Confesso que não tenho muita convicção de que algumas dessas frases que proliferam na Internet, tenham sido realmente ditas por jogadores e dirigentes de futebol. Pode até que seja verdade, mas a coisa é tão descabida de lógica que penso se trate de invenção. Eu sei que nem todo o jogador de futebol é letrado, e nem teve o privilégio de frequentar bancos escolares de qualidade, exemplos dos irmãos Sócrates e Raí. Mas daí a imitar a personagem televisiva Ofélia, aquela que abria a boca só para dizer besteira, vai uma grande diferença.
Fora a turma do besteirol, existem jogadores que se notabilizaram por dizerem frases inteligentes. Dário, o “Rei Dadá” no meu modo de ver superou a todos. Folclórico? Sim. Fanfarrão? Nunca. Sou fã de carteirinha dele, até porque foi campeão brasileiro e artilheiro no meu Internacional. Selecionei algumas das filosóficas tiradas do ex-craque, hoje comentarista esportivo da Rede Globo.
"Não venha com a problemática que eu tenho a solucionática"; “Dadá não é eterno. Sua história será eterna”; “Se minha estrela não brilhar, eu passo lustrador”; “Tecnicamente, era horrível, mas na corrida, só de táxi. No ar, só de escada". “Se o gol é a maior alegria do futebol, foi Deus quem inventou Dadá, porque Dadá é a alegria do povo”; “Deus é o ser supremo, Dadá é a dádiva”; “Pelé, Garrincha e Dadá tinham que ser curriculum escolar”; “Me empolgo pelas palavras, me realizo nos atos”; “A lei do menor esforço é usar a inteligência”; “No futebol há nove posições e duas profissões: goleiro e centro avante”; “Faço tudo com amor, inclusive o amor”.
“Futebol é um universo maravilhoso, que faz as pessoas se aproximarem, que faz multiplicar os amigos, que ensina a gente a amar e a respeitar o próximo”; “O Divino Mestre é o fã mais poderoso de Dadá. Ele sempre esteve ao meu lado”; “Quando vou para o trabalho só penso em vitória”; “Eu sofri muito, minha tristeza exorbitou, meu sofrimento passou dos limites para um ser humano. Mas eu tive um auge violento, tive o mundo aos meus pés, bati recordes, fui falado em todos campos. Hoje vivo na imaginação do povo. Sou personagem do planeta bola”; "Três coisas que param no ar. Beija-flor, helicóptero e Dadá Maravilha".
Sobre seus gols de cabeça: "Isso é mamão com açucar"; "Com Dadá em campo não tem placar em branco"; "Não existe gol feio, feio é não fazer gol”; "Nunca aprendi a jogar futebol pois perdi muito tempo fazendo gols"; "Só existe três poderes no universo: Deus no Céu, o Papa no Vaticano e Dadá na grande área"; "Chuto tão mal que, no dia em que eu fizer um gol de fora da área, o goleiro tem que ser eliminado do futebol"; "Fiz mais de 500 gols, só correndo e pulando"; "O gol é o orgasmo do futebol"; "Um rei tem que ser sempre recebido por bandas de música". Dito no estádio da Internacional de Limeira, onde foi recebido por uma banda de música, já no final de sua carreira, aludindo a sua alcunha de "Rei Dadá".
Menino pobre do subúrbio carioca de Marechal Hermes, Dario ficou órfão aos cinco anos quando a mãe morreu num incêndio. Dos 10 aos 18 anos foi assaltante, cansou de apanhar da polícia, mas soube dar a volta por cima. Na Funabem, não o deixavam jogar porque era ruim demais. Aos 20 anos seu pai lhe arranjou emprego na Light. Um dia resolveu tentar a sorte no campo Grande. Depois de ser barrado por seis vezes acabou sendo aceito. E no primeiro treino disse ao técnico Gradin que estava sem café da manhã e almoço. E pediu que lhe dessem um prato de comida, que em troca teriam um goleador. Foi sincero, disse que não sabia driblar, que era ruim mesmo, e que já havia fugido muito de polícia. O Campo Grande topou, e o Dadá desencantou em 1967. O resto dessa história, todos sabem.
E a turma do lado de lá, os aficionados do besteirol, o que disseram? Começo pelo português João Pinto, que atuou pelo Futebol Clube do Porto. É considerado o “Pelé das asneiras”. Eis algumas de suas obras primas: “Não foi nada especial, chutei com o pé que estava mais à mão"; "O meu clube estava à beira do precipício, mas tomou a decisão correta: deu um passo à frente".
O saudoso presidente do Corinthians Paulista, Vicente Mateus, foi uma figura folclórica. Não sei se ele inventava as frases, ou realmente falava sério: "O difícil, vocês sabem, não é fácil"; "Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático e gramático”; “Haja o que hajar, o Corinthians vai ser campeão”; "Se entra na chuva é para se queimar”; "O Sócrates é invendável, inegociável e imprestável” (recusando uma oferta para vender o jogador); “O maior general da França é o General Eletric” (respondendo aos franceses que queriam comprar Sócrates).
Outras “maravilhas” atribuídas a nossos “inteligentes” craques: "No México que é bom. Lá a gente recebe semanalmente, de quinze em quinze dias (Ferreira, ex-ponta-esquerda do Santos); "Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Jesus nasceu" (Claudiomiro, ex-meia do Internacional (RS) ao chegar em Belém do Pará para disputar uma partida); "Tanto na minha vida futebolística quanto com a vida ser humana" (Nunes, ex-jogador do Flamengo); "Nem que tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola" (Bradock, amigo de Romário, reclamando de um passe); "Realmente minha cidade é muito facultativa" ((Elivelton, ao repórter, que falava das muitas escolas de ensino superior existentes na cidade natal do jogador); "A partir de agora meu coração tem uma cor só: é rubro-negro" (Fabão, zagueiro baiano ao chegar no Flamengo).
Se tudo isso for verdadeiro, não vale a pena estudar. O melhor é fazer do filho um jogador de futebol. Se o cérebro é pequeno, a grana é grande: "Eu disconcordo com o que você disse” (Vladimir, ex-meia do Corinthians, em uma entrevista à Rádio Record); “Que interessante, aqui no Japão só tem carro importado” (Jardel, ex-Vasco e Grêmio, referindo-se aos Toyotas e Mitsubishis); “Nós vamos recuar para trás e depois atacar com tudo para frente" (Correia, jogador do Palmeiras em entrevista a TV Bandeirantes dizendo como o time iria jogar contra o Vasco).
Sei que não tem nada a ver com futebol, mas alguns dos vestibulandos de nossas faculdades, dão goleada de 10 X 0 nos futebolistas. Só a título de curiosidade e ilustração mostro algumas preciosidades retiradas de redações do provão do ENEM:
"Os desmatamentos de animais precisam acabar"; "É um problema de muita gravidez"; "Devido aos raios ultra-violentos"; "Na televisão o governo vem com aquela prosopopéia flácida"; "Todos os fiscais são subordinados, é a propina"; "Os lagos são formados pelas bacias esferográficas"; "No paiz enque vivemos, os problemas cerrevelam"; "A natureza foi discuberta pelos homens a 500 anos atrás"; "Não preserve apenas o meio ambiente, mas sim todo ele"; "O maior problema da floresta Amazonas é o desmatamento dos peixes"; "Hoje endia a natureza não é mais aquela"; "Vamos mostrar que somos semelhantemente iguais"; "Vamos deixar de sermos egoístas e pensarmos um pouco mais em nós"; "Por isso eu luto para atingir os meus obstáculos". (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.
segunda-feira, 21 de abril de 2008
As várias faces do gol
Quem acompanha futebol com certeza já viu gol de todo o jeito. De cabeça, com o pé, de barriga, de costas, de bunda e até com a mão. O gol com a mão mais famoso do mundo foi de Maradona, nas quartas de final da Copa do Mundo de 1986, no México, no jogo Argentina X Inglaterra. Apelidado pelo próprio jogador como “La Mano de Dios”, o gol serviu de inspiração para um filme rodado o ano passado, além de músicas dos compositores Walter Olmos e Carlos Waiss.
O gol de barriga de Renato Gaúcho foi um dos lances mais pitorescos da história do futebol brasileiro. Aconteceu num clássico Fla-Flu pelo Campeonato Carioca, dia 25 de junho de 1995. O empate de 2 X 2 dava o título ao Flamengo. Ao Fluminense só a vitória interessava. O relógio marcava 42 minutos do segundo tempo. A torcida rubro-negra já cantava e festejava quando o incrível aconteceu: Ailton recebeu a bola na linha de fundo, pela direita, cortou para um lado, driblou Charles Guerreiro e chutou para o gol de Roger. A bola resvalou na barriga do atacante Renato Gaúcho e entrou. Vitória do Fluminense, taça nas laranjeiras, fim de um jejum de 11 anos e silencio profundo da torcida do Flamengo.
No dia 29 de abril do ano passado, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro o goleiro Fábio, do Cruzeiro, no clássico que o Atlético venceu por 4 X 0, levou um gol de costas. O “Galo” acabara de marcar de pênalti o terceiro gol, aos 45 minutos do segundo tempo. O Cruzeiro deu a saída e perdeu a bola. O centroavante Vanderlei dominou, livrou-se de um defensor, aproximou-se da área e chutou enquanto o goleiro Fábio estava de costas para o gramado. Disse depois que fora buscar a bola do lance anterior, que ainda estava dentro da meta.
No Campeonato Brasileiro do ano passado, em jogo no Mineirão, dia 4 de julho, o Flamengo levou um gol do Atlético, aos 43 minutos do segundo tempo. Aos 47, o jogador Leonardo empatou o jogo com um gol de ombro. Mas isso, não é nada. Pior foi o gol de nuca que o atacante Abimael, do Figueirense fez contra o Caxias, em 2001, aos 39 minutos do segundo tempo no jogo do Brasileiro da Série B, que colocou o time catarinense na Série A.
Num dos jogos da decisão do Campeonato Paulista de 1977, o jogador Palhinha, do Palmeiras fez um gol de nariz contra o Corinthians e precisou de atendimento médico. Após chutar no gol adversário, a bola foi rebatida pelo goleiro, voltou e bateu direto no seu nariz e entrou no gol.
Em 12 de dezembro de 1993 o São Paulo ganhou seu segundo título mundial de clubes, em Tókio. Derrotou o poderoso Milan, da Itália, por 3 X 2 . O gol da vitória aconteceu aos 36 minutos do segundo tempo, marcado pelo atacante Muller. O tricolor paulista encaixou um contra-ataque, tocando a bola calmamente: Doriva, Dinho, Leonardo e Cerezo, e lançamento para Muller que de dentro da área adversária fez o famoso e histórico gol de “bunda”.
Alguém já ouviu falar de um gol feito com o “pinto”? Mas já aconteceu. Foi no dia 11 de novembro do ano passado na vitória do Stuttgart por 3 X 1 sobre o Bayern de Munique, pelo Campeonato Alemão. O jornal “Bild” publicou na edição de 14-11 o gol de “pinto” do atacante Mário Gomes, o primeiro do jogo. O periódico alemão assegura que foi com o pênis do jogador. O goleiro Oliver Kahn, do Bayern saiu da meta para tentar defender uma bola cruzada, que sobrou para Gómez, que pulou para cabecear, quando foi surpreendido pela trajetória da bola, que pegou efeito e bateu em seu pênis, enganando o goleiro. “Primeiro gol de pênis no campeonato alemão”, foi a manchete de capa do jornal. E no subtítulo esta pérola: “O gol foi geni(t)al”.
Sem a menor dúvida esses lances ganharam lugar de destaque na história do futebol pela maneira como foram marcados. Muitos outros gols foram feitos de maneira curiosa. Citei alguns, apenas como ilustração. Mas nada, nada mesmo se compara ao gol mais esquisito do mundo em todos os tempos, marcado por um jogador de nome Leônidas, que defendeu o América, do Rio de Janeiro, nos anos 50.
Nada a ver com o famoso Leônidas da Silva, o eterno “Diamante Negro”. O jornalista carioca, Sandro Moreira foi quem apelidou o Leônidas americano, de “Leônidas da Selva”, para não confundir com o outro. Em uma excursão do América pela Turquia, o "da Selva" tentou alcançar um cruzamento. Tropeçou e para não estatelar-se no chão plantou uma "bananeira.” Ao fazê-lo acertou com o calcanhar na bola que entrou no gol turco, sob o olhar estupefato da torcida.
“Leônidas da Selva” foi um bom jogador, um verdadeiro tanque, rompedor e goleador. Dono de um físico avantajado, Leônidas quando ainda morava no Sul do país, exibia-se em circo com um número sensacional: deitava no chão e mandava passar um caminhão por cima de seu peito. Foi ídolo da torcida americana e chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira. Fez parte daquele que é considerado o melhor ataque da história do América: Canário, Alarcon, Leônidas, Romeiro e Ferreira.
Seu nome verdadeiro é Manoel Pereira. Nasceu no dia 3 de janeiro de 1927, em Biguaçu (SC) e faleceu no dia 23 de abril de 1985, em Matinhos (PR). Foi para o América em 1956. Conquistou dois títulos importantes, as Copas Oswaldo Cruz e Atlântico, em 1956, pela Seleção Brasileira, por quem fez 1 gol.
Leônidas vestiu por seis vezes a camisa canarinho: em 12 e 17 de junho de 1956, contra o Paraguai; em 24 de junho, enfrentou o Uruguai; em 1 de julho de 1956, encarou a Itália; 8 de julho de 1956, jogou contra a Argentina e em 5 de agosto de 1956, enfrentou a Tchecoslováquia. Pelo América não conseguiu mais do que um vice-campeonato carioca, em 1955 e ser capa da revista “Esporte Ilustrado” (foto que ilustra este artigo).
Contam que no jogo de estréia na Seleção, Leônidas tinha como companheiro de ataque o genial Zizinho, um dos maiores craques do futebol brasileiro em todos os tempos. Era um jogo contra o Paraguai. Leônidas estava muito nervoso porque não conseguia aproveitar os passes milimétricos de Zizinho, que o lançava em profundidade. Foram cinco passes magistrais, verdadeiras obras de arte, que Leônidas não aproveitou. A torcida não perdoou e as vaias ecoavam por todo o estádio.
No intervalo do jogo, na conversa de vestiário, Leônidas chamou Zizinho a um canto e, quase chorando, pediu: “Seu Zizinho, por favor, não me dê mais aqueles passes inteligentes. Não adianta, não sei o que fazer. Para mim, não adianta. É melhor o senhor mandar a bola em cima dos “beques”, eu prefiro assim, vou lá e divido com eles.” Dito e feito: na primeira bola que Zizinho tocou na direção do zagueiro paraguaio, “Leônidas da Selva” foi pra cima, chutou, bateu canela com canela e fez o gol. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
O gol de barriga de Renato Gaúcho foi um dos lances mais pitorescos da história do futebol brasileiro. Aconteceu num clássico Fla-Flu pelo Campeonato Carioca, dia 25 de junho de 1995. O empate de 2 X 2 dava o título ao Flamengo. Ao Fluminense só a vitória interessava. O relógio marcava 42 minutos do segundo tempo. A torcida rubro-negra já cantava e festejava quando o incrível aconteceu: Ailton recebeu a bola na linha de fundo, pela direita, cortou para um lado, driblou Charles Guerreiro e chutou para o gol de Roger. A bola resvalou na barriga do atacante Renato Gaúcho e entrou. Vitória do Fluminense, taça nas laranjeiras, fim de um jejum de 11 anos e silencio profundo da torcida do Flamengo.
No dia 29 de abril do ano passado, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro o goleiro Fábio, do Cruzeiro, no clássico que o Atlético venceu por 4 X 0, levou um gol de costas. O “Galo” acabara de marcar de pênalti o terceiro gol, aos 45 minutos do segundo tempo. O Cruzeiro deu a saída e perdeu a bola. O centroavante Vanderlei dominou, livrou-se de um defensor, aproximou-se da área e chutou enquanto o goleiro Fábio estava de costas para o gramado. Disse depois que fora buscar a bola do lance anterior, que ainda estava dentro da meta.
No Campeonato Brasileiro do ano passado, em jogo no Mineirão, dia 4 de julho, o Flamengo levou um gol do Atlético, aos 43 minutos do segundo tempo. Aos 47, o jogador Leonardo empatou o jogo com um gol de ombro. Mas isso, não é nada. Pior foi o gol de nuca que o atacante Abimael, do Figueirense fez contra o Caxias, em 2001, aos 39 minutos do segundo tempo no jogo do Brasileiro da Série B, que colocou o time catarinense na Série A.
Num dos jogos da decisão do Campeonato Paulista de 1977, o jogador Palhinha, do Palmeiras fez um gol de nariz contra o Corinthians e precisou de atendimento médico. Após chutar no gol adversário, a bola foi rebatida pelo goleiro, voltou e bateu direto no seu nariz e entrou no gol.
Em 12 de dezembro de 1993 o São Paulo ganhou seu segundo título mundial de clubes, em Tókio. Derrotou o poderoso Milan, da Itália, por 3 X 2 . O gol da vitória aconteceu aos 36 minutos do segundo tempo, marcado pelo atacante Muller. O tricolor paulista encaixou um contra-ataque, tocando a bola calmamente: Doriva, Dinho, Leonardo e Cerezo, e lançamento para Muller que de dentro da área adversária fez o famoso e histórico gol de “bunda”.
Alguém já ouviu falar de um gol feito com o “pinto”? Mas já aconteceu. Foi no dia 11 de novembro do ano passado na vitória do Stuttgart por 3 X 1 sobre o Bayern de Munique, pelo Campeonato Alemão. O jornal “Bild” publicou na edição de 14-11 o gol de “pinto” do atacante Mário Gomes, o primeiro do jogo. O periódico alemão assegura que foi com o pênis do jogador. O goleiro Oliver Kahn, do Bayern saiu da meta para tentar defender uma bola cruzada, que sobrou para Gómez, que pulou para cabecear, quando foi surpreendido pela trajetória da bola, que pegou efeito e bateu em seu pênis, enganando o goleiro. “Primeiro gol de pênis no campeonato alemão”, foi a manchete de capa do jornal. E no subtítulo esta pérola: “O gol foi geni(t)al”.
