Os campeonatos estaduais mais antigos do Brasil são os de São Paulo (1902), Bahia (1905) e Rio de Janeiro (1906), pela ordem. Depois vem o do Pará, que é disputado desde 1908. Os de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, duas das maiores forças do futebol brasileiro, vieram bem depois: o Mineiro em 1915 e o Gaúcho em 1919.
Uma curiosidade que é única do campeonato paraense, que está completando 100 anos: em 94 edições (1910, 1911, 1912, 1935 e 1946, não foi disputado), apenas quatro clubes foram campeões: o Payssandu, 42 vezes; Clube do Remo, 41; Tuna Luzo Brasileira, 10 e o extinto União Esportivo, duas vezes. Foi o primeiro campeão do Pará, em 1908.
Em julho a Federação paraense de Futebol (FPF) vai promover a “Copa dos Campeões do Centenário”, com os quatro campeões estaduais. O União Esportivo, já extinto, vai ressurgir, bancado pela FPF, apenas para a competição. Outra proposta interessante da FPF é a criação do Museu do Futebol Paraense, prevista para a segunda metade do ano, que vai resgatar parte da história secular do futebol do Pará.
A FPF precisava mesmo fazer alguma coisa, já que o futebol paraense vive momento muito ruim, sem nenhum representante nas Séries A e B, do Campeonato Brasileiro. O tradicional Paysandú está fora até da Série C, que tem o Clube do Remo, rebaixado da Série B de 2007, como único representante do Pará em uma competição nacional este ano.
O Paysandú é hoje o retrato vivo da decadência do futebol paraense. O clube, que foi o primeiro do Norte do país a disputar uma Libertadores da América, agora está longe dos holofotes, vivendo uma crise técnica sem precedentes e que parece não ter fim.
O Paysandu foi fundado em 2 de fevereiro de 1914, como resultado de um desentendimento entre o extinto Nort Club e a Liga Paraense de Foot-Ball. A briga aconteceu pela não anulação do jogo Nort Club 1 x 1 Guarany, realizado em 15 de novembro de 1913. O resultado deu o título ao Grupo do Remo (atual Clube do remo). O nome foi inspirado no episódio histórico "A Tomada de Paysandu", no Uruguai.
Primeiro, foi Paysandú Foot-Ball, e 17 dias depois mudou para Paysandú S.C. Hoje, além da denominação oficial é também conhecido como “Papão da Curuzu”, junção do seu mascote (bicho-papão) com o (Curuzu).O primeiro presidente foi Deodoro de Mendonça. O primeiro jogo contra o Clube do Remo, foi realizado em 10 de junho de 1914, válido pelo campeonato paraense e com vitória remista por 1 X 0.
Nessa trajetória de 94 anos, o Paysandú conquistou expressivos títulos: campeão paraense por 42 vezes; campeão brasileiro da Segunda Divisão em 2001; campeão da Copa dos Campeões em 2002, que deu o direito de disputar a Libertadores de 2003. O time ganhou projeção ao derrotar o Cerro Porteño do Paraguay, por 6 X 2 em Assunção e ao Boca Juniors, por 1 X 0, gol de Iarley, em plena La Bombonera”.
Em 2005 começou o inferno. Foi rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro. Em 2006, rebaixado à Série C. Em 2007, eliminado na primeira fase da competição. E este ano de 2008, o pior: está fora até da Série C.
A exemplo de outros clubes do futebol brasileiro, o Clube do Remo foi fundado em 28 de setembro de 1906, para a prática do remo, o esporte mais popular no Pará, ao início do século XX. Surgiu de uma cisão no Sport Club do Pará, com o nome de Grupo do Remo, passando a se chamar Clube do Remo só em 1911. Aderiu ao futebol em 1913. O primeiro jogo foi em 21 de abril do mesmo ano na praça Floriano Peixoto, contra o Guarani F.C., mas não há registro de quem venceu. O primeiro jogo oficial foi em 14 de julho, ainda em 1913, quando ganhou de 4 X 1 do União Esportiva.
O Clube do Remo é o único time paraense que jogou na Europa. Em maio de 1994 disputou um torneio internacional na França, com a seleção de Bucareste (Romênia) e o clube francês do Toulon empatou os dois jogos que fez. Com os romenos, 1 X 1 no tempo normal e vitória de 5 X 4 nos pênaltis. Frente os franceses, também 1 X 1 nos 90 minutos e derrota de 6 X 5 nos pênaltis.
Pelé, o maior jogador de todos os tempos, vestiu a camisa do Clube do Remo. Foi em 29 de abril de 1965, num amistoso entre Remo e Santos, no estádio Evandro Almeida, o “Baenão”. Pelé entrou em campo com o uniforme do Remo, em retribuição a um buquê de rosas que recebeu do clube paraense.
