antes da fixação das regras não existia nenhuma padronização, jogava-se às vezes até com até 17 jogadores. E que o número de 11 jogadores foi adotado no século 19 e permanece até hoje entre as 17 leis do futebol.

Definido que cada equipe teria de ter 11 jogadores, a formação seria um goleiro, dois beques, um médio e sete atacantes. Em 1870 surgiu a clássica formação que mais tempo durou no futebol: um goleiro, dois beques, três médios e cinco atacantes. Desde 1877 os jogos de futebol são disputados em dois tempos de 45 minutos. No Brasil, até 1930, jogava-se em dois tempos de 40 minutos.

Nos primórdios do futebol o campo tinha 184 metros de comprimento e 90 metros de largura. Não existiam linhas demarcatórias, apenas quatro bandeirinhas. Todos os jogadores podiam usar as mãos para aparar a bola no ar e colocá-la no chão. Se o jogador recebesse um lançamento sem que existisse nenhum adversário entre a bola e a linha de fundo estava impedido.

O único jogador com posição fixa era o goleiro que podia pegar a bola com a mão em qualquer parte do campo, mas era proibido de conduzi-la com as mãos. Isso mudou desde 1912 que ele só pode pegar a bola dentro da sua área. A cada gol marcado os times trocavam de lado. A obstrução passou a ser cobrada em dois lances, mesmo quando dentro da área, a partir de 1951.

Nem todas as regras continuam até agora, como eram antes. Algumas tiveram sensíveis mudanças de lá para cá. Já escrevi um artigo enfocando a inexistência da figura do juiz, nos primeiros tempos do futebol. As faltas eram apontadas pelos jogadores em um acordo de cavalheiros. O árbitro surgiu somente em 1868 e, mesmo assim, apitava pouco: ficava de fora do campo e não tinha autonomia para marcar as faltas. Precisava decidir de comum acordo com os capitães. Bastava um não aceitar, que nada seria marcado. O árbitro passou a apitar para valer só a partir de 1894.

Quando o futebol começou não havia travessão e nem traves. Os próprios jogadores é que decidiam se a bola tinha passado abaixo ou acima dos dois postes laterais de 28 cms de altura e 7 metros de comprimento. Em 1865 foi colocada uma fita de tecido ligando os dois pontos. A barra da baliza, feita de madeira foi introduzida em 1875 e incorporada às regras em 1878. As redes apareceram em 1890, para identificar melhor a marcação dos gols.

O escanteio deu as caras somente em 1872. Uma curiosidade que muitos adeptos do futebol talvez não saibam: se na cobrança do escanteio a bola bater na trave e voltar, o mesmo jogador não poderá tocá-la pela segunda vez. A regra determina que o escanteio é uma forma de reiniciar o jogo, por isso não era prevista a marcação de um gol direto do tiro de canto. Isso só veio a acontecer a partir de 1924.

Num jogo entre Argentina X Uruguai, em Buenos Aires, em outubro daquele ano, vencido pelos argentinos por 2 X 1, o jogador Onzari tornou-se o primeiro jogador no mundo a marcar um gol de escanteio. Como o Uruguai era o campeão olímpico de futebol, a jogada foi batizada pelos “porteños” de Gol Olímpico.

Tem a Regra 3, que virou sinônimo de jogadores reservas, e saiu dos campos de futebol para ser usado para qualquer substituição, seja para pessoas, animais ou coisas. Ela é uma das 17 regras que, oficialmente, regulamentam o jogo de futebol, estabelecidas pela International Board, criada em 1886 pela FIFA. E a Regra 3 determina o número de jogadores.

E o pênalti? Surgiu em 1890, inventado pelo goleiro irlandês William McCrum, num match do campeonato do condado de Armagh, Irlanda do Norte. McGrum era dono de uma fábrica de tecidos e gostava de defender o gol de seu time. Um dia, para resolver o problema das faltas próxima ao gol, que geravam discussões e brigas, ele pegou a bola, “contou 12 jardas (cerca de 11 metros), marcou com tinta branca um lugar na grama e disse para colocarem a bola no local e sugeriu que um adversário e ele, debaixo do travessão resolvessem a questão “com um direct free kick sempre que houvesse um foul ou hands na grande área ou the Box (a caixa)”.

O pênalti só foi oficializado nas regras do futebol no dia 2 de junho de 1891, em uma reunião da International Board em Glasgow (Escócia). O cobrador podia bater de qualquer ponto distante 11 metros da meta. Não havia a chamada “marca fatal”, como existe hoje. Mas nem todos concordavam com a sua execução. Para alguns clubes, o pênalti era considerado uma punição deselegante. O Corinthia Tean, que inspirou a fundação do Corinthians Paulista, mandava seu goleiro afastar-se da meta, deixando o gol livre.

A última alteração ocorrida na regra das penalidades máximas obriga os goleiros, que antes podiam se adiantar até seis jardas, a permanecer sobre a linha até o momento da cobrança. O pênalti é a única infração no futebol que deve ser cobrada mesmo depois de encerrado o tempo de uma partida.

E o que dizer de situações comuns nos jogos que não estão previstas nas regras oficiais? Por exemplo: não tem nada escrito dizendo que pode ou não ser feita a chamada barreira. A FIFA apenas recomenda que nenhum jogador pode ficar a menos de 9m14cm de distância da bola, quando da cobrança de falta. A barreira foi invenção dos próprios jogadores para melhor proteger a meta.

Antes de 1970 os jogadores eram advertidos de forma verbal. Em jogos internacionais, quando o juiz falava um idioma e os jogadores outros, ninguém se entendia. Para solucionar isso a FIFA criou a partir da Copa do Mundo de 1970 os cartões vermelhos e amarelos.

Para conhecimento geral, eis as 17 regras do futebol: Regra 1 - O Campo de Jogo; Regra 2 - A Bola; Regra 3 - O Número de Jogadores; Regra 4 - O Equipamento dos Jogadores; Regra 5 - O Árbitro; Regra 6 - Os Árbitros Assistentes (Banderinhas); Regra 7 - A Duração da Partida; Regra 8 - O Início e o Reinício do Jogo; Regra 9 - A Bola em Jogo ou Fora do Jogo; Regra 10 - O Gol Marcado; Regra 11 - O Impedimento; Regra 12 - Faltas e Conduta Antiesportiva; Regra 13 - Os Tiros Livres; Regra 14 - O Pênalti; Regra 15 - O Arremesso Lateral; Regra 16 - O Tiro de Meta e Regra 17 - O Tiro de Canto (Escanteio).

Essas regras estão descritas em um livro publicado em 1862, escrito por J.C. Thring e intitulado ‘‘O Jogo de Inverno: Regras do Futebol’’. Até 1863 foi difícil unificar as regras do futebol. O esporte era praticado em várias escolas inglesas. E cada uma delas tinha as suas regras. Em 1848, uma reunião de quase oito horas resultou em um primeiro esboço das regras de Cambridge. Nos anos seguintes, regras foram testadas e reescritas. Até que, em 1856, Cambridge divulgou uma revisão das regras (cópia do documento pode ser vista hoje em uma biblioteca em Shrewsbury, Inglaterra). (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Um elegante juíz, nos primórdios do futebol (Foto:Metrolink )

Suélem Jobim disse...
Bem, eu não sei nada de futebol e nem gosto muito (apesar de não abrir mão de ser Gremista eheh), mas quero lhe parabenizar pelo blog.
Abraços!!!
4 de abril de 2008 15:15