Sem a menor dúvida esses lances ganharam lugar de destaque na história do futebol pela maneira como foram marcados. Muitos outros gols foram feitos de maneira curiosa. Citei alguns, apenas como ilustração. Mas nada, nada mesmo se compara ao gol mais esquisito do mundo em todos os tempos, marcado por um jogador de nome Leônidas, que defendeu o América, do Rio de Janeiro, nos anos 50.
Nada a ver com o famoso Leônidas da Silva, o eterno “Diamante Negro”. O jornalista carioca, Sandro Moreira foi quem apelidou o Leônidas americano, de “Leônidas da Selva”, para não confundir com o outro. Em uma excursão do América pela Turquia, o "da Selva" tentou alcançar um cruzamento. Tropeçou e para não estatelar-se no chão plantou uma "bananeira.” Ao fazê-lo acertou com o calcanhar na bola que entrou no gol turco, sob o olhar estupefato da torcida.
“Leônidas da Selva” foi um bom jogador, um verdadeiro tanque, rompedor e goleador. Dono de um físico avantajado, Leônidas quando ainda morava no Sul do país, exibia-se em circo com um número sensacional: deitava no chão e mandava passar um caminhão por cima de seu peito. Foi ídolo da torcida americana e chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira. Fez parte daquele que é considerado o melhor ataque da história do América: Canário, Alarcon, Leônidas, Romeiro e Ferreira.
Seu nome verdadeiro é Manoel Pereira. Nasceu no dia 3 de janeiro de 1927, em Biguaçu (SC) e faleceu no dia 23 de abril de 1985, em Matinhos (PR). Foi para o América em 1956. Conquistou dois títulos importantes, as Copas Oswaldo Cruz e Atlântico, em 1956, pela Seleção Brasileira, por quem fez 1 gol.
Leônidas vestiu por seis vezes a camisa canarinho: em 12 e 17 de junho de 1956, contra o Paraguai; em 24 de junho, enfrentou o Uruguai; em 1 de julho de 1956, encarou a Itália; 8 de julho de 1956, jogou contra a Argentina e em 5 de agosto de 1956, enfrentou a Tchecoslováquia. Pelo América não conseguiu mais do que um vice-campeonato carioca, em 1955 e ser capa da revista “Esporte Ilustrado” (foto que ilustra este artigo).
Contam que no jogo de estréia na Seleção, Leônidas tinha como companheiro de ataque o genial Zizinho, um dos maiores craques do futebol brasileiro em todos os tempos. Era um jogo contra o Paraguai. Leônidas estava muito nervoso porque não conseguia aproveitar os passes milimétricos de Zizinho, que o lançava em profundidade. Foram cinco passes magistrais, verdadeiras obras de arte, que Leônidas não aproveitou. A torcida não perdoou e as vaias ecoavam por todo o estádio.
No intervalo do jogo, na conversa de vestiário, Leônidas chamou Zizinho a um canto e, quase chorando, pediu: “Seu Zizinho, por favor, não me dê mais aqueles passes inteligentes. Não adianta, não sei o que fazer. Para mim, não adianta. É melhor o senhor mandar a bola em cima dos “beques”, eu prefiro assim, vou lá e divido com eles.” Dito e feito: na primeira bola que Zizinho tocou na direção do zagueiro paraguaio, “Leônidas da Selva” foi pra cima, chutou, bateu canela com canela e fez o gol. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
domingo, 20 de abril de 2008
Te cuida, Ibis
O Íbis de Pernambuco já viu o seu status de “pior time do mundo” correr sério perigo. Já surgiram muitos candidatos. O Grêmio Atlético Sampaio, de Boa Vista, Roraima, ou simplesmente o GAS, como é mais conhecido foi o último time a assustar o rubro-negro pernambucano. Não foram poucos os críticos que chegaram a questionar o "título" do Íbis, dizendo que o GAS conseguia ser ainda pior. Em 2004 o time começou a afundar. Chegou ao fundo do poço em 2006, quando venceu um só jogo na temporada. E assim mesmo, sem jogar. Foi um W.O. sobre o Progresso, de Mucajaí, que não apareceu.
O GAS ficou sem vencer dentro de campo de 8 de maio de 2004, quando derrotou o São Raimundo, por 4 X 0 até 2007, quando venceu o Atlético Rio Negro Clube, por 4 X 3 e de virada. A história do clube até que é bonita. Em meados da década de 1960 chegaram a Roraima vários militares do Exército Brasileiro, vindos de diversos pontos do país para servirem em um dos quartéis de Boa Vista. Entre eles estava o cearense Agenor de Souza Almeida, o “seu Agenor”, que viria a fundar o GAS em 11 de junho de 1965. O nome foi uma homenagem ao seu conterrâneo General Sampaio.
O “leão” foi o mascote escolhido. O pobre animal, reverenciado como o “rei das selvas”, sinônimo de força e coragem não merecia tal “homenagem”. Os torcedores (?) apelidaram o time de “Leão do Norte” e “Leão Dourado”. O escudo tem fundo vermelho, no centro um leão em amarelo e bem em baixo o nome Sampaio, escrito em letras maiúsculas.
O clube aderiu ao profissionalismo na década de 1990. Em 1996 disputou pela primeira vez o Campeonato Roraimense de Futebol e sagrou-se vice-campeão, perdendo o título para o Baré. Foi um início promissor, tendo garantido vaga para a Série C do Campeonato Brasileiro de 1996. A campanha nacional foi terrível: perdeu todos os jogos, fez só quatro gols e abandonou a competição ainda na primeira fase.
Olhando bem, não é surpresa Roraima ter um time tão ruim. O campeonato de lá é uma verdadeira desgraça. Os outros times não são muito diferentes do GAS. E o público sabe disso. Adivinhem qual tem sido a média de público no campeonato, nos últimos anos? Não mais do que 50 pessoas nas rodadas duplas que são jogadas aos sábados à tarde. É a menor média do futebol brasileiro. Até na várzea de qualquer cidade, o público é maior.
Só um exemplo: no dia 22 de Julho de 1996, o jogo entre Progresso x Rio Negro pelo campeonato de Roraima teve apenas um pagante: o herói foi o funcionário do Ministério de Agricultura Abraão Pereira de Souza. A renda foi de R$ 5,00 e cada clube recebeu R$ 1,00.
O fundador do clube, “seu Agenor Sampaio” ainda é o presidente. A empregada doméstica de sua casa é que lava e passa o uniforme do time. Na Diretoria ele conta apenas com o genro e funcionário público, Jander Ramalho, uma espécie de “faz tudo”. Ele carrega os jogadores nos dias de jogos em sua caminhoneta “Pampa”. A maioria deles mora na periferia de Boa Vista. No elenco tem gente de tudo que é profissão, de pintor de parede a teólogo. Treino é coisa rara. E dinheiro, mais ainda. De vez em quando uma cesta básica, e fica por aí.
Já existiu um outro Grêmio Atlético Sampaio, mas no Acre. E não era ruim como o “xará” de Roraima. O Sampaio acreano, de Rio Branco foi fundado e dirigido pelo comando do exército local. Foi campeão acreano em 1967 e extinto pouco depois, em 1969. Treinava no campo da 4.a Companhia da Fronteira. O principal incentivador do GAS era o capitão Maia. Esse time deixou saudade, tanto que existe em Rio Branco uma rua que leva seu nome.
Mas o GAS de Roraima não está sozinho nessa briga para ver quem é ou foi o pior time do mundo. A lista é grande e incompleta, pois com certeza devem existir muitos outros candidatos por este mundo de Deus afora. Eis alguns.
O Estudantes, de Timbaúva (PE), foi o grande rival do Íbis no Estado. Enquanto o “pássaro preto” levava pancada na primeira divisão, o time timbauvense apanhava na segundona. Em 1995 teve um saldo negativo de 46 gols.
“Bonita” também foi a campanha do Expressinho (MA), que no campeonato de 1996 jogou 18 partidas e perdeu todas. Sofreu 67 gols e marcou apenas 3. O Vitória do Mar, também do Maranhão conheceu vitórias, só no nome. Dizem que tempos atrás o clube disputou com o Íbis o título de pior do mundo, mas nem isso conseguiu ganhar.
E do Cruzeiro de Arapiraca (AL), o que dizer? Em 1988 o time ficou conhecido como "assombroso". O técnico Eraldo Lessa era o administrador de cemitério e a torcida adversária não deixava por menos e chamava os jogadores de "coveiros", porque eles “enterravam” o time. O clube ganhou um único jogo naquela época, contra o São Domingos e num dia primeiro de abril. Vitória de “mentirinha”, diziam os gozadores de plantão.
Um outro Cruzeiro não fica atrás. É o Cruzeiro Esporte Clube, de Porto Velho (RO). A última vez que o time soube o que é uma vitória foi no dia 12 de abril de 2005, quando venceu o Pimentense, por 1 a 0, no seu estádio, o Aluízio Ferreira. Desde então, foram 18 jogos, com 15 derrotas, dois empates e mais uma vitória, mas no tapetão, contra o mesmo Pimentense. Dentre as derrotas acumuladas, o Cruzeiro sofreu uma goleada de 10 a 0 para o Ji-Paraná, no dia sete de maio de 2005. Dois jogos depois, o time melhorou e perdeu para o Genus por “apenas” 9 a 0. Nos 18 jogos disputados desde a última vitória, foram 56 gols sofridos, média de 3 gols por jogo e somente 10 gols marcados.
Outra proeza para ninguém botar defeito foi protagonizada pelo já extinto time do Bernardo, de São Bernardo do Campo (SP), que foi último colocado na 6ª divisão paulista, por seis anos consecutivos.
O mais novo aspirante ao título de pior do mundo não pode ser desconsiderado. É candidato fortíssimo. Trata-se do Esporte Clube Perilima, de Campina Grande (PB). O próprio nome do time é inacreditável. O dono, Pedro Ribeiro Lima, juntou o PE, de Pedro, o RI, de Ribeiro e o sobrenome LIMA e compôs a obra, PERILIMA.
O Perilima foi fundado em 8 de setembro de 1992, com o nome de Associação Desportiva Perilima e pertence a uma fábrica de “sordas”, uma mistura de bolachas de trigo e rapadura, típica da região Nordeste. Os jogadores são quase todos funcionários da empresa e recebem apenas um complemento de salário. O dono banca todas as despesas do clube, cerca de R$ 15 mil por campeonato. Sua única exigência é sempre ser escalado e só sair quando quiser. O que não é problema, pois além de jogador e capitão da equipe, é o técnico.
Pedro, que se diz viciado em futebol e que fica doente quando não joga, tem 1.62 metro de altura e pesa 80 quilos. Costuma jogar pelo menos o primeiro tempo, não marca ninguém e raramente toca na bola. O time não tem torcedores, mas conta com a simpatia de todos pelo seu caráter folclórico.
Em 2001 mudou o nome para Esporte Clube Perilima. Em 2003 voltou ao nome antigo de Associação Desportiva Pirilima. É conhecido como a “Águia de Campina Grande”. Vive num constante sobe e desce nos campeonatos da primeira e segunda divisões. A propósito, a segunda divisão paraibana é agora oficialmente denominada de “Troféu Chico Bala”. Entre os “craques” do time no ano passado figuravam nomes como “Chimba”, “Nego Pai”, “Fumaça” e “Foguinho”.
O ano passado a FIFA reconheceu seu Pedro como o mais velho jogador em atividade no futebol mundial (58 anos). O único gol que marcou na carreira foi no jogo em que perdeu por 5 X 1 para o Campinense, de Campina Grande, pelo campeonato paraibano, no dia 28 de março de 2007. O gol foi de pênalti, aos 35 minutos do segundo tempo. O “artilheiro” tinha dois sonhos, fazer um gol como profissional e encerrar a carreira aos 60 anos. Agora, só falta um.
No campeonato paraibano de 2007 o Perilima conseguiu 15 derrotas seguidas, sofreu 67 gols e marcou 7. Somando-se os dois jogos que perdeu na segunda divisão de 2006, um campeonato que teve apenas dois participantes - foi vice-campeão sem vencer – a marca de derrotas consecutivas em partidas oficiais sobe para 18 jogos, incluindo um jogo do estadual de 2005.
A última vitória do time das “sordas” foi em 26 de fevereiro de 2005, 1 x 0 sobre o Nacional de Cabedelo, outro time do mesmo DNA do Perilima. Foram 26 jogos oficiais sem vitória, e duas goleadas, 7 X 0 para o Campinense, a “Raposa do Nordeste” e 11 X 0 para o Treze, o “Galo da Borborema.” O único ponto conquistado no campeonato do ano passado foi no empate em 3 X 3 com o Esporte, de Patos, no estádio Amigão, em 14 de abril. Nesse jogo o “dono do time” desperdiçou um pênalti.
No exterior, perde-se a conta de quantos times ruins existem. A quantidade é enorme, por isso vou dar apenas um exemplo. O Deportivo Jalapa, da Nicarágua por incrível que pareça foi campeão nacional em 2001. E no ano seguinte foi disputar a Copa dos Campeões da Concacaf, em El Salvador. Confiram os resultados dos seus jogos: na estréia, derrota por 4 X 1. No segundo jogo, por 17 X 0. No terceiro, 19 X 0. Sofreu: 40 gols e marcou um. Ganhou o apelido de “Real Madrid às avessas”. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
O GAS ficou sem vencer dentro de campo de 8 de maio de 2004, quando derrotou o São Raimundo, por 4 X 0 até 2007, quando venceu o Atlético Rio Negro Clube, por 4 X 3 e de virada. A história do clube até que é bonita. Em meados da década de 1960 chegaram a Roraima vários militares do Exército Brasileiro, vindos de diversos pontos do país para servirem em um dos quartéis de Boa Vista. Entre eles estava o cearense Agenor de Souza Almeida, o “seu Agenor”, que viria a fundar o GAS em 11 de junho de 1965. O nome foi uma homenagem ao seu conterrâneo General Sampaio.
O “leão” foi o mascote escolhido. O pobre animal, reverenciado como o “rei das selvas”, sinônimo de força e coragem não merecia tal “homenagem”. Os torcedores (?) apelidaram o time de “Leão do Norte” e “Leão Dourado”. O escudo tem fundo vermelho, no centro um leão em amarelo e bem em baixo o nome Sampaio, escrito em letras maiúsculas.
O clube aderiu ao profissionalismo na década de 1990. Em 1996 disputou pela primeira vez o Campeonato Roraimense de Futebol e sagrou-se vice-campeão, perdendo o título para o Baré. Foi um início promissor, tendo garantido vaga para a Série C do Campeonato Brasileiro de 1996. A campanha nacional foi terrível: perdeu todos os jogos, fez só quatro gols e abandonou a competição ainda na primeira fase.
Olhando bem, não é surpresa Roraima ter um time tão ruim. O campeonato de lá é uma verdadeira desgraça. Os outros times não são muito diferentes do GAS. E o público sabe disso. Adivinhem qual tem sido a média de público no campeonato, nos últimos anos? Não mais do que 50 pessoas nas rodadas duplas que são jogadas aos sábados à tarde. É a menor média do futebol brasileiro. Até na várzea de qualquer cidade, o público é maior.
Só um exemplo: no dia 22 de Julho de 1996, o jogo entre Progresso x Rio Negro pelo campeonato de Roraima teve apenas um pagante: o herói foi o funcionário do Ministério de Agricultura Abraão Pereira de Souza. A renda foi de R$ 5,00 e cada clube recebeu R$ 1,00.
O fundador do clube, “seu Agenor Sampaio” ainda é o presidente. A empregada doméstica de sua casa é que lava e passa o uniforme do time. Na Diretoria ele conta apenas com o genro e funcionário público, Jander Ramalho, uma espécie de “faz tudo”. Ele carrega os jogadores nos dias de jogos em sua caminhoneta “Pampa”. A maioria deles mora na periferia de Boa Vista. No elenco tem gente de tudo que é profissão, de pintor de parede a teólogo. Treino é coisa rara. E dinheiro, mais ainda. De vez em quando uma cesta básica, e fica por aí.
Já existiu um outro Grêmio Atlético Sampaio, mas no Acre. E não era ruim como o “xará” de Roraima. O Sampaio acreano, de Rio Branco foi fundado e dirigido pelo comando do exército local. Foi campeão acreano em 1967 e extinto pouco depois, em 1969. Treinava no campo da 4.a Companhia da Fronteira. O principal incentivador do GAS era o capitão Maia. Esse time deixou saudade, tanto que existe em Rio Branco uma rua que leva seu nome.
Mas o GAS de Roraima não está sozinho nessa briga para ver quem é ou foi o pior time do mundo. A lista é grande e incompleta, pois com certeza devem existir muitos outros candidatos por este mundo de Deus afora. Eis alguns.
O Estudantes, de Timbaúva (PE), foi o grande rival do Íbis no Estado. Enquanto o “pássaro preto” levava pancada na primeira divisão, o time timbauvense apanhava na segundona. Em 1995 teve um saldo negativo de 46 gols.
“Bonita” também foi a campanha do Expressinho (MA), que no campeonato de 1996 jogou 18 partidas e perdeu todas. Sofreu 67 gols e marcou apenas 3. O Vitória do Mar, também do Maranhão conheceu vitórias, só no nome. Dizem que tempos atrás o clube disputou com o Íbis o título de pior do mundo, mas nem isso conseguiu ganhar.
E do Cruzeiro de Arapiraca (AL), o que dizer? Em 1988 o time ficou conhecido como "assombroso". O técnico Eraldo Lessa era o administrador de cemitério e a torcida adversária não deixava por menos e chamava os jogadores de "coveiros", porque eles “enterravam” o time. O clube ganhou um único jogo naquela época, contra o São Domingos e num dia primeiro de abril. Vitória de “mentirinha”, diziam os gozadores de plantão.
Um outro Cruzeiro não fica atrás. É o Cruzeiro Esporte Clube, de Porto Velho (RO). A última vez que o time soube o que é uma vitória foi no dia 12 de abril de 2005, quando venceu o Pimentense, por 1 a 0, no seu estádio, o Aluízio Ferreira. Desde então, foram 18 jogos, com 15 derrotas, dois empates e mais uma vitória, mas no tapetão, contra o mesmo Pimentense. Dentre as derrotas acumuladas, o Cruzeiro sofreu uma goleada de 10 a 0 para o Ji-Paraná, no dia sete de maio de 2005. Dois jogos depois, o time melhorou e perdeu para o Genus por “apenas” 9 a 0. Nos 18 jogos disputados desde a última vitória, foram 56 gols sofridos, média de 3 gols por jogo e somente 10 gols marcados.