Ainda em 1965 o Clube do Remo jogou um jogo amistoso com o Benfica de Portugal, com Euzébio e tudo, na época um dos times mais fortes do mundo, e base da Seleção Portuguesa, terceiro lugar na Copa da Inglaterra, em 1966. O jogo foi no “Baenão”, lotado e terminou empatado em 1 X 1, com gols de Torres para o Benfica e Amoroso para o Remo.
Outros clubes do futebol paraense: Tuna Luso Brasileira (01-01-1903); Castanhal E.C. (07-09-1924); Pedreira E.C. (07-09-1925); Abaeté F.C. (05-08-1933); São Raimundo E.C. (09-01-1944); Vênus Atlético Clube (20-051949); S.C. Belém (01-12-1965); A.A. Tiradentes ( 21-04-1973); Bragantino Clube do Pará (06-03-1975); Clube Municipal Ananindeua (03-01-1978); Águia de Marabá F.C. (22-01-1982) e Clube Atlético Vila Rica (27-06-1987), todos integrantes da 1ª Divisão deste ano.
Independente Atlético Clube (28-11-1972); A.C. Izabelense (26-04-1924); Pinheirense Esporte Clube (08-12-19230; Redenção E.C.; Santa Rosa E.C. (06-10-1925);.Sport Belém (01-12-1965); C.A. Vila Rica (27-06-1987); São Francisco F.C. (20-10-1929, todos da 2ª Divisão de 2008.
E ainda Júlio César (extinto); Sport Club (extinto); Transviário (extinto); Sport Club do Pará (05-02-1905, extinto); Nort Club (extinto); União Sportiva (extinto); Time Negra Carajás Clube, ex-Carajás E.C. (27-06-1997, em atividade); Combatentes; E.C. Internacional (10-03-1956, em atividade); Aningal (em atividade); Elo Marítimo Recreativo Clube, E.C. Comercial e Marituba.
Se o futebol paraense vai mal na técnica, aparece bem no folclore. Nos anos 50, jogou no Paysandu um atacante com o sugestivo apelido de “Pau Preto”, goleador nato. Foi personagem de um episódio sui-generis, causado pela desatenção de um famoso locutor ao descrever um lance: “Partiu da intermediária, driblou meio time adversário, também o goleiro, chutou e é gooooooool de “Pau Preto”, que entrou com bola e tudo”.
Na década de 70 jogava no Clube do Remo um centroavante alto, forte e rápido chamado Alcino e apelidado de “Negão Motora”. Contam que num clássico frente o Paysandú sentou sobre a bola e fez um gol de bunda. A torcida do Paysandú passou a odiá-lo. E como represália, a cada gol feito no clássico “Negão Motora” baixava o calção e mostrava as partes baixas para desespero da galera adversária.
Mais recente foi Edil, que introduziu as comemorações irreverentes de gols, criando vários personagens. Em 1992, jogando no Paysandu, era o "Carrasco", levando sempre um capuz preso ao calção. Na hora do gol cobria o rosto e, com a ajuda de um companheiro, simulava a degola de um condenado com uma machadada imaginária.
Em 1996, quando jogou no Remo, criou o "Braddock", inspirado na série de filmes de Chuck Norris. A cada gol, dois ou três jogadores se alinhavam num paredão invisível e eram "metralhados" por Edil. Quando jogou no Castanhal, em 2000 inventou "Highlander, o goleador imortal". Ele deixava uma espada de plástico no banco de reservas, que depois de cada gol servia para hilariantes performances no gramado. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Boa parte de um vasto material recolhido em muitos anos de pesquisas está disponível nesta página para todos os que se interessam em conhecer o futebol e outros esportes a fundo.
quarta-feira, 19 de março de 2008
terça-feira, 18 de março de 2008
Friedenreich, o artilheiro que encantou o mundo
A "The Encyclopedia of World Soccer", editada nos Estados Unidos por Richard Henshaw, que teve o aval da FIFA e da antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD), assegura que o maior artilheiro do futebol em todos os tempos foi Arthur Friedenreich. Ainda que não haja documentação oficial, a respeitada publicação credita a “El Tigre”, a marcação de 1.329 gols, em 1.239 jogos.
Esses números foram publicados até no “Guiness Boock”, o livro dos recordes. Mas existe quem discorde, caso do historiador Alexandre da Costa, que escreveu o livro “O tigre do futebol”, com pequenas histórias sobre a vida do jogador. Não sendo um livro de pesquisas, o autor se limitou a um levantamento nos jornais “Correio Paulistano” e “O Estado de São Paulo”, encontrando 554 gols marcados por Friedenreich, em 561 partidas.