Outra proeza para ninguém botar defeito foi protagonizada pelo já extinto time do Bernardo, de São Bernardo do Campo (SP), que foi último colocado na 6ª divisão paulista, por seis anos consecutivos.
O mais novo aspirante ao título de pior do mundo não pode ser desconsiderado. É candidato fortíssimo. Trata-se do Esporte Clube Perilima, de Campina Grande (PB). O próprio nome do time é inacreditável. O dono, Pedro Ribeiro Lima, juntou o PE, de Pedro, o RI, de Ribeiro e o sobrenome LIMA e compôs a obra, PERILIMA.
O Perilima foi fundado em 8 de setembro de 1992, com o nome de Associação Desportiva Perilima e pertence a uma fábrica de “sordas”, uma mistura de bolachas de trigo e rapadura, típica da região Nordeste. Os jogadores são quase todos funcionários da empresa e recebem apenas um complemento de salário. O dono banca todas as despesas do clube, cerca de R$ 15 mil por campeonato. Sua única exigência é sempre ser escalado e só sair quando quiser. O que não é problema, pois além de jogador e capitão da equipe, é o técnico.
Pedro, que se diz viciado em futebol e que fica doente quando não joga, tem 1.62 metro de altura e pesa 80 quilos. Costuma jogar pelo menos o primeiro tempo, não marca ninguém e raramente toca na bola. O time não tem torcedores, mas conta com a simpatia de todos pelo seu caráter folclórico.
Em 2001 mudou o nome para Esporte Clube Perilima. Em 2003 voltou ao nome antigo de Associação Desportiva Pirilima. É conhecido como a “Águia de Campina Grande”. Vive num constante sobe e desce nos campeonatos da primeira e segunda divisões. A propósito, a segunda divisão paraibana é agora oficialmente denominada de “Troféu Chico Bala”. Entre os “craques” do time no ano passado figuravam nomes como “Chimba”, “Nego Pai”, “Fumaça” e “Foguinho”.
O ano passado a FIFA reconheceu seu Pedro como o mais velho jogador em atividade no futebol mundial (58 anos). O único gol que marcou na carreira foi no jogo em que perdeu por 5 X 1 para o Campinense, de Campina Grande, pelo campeonato paraibano, no dia 28 de março de 2007. O gol foi de pênalti, aos 35 minutos do segundo tempo. O “artilheiro” tinha dois sonhos, fazer um gol como profissional e encerrar a carreira aos 60 anos. Agora, só falta um.
No campeonato paraibano de 2007 o Perilima conseguiu 15 derrotas seguidas, sofreu 67 gols e marcou 7. Somando-se os dois jogos que perdeu na segunda divisão de 2006, um campeonato que teve apenas dois participantes - foi vice-campeão sem vencer – a marca de derrotas consecutivas em partidas oficiais sobe para 18 jogos, incluindo um jogo do estadual de 2005.
A última vitória do time das “sordas” foi em 26 de fevereiro de 2005, 1 x 0 sobre o Nacional de Cabedelo, outro time do mesmo DNA do Perilima. Foram 26 jogos oficiais sem vitória, e duas goleadas, 7 X 0 para o Campinense, a “Raposa do Nordeste” e 11 X 0 para o Treze, o “Galo da Borborema.” O único ponto conquistado no campeonato do ano passado foi no empate em 3 X 3 com o Esporte, de Patos, no estádio Amigão, em 14 de abril. Nesse jogo o “dono do time” desperdiçou um pênalti.
No exterior, perde-se a conta de quantos times ruins existem. A quantidade é enorme, por isso vou dar apenas um exemplo. O Deportivo Jalapa, da Nicarágua por incrível que pareça foi campeão nacional em 2001. E no ano seguinte foi disputar a Copa dos Campeões da Concacaf, em El Salvador. Confiram os resultados dos seus jogos: na estréia, derrota por 4 X 1. No segundo jogo, por 17 X 0. No terceiro, 19 X 0. Sofreu: 40 gols e marcou um. Ganhou o apelido de “Real Madrid às avessas”. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
sábado, 19 de abril de 2008
Essas mulheres maravilhosas
Essa história de que futebol é “coisa pra macho”, já era. As mulheres conquistaram seu espaço dentro do campo de jogo e não tem mais volta. E isso já poderia ter acontecido há muito mais tempo, pois o futebol feminino não tem nada de novo. Ao contrário. Ele remonta ao ano de 1896, quando foi realizado em Londres o primeiro jogo no mundo, um amistoso entre as seleções da Inglaterra e da Escócia, embora existam registros vagos de partidas entre mulheres no começo de 1880.
Igual ao futebol masculino são muitas as histórias que falam da realização de jogos entre mulheres, em épocas bastante remotas. No século XII as mulheres francesas participavam do “futebol do povo” ou “jogos da multidão”, competições onde camponesas lutavam por uma bola de couro com fitas num jogo chamado La Soul. No século XVIII, em Coulevam, na Escócia, as mulheres casadas e solteiras da região jogavam umas contra as outras numa forma primitiva de futebol.
A inglesa Net Rolibol, em 1894 fundou o ”Senhoras Britânicas”, o primeiro time de futebol feminino do mundo. Em 1895, dez mil pessoas viram o jogo de estréia da equipe. No Canadá, surgiu em seguida o “Society Angels”, de Edmont. As francesas também se interessaram pelo futebol e em 1910, já haviam sido criados o “Rouge Esportive” e o “Femina Sports”, de Paris. No mesmo ano em Bountson Park, 53 mil pessoas assistiram um jogo beneficente do “Dick Kerr Ladies F.C.”. O estádio lotou e mais de 10 mil pessoas ficaram do lado de fora sem conseguir assistir o jogo. Foram arrecadadas mais de 70 mil libras.
Em dezembro de 1921, a Associação Inglesa de Futebol, composta por futebolistas masculinos, proibiu os filiados de cederem seus campos para jogos entre mulheres. A proibição durou longos 50 anos. Tempos depois, a Federação Francesa fez o mesmo. Nada disso conseguiu impedir que as equipes femininas continuassem organizando jogos para caridade. Mesmo assim o futebol feminino teve um rápido declínio.
Foi somente em 1950 que o interesse pelo futebol feminino ressuscitou, começando a se desenvolver na Alemanha, Dinamarca, Tchecoslováquia e Itália. As meninas começaram a jogar futebol na escola e o nível de habilidade desenvolveu-se rapidamente. No Brasil, não se sabe com certeza quando elas começaram a jogar. Alguns pesquisadores garantem que ocorreram jogos de futebol feminino no início do século XX, entre os anos de 1908 e 1909.
Outros historiadores discordam e dizem que o primeiro jogo feminino no Brasil foi disputado em 1913, entre times dos bairros da Cantareira e do Tremembé, em São Paulo. Teria sido um jogo beneficente para a construção de um hospital da Cruz Vermelha. Porém não se sabe se realmente eram mulheres jogando ou homens vestidos de mulheres, ou ainda, times mistos. Mas numa coisa todos concordam: as primeiras mulheres futebolistas vinham de bairros populares, e eram vistas como “sem classe” e “grosseiras”.
Também há quem diga que as mulheres só entraram em campo por volta dos anos 30, quando sofreram grande discriminação do governo Vargas, que alegava estabelecer a “conduta correta para a mulher, mãe ou futura mãe no seio da sagrada família brasileira”. Durante o “Estado Novo” foi publicado um decreto que proibia as mulheres de praticarem lutas, futebol, pólo aquático, pólo, rugby, baseball ou qualquer esporte ”incompatível com as corretas e naturais condições e funções femininas”. O futebol, naquele tempo era visto como algo que poderia denegrir a imagem da mulher.
A história do futebol feminino no Brasil foi sempre um mar de dúvidas. O Jornal do Brasil, edição de 29/11/76, publicou matéria sugerindo que as primeiras partidas de futebol feminino nas praias do Rio de Janeiro foram no Leblon, em dezembro de 1975, sempre tarde da noite, porque as jogadoras eram na maioria, empregadas domésticas. A Revista Veja, em uma de suas edições de 1996, também enveredou pelos caminhos do futebol feminino, afirmando que ele teve o início marcado por jogos organizados por diferentes boates gays, no final da década de 70.
O tema mereceu muitas reportagens ao longo dos anos. O Jornal do Brasil, em outra matéria, divulgada em1996, revela que o futebol feminino esteve relacionado a peladas de rua e a jogos beneficentes. Citou como exemplo um jogo ocorrido em 1959 por atrizes do Teatro de Revista, em pleno Estádio do Pacaembu, em São Paulo.
O futebol feminino começou a se organizar de verdade, com a criação em 1981, da primeira liga de futebol feminino no Rio de Janeiro. A partir daí foram realizados vários campeonatos patrocinados por empresas, como a Copertone, Casas Pernambucanas, Cinzano, Unibanco e outros. Ainda na década de 80, a televisão passou a exibir jogos de futebol feminino, o que foi fundamental para a popularização do esporte em todo o país.
Em 1965, durante o regime militar, o ex-presidente Castelo Branco regulamentou o decreto de Vargas e somente em 1982, ele foi revogado pelo Conselho Nacional de Desporto (CND). Em abril de 1985 o futebol feminino foi legalizado. Com isso as mulheres puderam voltar aos gramados sem problema. Nessa época surgiu um dos maiores times da história do futebol feminino brasileiro, o Radar F.C. do Rio de Janeiro.
Enquanto no Brasil as mulheres tiveram problemas para praticarem livremente o futebol, na Europa, muitos times foram criados ao longo do século passado, embora não existissem campeonatos regulares. Isso aconteceu só a partir dos anos 70, quando vários certames, envolvendo times e seleções, foram realizados em países como Itália, Inglaterra, Dinamarca e França.
Hoje, o futebol feminino está consolidado como esporte olímpico e desde 1991 é disputada uma Copa do Mundo organizada pela FIFA, de 4 em 4 anos, reunindo seleções de todos os continentes, inclusive de países conservadores como a China. A competição foi idealizada pelos delegados da FIFA, durante a Copa do Mundo de 1986 no México.
Antes disso, em 1971, sem reconhecimento oficial foi realizada uma Copa do Mundo de Futebol Feminino, no México e sem a participação brasileira. A Dinamarca foi campeã, derrotando as mexicanas por 3 X 0, no jogo final, disputado no Estádio Azteca, na Cidade do México, perante 100 mil expectadores.
Somente em 1988, um evento com o apoio da FIFA foi realizado na China, o I Torneio Mundial de Futebol Feminino, com a participação de 12 países, inclusive o Brasil, representado pela equipe carioca do E.C. Radar. Esse evento serviu como preparação para o I Campeonato Mundial de futebol feminino realizado na cidade de Punyu na China, em 1991.
A campanha brasileira na competição foi esta: fase classificatória. Brasil 0 x 1 Austrália; Brasil 2 x 1 Noruega e Brasil 9 x 0 Tailândia. Oitavas de final: Brasil 2 x 1 Holanda. Fase semifinal Brasil 1 x 2 Noruega. Na decisão do 3º lugar: Brasil 4 x 2 China. A seleção da Noruega venceu a seleção da Suécia por 1 x 0 na partida final.
O torneio foi o último disputado pelo Esporte Clube Radar, um clube de praia, fundado em 1932 em Copacabana. A equipe de futebol feminino foi criada em 1981 pelo empresário Eurico Lira. Até paralisar as atividades, o Radar contabilizou mais de 300 partidas, sendo 71 delas no exterior. Foram 66 vitórias, 3 empates e 2 derrotas.
O clube carioca foi um grande vencedor, empilhando conquistas. Um título importante foi o de campeão do Women Cup Of Spain, quando derrotou as seleções da Espanha, Portugal e França. O sucesso do Radar estimulou o surgimento de novos times. Em 1987, a CBF já havia cadastrado 2 mil clubes e 40 mil jogadoras.
Finalmente, em 1991 foi realizado o I Mundial, na China. Os Estados Unidos se sagraram os primeiros campeões. Em 1995, na Suécia, quem venceu foi a Noruega. Em 1999, nos Estados Unidos, nova vitória dos anfitriões. Em 2003, a Copa foi de novo nos Estados Unidos, porque uma epidemia de SARS tirou a sede da China. A Alemanha ganhou o título. Em 2007 os chineses promoveram a competição e a Alemanha foi bicampeã. O Brasil perdeu a final, por 2 X 0 e foi vice. Em 2011 a competição será na Alemanha. O número de seleções sobe de 16 para 24.
Um dos mais emocionantes momentos da Copa do Mundo feminina e talvez da história do futebol, foi quando a jogadora norte-americana Brandi Chastain tirou a camisa e deslizou de joelhos, mostrando seu sutiã esportivo na comemoração de um gol de pênalti que decidiu a final contra a China em 1999.
Em 1996 o futebol feminino foi incluído nas Olimpíadas de Atlanta. Era o reconhecimento mundial que faltava. O Brasil ficou com o quarto lugar, e os Estados Unidos com o título. Em 2000, em Sydney, ficamos outra vez com o quarto lugar e a seleção da Noruega levou o ouro. Em 2004, em Atenas quase chegamos ao topo do pódio: ficamos com a prata e os Estados Unidos com o ouro. Em 2003 e 2007, as meninas brasileiras conquistaram as medalhas de ouro nos Jogos Panamericanos. E em 2006 e 2007 a brasileira Marta foi eleita pela FIFA, como a melhor jogadora do mundo.
As perspectivas para a evolução do futebol feminino no Brasil são grandes. O ano passado a CBF organizou o primeiro campeonato brasileiro, na cidade de Taubaté (SP), com o MS/Saad-SP,sagrando-se campeão. O time é fruto de uma parceria do Saad/Lindóia-SP, com o Mato Grosso do Sul para torneios regionais e nacionais. E agora, vamos para as Olimpíadas da China, com tudo para brilhar. Hoje (19), ganhamos a vaga com uma goleada de 5 X 1 sobre Gana.
Para finalizar e só a título de curiosidade, o futebol feminino também teve o seu Ibis da vida: foi o time inglês do Burton Brewers. Jogando (?) o campeonato da 5ª divisão feminina, a pior de todas, na temporada 2000/2001, levou a maior goleada que se tem notícia, 57 X 0 para o Willenhall Town, em 4 de março de 2001. E a façanha não ficou apenas nisso: o campeonato foi disputado por 12 equipes, e nos 11 jogos que participou, perdeu todos. Desistiu no meio do caminho, ainda bem. Não disputou os 11 jogos restantes e encerrou as atividades. Sofreu 234 gols, média de 21,27 gols por jogo. E marcou apenas 3 gols, média de 0,27 por jogo.
Apenas para mostrar a quem duvide, eis todos os 11 jogos do Burton Brewers: 03 de setembro de 2000, Wolverhampton United 18 x 0; 10 de setembro de 2000, Bescot 6 x 0; 24 de setembro de 2000, Shrewsbury Town Youth 17 x 0; 01 de outubro de 2000, Crewe Vagrants 13 x 2; 22 de outubro de 2000, Darlaston 21 x 0; 05 de novembro de 2000, North Staffs 27 x 0; 19 de novembro de 2000, Willenhall Town 23 x 0; 07 de Janeiro de 2001, Crewe Vargants 22 x 0; 14 de janeiro de 2001, City of Stoke 14 x 1, 18 de fevereiro de 2001, Wem Raiders 16 x 0 e em 04 de março de 2001, Willenhall Town 57 x 0. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Igual ao futebol masculino são muitas as histórias que falam da realização de jogos entre mulheres, em épocas bastante remotas. No século XII as mulheres francesas participavam do “futebol do povo” ou “jogos da multidão”, competições onde camponesas lutavam por uma bola de couro com fitas num jogo chamado La Soul. No século XVIII, em Coulevam, na Escócia, as mulheres casadas e solteiras da região jogavam umas contra as outras numa forma primitiva de futebol.
A inglesa Net Rolibol, em 1894 fundou o ”Senhoras Britânicas”, o primeiro time de futebol feminino do mundo. Em 1895, dez mil pessoas viram o jogo de estréia da equipe. No Canadá, surgiu em seguida o “Society Angels”, de Edmont. As francesas também se interessaram pelo futebol e em 1910, já haviam sido criados o “Rouge Esportive” e o “Femina Sports”, de Paris. No mesmo ano em Bountson Park, 53 mil pessoas assistiram um jogo beneficente do “Dick Kerr Ladies F.C.”. O estádio lotou e mais de 10 mil pessoas ficaram do lado de fora sem conseguir assistir o jogo. Foram arrecadadas mais de 70 mil libras.
Em dezembro de 1921, a Associação Inglesa de Futebol, composta por futebolistas masculinos, proibiu os filiados de cederem seus campos para jogos entre mulheres. A proibição durou longos 50 anos. Tempos depois, a Federação Francesa fez o mesmo. Nada disso conseguiu impedir que as equipes femininas continuassem organizando jogos para caridade. Mesmo assim o futebol feminino teve um rápido declínio.
Foi somente em 1950 que o interesse pelo futebol feminino ressuscitou, começando a se desenvolver na Alemanha, Dinamarca, Tchecoslováquia e Itália. As meninas começaram a jogar futebol na escola e o nível de habilidade desenvolveu-se rapidamente. No Brasil, não se sabe com certeza quando elas começaram a jogar. Alguns pesquisadores garantem que ocorreram jogos de futebol feminino no início do século XX, entre os anos de 1908 e 1909.
Outros historiadores discordam e dizem que o primeiro jogo feminino no Brasil foi disputado em 1913, entre times dos bairros da Cantareira e do Tremembé, em São Paulo. Teria sido um jogo beneficente para a construção de um hospital da Cruz Vermelha. Porém não se sabe se realmente eram mulheres jogando ou homens vestidos de mulheres, ou ainda, times mistos. Mas numa coisa todos concordam: as primeiras mulheres futebolistas vinham de bairros populares, e eram vistas como “sem classe” e “grosseiras”.
Também há quem diga que as mulheres só entraram em campo por volta dos anos 30, quando sofreram grande discriminação do governo Vargas, que alegava estabelecer a “conduta correta para a mulher, mãe ou futura mãe no seio da sagrada família brasileira”. Durante o “Estado Novo” foi publicado um decreto que proibia as mulheres de praticarem lutas, futebol, pólo aquático, pólo, rugby, baseball ou qualquer esporte ”incompatível com as corretas e naturais condições e funções femininas”. O futebol, naquele tempo era visto como algo que poderia denegrir a imagem da mulher.
A história do futebol feminino no Brasil foi sempre um mar de dúvidas. O Jornal do Brasil, edição de 29/11/76, publicou matéria sugerindo que as primeiras partidas de futebol feminino nas praias do Rio de Janeiro foram no Leblon, em dezembro de 1975, sempre tarde da noite, porque as jogadoras eram na maioria, empregadas domésticas. A Revista Veja, em uma de suas edições de 1996, também enveredou pelos caminhos do futebol feminino, afirmando que ele teve o início marcado por jogos organizados por diferentes boates gays, no final da década de 70.
O tema mereceu muitas reportagens ao longo dos anos. O Jornal do Brasil, em outra matéria, divulgada em1996, revela que o futebol feminino esteve relacionado a peladas de rua e a jogos beneficentes. Citou como exemplo um jogo ocorrido em 1959 por atrizes do Teatro de Revista, em pleno Estádio do Pacaembu, em São Paulo.
O futebol feminino começou a se organizar de verdade, com a criação em 1981, da primeira liga de futebol feminino no Rio de Janeiro. A partir daí foram realizados vários campeonatos patrocinados por empresas, como a Copertone, Casas Pernambucanas, Cinzano, Unibanco e outros. Ainda na década de 80, a televisão passou a exibir jogos de futebol feminino, o que foi fundamental para a popularização do esporte em todo o país.
Em 1965, durante o regime militar, o ex-presidente Castelo Branco regulamentou o decreto de Vargas e somente em 1982, ele foi revogado pelo Conselho Nacional de Desporto (CND). Em abril de 1985 o futebol feminino foi legalizado. Com isso as mulheres puderam voltar aos gramados sem problema. Nessa época surgiu um dos maiores times da história do futebol feminino brasileiro, o Radar F.C. do Rio de Janeiro.
Enquanto no Brasil as mulheres tiveram problemas para praticarem livremente o futebol, na Europa, muitos times foram criados ao longo do século passado, embora não existissem campeonatos regulares. Isso aconteceu só a partir dos anos 70, quando vários certames, envolvendo times e seleções, foram realizados em países como Itália, Inglaterra, Dinamarca e França.
Hoje, o futebol feminino está consolidado como esporte olímpico e desde 1991 é disputada uma Copa do Mundo organizada pela FIFA, de 4 em 4 anos, reunindo seleções de todos os continentes, inclusive de países conservadores como a China. A competição foi idealizada pelos delegados da FIFA, durante a Copa do Mundo de 1986 no México.
Antes disso, em 1971, sem reconhecimento oficial foi realizada uma Copa do Mundo de Futebol Feminino, no México e sem a participação brasileira. A Dinamarca foi campeã, derrotando as mexicanas por 3 X 0, no jogo final, disputado no Estádio Azteca, na Cidade do México, perante 100 mil expectadores.
Somente em 1988, um evento com o apoio da FIFA foi realizado na China, o I Torneio Mundial de Futebol Feminino, com a participação de 12 países, inclusive o Brasil, representado pela equipe carioca do E.C. Radar. Esse evento serviu como preparação para o I Campeonato Mundial de futebol feminino realizado na cidade de Punyu na China, em 1991.
A campanha brasileira na competição foi esta: fase classificatória. Brasil 0 x 1 Austrália; Brasil 2 x 1 Noruega e Brasil 9 x 0 Tailândia. Oitavas de final: Brasil 2 x 1 Holanda. Fase semifinal Brasil 1 x 2 Noruega. Na decisão do 3º lugar: Brasil 4 x 2 China. A seleção da Noruega venceu a seleção da Suécia por 1 x 0 na partida final.
O torneio foi o último disputado pelo Esporte Clube Radar, um clube de praia, fundado em 1932 em Copacabana. A equipe de futebol feminino foi criada em 1981 pelo empresário Eurico Lira. Até paralisar as atividades, o Radar contabilizou mais de 300 partidas, sendo 71 delas no exterior. Foram 66 vitórias, 3 empates e 2 derrotas.
O clube carioca foi um grande vencedor, empilhando conquistas. Um título importante foi o de campeão do Women Cup Of Spain, quando derrotou as seleções da Espanha, Portugal e França. O sucesso do Radar estimulou o surgimento de novos times. Em 1987, a CBF já havia cadastrado 2 mil clubes e 40 mil jogadoras.
Finalmente, em 1991 foi realizado o I Mundial, na China. Os Estados Unidos se sagraram os primeiros campeões. Em 1995, na Suécia, quem venceu foi a Noruega. Em 1999, nos Estados Unidos, nova vitória dos anfitriões. Em 2003, a Copa foi de novo nos Estados Unidos, porque uma epidemia de SARS tirou a sede da China. A Alemanha ganhou o título. Em 2007 os chineses promoveram a competição e a Alemanha foi bicampeã. O Brasil perdeu a final, por 2 X 0 e foi vice. Em 2011 a competição será na Alemanha. O número de seleções sobe de 16 para 24.
Um dos mais emocionantes momentos da Copa do Mundo feminina e talvez da história do futebol, foi quando a jogadora norte-americana Brandi Chastain tirou a camisa e deslizou de joelhos, mostrando seu sutiã esportivo na comemoração de um gol de pênalti que decidiu a final contra a China em 1999.
Em 1996 o futebol feminino foi incluído nas Olimpíadas de Atlanta. Era o reconhecimento mundial que faltava. O Brasil ficou com o quarto lugar, e os Estados Unidos com o título. Em 2000, em Sydney, ficamos outra vez com o quarto lugar e a seleção da Noruega levou o ouro. Em 2004, em Atenas quase chegamos ao topo do pódio: ficamos com a prata e os Estados Unidos com o ouro. Em 2003 e 2007, as meninas brasileiras conquistaram as medalhas de ouro nos Jogos Panamericanos. E em 2006 e 2007 a brasileira Marta foi eleita pela FIFA, como a melhor jogadora do mundo.
As perspectivas para a evolução do futebol feminino no Brasil são grandes. O ano passado a CBF organizou o primeiro campeonato brasileiro, na cidade de Taubaté (SP), com o MS/Saad-SP,sagrando-se campeão. O time é fruto de uma parceria do Saad/Lindóia-SP, com o Mato Grosso do Sul para torneios regionais e nacionais. E agora, vamos para as Olimpíadas da China, com tudo para brilhar. Hoje (19), ganhamos a vaga com uma goleada de 5 X 1 sobre Gana.
Para finalizar e só a título de curiosidade, o futebol feminino também teve o seu Ibis da vida: foi o time inglês do Burton Brewers. Jogando (?) o campeonato da 5ª divisão feminina, a pior de todas, na temporada 2000/2001, levou a maior goleada que se tem notícia, 57 X 0 para o Willenhall Town, em 4 de março de 2001. E a façanha não ficou apenas nisso: o campeonato foi disputado por 12 equipes, e nos 11 jogos que participou, perdeu todos. Desistiu no meio do caminho, ainda bem. Não disputou os 11 jogos restantes e encerrou as atividades. Sofreu 234 gols, média de 21,27 gols por jogo. E marcou apenas 3 gols, média de 0,27 por jogo.
Apenas para mostrar a quem duvide, eis todos os 11 jogos do Burton Brewers: 03 de setembro de 2000, Wolverhampton United 18 x 0; 10 de setembro de 2000, Bescot 6 x 0; 24 de setembro de 2000, Shrewsbury Town Youth 17 x 0; 01 de outubro de 2000, Crewe Vagrants 13 x 2; 22 de outubro de 2000, Darlaston 21 x 0; 05 de novembro de 2000, North Staffs 27 x 0; 19 de novembro de 2000, Willenhall Town 23 x 0; 07 de Janeiro de 2001, Crewe Vargants 22 x 0; 14 de janeiro de 2001, City of Stoke 14 x 1, 18 de fevereiro de 2001, Wem Raiders 16 x 0 e em 04 de março de 2001, Willenhall Town 57 x 0. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
sábado, 12 de abril de 2008
Goleiros artilheiros
Dia desses num dos programas do canal Sportv se comentava os gols marcados pelo goleiro artilheiro Rogério Ceni, do São Paulo Futebol Clube. E a pergunta inevitável não tardou: qual o goleiro que fez o primeiro gol da história? Sem dúvida, uma boa pergunta. E ouvi dos participantes dos programas várias respostas. E de telespectadores, também.
Uns diziam que foi Ubirajara, do Flamengo. Outros que foi Jaguaré, folclórico goleiro do Vasco nos anos 30. Na verdade, não foi nenhum dos dois. O primeiro gol de goleiro que se tem notícia aconteceu em 25 de março de 1882. E foi marcado por James McAulay, da Seleção da Escócia, em um jogo contra País de Gales. James McAulay era goleiro, mas atuou nesse jogo como centroavante e fez um gol na vitória de 5 a 0.
O livro “Guia dos Curiosos” garante que no Brasil, Ubirajara, ex-Flamengo foi o primeiro goleiro a marcar um gol. Foi num jogo do campeonato carioca, contra o Madureira, em 19 de setembro de 1970. Ele bateu com força um tiro de meta, buscando armar o ataque, pois o time adversário estava todo avançado. A bola, quicou duas vezes, deu um “chapéu” no goleiro do Madureira e só parou dentro do gol. Mesmo com um gol de goleiro o Flamengo acabou perdendo aquele jogo por 2 X 1.
Há quem diga que o goleiro Jaguaré, do Vasco da Gama teria sido o autor de um gol “vestindo a camisa número 1”, que seria o primeiro de um goleiro brasileiro. Porém, não existem informações de quando e nem contra qual adversário esse gol aconteceu. O que se sabe com certeza sobre Jaguaré, é que foi ele quem trouxe as primeiras luvas de goleiro para o Brasil, compradas na Europa durante uma excursão do Vasco.
Outros goleiros que se destacaram em seus clubes como verdadeiros artilheiros: Rogério Ceni (79 gols), São Paulo FC; José Luis Félix Chilavert (62), C.A. Peñarol, de Montevidéu e Seleção do Paraguay; René Higuita (41), Deportivo Rionegro e Seleção da Colômbia; Jorge Campos (40), Puebla do México e Seleção Mexicana; Johnny Martín Vegas (30), Sporting Cristal, de Lima, Peru; Dimitar Ivankov Kayserýspor (30), da Bulgária; Álvaro Misael Alfaro (29), do Club Deportivo Isidro Metapán, de El Salvador; Hans-Jörg Butt (28), do Sport Lisboa e Benfica; Marco Antonio Cornez (24), do Deportes Iquique, do Chile; Dragan Pantelić (22), do FK Radnicki Nis, da Jugoslavija; Žarko Lučić (21), do Mladost Podgorica Crna, de Gora e Nizami Sadigov (21), do Turan Tovuz, do Azerbaijan.
Rogério Ceni, o maior goleiro artilheiro do mundo nasceu em 22 de janeiro de 1973, na cidade paranaense de Pato Branco, a mesma de Alexandre Pato, do Milan da Itália, mas cresceu no Mato Grosso, onde até hoje reside a maior parte de seus familiares. Foi revelado pelo Sinop Futebol Clube, da cidade de Sinop, que quer dizer Sociedade Imobiliária Noroeste do Paraná, empresa responsável pela colonização do norte de Mato Grosso por agricultores do norte do estado do Paraná. Em 7 de setembro de 1990 transferiu-se para as categorias de base do São Paulo F.C..
Depois foi para a reserva de Zeti, nos tempos do técnico Telê Santana. Em 1997, com a ida de Zeti para o Santos, Ceni assumiu a titularidade. De lá para cá todos conhecem a história. O goleiro do São Paulo se tornou um especialista na cobrança de faltas próximas à área e firmou-se como cobrador oficial de pênaltis do tricolor paulista. Rogério Ceni treinou esse fundamento por mais de 15 mil vezes. O primeiro gol foi numa cobrança de falta, em 15 de fevereiro de 1997, num jogo do Campeonato Paulista contra o União São João, de Araras. Em 13 de setembro de 1997 marcou seu primeiro gol em campeonato Brasileiro, também de falta, contra o Botafogo do Rio de Janeiro.
O primeiro gol de Rogério Ceni em um jogo internacional aconteceu em 25 de agosto de 1999, contra o San Lorenzo de Almagro, da Argentina, em jogo válido pela Copa Mercosul. E outra vez em cobrança de falta perto da grande área. O Palmeiras é o time que sofreu mais gols de Ceni, (6), seguido pelo Cruzeiro (5). No ano de 2005 chegou ao auge, marcando 21 gols, sendo o último na histórica semi-final do Mundial de Clubes, contra o Al-Ittihad, da Arábia Saudita.
Rogério Ceni não poupou seu ex-companheiro de clube, Zetti, e nem o atual goleiro reserva do São Paulo, Bosco. Fez gols nos dois: quando Zeti estava no Santos, em 1998 e Bosco na Portuguesa de Desportos, em 2002. Em compensação tomou um gol do paraguaio Chilavert, de pênalti, em 23 de outubro de 1997, no empate de 3 X 3 com o Vélez Sarsfield, da Argentina, pela Supercopa.
Rogério Ceni é um quebrador de recordes. No dia 20 de agosto de 2006, ultrapassou o goleiro paraguaio Chilavert, até então recordista mundial, com 62 gols, ao marcar contra o Cruzeiro de Belo Horizonte, em cobrança de falta o seu 63º gol em partidas oficiais. E nesse mesmo jogo ainda fez outro gol, de pênalti, chegando aos 64 gols.
Até hoje (12/04/2008), Rogério Ceni é dono deste incrível retrospecto: 79 gols marcados, sendo 46 de faltas e 33 de pênaltis. Em amistosos fez 2, ambos de falta. Os outros 77 gols foram em jogos oficiais. Chama a atenção o fato de que o São Paulo nunca perdeu nos jogos em que Rogério Ceni fez gol. Foram 54 vitórias e 16 empates.
Não foi só contra o Cruzeiro que o goleiro tricolor fez dois gols num mesmo jogo. Antes, havia marcado contra a Internacional de Limeira (SP), no campo do adversário, em 25 de abril de 1999, num jogo do Campeonato Paulista, na vitória de 2 a 1. Foi um gol de pênalti e um de falta. Em 17 de julho de 2004, num jogo no Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro, numa vitória de 2 X 1, frente o Figueirense, também com um pênalti e uma falta. E finalmente, na vitória de 4 X 0 contra o Tigres do México, pelas quartas-de-final da Copa Libertadores da América de 2005, fez dois gols de falta, e ainda perdeu um pênalti e a chance de bater um novo recorde, três gols numa só partida.
No dia 1º de setembro do ano passado, na vitória de 6 X 0 sobre o Paraná,no Morumbi, Rogério se tornou o goleiro do São Paulo que passou mais tempo sem levar gol em Campeonatos Brasileiros, 988 minutos, ultrapassando os 694 minutos de Valdir Peres, em 1983. O goleiro são-paulino só voltou a ser vazado em 15 de setembro, num jogo contra o Santos. Os goleiros que ficaram mais tempo sem sofrer gols no “Brasileirão” foram Jairo, do Corinthians, em 1978, com 1.132 minutos e Emerson Leão, do Palmeiras, em 1973, com 1.057 minutos).
Esse extraordinário jogador atuou 17 vezes pela Seleção Brasileira e fez parte do grupo campeão do mundo em 2002. Em 22 de junho de 2006 jogou pela primeira vez uma partida de Copa do Mundo, ao substituir o titular Dida, aos 36 minutos do segundo tempo da goleada de 4 X 1 frente o Japão. A última vez que a seleção utilizou dois goleiros numa mesma Copa do mundo foi em 1966, na Inglaterra.
A galeria de troféus de Rogério Ceni é de dar inveja a qualquer um: ganhou por cinco vezes a Bola de Prata, concedida pela Revista Placar. Em 2006 recebeu o troféu de ouro da CBF, como melhor goleiro e melhor jogador do Campeonato Brasileiro. O ano passado abusou de ganhar prêmios: Melhor Goleiro do Campeonato Brasileiro, Craque do Brasileirão e Craque da Torcida, todos concedidos pela CBF.
O experiente goleiro do São Paulo já teve seu nome incluído por três vezes na lista dos dez melhores goleiros do mundo, organizada todos os anos pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS). Em 2005 ocupou a nona posição, em 2006 foi sexto colocado e em 2007, o quinto classificado. O ano passado foi o único jogador atuando no futebol sul-americano indicado para o Prêmio Bola de Ouro, da revista “France Football.” (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Uns diziam que foi Ubirajara, do Flamengo. Outros que foi Jaguaré, folclórico goleiro do Vasco nos anos 30. Na verdade, não foi nenhum dos dois. O primeiro gol de goleiro que se tem notícia aconteceu em 25 de março de 1882. E foi marcado por James McAulay, da Seleção da Escócia, em um jogo contra País de Gales. James McAulay era goleiro, mas atuou nesse jogo como centroavante e fez um gol na vitória de 5 a 0.
O livro “Guia dos Curiosos” garante que no Brasil, Ubirajara, ex-Flamengo foi o primeiro goleiro a marcar um gol. Foi num jogo do campeonato carioca, contra o Madureira, em 19 de setembro de 1970. Ele bateu com força um tiro de meta, buscando armar o ataque, pois o time adversário estava todo avançado. A bola, quicou duas vezes, deu um “chapéu” no goleiro do Madureira e só parou dentro do gol. Mesmo com um gol de goleiro o Flamengo acabou perdendo aquele jogo por 2 X 1.
Há quem diga que o goleiro Jaguaré, do Vasco da Gama teria sido o autor de um gol “vestindo a camisa número 1”, que seria o primeiro de um goleiro brasileiro. Porém, não existem informações de quando e nem contra qual adversário esse gol aconteceu. O que se sabe com certeza sobre Jaguaré, é que foi ele quem trouxe as primeiras luvas de goleiro para o Brasil, compradas na Europa durante uma excursão do Vasco.