Esse levantamento é colocado em dúvida, pois os jornais da época pouco se importavam com o futebol, não divulgando todos os jogos realizados. O próprio autor confessa que não se aprofundou na busca, esquecendo outros jornais, revistas e almanaques. E admite não ter publicado os dados de cerca de 30 jogos.
O jornalista Severino Filho, co-autor do livro “Fried versus Pelé”, credita 558 gols para o craque do passado, em 26 anos de carreira, média de 21 gols por ano. Sendo verdadeiro, significa quase 1 gol por jogo, média superior a de Pelé, que foi de 0,93 gol por partida. Também esses números não são confiáveis.
Já Pelé, tem seus 1.284 gols em 1.375 jogos, todos devidamente registrados, com datas e adversários. Não há como contestar. Ainda assim, essa terrível dúvida, que desafia pesquisadores de todo o planeta, vai continuar. Quem se habilita a garantir ou duvidar que foi Friedenreich, e não Pelé, o maior artilheiro do futebol mundial em todos os tempos?
O que se sabe de concreto é que o pai de Friedenreich anotava em um caderno todos os gols do filho. A partir de 1918, Fried passou a tarefa para o amigo e colega de time (Paulistano), o centro-avante Mário de Andrade (nada a ver com o escritor), que registrou todos os gols do artilheiro, até o final de sua carreira, em 1935.
O jornalista Adriano Neiva da Motta, o De Vaney (falecido), ficou sabendo, em 1962, da existência dessas anotações. As fichas em poder de Mário poderiam provar que Friedenreich fez mais gols que Pelé. Mas o destino não permitiu que isso acontecesse. Andrade faleceu em 1962, antes de entregar as fichas a De Vaney. Uma semana depois de sua morte, a viúva, achando que aquela papelada não tinha valor, jogou no lixo da cidade de Santos, todo o registro dos até hoje incontáveis gols de “El Tigre”. Perdia-se ali, valiosa parte da memória futebolística do país.
Baseado nas pesquisas de De Vaney, o jornalista carioca João Máximo, escreveu no livro “Gigantes do Futebol Brasileiro”, publicado no Rio de Janeiro, em 1965, que Friedenreich teria marcado os 1.329 gols, devidamente registrados na ex-CBD e reconhecidos pela FIFA. Mesmo sem poder provar, De Vaney havia tornado público os números. E há quem garanta que cometeu um erro, trocando a soma de gols, pela de jogos, o que não passa de especulação. A verdade é que a partir desse episódio livros, revistas, jornais, a FIFA, CBD e o “Guinnes Bock” entenderam a revelação como verdadeira.
Friedenreich, o primeiro grande craque do futebol brasileiro, nasceu em São Paulo, no dia 18 de julho de 1892. Era filho do comerciante alemão Oscar Friedenreich, que havia se mudado de Blumenau (SC) para São Paulo, e de Matilde, uma negra de rara beleza que nascera escrava. Estudou no Colégio Mackenzie, mas seu interesse maior era outro. Por isso, bem cedo trocou as salas de aulas pelos campos de futebol.
Naqueles tempos o racismo imperava nos clubes de futebol. Friedenreich teve de se valer da origem alemã para poder ingressar no elitizado mundo do futebol. Não foi difícil, porque tinha olhos verdes, a pele não era escura e o cabelo, com ajuda de brilhantina, ficava liso. Depois, no Germânia, seu primeiro clube, a impressionante habilidade com a bola se encarregou do resto.
Pena que Friedenreich não tenha jogado em nossos tempos de tevê e marketing. O que se sabe dele é o que foi publicado nos jornais da época. Jogou pelo Germânia, Mackenzie, onde foi pela primeira vez artilheiro do campeonato paulista, em 1912, Ypiranga, Paulistano e São Paulo da Floresta, todos de São Paulo, além do Flamengo, do Rio de Janeiro. Por nove vezes foi artilheiro do Campeonato Paulista. E colecionou os títulos de campeão paulista em 1918, 1919, 1921, 1926, 1927 e 1931, a maioria defendendo o Paulistano.
Pela Seleção Brasileira foi bi-campeão do Sul-Americano, em 1919 e 1920, jogou 22 partidas e fez 10 gols. No certame continental de 1919, no Rio de Janeiro, fez o gol da vitória de 1 a 0, na partida final contra o Uruguai, que teve três prorrogações. Esse foi o primeiro título internacional do Brasil. Ao término do jogo os uruguaios deram a Friedenreich um pergaminho lhe conferindo o título de “El Tigre”, por ter sido o melhor jogador do campeonato. Os argentinos também o chamavam de “El namorado de la América”.
Logo depois do jogo, em edição extra, o jornal “A Noite”, do Rio de Janeiro, que antes nunca publicara uma foto em sua capa, mostrava o pé esquerdo de Friedenreich, em tamanho natural, acompanhado da manchete: “Eis o pé da vitória”.