Outros goleiros que se destacaram em seus clubes como verdadeiros artilheiros: Rogério Ceni (79 gols), São Paulo FC; José Luis Félix Chilavert (62), C.A. Peñarol, de Montevidéu e Seleção do Paraguay; René Higuita (41), Deportivo Rionegro e Seleção da Colômbia; Jorge Campos (40), Puebla do México e Seleção Mexicana; Johnny Martín Vegas (30), Sporting Cristal, de Lima, Peru; Dimitar Ivankov Kayserýspor (30), da Bulgária; Álvaro Misael Alfaro (29), do Club Deportivo Isidro Metapán, de El Salvador; Hans-Jörg Butt (28), do Sport Lisboa e Benfica; Marco Antonio Cornez (24), do Deportes Iquique, do Chile; Dragan Pantelić (22), do FK Radnicki Nis, da Jugoslavija; Žarko Lučić (21), do Mladost Podgorica Crna, de Gora e Nizami Sadigov (21), do Turan Tovuz, do Azerbaijan.
Rogério Ceni, o maior goleiro artilheiro do mundo nasceu em 22 de janeiro de 1973, na cidade paranaense de Pato Branco, a mesma de Alexandre Pato, do Milan da Itália, mas cresceu no Mato Grosso, onde até hoje reside a maior parte de seus familiares. Foi revelado pelo Sinop Futebol Clube, da cidade de Sinop, que quer dizer Sociedade Imobiliária Noroeste do Paraná, empresa responsável pela colonização do norte de Mato Grosso por agricultores do norte do estado do Paraná. Em 7 de setembro de 1990 transferiu-se para as categorias de base do São Paulo F.C..
Depois foi para a reserva de Zeti, nos tempos do técnico Telê Santana. Em 1997, com a ida de Zeti para o Santos, Ceni assumiu a titularidade. De lá para cá todos conhecem a história. O goleiro do São Paulo se tornou um especialista na cobrança de faltas próximas à área e firmou-se como cobrador oficial de pênaltis do tricolor paulista. Rogério Ceni treinou esse fundamento por mais de 15 mil vezes. O primeiro gol foi numa cobrança de falta, em 15 de fevereiro de 1997, num jogo do Campeonato Paulista contra o União São João, de Araras. Em 13 de setembro de 1997 marcou seu primeiro gol em campeonato Brasileiro, também de falta, contra o Botafogo do Rio de Janeiro.
O primeiro gol de Rogério Ceni em um jogo internacional aconteceu em 25 de agosto de 1999, contra o San Lorenzo de Almagro, da Argentina, em jogo válido pela Copa Mercosul. E outra vez em cobrança de falta perto da grande área. O Palmeiras é o time que sofreu mais gols de Ceni, (6), seguido pelo Cruzeiro (5). No ano de 2005 chegou ao auge, marcando 21 gols, sendo o último na histórica semi-final do Mundial de Clubes, contra o Al-Ittihad, da Arábia Saudita.
Rogério Ceni não poupou seu ex-companheiro de clube, Zetti, e nem o atual goleiro reserva do São Paulo, Bosco. Fez gols nos dois: quando Zeti estava no Santos, em 1998 e Bosco na Portuguesa de Desportos, em 2002. Em compensação tomou um gol do paraguaio Chilavert, de pênalti, em 23 de outubro de 1997, no empate de 3 X 3 com o Vélez Sarsfield, da Argentina, pela Supercopa.
Rogério Ceni é um quebrador de recordes. No dia 20 de agosto de 2006, ultrapassou o goleiro paraguaio Chilavert, até então recordista mundial, com 62 gols, ao marcar contra o Cruzeiro de Belo Horizonte, em cobrança de falta o seu 63º gol em partidas oficiais. E nesse mesmo jogo ainda fez outro gol, de pênalti, chegando aos 64 gols.
Até hoje (12/04/2008), Rogério Ceni é dono deste incrível retrospecto: 79 gols marcados, sendo 46 de faltas e 33 de pênaltis. Em amistosos fez 2, ambos de falta. Os outros 77 gols foram em jogos oficiais. Chama a atenção o fato de que o São Paulo nunca perdeu nos jogos em que Rogério Ceni fez gol. Foram 54 vitórias e 16 empates.
Não foi só contra o Cruzeiro que o goleiro tricolor fez dois gols num mesmo jogo. Antes, havia marcado contra a Internacional de Limeira (SP), no campo do adversário, em 25 de abril de 1999, num jogo do Campeonato Paulista, na vitória de 2 a 1. Foi um gol de pênalti e um de falta. Em 17 de julho de 2004, num jogo no Morumbi, pelo Campeonato Brasileiro, numa vitória de 2 X 1, frente o Figueirense, também com um pênalti e uma falta. E finalmente, na vitória de 4 X 0 contra o Tigres do México, pelas quartas-de-final da Copa Libertadores da América de 2005, fez dois gols de falta, e ainda perdeu um pênalti e a chance de bater um novo recorde, três gols numa só partida.
No dia 1º de setembro do ano passado, na vitória de 6 X 0 sobre o Paraná,no Morumbi, Rogério se tornou o goleiro do São Paulo que passou mais tempo sem levar gol em Campeonatos Brasileiros, 988 minutos, ultrapassando os 694 minutos de Valdir Peres, em 1983. O goleiro são-paulino só voltou a ser vazado em 15 de setembro, num jogo contra o Santos. Os goleiros que ficaram mais tempo sem sofrer gols no “Brasileirão” foram Jairo, do Corinthians, em 1978, com 1.132 minutos e Emerson Leão, do Palmeiras, em 1973, com 1.057 minutos).
Esse extraordinário jogador atuou 17 vezes pela Seleção Brasileira e fez parte do grupo campeão do mundo em 2002. Em 22 de junho de 2006 jogou pela primeira vez uma partida de Copa do Mundo, ao substituir o titular Dida, aos 36 minutos do segundo tempo da goleada de 4 X 1 frente o Japão. A última vez que a seleção utilizou dois goleiros numa mesma Copa do mundo foi em 1966, na Inglaterra.
A galeria de troféus de Rogério Ceni é de dar inveja a qualquer um: ganhou por cinco vezes a Bola de Prata, concedida pela Revista Placar. Em 2006 recebeu o troféu de ouro da CBF, como melhor goleiro e melhor jogador do Campeonato Brasileiro. O ano passado abusou de ganhar prêmios: Melhor Goleiro do Campeonato Brasileiro, Craque do Brasileirão e Craque da Torcida, todos concedidos pela CBF.
O experiente goleiro do São Paulo já teve seu nome incluído por três vezes na lista dos dez melhores goleiros do mundo, organizada todos os anos pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS). Em 2005 ocupou a nona posição, em 2006 foi sexto colocado e em 2007, o quinto classificado. O ano passado foi o único jogador atuando no futebol sul-americano indicado para o Prêmio Bola de Ouro, da revista “France Football.” (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
sexta-feira, 11 de abril de 2008
O maior campeonato do mundo
Quem
não lembra da Copa Arizona de Futebol, que foi disputada nos anos 70 e envolvia
equipes amadoras de todos os Estados do Brasil. A competição era organizada
pelo jornal “A Gazeta Esportiva”, de São Paulo e patrocinada pela Companhia
Souza Cruz, fabricante dos cigarros Arizona. Foi considerado, na época pelo
Livro Guinnes, o maior campeonato do mundo, ao reunir cinco mil equipes, sendo
1.032 só do Estado de São Paulo.
O
regulamento era simples. Primeiro as fases regionais que classificavam os
campeões de cada Estado. Depois vinham as finais disputadas na capital paulista
e precedidas de uma grande festa. Em 1976, por exemplo, durante mais de duas
horas jogadores amadores de todo o Brasil desfilaram frente um palanque armado
na avenida São João, ao som de bandas e fanfarras.
Eu
cheguei a participar de uma Copa Arizona, foi no ano de 1975, quando fui
técnico de um time chamado Cruzeiro do Sul, na cidade de Pelotas. Saímos
invictos da competição. Ganhamos a fase local e na regional fomos eliminados
nos pênaltis pelo Internacional, de Arroio Grande, depois de 90 minutos e uma
prorrogação de 30, com empates de 0 X 0. O Cruzeiro do Sul revelou um grande
número de jogadores que depois brilharam em equipes profissionais, como
Joaquim, zagueiro do Internacional de Porto Alegre.
A
Copa Arizona disputava popularidade com os campeonatos dos times tradicionais
de várzea. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a competição tinha tanto prestígio,
que os clubes que se sagravam campeões, mesmo sem o reconhecimento da Federação
Gaúcha de Futebol (FGF), se auto proclamavam campeões estaduais de amadores.
Lembro
que a cidade de Ijui, terra do técnico Dunga, da Seleção Brasileira tinha dois
times quase imbatíveis, o Ouro Verde e o Estrela Vermelha, que abocanharam três
estaduais, em 1975, 1977 e 1980.
Infelizmente
eu não tenho a lista completa dos campeões nacionais da Copa Arizona. Tentei
buscar esses dados com a Companhia de Cigarros Souza Cruz, mas a memória se
esvaiu com o passar dos anos. Só a Gazeta Esportiva guarda essas informações na
sua coleção de jornais.
Também
não consegui nada, pois seria necessária uma pesquisa demorada e paga. Como
moro em Brasília, num primeiro momento isso me pareceu inviável. Mas tenho fé
que algum leitor deste artigo traga luz a esse escuro existente na história da
maior competição esportiva que o país conheceu. Pena que não tenha tido
continuidade.
A
Copa Arizona começou em 1974 e só deu São Paulo. O ADC Frum, da Vila Maria foi
o campeão. O vice foi o G.E. Black Power, e o Americano, de Américo
Brasiliense, chegou em terceiro lugar. Em 1975, o Esporte Clube Golfinho, de
São Paulo foi o campeão, e o vice o Ajax, de Florianópolis (SC). Em 1976 o
Golfinho, foi bicampeão, com a Campineira, da cidade de Sobradinho (DF), onde
moro, ficando com o vice-campeonato. Apenas como detalhe, a Campineira foi
campeã de Brasília, nos tempos do amadorismo, em 1975.
Em
1977, o Francisco Xavier, do Rio de Janeiro, foi campeão ao derrotar o
Lagoinha, de Minas Gerais, na final, por 3 X 0. Em 1978, o campeão foi a
Associação Atlética Portofelicense, de Porto Feliz (SP), que derrotou na final
o Elnema, também de São Paulo, por 3 X 0. O Francisco Xavier (RJ) foi terceiro
colocado.
COPA
ARIZONA DE FUTEBOL AMADOR – 1980
ZONA
NORTE
RIO
GRANDE DO NORTE
21/09/1980
Final
Gigante
Rubro 2 X 0 São Paulo, de Eduardo Gomes
Local:
Estádio Juvenal Lamartine, em Natal
PERNAMBUCO
27/09/1980
Final
Juventus
de Camaragibe 2 X 2 Bandeirante, de Casa Amarela
Prorrogação:
Juventus 1 X 0
PARAÍBA
Grupo
de João Pessoa
Semifinals
16
e 17/agosto de 1980
Grupo
A
Cinco
de Agosto, de Palmeiras da Torre
Íbis,
de Posto Nossa Senhora da Penha
Grupo
B
Proserv,
de São Paulo de Tambia
Esferal,
de Cimepar
Grupo
de Campina Grande
Final
Confiança
2 X 0 Renascença
Estágio
Final
13/09/1980
Palmeiras
da Torre X Confiança de Campina Grande
FINAIS
REGIONAIS
CEARÁ
E PIAUÍí
Redes
Santana (CE) 0 X 3 Kosmos (PI)
PARAÍBA,
ALAGOAS E PERNAMBUCO
Todas
as partidas disputadas em João Pessoa (PB)
04/10/1980
Flamengo
(AL) 1 X 2 Juventus (PE)
05/10/1980
Palmeiras
(PB) 3 X 3 Juventus/ (PE)
Prorrogação:
Palmeiras 1 X 0
RIO
GRANDE DO NORTE
Gigante
Rubro já classificado por sediar a etapa final
FINAIS
DA ZONA NORTE
Todas
as partidas disputadas no Estádio Juvenal Lamartine, em Natal
10/10/1980
– Gigante Rubro (RN) 1 X 0 Palmeiras (PB)
11/10/1980
– Palmeiras (PB) 2 X 2 Kosmos (PI)
12/10/1980
– Gigante Rubro (RN) 1 X 1 Kosmos(PI)
Gigante
Rubro, campeão do Norte, classificado para as finais nacionais.
ZONA
CENTRO
ESPÍRITO
SANTO
Final
Estrelinha
1 X 0 Siderúrgico
Gol:
Moacir Calado
Grêmio
Atlético Estrelinha, de Jacutuquara/Vitória, classificado
MINAS
GERAIS
Finais
Ferroviária
1 X 0 Rosário
Ferroviária
0 X 0 Rosário
RIO
DE JANEIRO
Capital
Final
Francisco
Xavier X Frigorífico, de Nilópolis
Petropolitano
X Machado Viana, de Campos
Francisco
Xavier classificado
FINAIS
REGIONAIS
10/10/1980
- Ferroviária X Estrelinha
11/10/1980
- Francisco Xavier X Estrelinha
12/10/1980
- Ferroviária X Francisco Xavier
Francisco
Xavier, campeão do Centro, classificado para as finais nacionais.
ZONA
SUL
SÃO
PAULO
Final
Buenópolis
de Morungaba 4 X 0 Nove de Julho, de Bauru
São
Paulo Capital
Final
ADC
Frum 4 X 2 Progresso
RIO
GRANDE DO SUL
Grupo
Grande Porto Alegre
Finalistas
Safurfa,
Gloriense, Guaspari, Dínamo, Alpes, Colônia, Unidos e Icotrom
Safurfa
classificado
GRUPO
DE CAXIAS DO SUL
Semifinals
Noroeste
2 X 0 Conceição
Randon
0 X 0 União Forquetense
Classificado
o União Forquetense
Final
Noroeste
1 X 0 União Forquetense
Água
Verde de Alegrete X Madureira, de Santa Maria
Cruzeiro,
de Passo Fundo 0 X 0 Noroeste
Pênaltis:
Cruzeiro 4 X 3
Ouro
Verde de Ijuí X Flamengo de Livramento
Água
Verde de Alegrete X Tulipa
Operário
X Novo Avante, de Rio Grande
SEMIFINAIS
Tulipa,
de Cachoeira do Sul
Ouro
Verde, de Ijuí
Cruzeiro,
de Passo Fundo
Operário,
de Bagé
FINAIS
Ouro
Verde 3 X 1 Safurfa
Local:
Estrelão, em Porto Alegre
Gols:
Bertil, Dirceu e Lauri para o Ouro Verde. Zezé descontou para o Safurfa
Ouro
Verde: Poty - Zé Galvão – Casca - Paulo Perin e Jair – Toni - Lauri e Pincho
(Paulo Morais) - Bertil (Gelson) - Capucho e Dirceu.
FINAIS
REGIONAIS
18/10/1980
Em
São Paulo
Ouro
Verde X Taquarassu (MS)
ADC
Frum X Buenópolis
ADC
Frum, campeão do Sul, classificado para as finais nacionais.
FINAIS
NACIONAIS
Equipes
participantes
Zona
Norte – Gigante Rubro, de Natal (RN)
Zona
Centro – Francisco Xavier E.C., do Rio de janeiro
Zona
Sul – ADC Frum, de São Paulo
FASE
FINAL
Francisco
Xavier 1 X 0 Gigante Rubro
Data:
24/10/1980
Local:
Estádio do Bonsucesso
Juiz:
Valdo Luís Machado
Gol:
Rui
Francisco
Xavier: Delfino – Tizil – Geraldão - Otávio e Canário – Rui - Paulinho (Vila) e
Djalma – Mendes - Izac e Cazela (Levi)
Gigante
Rubro: Romildo - Saraiva, - João Maria - Grimaldi e Ronaldo – Álvaro - Valério
e Marcos – Ferreira - Neto e Hideraldo.
ADC
Frum 0 X 0 Gigante Rubro
Data:
25/10/1980
Local:
Estádio do Bonsucesso
Juiz:
Antônio Dornellas
ADC
Frum: Zé Roberto – Valtão – Alemão - Leonardo e Gato – Zucheto - Junior e
Novaes – Cerejeira - Kiko (Teixeira) e Mauro (Reginaldo).
Gigante
Rubro: Romildo – Saraiva - João Maria - Grimaldi e Ronaldo - Álvaro (Marcos) -
Valério e Tito – Ferreira - Neto (Viana) e Adelmo.
Francisco
Xavier 1 X ADC Feum
Data:
26/10/1980
Local:
Estádio do Bonsucesso
Juiz:
Valdo Luís Machado
Gol:
Izac aos 28 do segundo tempo
Francisco
Xavier: Delfino – Tizil – Geraldão - Otávio e Canário - Rui (Vila) - Reinaldo e
Djalma – Mendes - Izac e Levi.
ADC
Frum: Zé Roberto – Reginaldo – Valtão - Alemão e Leonardo – Zucheto - Junior
(Neovaldo) e Novaes – Kiko - Teixeira e Valverde (Mauro).
Observação:
A partida foi encerrada aos 79 minutos pela expulsão de cinco jogadores da
equipe paulista.
Francisco
Xavier campeão
Segundo
o Diário de Pernambuco, a ADC Frum declinou da decisão da segunda posição
contra o Gigante Rubro, e o clube natalense sagrou-se vice-campeão.
Quando
a Copa Arizona acabou, em 1980, totalizou a estrondosa participação de 104 mil
jogadores entre os anos de 1974 a 1980.
A
Copa Arizona teve também o seu lado folclórico. Esta, eu tirei da coluna “Baú
do Guidugli”, do professor Marco Antônio Guidugli, no “Jornal do Povo”, de
Cachoeira do Sul (RS).
Campeão
amador do Rio Grande do Sul o Ferreira Futebol Clube foi jogar em São Paulo a
fase nacional da Copa Arizona. Na viagem de avião os atletas Teco, Beto
Scarparo e Homerinho divertiam-se comendo pastéis, cerveja, pedaços de galinha
e refrigerantes.
Outro
atleta, Claudionor, ficava apenas observando. Sem saber que toda a comida era
gratuita, Claudionor foi orientado pelos colegas de que teria de pagar tudo
quando desembarcasse. Com pouco dinheiro, resolveu economizar, não comendo nada
a viagem toda. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
A equipe do Moleque Travesso que disputou a Copa Arizona de 1974. (Foto: Futebol Amador)Manoel disse...
Sr. Nilo Dias boa tarde meu nome é Manoel Cardoso, sou de São Paulo-SP. Gostaria de lhe transmitir alguns dados das edições da Copa Arizona Futebol Amador 79/80, pois
participei destas duas edições sendo inclusive campeão em 79 e vice em 80. Caso queira informações entre em contato atraves de manoel@arcparts.com.br
que terei imenso prazer em lhe fornecer informações muito ricas com relação ao torneio.
Abraços
Manoel
me forneça seu e-mail
28 de novembro de 2008 13:11
vilmar facre disse...
Tenho a medalha e o trofeu de campeão da copa arizona de 1979.este time se chama Cruzeiro Esporte Clube (Três Rios-RJ. Este torneio era patrocinado pela Souza Cruz,e gostaria de alguma notícia sobre este campeonato.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Do velho “capotão” à alta tecnologia
O americano Charles Goodyear, nascido em New Haven, no dia 29 de dezembro de 1800 ficou mundialmente conhecido por ter descoberto a vulcanização da borracha. E o futebol agradece ao inventor pela criação da primeira bola de borracha vulcanizada, em 1855. Antes, as bolas tinham um aspecto horrível: bexigas de bois e porcos, com uma cobertura de couro para tentar um formato mais ou menos redondo, pois geralmente eram ovais. Às vezes era preciso pregar botões para conseguir fechá-las. O tamanho da bola variava de acordo com o tamanho da bexiga.
A fabricação de bolas verdadeiramente redondas, só aconteceu a partir de 1862. Isso, depois que um inglês de nome H. J. Lindon, desenvolveu a primeira bola inflável de borracha. Ele queria evitar que outras pessoas morressem de doenças respiratórias provocadas pelo esforço de encher com a boca milhares de bexigas. Foi assim que ele perdeu a esposa.
Mesmo com a nova tecnologia, durante algum tempo muitos fabricantes continuaram a usar botões. O envoltório de couro só apareceu a partir de 1880. Nas regras do futebol não havia nenhuma citação técnica sobre como a bola deveria ser. Por isso tinham pesos e tamanhos diferentes.
Com a fundação da Liga Inglesa de Futebol, em 1886 as empresas Mitre e Thomlinson’s deram início a produção maciça de bolas de futebol. A “Lillywhite”, número 5 foi escolhida como oficial. E quando começou a ser usada na “F A Cup” consagrou o “number 5” como tamanho padrão da bola de futebol. Mesmo assim os europeus ainda usaram a bola número 4 até 1940.
Em 1863 foi determinado que a circunferência da bola seria entre 68 e 70 centímetros, ou entre 27 e 28 polegadas. O peso só foi regulamentado em 1889: a bola deveria ter entre 340 e 420 gramas. Depois, em 1937, ela passou a pesar entre 410 e 450 gramas, ou entre 14 e 16 onças, que permanece até hoje.
Um exemplo das diferenças existentes entre os vários tipos de bolas, foi no jogo final da Copa do Mundo de 1930, entre as Seleções do Uruguai e da Argentina. Não houve acordo quanto à bola a ser usada. A solução foi jogar o primeiro tempo com bola argentina e o segundo com bola uruguaia. O Uruguai venceu por 4X 2. No primeiro tempo, com bola argentina perdia por 2 X 1.
No Brasil, as duas primeiras bolas chegaram em 1894. Eram inglesas, da marca “Shoot”, vindas na bagagem do estudante Charles Miller. O pioneirismo na fabricação de bolas brasileiras pertence ao padre Manuel Gonzáles, do Colégio Vicente de Paula, em Petrópolis, e a um sapateiro paulista chamado Caetano.
Quando começaram os jogos à noite, os jogadores tinham dificuldades em ver a bola, por causa da cor marrom. A idéia de se jogar com bolas brancas foi de um diretor do Vasco da Gama, Joaquim Simão Gomes, mais conhecido por “seu Gomes”, num amistoso com o São Paulo, ao início dos anos 30.
Ele sugeriu ao diretor tricolor, Mário Cunha Bueno que a bola fosse pintada de branco. Autorizado, comprou uma tinta da marca “Duco Alemão” e criou a primeira bola branca do futebol mundial. A partir desse jogo, ela correu pelos gramados do mundo.
Eu lembro bem das antigas bolas de “capotão” ou de costura, que lá na minha terra chamavam de “bola de tento”, por causa da tira de couro usada para fechar a abertura por onde se colocava a câmara de ar. Era uma bola bem mais pesada que as de hoje. Em dias de chuva pesava mais ainda. Quando o chute atingia a parte irregular da costura ou o “tento”, causava grande dor. O goleiro, dependendo da violência do chute, era o que mais sofria. Foi um alívio quando chegou a “bola de válvula”.
Hoje é tudo diferente. A tecnologia transformou a bola de futebol num instrumento quase de luxo, que é lançado em concorridos desfiles de grifes. O velho “balão de couro” costurado a mão deu lugar a materiais modernos. Há quem diga que se Pelé jogasse hoje, seria melhor ainda do que já foi. Se a velha e defeituosa bola de 1958 lhe obedecia cegamente, a de hoje lhe beijaria os pés. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
A fabricação de bolas verdadeiramente redondas, só aconteceu a partir de 1862. Isso, depois que um inglês de nome H. J. Lindon, desenvolveu a primeira bola inflável de borracha. Ele queria evitar que outras pessoas morressem de doenças respiratórias provocadas pelo esforço de encher com a boca milhares de bexigas. Foi assim que ele perdeu a esposa.
Mesmo com a nova tecnologia, durante algum tempo muitos fabricantes continuaram a usar botões. O envoltório de couro só apareceu a partir de 1880. Nas regras do futebol não havia nenhuma citação técnica sobre como a bola deveria ser. Por isso tinham pesos e tamanhos diferentes.
Com a fundação da Liga Inglesa de Futebol, em 1886 as empresas Mitre e Thomlinson’s deram início a produção maciça de bolas de futebol. A “Lillywhite”, número 5 foi escolhida como oficial. E quando começou a ser usada na “F A Cup” consagrou o “number 5” como tamanho padrão da bola de futebol. Mesmo assim os europeus ainda usaram a bola número 4 até 1940.
Em 1863 foi determinado que a circunferência da bola seria entre 68 e 70 centímetros, ou entre 27 e 28 polegadas. O peso só foi regulamentado em 1889: a bola deveria ter entre 340 e 420 gramas. Depois, em 1937, ela passou a pesar entre 410 e 450 gramas, ou entre 14 e 16 onças, que permanece até hoje.
Um exemplo das diferenças existentes entre os vários tipos de bolas, foi no jogo final da Copa do Mundo de 1930, entre as Seleções do Uruguai e da Argentina. Não houve acordo quanto à bola a ser usada. A solução foi jogar o primeiro tempo com bola argentina e o segundo com bola uruguaia. O Uruguai venceu por 4X 2. No primeiro tempo, com bola argentina perdia por 2 X 1.
No Brasil, as duas primeiras bolas chegaram em 1894. Eram inglesas, da marca “Shoot”, vindas na bagagem do estudante Charles Miller. O pioneirismo na fabricação de bolas brasileiras pertence ao padre Manuel Gonzáles, do Colégio Vicente de Paula, em Petrópolis, e a um sapateiro paulista chamado Caetano.
Quando começaram os jogos à noite, os jogadores tinham dificuldades em ver a bola, por causa da cor marrom. A idéia de se jogar com bolas brancas foi de um diretor do Vasco da Gama, Joaquim Simão Gomes, mais conhecido por “seu Gomes”, num amistoso com o São Paulo, ao início dos anos 30.
Ele sugeriu ao diretor tricolor, Mário Cunha Bueno que a bola fosse pintada de branco. Autorizado, comprou uma tinta da marca “Duco Alemão” e criou a primeira bola branca do futebol mundial. A partir desse jogo, ela correu pelos gramados do mundo.
Eu lembro bem das antigas bolas de “capotão” ou de costura, que lá na minha terra chamavam de “bola de tento”, por causa da tira de couro usada para fechar a abertura por onde se colocava a câmara de ar. Era uma bola bem mais pesada que as de hoje. Em dias de chuva pesava mais ainda. Quando o chute atingia a parte irregular da costura ou o “tento”, causava grande dor. O goleiro, dependendo da violência do chute, era o que mais sofria. Foi um alívio quando chegou a “bola de válvula”.
Hoje é tudo diferente. A tecnologia transformou a bola de futebol num instrumento quase de luxo, que é lançado em concorridos desfiles de grifes. O velho “balão de couro” costurado a mão deu lugar a materiais modernos. Há quem diga que se Pelé jogasse hoje, seria melhor ainda do que já foi. Se a velha e defeituosa bola de 1958 lhe obedecia cegamente, a de hoje lhe beijaria os pés. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
terça-feira, 8 de abril de 2008
O folclórico Gentil Cardoso
Gentil Cardoso foi talvez o mais folclórico técnico do futebol brasileiro. Ele começou a carreira de treinador no F.B.C. Rio-Grandense, de Rio Grande, por quem foi campeão gaúcho em 1939. Depois de Rio Grande, onde foi oficial da Marinha, Gentil Cardoso ganhou o Brasil e o mundo. Treinou vários clubes do futebol brasileiro, entre os quais Fluminense, Bangu, Vasco da Gama, Portuguesa de Desportos, Ponte Preta, São Paulo, Sport Recife, Santa Cruz e Náutico. Foi o primeiro negro a ser contratado pelo Náutico do Recife em 59 anos de existência.
Também treinou a famosa seleção pernambucana, chamada de “Cacareco”, que representou o Brasil no Sul-Americano Extra do Equador, em 1959. No exterior dirigiu o Sporting, de Lisboa, Portugal. Gentil Cardoso foi considerado um dos melhores treinadores brasileiros na época, mas ganhou fama pela facilidade de criar frases que entraram para o folclore do nosso futebol.
O técnico do Flamengo Joel Santana chama a atenção pela inseparável prancheta. Gentil, pelo quadro negro que usava para explicar táticas aos jogadores, recurso que ele aprendeu numa das viagens à Europa, quando ainda era marinheiro. Também não se separava do boné, outra de suas marcas registradas.
São muitas as passagens hilariantes atribuídas ao gordo treinador. Vamos conferir algumas delas:
Em 1946, contratado pelo Fluminense, prometeu: “Dêem-me Ademir de Menezes que lhes dou o título”. O jogador veio e o título, também. Depois voltou ao Vasco da Gama e repetiu a promessa. Não deu outra, faixa no peito de novo.
Em 1952, correu um boato de que o Vasco pretendia mandá-lo embora. Um repórter perguntou o que ele achava disso e a resposta foi imediata: “Eu estou com as massas, e as massas derrubam até governos". No outro dia foi despedido.
Foi Gentil Cardoso que lançou Garrincha no futebol carioca. O “homem das pernas tortas” chegou a General Severiano, em 1953, encaminhado pelo lateral Arati, para fazer testes. Disse que jogava de meia-direita no Palmeiras de Pau Grande, sua terra natal. Gentil olhou um treino e disse que ele seria ponteiro-direito, pois sua grande virtude era a arrancada.
Falavam na época, ninguém assegura se é ou não verdade, que antes do primeiro treino de Garrincha com os profissionais do Botafogo teria ocorrido este diálogo entre o técnico e o jogador: "Você joga de que, meu filho?", perguntou Gentil Cardoso. "De chuteiras, moço." Caíram todos na gargalhada e o garoto, chateado, tentou remendar: "Se quiser, posso jogar descalço. Não ligo para isso". De cara amarrada, o treinador explicou: "Qual é a posição?".
Gentil o colocou na ponta direita do time reserva, e ele descadeirou ninguém menos do que Nilton Santos, a “Enciclopédia do Futebol”, já consagrado como um dos maiores laterais do futebol brasileiro e mundial de todos os tempos. Anos depois, quando Garrincha já estava morto, Nilton Santos costumava dizer: "A bola era a maior amiga e a principal distração daquele garoto. Era só o que ele sabia fazer".
Mas, continuemos com o folclórico Gentil Cardoso: uma tarde, depois de uma derrota e cercado de repórteres alguém lhe perguntou por que havia perdido o jogo. E a resposta veio sem meias palavras: “Perdemos, porque o adversário fez mais gols".
Num treino do Vasco, um jogador “cabeça-de-bagre” tentou dar uma bicicleta e caiu no chão. Gentil, que olhava tudo, não agüentou e soltou esta frase antológica: “Meu filho, você já é ruim chutando em pé, imagine de cabeça para baixo’’.
Num treino da equipe juvenil, Gentil Cardoso se preparava para substituir um garoto alto e magro, ruim de bola, quando um sócio do clube gritou do outro lado da cerca: ”Aquele lá é meu filho. Sempre quis que ele crescesse e se tornasse um craque”. Gentil olhou nos olhos do pai coruja e cinicamente disse: ”Bem, pelo menos ele cresceu direitinho”.
Nos anos 50 jogava no Vasco um goleiro chamado Bituca, que tinha um medo terrível de mandinga. Gentil Cardoso treinava o Bangu e pediu ao atacante Mário que levasse para o campo uma mistura de areia e talco e jogasse na cabeça do goleiro, dizendo que era feitiço. Dito e feito. Mal começou o jogo e Bituca aceitou um frango fenomenal. Daí a pouco novo gol numa bola defensável. E um gol atrás do outro, para desespero do técnico vascaíno, Aimoré Moreira, que gritava: “Pega a bola, safado! Pega a bola”. E Bituca, quase chorando respondeu: “Não posso, tô macumbado”.
Em outra ocasião um jogador não parava de dar chutões para o alto. Irritado, Gentil Cardoso chamou o moço e perguntou: "Meu filho, bola é feita de quê?" “De couro seu Gentil”. "E couro, meu filho, vem de onde?" “Da vaca seu Gentil”. "Então, meu filho, aprende: vaca gosta de grama, bola gosta de rolar na grama”.
Quando era treinador da Ponte Preta, Gentil Cardoso levou um megafone para dentro de campo, durante um jogo amistoso. Na época jogava no time de Campinas, um volante de nome Pepino, muito bom de bola. Gentil pedia aos seus jogadores que tocassem a bola sempre de primeira. E gritava: "Zezinho, lança para o Marcos na esquerda. Isso, muito bem". Como era um jogador altamente técnico, Pepino abusava dos dribles, antes de fazer o passe. Gentil Cardoso não perdoava: "Eu falei pra você passar de primeira, Pepino".
No outro dia Pepino colocou as mãos na cintura, olhou para o treinador balançando a cabeça e mostrando-se contrariado. Gentil Cardoso não perdeu tempo, estufou o peito e gritou: "É a sua". O médico do clube, surpreso, disse ao treinador: "Mas ele não falou nada..." "Não falou, mas pensou", disse Gentil.
Foi Gentil Cardoso que criou a expressão “zebra”, hoje tão popular no futebol e que explica a vitória de um time pequeno, contra um grande: “deu zebra”. Gentil treinava a Portuguesa carioca, que no domingo ia jogar contra o Vasco. Um repórter perguntou o que o técnico achava do jogo: “Vai dar zebra”, foi a resposta. E deu, a Portuguesa cometeu o “crime” e venceu. A zebra, que não existe no Jogo do Bicho, simboliza o improvável na Loteria Esportiva.
Treinando a seleção “Cacareco”, Gentil conseguiu a proeza de derrotar a poderosa seleção paulista em jogo pelo campeonato brasileiro de seleções por 4 X 2. A equipe de São Paulo tinha craques como Pelé, Gilmar, Olavo, Zito, Julinho e Chinezinho. No lado pernambucano, os jogadores só eram conhecidos em Pernambuco.
Para finalizar, algumas frases célebres atribuídas ao grande treinador: "Quem se desloca, recebe, quem pede, tem preferência"; “Treino é treino, jogo é jogo”; "Quem não faz, leva"; “O craque trata a bola de você e não de Excelência"; “Futebol é uma caixinha de surpresa”; "Eu quero que vocês corram atrás da bola como se ela fosse um prato de comida". E a última frase da sua vida, quando estava no hospital, dias antes de morrer: “Eu quero sair daqui na vertical e não na horizontal”. Não deu. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Também treinou a famosa seleção pernambucana, chamada de “Cacareco”, que representou o Brasil no Sul-Americano Extra do Equador, em 1959. No exterior dirigiu o Sporting, de Lisboa, Portugal. Gentil Cardoso foi considerado um dos melhores treinadores brasileiros na época, mas ganhou fama pela facilidade de criar frases que entraram para o folclore do nosso futebol.
O técnico do Flamengo Joel Santana chama a atenção pela inseparável prancheta. Gentil, pelo quadro negro que usava para explicar táticas aos jogadores, recurso que ele aprendeu numa das viagens à Europa, quando ainda era marinheiro. Também não se separava do boné, outra de suas marcas registradas.
São muitas as passagens hilariantes atribuídas ao gordo treinador. Vamos conferir algumas delas:
Em 1946, contratado pelo Fluminense, prometeu: “Dêem-me Ademir de Menezes que lhes dou o título”. O jogador veio e o título, também. Depois voltou ao Vasco da Gama e repetiu a promessa. Não deu outra, faixa no peito de novo.
Em 1952, correu um boato de que o Vasco pretendia mandá-lo embora. Um repórter perguntou o que ele achava disso e a resposta foi imediata: “Eu estou com as massas, e as massas derrubam até governos". No outro dia foi despedido.
Foi Gentil Cardoso que lançou Garrincha no futebol carioca. O “homem das pernas tortas” chegou a General Severiano, em 1953, encaminhado pelo lateral Arati, para fazer testes. Disse que jogava de meia-direita no Palmeiras de Pau Grande, sua terra natal. Gentil olhou um treino e disse que ele seria ponteiro-direito, pois sua grande virtude era a arrancada.
Falavam na época, ninguém assegura se é ou não verdade, que antes do primeiro treino de Garrincha com os profissionais do Botafogo teria ocorrido este diálogo entre o técnico e o jogador: "Você joga de que, meu filho?", perguntou Gentil Cardoso. "De chuteiras, moço." Caíram todos na gargalhada e o garoto, chateado, tentou remendar: "Se quiser, posso jogar descalço. Não ligo para isso". De cara amarrada, o treinador explicou: "Qual é a posição?".