Friedenreich era relativamente magro, pesando 52 kg, mas alto, medindo 1,75 m. Depois de consagrado nos gramados sul-americanos, conquistou a Europa. O Paulistano, em 1925, foi protagonista da primeira excursão de um time de futebol brasileiro ao Velho Continente. Foram 10 jogos em gramados franceses, suíços e portugueses e uma só derrota. Na estréia massacrou a Seleção Francesa por 7 X 2, o que valeu manchete no “Le Journal”, que denominou os brasileiros como “os reis do futebol”.
A grande amargura de Friedenreich foi não ter jogado nenhuma Copa do Mundo. Poderia ter ido em 1930 e 1938, mas as confusões e brigas entre os “cartolas” do futebol brasileiro, não deixaram. Um fato ocorrido fora do futebol, também marcou intensamente a vida do homem Friedenreich. No ano de 1932, após alistar-se nas forças constitucionalistas paulistas, para lutar contra a ditadura de Getúlio Vargas, doou todos os seus valiosos troféus e medalhas de ouro. No campo de batalha comandou um batalhão de 800 jovens. Ao término do confronto, Fried voltou como tenente e condecorado por heroísmo.
Antes de encerrar a carreira, ainda fez um gol histórico: no dia 12 de março de 1933, na Vila Belmiro, ele marcou o primeiro gol da era profissional, pelo São Paulo F.C., na goleada de 5 X 1 sobre o Santos F.C. Encerrou a carreira em 1935, aos 43 anos, quando fazia jogos de exibição pelo Flamengo.
Friedenreich, que foi pai de apenas um filho, Oscar, com a esposa Joana, morava no bairro de Pinheiros, em São Paulo, onde morreu no dia 6 de setembro de 1969, incapaz de esclarecer o mistério dos seus gols. Sofria de uma doença degenerativa e não dizia mais do que algumas palavras vagas. Não lembrava nem o próprio nome. Seu final foi triste e melancólico, lembrando outro grande craque do nosso futebol, Heleno de Freitas, que morreu louco num sanatório de Barbacena (MG). Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Esses números foram publicados até no “Guiness Boock”, o livro dos recordes. Mas existe quem discorde, caso do historiador Alexandre da Costa, que escreveu o livro “O tigre do futebol”, com pequenas histórias sobre a vida do jogador. Não sendo um livro de pesquisas, o autor se limitou a um levantamento nos jornais “Correio Paulistano” e “O Estado de São Paulo”, encontrando 554 gols marcados por Friedenreich, em 561 partidas.
Esse levantamento é colocado em dúvida, pois os jornais da época pouco se importavam com o futebol, não divulgando todos os jogos realizados. O próprio autor confessa que não se aprofundou na busca, esquecendo outros jornais, revistas e almanaques. E admite não ter publicado os dados de cerca de 30 jogos.
O jornalista Severino Filho, co-autor do livro “Fried versus Pelé”, credita 558 gols para o craque do passado, em 26 anos de carreira, média de 21 gols por ano. Sendo verdadeiro, significa quase 1 gol por jogo, média superior a de Pelé, que foi de 0,93 gol por partida. Também esses números não são confiáveis.
Já Pelé, tem seus 1.284 gols em 1.375 jogos, todos devidamente registrados, com datas e adversários. Não há como contestar. Ainda assim, essa terrível dúvida, que desafia pesquisadores de todo o planeta, vai continuar. Quem se habilita a garantir ou duvidar que foi Friedenreich, e não Pelé, o maior artilheiro do futebol mundial em todos os tempos?
O que se sabe de concreto é que o pai de Friedenreich anotava em um caderno todos os gols do filho. A partir de 1918, Fried passou a tarefa para o amigo e colega de time (Paulistano), o centro-avante Mário de Andrade (nada a ver com o escritor), que registrou todos os gols do artilheiro, até o final de sua carreira, em 1935.
O jornalista Adriano Neiva da Motta, o De Vaney (falecido), ficou sabendo, em 1962, da existência dessas anotações. As fichas em poder de Mário poderiam provar que Friedenreich fez mais gols que Pelé. Mas o destino não permitiu que isso acontecesse. Andrade faleceu em 1962, antes de entregar as fichas a De Vaney. Uma semana depois de sua morte, a viúva, achando que aquela papelada não tinha valor, jogou no lixo da cidade de Santos, todo o registro dos até hoje incontáveis gols de “El Tigre”. Perdia-se ali, valiosa parte da memória futebolística do país.