Gentil o colocou na ponta direita do time reserva, e ele descadeirou ninguém menos do que Nilton Santos, a “Enciclopédia do Futebol”, já consagrado como um dos maiores laterais do futebol brasileiro e mundial de todos os tempos. Anos depois, quando Garrincha já estava morto, Nilton Santos costumava dizer: "A bola era a maior amiga e a principal distração daquele garoto. Era só o que ele sabia fazer".
Mas, continuemos com o folclórico Gentil Cardoso: uma tarde, depois de uma derrota e cercado de repórteres alguém lhe perguntou por que havia perdido o jogo. E a resposta veio sem meias palavras: “Perdemos, porque o adversário fez mais gols".
Num treino do Vasco, um jogador “cabeça-de-bagre” tentou dar uma bicicleta e caiu no chão. Gentil, que olhava tudo, não agüentou e soltou esta frase antológica: “Meu filho, você já é ruim chutando em pé, imagine de cabeça para baixo’’.
Num treino da equipe juvenil, Gentil Cardoso se preparava para substituir um garoto alto e magro, ruim de bola, quando um sócio do clube gritou do outro lado da cerca: ”Aquele lá é meu filho. Sempre quis que ele crescesse e se tornasse um craque”. Gentil olhou nos olhos do pai coruja e cinicamente disse: ”Bem, pelo menos ele cresceu direitinho”.
Nos anos 50 jogava no Vasco um goleiro chamado Bituca, que tinha um medo terrível de mandinga. Gentil Cardoso treinava o Bangu e pediu ao atacante Mário que levasse para o campo uma mistura de areia e talco e jogasse na cabeça do goleiro, dizendo que era feitiço. Dito e feito. Mal começou o jogo e Bituca aceitou um frango fenomenal. Daí a pouco novo gol numa bola defensável. E um gol atrás do outro, para desespero do técnico vascaíno, Aimoré Moreira, que gritava: “Pega a bola, safado! Pega a bola”. E Bituca, quase chorando respondeu: “Não posso, tô macumbado”.
Em outra ocasião um jogador não parava de dar chutões para o alto. Irritado, Gentil Cardoso chamou o moço e perguntou: "Meu filho, bola é feita de quê?" “De couro seu Gentil”. "E couro, meu filho, vem de onde?" “Da vaca seu Gentil”. "Então, meu filho, aprende: vaca gosta de grama, bola gosta de rolar na grama”.
Quando era treinador da Ponte Preta, Gentil Cardoso levou um megafone para dentro de campo, durante um jogo amistoso. Na época jogava no time de Campinas, um volante de nome Pepino, muito bom de bola. Gentil pedia aos seus jogadores que tocassem a bola sempre de primeira. E gritava: "Zezinho, lança para o Marcos na esquerda. Isso, muito bem". Como era um jogador altamente técnico, Pepino abusava dos dribles, antes de fazer o passe. Gentil Cardoso não perdoava: "Eu falei pra você passar de primeira, Pepino".
No outro dia Pepino colocou as mãos na cintura, olhou para o treinador balançando a cabeça e mostrando-se contrariado. Gentil Cardoso não perdeu tempo, estufou o peito e gritou: "É a sua". O médico do clube, surpreso, disse ao treinador: "Mas ele não falou nada..." "Não falou, mas pensou", disse Gentil.
Foi Gentil Cardoso que criou a expressão “zebra”, hoje tão popular no futebol e que explica a vitória de um time pequeno, contra um grande: “deu zebra”. Gentil treinava a Portuguesa carioca, que no domingo ia jogar contra o Vasco. Um repórter perguntou o que o técnico achava do jogo: “Vai dar zebra”, foi a resposta. E deu, a Portuguesa cometeu o “crime” e venceu. A zebra, que não existe no Jogo do Bicho, simboliza o improvável na Loteria Esportiva.
Treinando a seleção “Cacareco”, Gentil conseguiu a proeza de derrotar a poderosa seleção paulista em jogo pelo campeonato brasileiro de seleções por 4 X 2. A equipe de São Paulo tinha craques como Pelé, Gilmar, Olavo, Zito, Julinho e Chinezinho. No lado pernambucano, os jogadores só eram conhecidos em Pernambuco.
Para finalizar, algumas frases célebres atribuídas ao grande treinador: "Quem se desloca, recebe, quem pede, tem preferência"; “Treino é treino, jogo é jogo”; "Quem não faz, leva"; “O craque trata a bola de você e não de Excelência"; “Futebol é uma caixinha de surpresa”; "Eu quero que vocês corram atrás da bola como se ela fosse um prato de comida". E a última frase da sua vida, quando estava no hospital, dias antes de morrer: “Eu quero sair daqui na vertical e não na horizontal”. Não deu. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
segunda-feira, 7 de abril de 2008
O calvário do América do Rio
Perde o futebol carioca, perde o futebol brasileiro. Ninguém queria a queda do América F.C., para a 2ª Divisão do futebol carioca, uma verdadeira sucursal do inferno. Mas lamentavelmente aconteceu. No último sábado (5), o América dependia de uma improvável combinação de resultados para escapar. Não bastava vencer ao Friburguense, como aconteceu (2 X 0). Cardoso Moreira e Mesquita teriam de perder. Não deu. O Mesquita perdia de 2 X 0 e virou para 4 X 2. Fim de festa.
Chovia forte sobre Nova Friburgo. E lágrimas corriam dos olhos da apaixonada torcida americana, que deixou o estádio em comovente silêncio. Foi de doer no coração. Afinal de contas é um clube com 104 anos, vencedor de vários torneios nacionais e internacionais, uma Taça Guanabara (1974), uma Taça Rio (1982), um Torneio dos Campeões da CBF (1982) e sete títulos estaduais, 1913, 1916, 1922, campeão do Centenário da Independência do Brasil, 1928, 1931, 1935, e 1960, primeiro campeão do Estado da Guanabara.
Mesmo com todas essas glórias, o América acaba de entrar numa espécie de UTI do futebol, de onde dificilmente sairá com vida. A “Segundona” carioca é diferente de outros Estados, não é divulgada pela imprensa, não tem público e os clubes são na maioria patrocinados por prefeituras municipais. Quem vai querer patrocinar o América numa situação dessas?
Eu acho que a Federação carioca poderia fazer algo para melhorar seu campeonato, que vem piorando a cada ano. Os chamados clubes pequenos estão impedidos de jogar em seus estádios contra os “grandes”. E ainda enfrentam arbitragens suspeitas. É um campeonato de cartas marcadas. Eu lembro, e com saudade dos bons tempos em que o Carioca era o melhor torneio do Brasil. Hoje, perde disparado para São Paulo. Só se salvam os jogos finais. E olhe lá.
Onde estão clubes tradicionais como Bangu, Bonsucesso, Portuguesa, Olaria, Campo Grande, São Cristóvão e até o Canto do Rio? Sumiram nas divisões inferiores ou fecharam as portas. Desses “pequenos” só o Madureira resiste, e Deus sabe até quando. A desvalorização do campeonato regional e a incompetência dos “cartolas” da Federação levaram a isso. Sem dinheiro e sem incentivo, o América também afundou. E eu absolvo seus dirigentes de qualquer culpa. Fizeram o que era possível.
Não sou defensor de viradas de mesa. Mas no caso do América, vou torcer para que aconteça. E de carona também se salve o Bangu. É muita história para ser jogada fora. O futebol não merece isso. Eu até sugiro que se crie uma lei protegendo esses clubes tradicionais.
O América nasceu no dia 18 de outubro de 1904, fruto de uma cisão no Clube Atlético da Tijuca. O nome foi sugerido por um dos fundadores, Alfredo Koehler, em homenagem ao continente como um todo. No primeiro jogo oficial, a primeira derrota, 6 X 1 frente o Bangu Athletic Club, no dia 6 de agosto de 1905. O jogador Amilcar Teixeira Pinto, estudante de Medicina marcou o primeiro gol da história do clube.
O primeiro uniforme americano tinha camisas e meias pretas, calções e gravatas brancos. A camisa apresentava sete botões: dois no colarinho e cinco na camisa, que simbolizavam os sete fundadores do clube. Em 1908 foi adotada a camisa vermelha e calção branco, uma homenagem à Associação Athletica Mackenzie Colege, de São Paulo, a quem o América havia enfrentado em jogo amistoso interestadual.
O primeiro jogo internacional disputado pelo América foi em 18 de setembro de 1912, perdendo para a Seleção Chilena por 3 X 2. Em 1913 começou a se firmar como clube grande, com a conquista pela primeira vez do título carioca. Foram 12 vitórias e apenas 3 derrotas. No último jogo uma vitória suada de 1 X 0, frente o São Cristóvão (que era time grande) em 30 de novembro, gol de Gabriel de Carvalho.
Foi nesse campeonato que o jogador americano Belfort Duarte tocou a bola com a mão dentro da área, e como o árbitro não viu, ele próprio se acusou e o pênalti foi marcado. Belfort Duarte, que nunca foi expulso em sua carreira, virou nome de prêmio oferecido aos jogadores que não fossem expulsos durante 10 anos de carreira. Oportunamente escreverei sobre isso.
O América sempre foi um time de raça, honrando o vermelho cor de sangue de sua camisa. Em 18 de dezembro de 1938, foi escrita uma das mais emocionantes páginas da história do clube. Em jogo contra o Vasco, válido pelo campeonato carioca, na rua Campos Sales, o América conseguiu virar um resultado de 4 a 0, para um espetacular 6 a 4.
Em 1954 o Jornal dos Sports divulgou uma pesquisa do Ibope que media o tamanho das torcidas dos clubes cariocas. A maior é claro foi a do Flamengo com 29%. Depois, na ordem Fluminense 19%, Vasco 18%, América 6%, Botafogo 5%, Bangu 2% e São Cristóvão 1%. Só a partir da década de 1960, quando o Botafogo teve grandes momentos, é que sua torcida superou a do América.
Até 1986 o América disputou todas as edições do Campeonato Brasileiro na Série A. A partir dai começou a decadência. Até 1999 foram decepções que não paravam mais. A recuperação do clube começou em 2000 com a inauguração do estádio Giulite Coutinho, seguindo-se com as classificações para as Copas do Brasil de 2004 e 2005.
Em 2006 voltou a viver bons momentos, sendo a sensação do Campeonato Carioca, chegando as finais das Taças Guanabara e Rio. Em 2007 foi semifinalista da Taça Guanabara. E veio o trágico 2008. Nomes como Jorge Vieira, o técnico campeão de 1960 e Amarildo, ex-jogador da Seleção Brasileira, chamado de "O Possesso" não foram suficientes para salvar o América. Agora, está tudo nas mãos de Deus.
Alguns fatos marcantes na vida do clube. Em 12 de outubro de 1914, o América participou da segunda partida noturna no Brasil ao derrotar o Vila Isabel por 6 a 1. Em 30 de julho de 1939, em jogo contra o Vasco, o centroavante americano, Plácido de Assis Monsores fraturou o antebraço e continuou no jogo apenas com uma tipóia e ajudando o time a ganhar o clássico por 3 a 1. No dia 3 de novembro de 1929 o América aplicou uma das maiores goleadas do Campeonato Carioca, em todos os tempos: 11 X 2, em cima do Botafogo.
Em 1951 Arsenal e Portsmouth da Inglaterra excursionaram pelo Brasil, e ambos enfrentaram o América no Maracanã. Em 27 de maio o América bateu o Arsenal por 2 X 1 e em 8 de junho ao Portsmouth por 3 a 2. Em 18 de julho de 1951, data nacional uruguaia, o América conseguiu uma vitória que entrou para a história: diante de 65 mil torcedores, derrotou em plena Montevidéu ao Peñarol, base da “Celeste”, por 3 a 1. Em 1955, o América excursionou pela Europa, realizando 18 partidas, ganhando 13, empatando uma e perdendo duas.
Entre os anos de 1933 e 1937 o futebol carioca viveu séria crise, com duas ligas paralelas. América e Vasco da Gama fizeram um jogo para selar a paz. Daí o nome de “Clássico da Paz”. A firma “O Camiseiro”, ofereceu um troféu. Em 25 de agosto de 1938 o América venceu o jogo por 2 x0. Dias depois emprestou o Troféu ao Vasco da Gama para uma exposição. Até hoje não foi devolvido. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Chovia forte sobre Nova Friburgo. E lágrimas corriam dos olhos da apaixonada torcida americana, que deixou o estádio em comovente silêncio. Foi de doer no coração. Afinal de contas é um clube com 104 anos, vencedor de vários torneios nacionais e internacionais, uma Taça Guanabara (1974), uma Taça Rio (1982), um Torneio dos Campeões da CBF (1982) e sete títulos estaduais, 1913, 1916, 1922, campeão do Centenário da Independência do Brasil, 1928, 1931, 1935, e 1960, primeiro campeão do Estado da Guanabara.
Mesmo com todas essas glórias, o América acaba de entrar numa espécie de UTI do futebol, de onde dificilmente sairá com vida. A “Segundona” carioca é diferente de outros Estados, não é divulgada pela imprensa, não tem público e os clubes são na maioria patrocinados por prefeituras municipais. Quem vai querer patrocinar o América numa situação dessas?
Eu acho que a Federação carioca poderia fazer algo para melhorar seu campeonato, que vem piorando a cada ano. Os chamados clubes pequenos estão impedidos de jogar em seus estádios contra os “grandes”. E ainda enfrentam arbitragens suspeitas. É um campeonato de cartas marcadas. Eu lembro, e com saudade dos bons tempos em que o Carioca era o melhor torneio do Brasil. Hoje, perde disparado para São Paulo. Só se salvam os jogos finais. E olhe lá.
Onde estão clubes tradicionais como Bangu, Bonsucesso, Portuguesa, Olaria, Campo Grande, São Cristóvão e até o Canto do Rio? Sumiram nas divisões inferiores ou fecharam as portas. Desses “pequenos” só o Madureira resiste, e Deus sabe até quando. A desvalorização do campeonato regional e a incompetência dos “cartolas” da Federação levaram a isso. Sem dinheiro e sem incentivo, o América também afundou. E eu absolvo seus dirigentes de qualquer culpa. Fizeram o que era possível.
Não sou defensor de viradas de mesa. Mas no caso do América, vou torcer para que aconteça. E de carona também se salve o Bangu. É muita história para ser jogada fora. O futebol não merece isso. Eu até sugiro que se crie uma lei protegendo esses clubes tradicionais.
O América nasceu no dia 18 de outubro de 1904, fruto de uma cisão no Clube Atlético da Tijuca. O nome foi sugerido por um dos fundadores, Alfredo Koehler, em homenagem ao continente como um todo. No primeiro jogo oficial, a primeira derrota, 6 X 1 frente o Bangu Athletic Club, no dia 6 de agosto de 1905. O jogador Amilcar Teixeira Pinto, estudante de Medicina marcou o primeiro gol da história do clube.
O primeiro uniforme americano tinha camisas e meias pretas, calções e gravatas brancos. A camisa apresentava sete botões: dois no colarinho e cinco na camisa, que simbolizavam os sete fundadores do clube. Em 1908 foi adotada a camisa vermelha e calção branco, uma homenagem à Associação Athletica Mackenzie Colege, de São Paulo, a quem o América havia enfrentado em jogo amistoso interestadual.
O primeiro jogo internacional disputado pelo América foi em 18 de setembro de 1912, perdendo para a Seleção Chilena por 3 X 2. Em 1913 começou a se firmar como clube grande, com a conquista pela primeira vez do título carioca. Foram 12 vitórias e apenas 3 derrotas. No último jogo uma vitória suada de 1 X 0, frente o São Cristóvão (que era time grande) em 30 de novembro, gol de Gabriel de Carvalho.
Foi nesse campeonato que o jogador americano Belfort Duarte tocou a bola com a mão dentro da área, e como o árbitro não viu, ele próprio se acusou e o pênalti foi marcado. Belfort Duarte, que nunca foi expulso em sua carreira, virou nome de prêmio oferecido aos jogadores que não fossem expulsos durante 10 anos de carreira. Oportunamente escreverei sobre isso.
O América sempre foi um time de raça, honrando o vermelho cor de sangue de sua camisa. Em 18 de dezembro de 1938, foi escrita uma das mais emocionantes páginas da história do clube. Em jogo contra o Vasco, válido pelo campeonato carioca, na rua Campos Sales, o América conseguiu virar um resultado de 4 a 0, para um espetacular 6 a 4.
Em 1954 o Jornal dos Sports divulgou uma pesquisa do Ibope que media o tamanho das torcidas dos clubes cariocas. A maior é claro foi a do Flamengo com 29%. Depois, na ordem Fluminense 19%, Vasco 18%, América 6%, Botafogo 5%, Bangu 2% e São Cristóvão 1%. Só a partir da década de 1960, quando o Botafogo teve grandes momentos, é que sua torcida superou a do América.
Até 1986 o América disputou todas as edições do Campeonato Brasileiro na Série A. A partir dai começou a decadência. Até 1999 foram decepções que não paravam mais. A recuperação do clube começou em 2000 com a inauguração do estádio Giulite Coutinho, seguindo-se com as classificações para as Copas do Brasil de 2004 e 2005.
Em 2006 voltou a viver bons momentos, sendo a sensação do Campeonato Carioca, chegando as finais das Taças Guanabara e Rio. Em 2007 foi semifinalista da Taça Guanabara. E veio o trágico 2008. Nomes como Jorge Vieira, o técnico campeão de 1960 e Amarildo, ex-jogador da Seleção Brasileira, chamado de "O Possesso" não foram suficientes para salvar o América. Agora, está tudo nas mãos de Deus.
Alguns fatos marcantes na vida do clube. Em 12 de outubro de 1914, o América participou da segunda partida noturna no Brasil ao derrotar o Vila Isabel por 6 a 1. Em 30 de julho de 1939, em jogo contra o Vasco, o centroavante americano, Plácido de Assis Monsores fraturou o antebraço e continuou no jogo apenas com uma tipóia e ajudando o time a ganhar o clássico por 3 a 1. No dia 3 de novembro de 1929 o América aplicou uma das maiores goleadas do Campeonato Carioca, em todos os tempos: 11 X 2, em cima do Botafogo.