Baseado nas pesquisas de De Vaney, o jornalista carioca João Máximo, escreveu no livro “Gigantes do Futebol Brasileiro”, publicado no Rio de Janeiro, em 1965, que Friedenreich teria marcado os 1.329 gols, devidamente registrados na ex-CBD e reconhecidos pela FIFA. Mesmo sem poder provar, De Vaney havia tornado público os números. E há quem garanta que cometeu um erro, trocando a soma de gols, pela de jogos, o que não passa de especulação. A verdade é que a partir desse episódio livros, revistas, jornais, a FIFA, CBD e o “Guinnes Bock” entenderam a revelação como verdadeira.
Friedenreich, o primeiro grande craque do futebol brasileiro, nasceu em São Paulo, no dia 18 de julho de 1892. Era filho do comerciante alemão Oscar Friedenreich, que havia se mudado de Blumenau (SC) para São Paulo, e de Matilde, uma negra de rara beleza que nascera escrava. Estudou no Colégio Mackenzie, mas seu interesse maior era outro. Por isso, bem cedo trocou as salas de aulas pelos campos de futebol.
Naqueles tempos o racismo imperava nos clubes de futebol. Friedenreich teve de se valer da origem alemã para poder ingressar no elitizado mundo do futebol. Não foi difícil, porque tinha olhos verdes, a pele não era escura e o cabelo, com ajuda de brilhantina, ficava liso. Depois, no Germânia, seu primeiro clube, a impressionante habilidade com a bola se encarregou do resto.
Pena que Friedenreich não tenha jogado em nossos tempos de tevê e marketing. O que se sabe dele é o que foi publicado nos jornais da época. Jogou pelo Germânia, Mackenzie, onde foi pela primeira vez artilheiro do campeonato paulista, em 1912, Ypiranga, Paulistano e São Paulo da Floresta, todos de São Paulo, além do Flamengo, do Rio de Janeiro. Por nove vezes foi artilheiro do Campeonato Paulista. E colecionou os títulos de campeão paulista em 1918, 1919, 1921, 1926, 1927 e 1931, a maioria defendendo o Paulistano.
Pela Seleção Brasileira foi bi-campeão do Sul-Americano, em 1919 e 1920, jogou 22 partidas e fez 10 gols. No certame continental de 1919, no Rio de Janeiro, fez o gol da vitória de 1 a 0, na partida final contra o Uruguai, que teve três prorrogações. Esse foi o primeiro título internacional do Brasil. Ao término do jogo os uruguaios deram a Friedenreich um pergaminho lhe conferindo o título de “El Tigre”, por ter sido o melhor jogador do campeonato. Os argentinos também o chamavam de “El namorado de la América”.
Logo depois do jogo, em edição extra, o jornal “A Noite”, do Rio de Janeiro, que antes nunca publicara uma foto em sua capa, mostrava o pé esquerdo de Friedenreich, em tamanho natural, acompanhado da manchete: “Eis o pé da vitória”.
Friedenreich era relativamente magro, pesando 52 kg, mas alto, medindo 1,75 m. Depois de consagrado nos gramados sul-americanos, conquistou a Europa. O Paulistano, em 1925, foi protagonista da primeira excursão de um time de futebol brasileiro ao Velho Continente. Foram 10 jogos em gramados franceses, suíços e portugueses e uma só derrota. Na estréia massacrou a Seleção Francesa por 7 X 2, o que valeu manchete no “Le Journal”, que denominou os brasileiros como “os reis do futebol”.
A grande amargura de Friedenreich foi não ter jogado nenhuma Copa do Mundo. Poderia ter ido em 1930 e 1938, mas as confusões e brigas entre os “cartolas” do futebol brasileiro, não deixaram. Um fato ocorrido fora do futebol, também marcou intensamente a vida do homem Friedenreich. No ano de 1932, após alistar-se nas forças constitucionalistas paulistas, para lutar contra a ditadura de Getúlio Vargas, doou todos os seus valiosos troféus e medalhas de ouro. No campo de batalha comandou um batalhão de 800 jovens. Ao término do confronto, Fried voltou como tenente e condecorado por heroísmo.
Antes de encerrar a carreira, ainda fez um gol histórico: no dia 12 de março de 1933, na Vila Belmiro, ele marcou o primeiro gol da era profissional, pelo São Paulo F.C., na goleada de 5 X 1 sobre o Santos F.C. Encerrou a carreira em 1935, aos 43 anos, quando fazia jogos de exibição pelo Flamengo.
Friedenreich, que foi pai de apenas um filho, Oscar, com a esposa Joana, morava no bairro de Pinheiros, em São Paulo, onde morreu no dia 6 de setembro de 1969, incapaz de esclarecer o mistério dos seus gols. Sofria de uma doença degenerativa e não dizia mais do que algumas palavras vagas. Não lembrava nem o próprio nome. Seu final foi triste e melancólico, lembrando outro grande craque do nosso futebol, Heleno de Freitas, que morreu louco num sanatório de Barbacena (MG). Texto e pesquisa: Nilo Dias)
segunda-feira, 17 de março de 2008
Íbis, o pior time do mundo (Parte III - Final)
O folclore também acompanha a vida do Ibis. Em 20 de julho de 1980 ele derrotou o Ferroviário, num jogo nos Aflitos, gol do atacante Almeida. Ansioso, Almeida esperou os jornais do dia seguinte para ler o comentário do jogo, pois sonhava em se transferir para uma grande equipe. E foi surpreendido com a informação errada, que atribuía o gol a um certo Valdir, que sequer jogou. Havia sim, Valdísio, parecido fisicamente com o desiludido Almeida.
Depois de uma vitória sobre o Náutico, os dirigentes e jogadores do Íbis foram comemorar num restaurante no bairro de Santo Amaro, tudo patrocinado por Leça, um vendedor de maçãs que ajudava o clube. O Sport, interessado no resultado deu Cr$ 5 mil para cada jogador ibiano. E até Amaro Silva, um dos fundadores, foi acordado em sua casa e levado para participar da festa. Mas como alegria de pobre dura pouco, o Íbis acabou perdendo os pontos no TJD, por ter escalado de maneira irregular o misto de jogador e marinheiro, Altino.
Uma goleada de 11 X 0, sofrida ante o Sport, foi creditada ao fato do jogo ter sido retardado por mais de uma hora, pela descoberta de uma casa de marimbondos, numa das traves do campo, exatamente onde estava o goleiro do Íbis. O árbitro teve que pedir socorro ao Corpo de bombeiros para poder recomeçar o jogo.
Mas o goleiro do Íbis passou o jogo todo ameaçado por dois ou três marimbondos que escaparam da blitz e retornaram a procura da casa. E outra coisa não fez, do que se esquivar dos ferrões. Ocupado em fugir dos marimbondos, deixou a goleira livre para alegria dos atacantes adversários.
Um dos episódios mais hilariantes envolvendo o Íbis aconteceu no início dos anos 70. O então chamado ”rubro-negro de Santo Amaro”, foi ao Estádio do Arruda para enfrentar o Sport. O treinador Batista levou um susto ao ver que não havia chuteiras suficientes para todo o time. A solução foi pedir ao adversário, seis pares de chuteiras emprestados.
Como o Sport levava o Íbis de barbada, pois na rodada anterior havia levado 6 X 0 do Náutico, cedeu o material, sem imaginar que estava botando asa para formiga voar. O Íbis venceu por 1 x 0, gol de Antônio Carlos, hoje advogado. Debaixo de vaias, o então técnico do Sport, que também dirigiu a seleção Brasileira, Zezé Moreira, jogou um caixão sobre os revoltados torcedores.
Numa das vitórias do Íbis sobre o Náutico, aconteceu um caso inusitado. Estava tudo pronto para o início do jogo, quando o juiz chamou a atenção para a falta de goleiro no time rubro-negro. Imediatamente foi chamado o reserva Banana, que há muito tempo não jogava e nem treinava. Entrou em campo só para completar os 11, pois era para perder mesmo e não faria diferença quem estivesse jogando.
Mas não foi isso que ocorreu em campo. O íbis segurou o ataque do Náutico de maneira quase heróica, com Banana operando verdadeiros milagres e os zagueiros dando chutões para todos os lados. Aos 43 minutos do segundo tempo, o improvável aconteceu: no único chute que deu, o Íbis fez 1 X 0 e o jogo acabou assim. Foi uma festa sem tamanho para a torcida ibiana: “Chico do Táxi”, o presidente do clube e três familiares.
Em outra ocasião jogavam Santa Cruz e Íbis, no Arruda. Os torcedores “corais” ocupavam todos os espaços. No meio deles “Chico do Táxi”, o torcedor número um do Íbis. Num contra ataque o rubro-negro fez gol e ele comemorou, chamando a atenção dos adversários. Só não foi linchado porque um torcedor mais ajuizado o salvou: “Se a gente matar esse cara, mata a torcida inteira do Ibis”.
Há coisas difíceis de explicar, como a decisão do jornaleiro Carlos Andrade, que era torcedor do Sport, e depois de assistir uma partida entre os dois rubro-negros, em 1988, trocou de time, mesmo com a goleada de 10 X 1 sofrida pelo Ibis. Ele garante que foi amor a primeira vista. É capaz de deixar sua casa, no distante bairro de Águas Compridas, para ver o Íbis jogar pela Segundona. Assim o fez, num feriado: foi a Paulista, em pleno domingo de Páscoa. Se diz fã do Íbis na vitória ou na derrota. E como se isso fosse pouco, tem um time de botão chamado Íbis, e guarda com carinho a revista “Placar” na qual o time aparece na capa, com o rótulo de "pior do mundo".