Em 1951 Arsenal e Portsmouth da Inglaterra excursionaram pelo Brasil, e ambos enfrentaram o América no Maracanã. Em 27 de maio o América bateu o Arsenal por 2 X 1 e em 8 de junho ao Portsmouth por 3 a 2. Em 18 de julho de 1951, data nacional uruguaia, o América conseguiu uma vitória que entrou para a história: diante de 65 mil torcedores, derrotou em plena Montevidéu ao Peñarol, base da “Celeste”, por 3 a 1. Em 1955, o América excursionou pela Europa, realizando 18 partidas, ganhando 13, empatando uma e perdendo duas.
Entre os anos de 1933 e 1937 o futebol carioca viveu séria crise, com duas ligas paralelas. América e Vasco da Gama fizeram um jogo para selar a paz. Daí o nome de “Clássico da Paz”. A firma “O Camiseiro”, ofereceu um troféu. Em 25 de agosto de 1938 o América venceu o jogo por 2 x0. Dias depois emprestou o Troféu ao Vasco da Gama para uma exposição. Até hoje não foi devolvido. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
domingo, 6 de abril de 2008
As maiores goleadas da história do futebol
Alguém já imaginou um time levar 36 X 0, e ainda mais num jogo de campeonato? Eu nunca vi, nem nas tradicionais e saudosas “peladas” jogadas em qualquer campinho, com montes de roupas improvisando as goleiras e surradas bolas quase furando. Lembro que se combinava o jogo em até 10, com mudança de lado aos cinco gols. E muitos jogos ficavam com o escore pelo caminho, pois chegava a noite e não se via mais nada. Não era fácil levar muitos gols.
Palmas ao Bon Accord FC, de Aberdeen, que conseguiu a façanha de levar 36 gols num único jogo. Foi no distante dia 12 de setembro de 1885, pela primeira rodada da Copa da Escócia daquele ano. O jogo foi disputado na cidade de Arbroath e o time local do Arbroath F.C. (hoje na 3ª Divisão) foi o terrível carrasco. Só o atacante John Petrie, fez 13 gols e detém até hoje o recorde mundial de gols em um só jogo.
E bem que o escore poderia ter sido de 43 X 0, pois sete gols foram anulados pelo árbitro Dave Stormont. Naquela época não havia o travessão e nem redes, e algumas vezes não ficava claro se a bola passara dentro ou fora da meta. O goleiro do Arbroath, James Milne, também conhecido como "auld Milne", ou o homem de "olhos de águia" foi um privilegiado expectador. Não tocou na bola uma única vez. Ele passou a maior parte do jogo abrigado da chuva debaixo de uma sombrinha, emprestada por um torcedor.
Na temporada, os "Lichties" , como era chamado pelos torcedores, jogaram 42 vezes, ganharam 26 e perderam 11 partidas, marcando incríveis 178 gols e sofrendo 81. Em setembro de 1887, o Arbroath aplicou outra goleada fantástica: 20 X 0, sobre o Orion.
Parece mentira, mas é verdade. No mesmo dia aconteceu a segunda maior goleada da historia do futebol. O Dundee Harp aplicou 35 X 0 no Aberdee Rovers, também pela Copa da Escócia. Foi tanto gol que até o juiz ficou confuso, pois a chuva forte molhou o papel e apagou as anotações com os números do jogo. Ao final, os jogadores é que confirmaram o resultado. O árbitro pensou que tinha sido 37 X 0. A
dúvida ficou, e o resultado verdadeiro pode ter sido maior.
Teve um outro jogo com uma estratosférica goleada de 149 X 0, mas não foi levada a sério. Os jogadores do SOE, de Madagascar, fizeram um protesto e seus jogadores marcaram contra a própria meta por 149 vezes, no jogo com a Association Sportive Adema Analamanga, na segunda partida de um play-off entre as duas equipes, pelo campeonato local. Não existem outras informações desse jogo (?), nem mesmo a data.
Apenas a título de curiosidade algumas outras grandes goleadas: segundo o “Jornal de Pouso Alegre (MG)”, de 21 de setembro de 1968, o recorde mundial aconteceu lá. Foi no dia 15 de setembro de 1968, quando o Pouso Alegre Futebol Clube, em jogo amistoso aplicou 38 X 0 no Grêmio Recreativo Beta, equipe amadora da cidade de São Paulo.
Nos campeonatos regionais, Pernambuco é campeão de goleadas. Apenas algumas, pois a lista é enorme: 1 de janeiro de 1945, Náutico 21 X 3 Flamengo; 19 de junho de 1938, Sport 16 X 0 Flamengo; 26 de maio de 1935, Náutico 15 X 0 Encruzilhada; 21 de dezembro de 1944, América 15 x 2 Flamengo e 9 de março de 1969, Santa Cruz 15 X 2 Santo Amaro.
No campeonato paulista a maior goleada aconteceu no dia 16 de maio de 1920, quando o Paulistano fez 12 X 0 na Associação Atlética das Palmeiras. Depois, 28 de agosto de 1921, Paulistano 12 X 1 Ypiranga; 3 de maio de 1927, Santos 12 X 1 Ypiranga; 8 de julho de 1945, São Paulo 12 X 1 Jabaquara, a maior goleada da história do Pacembu; 27 de agosto de 1923, São Paulo da Floresta 12 x 1 Sírio e em 19 de novembro de 1959, Santos 12 x 1 Portuguesa Santista.
As maiores goleadas no estadual maranhense: em 2 de setembro de 1954, Sampaio Corrêa 20 x 0 Santos Dumont; 15 de outubro de 1933, Sampaio Corrêa 15 x 0 União e em 24 de abril de 1988, Imperatriz 14 x 2 Tocantins. A maior goleada já registrada, em campeonatos paraenses, foi aplicada pelo Paysandu Sport Clube sobre a equipe do Brasil Sport, em 16 de maio de 1915, 17 x 1.
No campeonato Mineiro as duas maiores goleadas pertencem aos times do Cruzeiro e América. Em 1928 o estrelado fez 14 X 0 no Alves Nogueira, de Sabará. No mesmo ano o América também aplicou 14 X 0 no Palmeiras, de Belo Horizonte.
Os maiores escores do clássico Gre-Nal: Grêmio 10 x 0 Internacional, em 18 de julho de 1909; Grêmio 10 x 1 Internacional, em 18 de junho de 1911; Internacional 7 x 0 Grêmio, em 17 de setembro de 1948 e Internacional 7 x 3 Grêmio, em 28 de maio de 1944. No Clássico-Rei, entre Fortaleza e Ceará, a maior goleada foi no Campeonato Cearense de 1927, Fortaleza 8 X 0 Ceará. No Ba-Vi, o Bahia aplicou a maior goleada, 10 x 1, em 8 de dezembro de 1937, no campo da Graça.
Nos clássicos do Rio de Janeiro a maior goleada foi registrada no campeonato estadual de 1927, quando o Botafogo fez 9 x 2 no Flamengo. No camepeonato estadual o maior escore foi Botafogo 24 X 0 Mangueira, que é recorde sulamericano. A maior goleada ocorrida no Maracanã foi no jogo Flamengo 12 x 0 São Cristóvão, pelo Campeonato Carioca, no dia 28 de outubro de 1956.
A maior goleada que a Seleção Brasileira já aplicou foi 14 x 0 em cima da Nicarágua pelos Jogos Pan-Americanos de 1977. Contra os argentinos, o maior placar a nosso favor aconteceu em 20 de dezembro de 1945, pela Copa Rocca, 6 X 2.
Em Copas do Mundo a Hungria fez a maior goleada: 10 X 1 em cima de El Salvador, no dia 15 de junho de 1982. Em eliminatórias para a Copa do Mundo o recorde pertence à seleção da Austrália, que em 11 de abril de 2001 massacrou a seleção da Samoa Americana por inacreditáveis 31 x 0. Dois dias antes, a Austrália já havia vencido Tonga por 22 x 0, na segunda maior goleada em jogos classificatórios para o Mundial.
Na Copa Libertadores da América a maior goleada aconteceu em 1970, quando o Peñarol de Montevidéu bateu o Valencia, da Venezuela, por 11 a 2. A maior goleada de um clube brasileiro foi de 9 a 1, do Santos sobre o Cerro Porteño, em 1962. Na Copa América os maiores escores da história foram: Argentina 12 x 0 Equador (Uruguai, 1942) e Argentina 11 x 0 Venezuela (Argentina, 1975).
A maior goleada de um time brasileiro contra estrangeiros, foi obra do América mineiro que aplicou 20 X 2 no Kaindorf, da Áustria, em partida amistosa realizada em julho de 1920.
Na extinta Taça Brasil as maiores goleadas foram: 31 de agosto de 1960, Fluminense 8 X 0 Fonseca (RJ) e Grêmio 8 X 0 Perdigão (SC), em 19 de novembro de 1967. No Campeonato Brasileiro, a maior goleada foi aplicada pelo Corinthians em cima da Sociedade Esportiva Tiradentes (PI), em 9 de fevereiro de 1983: 10 X 1. Já na Copa do Brasil, o Caiçara Esporte Clube (SC) apanhou de 11 X 0 do Atlético Mineiro, em 1991.
As maiores goleadas da Copa São Paulo de Juniores: Juventus (SP) 12 X 0 São Raimundo (AM), em 2000; Comerciário (MA) 0 X 12 Internacional (RS), em 10 de janeiro de 2007 e Grêmio 12 X 1 Ypiranga (PE), este ano.
No Futsal a Seleção Brasileira tem o recorde mundial, 76 X 0 no Timor Leste, nos Jogos da Lusofonia de 2006, disputados em Macau na China. O pivô Valdin, com 20 gols quebrou o recorde mundial num só jogo. O Brasil ainda aplicou 27 X 0 em Macau, que também foi goleado pela Seleção de Portugal, por 22 X 0. Antes desse torneio a maior goleada da história da seleção era um 38 X 3 sobre o Uruguai, em 1991. E no futebol feminino um escore lunar: o time inglês do Burton Brewers, disputando o campeonato da 5ª divisão feminina, temporada 2000/2001, levou a maior goleada que se tem notícia, 57 X 0 para o Willenhall Town, em 4 de março de 2001. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Palmas ao Bon Accord FC, de Aberdeen, que conseguiu a façanha de levar 36 gols num único jogo. Foi no distante dia 12 de setembro de 1885, pela primeira rodada da Copa da Escócia daquele ano. O jogo foi disputado na cidade de Arbroath e o time local do Arbroath F.C. (hoje na 3ª Divisão) foi o terrível carrasco. Só o atacante John Petrie, fez 13 gols e detém até hoje o recorde mundial de gols em um só jogo.
E bem que o escore poderia ter sido de 43 X 0, pois sete gols foram anulados pelo árbitro Dave Stormont. Naquela época não havia o travessão e nem redes, e algumas vezes não ficava claro se a bola passara dentro ou fora da meta. O goleiro do Arbroath, James Milne, também conhecido como "auld Milne", ou o homem de "olhos de águia" foi um privilegiado expectador. Não tocou na bola uma única vez. Ele passou a maior parte do jogo abrigado da chuva debaixo de uma sombrinha, emprestada por um torcedor.
Na temporada, os "Lichties" , como era chamado pelos torcedores, jogaram 42 vezes, ganharam 26 e perderam 11 partidas, marcando incríveis 178 gols e sofrendo 81. Em setembro de 1887, o Arbroath aplicou outra goleada fantástica: 20 X 0, sobre o Orion.
Parece mentira, mas é verdade. No mesmo dia aconteceu a segunda maior goleada da historia do futebol. O Dundee Harp aplicou 35 X 0 no Aberdee Rovers, também pela Copa da Escócia. Foi tanto gol que até o juiz ficou confuso, pois a chuva forte molhou o papel e apagou as anotações com os números do jogo. Ao final, os jogadores é que confirmaram o resultado. O árbitro pensou que tinha sido 37 X 0. A
dúvida ficou, e o resultado verdadeiro pode ter sido maior.
Teve um outro jogo com uma estratosférica goleada de 149 X 0, mas não foi levada a sério. Os jogadores do SOE, de Madagascar, fizeram um protesto e seus jogadores marcaram contra a própria meta por 149 vezes, no jogo com a Association Sportive Adema Analamanga, na segunda partida de um play-off entre as duas equipes, pelo campeonato local. Não existem outras informações desse jogo (?), nem mesmo a data.
Apenas a título de curiosidade algumas outras grandes goleadas: segundo o “Jornal de Pouso Alegre (MG)”, de 21 de setembro de 1968, o recorde mundial aconteceu lá. Foi no dia 15 de setembro de 1968, quando o Pouso Alegre Futebol Clube, em jogo amistoso aplicou 38 X 0 no Grêmio Recreativo Beta, equipe amadora da cidade de São Paulo.
Nos campeonatos regionais, Pernambuco é campeão de goleadas. Apenas algumas, pois a lista é enorme: 1 de janeiro de 1945, Náutico 21 X 3 Flamengo; 19 de junho de 1938, Sport 16 X 0 Flamengo; 26 de maio de 1935, Náutico 15 X 0 Encruzilhada; 21 de dezembro de 1944, América 15 x 2 Flamengo e 9 de março de 1969, Santa Cruz 15 X 2 Santo Amaro.
No campeonato paulista a maior goleada aconteceu no dia 16 de maio de 1920, quando o Paulistano fez 12 X 0 na Associação Atlética das Palmeiras. Depois, 28 de agosto de 1921, Paulistano 12 X 1 Ypiranga; 3 de maio de 1927, Santos 12 X 1 Ypiranga; 8 de julho de 1945, São Paulo 12 X 1 Jabaquara, a maior goleada da história do Pacembu; 27 de agosto de 1923, São Paulo da Floresta 12 x 1 Sírio e em 19 de novembro de 1959, Santos 12 x 1 Portuguesa Santista.
As maiores goleadas no estadual maranhense: em 2 de setembro de 1954, Sampaio Corrêa 20 x 0 Santos Dumont; 15 de outubro de 1933, Sampaio Corrêa 15 x 0 União e em 24 de abril de 1988, Imperatriz 14 x 2 Tocantins. A maior goleada já registrada, em campeonatos paraenses, foi aplicada pelo Paysandu Sport Clube sobre a equipe do Brasil Sport, em 16 de maio de 1915, 17 x 1.
No campeonato Mineiro as duas maiores goleadas pertencem aos times do Cruzeiro e América. Em 1928 o estrelado fez 14 X 0 no Alves Nogueira, de Sabará. No mesmo ano o América também aplicou 14 X 0 no Palmeiras, de Belo Horizonte.
Os maiores escores do clássico Gre-Nal: Grêmio 10 x 0 Internacional, em 18 de julho de 1909; Grêmio 10 x 1 Internacional, em 18 de junho de 1911; Internacional 7 x 0 Grêmio, em 17 de setembro de 1948 e Internacional 7 x 3 Grêmio, em 28 de maio de 1944. No Clássico-Rei, entre Fortaleza e Ceará, a maior goleada foi no Campeonato Cearense de 1927, Fortaleza 8 X 0 Ceará. No Ba-Vi, o Bahia aplicou a maior goleada, 10 x 1, em 8 de dezembro de 1937, no campo da Graça.
Nos clássicos do Rio de Janeiro a maior goleada foi registrada no campeonato estadual de 1927, quando o Botafogo fez 9 x 2 no Flamengo. No camepeonato estadual o maior escore foi Botafogo 24 X 0 Mangueira, que é recorde sulamericano. A maior goleada ocorrida no Maracanã foi no jogo Flamengo 12 x 0 São Cristóvão, pelo Campeonato Carioca, no dia 28 de outubro de 1956.
A maior goleada que a Seleção Brasileira já aplicou foi 14 x 0 em cima da Nicarágua pelos Jogos Pan-Americanos de 1977. Contra os argentinos, o maior placar a nosso favor aconteceu em 20 de dezembro de 1945, pela Copa Rocca, 6 X 2.
Em Copas do Mundo a Hungria fez a maior goleada: 10 X 1 em cima de El Salvador, no dia 15 de junho de 1982. Em eliminatórias para a Copa do Mundo o recorde pertence à seleção da Austrália, que em 11 de abril de 2001 massacrou a seleção da Samoa Americana por inacreditáveis 31 x 0. Dois dias antes, a Austrália já havia vencido Tonga por 22 x 0, na segunda maior goleada em jogos classificatórios para o Mundial.
Na Copa Libertadores da América a maior goleada aconteceu em 1970, quando o Peñarol de Montevidéu bateu o Valencia, da Venezuela, por 11 a 2. A maior goleada de um clube brasileiro foi de 9 a 1, do Santos sobre o Cerro Porteño, em 1962. Na Copa América os maiores escores da história foram: Argentina 12 x 0 Equador (Uruguai, 1942) e Argentina 11 x 0 Venezuela (Argentina, 1975).
A maior goleada de um time brasileiro contra estrangeiros, foi obra do América mineiro que aplicou 20 X 2 no Kaindorf, da Áustria, em partida amistosa realizada em julho de 1920.
Na extinta Taça Brasil as maiores goleadas foram: 31 de agosto de 1960, Fluminense 8 X 0 Fonseca (RJ) e Grêmio 8 X 0 Perdigão (SC), em 19 de novembro de 1967. No Campeonato Brasileiro, a maior goleada foi aplicada pelo Corinthians em cima da Sociedade Esportiva Tiradentes (PI), em 9 de fevereiro de 1983: 10 X 1. Já na Copa do Brasil, o Caiçara Esporte Clube (SC) apanhou de 11 X 0 do Atlético Mineiro, em 1991.
As maiores goleadas da Copa São Paulo de Juniores: Juventus (SP) 12 X 0 São Raimundo (AM), em 2000; Comerciário (MA) 0 X 12 Internacional (RS), em 10 de janeiro de 2007 e Grêmio 12 X 1 Ypiranga (PE), este ano.
No Futsal a Seleção Brasileira tem o recorde mundial, 76 X 0 no Timor Leste, nos Jogos da Lusofonia de 2006, disputados em Macau na China. O pivô Valdin, com 20 gols quebrou o recorde mundial num só jogo. O Brasil ainda aplicou 27 X 0 em Macau, que também foi goleado pela Seleção de Portugal, por 22 X 0. Antes desse torneio a maior goleada da história da seleção era um 38 X 3 sobre o Uruguai, em 1991. E no futebol feminino um escore lunar: o time inglês do Burton Brewers, disputando o campeonato da 5ª divisão feminina, temporada 2000/2001, levou a maior goleada que se tem notícia, 57 X 0 para o Willenhall Town, em 4 de março de 2001. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
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