Como organização, o Íbis é o exemplo do que não deve ser um time de futebol. Em 1950, em jogo de campeonato, o próprio presidente do clube teve de entrar em campo para completar o número mínimo de sete jogadores.
A última eleição do Íbis, ano passado, era para ser realizada na sede de um clube carnavalesco no centro da cidade. Quase na hora da votação, à frente do prédio estavam a urna, os candidatos e os conselheiros votantes, menos o porteiro, que não apareceu. A eleição acabou sendo feita num bar ao lado e a comemoração começou logo em seguida, inclusive com a participação do candidato derrotado.
O Ibis foi ameaçado de desfiliação pela CBF em 2001, por haver desafiado a Seleção Brasileira. Já em 2002 convidou o S.C. Corinthians Paulista, que havia perdido 10 jogos seguidos, para uma partida amistosa que definiria qual o pior time do mundo. O clube paulista não aceitou. O ano passado o dirigente Felipe Gomes anunciou a disposição do clube em ajudar Romário a fazer o milésimo gol. Que escolhesse uma das duas opções: um amistoso com o Vasco ou jogar a segundona pernambucana pelo Íbis. Não houve resposta. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Depois de uma vitória sobre o Náutico, os dirigentes e jogadores do Íbis foram comemorar num restaurante no bairro de Santo Amaro, tudo patrocinado por Leça, um vendedor de maçãs que ajudava o clube. O Sport, interessado no resultado deu Cr$ 5 mil para cada jogador ibiano. E até Amaro Silva, um dos fundadores, foi acordado em sua casa e levado para participar da festa. Mas como alegria de pobre dura pouco, o Íbis acabou perdendo os pontos no TJD, por ter escalado de maneira irregular o misto de jogador e marinheiro, Altino.
Uma goleada de 11 X 0, sofrida ante o Sport, foi creditada ao fato do jogo ter sido retardado por mais de uma hora, pela descoberta de uma casa de marimbondos, numa das traves do campo, exatamente onde estava o goleiro do Íbis. O árbitro teve que pedir socorro ao Corpo de bombeiros para poder recomeçar o jogo.
Mas o goleiro do Íbis passou o jogo todo ameaçado por dois ou três marimbondos que escaparam da blitz e retornaram a procura da casa. E outra coisa não fez, do que se esquivar dos ferrões. Ocupado em fugir dos marimbondos, deixou a goleira livre para alegria dos atacantes adversários.
Um dos episódios mais hilariantes envolvendo o Íbis aconteceu no início dos anos 70. O então chamado ”rubro-negro de Santo Amaro”, foi ao Estádio do Arruda para enfrentar o Sport. O treinador Batista levou um susto ao ver que não havia chuteiras suficientes para todo o time. A solução foi pedir ao adversário, seis pares de chuteiras emprestados.
Como o Sport levava o Íbis de barbada, pois na rodada anterior havia levado 6 X 0 do Náutico, cedeu o material, sem imaginar que estava botando asa para formiga voar. O Íbis venceu por 1 x 0, gol de Antônio Carlos, hoje advogado. Debaixo de vaias, o então técnico do Sport, que também dirigiu a seleção Brasileira, Zezé Moreira, jogou um caixão sobre os revoltados torcedores.
Numa das vitórias do Íbis sobre o Náutico, aconteceu um caso inusitado. Estava tudo pronto para o início do jogo, quando o juiz chamou a atenção para a falta de goleiro no time rubro-negro. Imediatamente foi chamado o reserva Banana, que há muito tempo não jogava e nem treinava. Entrou em campo só para completar os 11, pois era para perder mesmo e não faria diferença quem estivesse jogando.
Mas não foi isso que ocorreu em campo. O íbis segurou o ataque do Náutico de maneira quase heróica, com Banana operando verdadeiros milagres e os zagueiros dando chutões para todos os lados. Aos 43 minutos do segundo tempo, o improvável aconteceu: no único chute que deu, o Íbis fez 1 X 0 e o jogo acabou assim. Foi uma festa sem tamanho para a torcida ibiana: “Chico do Táxi”, o presidente do clube e três familiares.
Em outra ocasião jogavam Santa Cruz e Íbis, no Arruda. Os torcedores “corais” ocupavam todos os espaços. No meio deles “Chico do Táxi”, o torcedor número um do Íbis. Num contra ataque o rubro-negro fez gol e ele comemorou, chamando a atenção dos adversários. Só não foi linchado porque um torcedor mais ajuizado o salvou: “Se a gente matar esse cara, mata a torcida inteira do Ibis”.
Há coisas difíceis de explicar, como a decisão do jornaleiro Carlos Andrade, que era torcedor do Sport, e depois de assistir uma partida entre os dois rubro-negros, em 1988, trocou de time, mesmo com a goleada de 10 X 1 sofrida pelo Ibis. Ele garante que foi amor a primeira vista. É capaz de deixar sua casa, no distante bairro de Águas Compridas, para ver o Íbis jogar pela Segundona. Assim o fez, num feriado: foi a Paulista, em pleno domingo de Páscoa. Se diz fã do Íbis na vitória ou na derrota. E como se isso fosse pouco, tem um time de botão chamado Íbis, e guarda com carinho a revista “Placar” na qual o time aparece na capa, com o rótulo de "pior do mundo".
Como organização, o Íbis é o exemplo do que não deve ser um time de futebol. Em 1950, em jogo de campeonato, o próprio presidente do clube teve de entrar em campo para completar o número mínimo de sete jogadores.
A última eleição do Íbis, ano passado, era para ser realizada na sede de um clube carnavalesco no centro da cidade. Quase na hora da votação, à frente do prédio estavam a urna, os candidatos e os conselheiros votantes, menos o porteiro, que não apareceu. A eleição acabou sendo feita num bar ao lado e a comemoração começou logo em seguida, inclusive com a participação do candidato derrotado.
O Ibis foi ameaçado de desfiliação pela CBF em 2001, por haver desafiado a Seleção Brasileira. Já em 2002 convidou o S.C. Corinthians Paulista, que havia perdido 10 jogos seguidos, para uma partida amistosa que definiria qual o pior time do mundo. O clube paulista não aceitou. O ano passado o dirigente Felipe Gomes anunciou a disposição do clube em ajudar Romário a fazer o milésimo gol. Que escolhesse uma das duas opções: um amistoso com o Vasco ou jogar a segundona pernambucana pelo Íbis. Não houve resposta. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Íbis, o pior time do mundo (Parte II)
Com o passar dos anos a fama de pior time do mundo se consolidou tanto, que numa jogada de marketing o clube resolveu explorar isso comercialmente. Hoje se trata de uma marca registrada, não só no Brasil, como em todo o mundo. O clube dá força a essa condição ao escolher como slogan a frase: “O importante não é competir, mas sim existir”.
Nessa trajetória de quase 70 anos, não foram unicamente tristezas. Algumas poucas alegrias também fizeram a história do clube: Vice-Campeão Pernambucano da 2ª Divisão, em 1999 (perdeu a final para o Ferroviário de Serra Talhada); Campeão do Torneio Início em 1948 e 1950; Campeão do Torneio Incentivo em 1975 e 1976 e Campeão Pernambucano de Juniores em 1948 e 1995.
O torcedor mais importante do Íbis foi o governador Miguel Arraes, já falecido. Quando Arraes estava exilado na Argélia, em 1978, recebeu das mãos de seu filho uma revista “Placar”, com matéria sobre o folclórico “Chico do Táxi”, até então o único fiel torcedor do Íbis. Miguel Arraes, ao ler a matéria teria dito para o filho: "Agora, o Íbis tem dois torcedores".
Recentemente o Ibis ganhou um novo e influente torcedor, Pedro Arraes, filho do ex-governador Miguel Arraes, que recebeu dos dirigentes do “Pássaro Preto” a carteira de sócio e a camisa oficial do clube. Quanto à torcida, é incrível, existe, embora não vá aos jogos. Aquela residente no Brasil já se acostumou as derrotas e não se importa mais quando elas acontecem. O Ibis agora tem torcedores até em Portugal e na Holanda, que choram, ficam indignados e enviam telegramas de protesto quando o time ganha, “pois quebra a tradição”.
Mas torcedor, torcedor mesmo, de ir ao campo em todos os jogos, o Íbis só teve um: o motorista de táxi Francisco Imperiano, o “Chico do Táxi”. Mas nem ele escapou de cair em tentação. Quando se dirigia ao estádio da cidade de Paulista para assistir a mais uma derrota do Íbis, ele foi parado na rua por um passageiro que queria, de qualquer maneira, ir para João Pessoa, no vizinho Estado da Paraíba. Chico tentou resistir e pediu um preço absurdo. O homem aceitou. Pediu cinqüenta por cento no ato e o homem pagou.
Sem escolha, com o táxi a caminho da Paraíba, ele ligou o rádio e foi ouvindo o jogo. Na altura do município de Igarassu, o Íbis fez um gol. Chico foi para o acostamento, parou o carro, saltou e começou a gritar, a urrar e a dançar. O passageiro, assustado, pegou a mala e deu no pé. Chico deu meia-volta e ainda chegou ao estádio a tempo de ver o fim do jogo. O passageiro nunca mais apareceu.
Passaram pelo Ibis alguns nomes que fizeram história no futebol brasileiro: Bodinho, artilheiro do S.C. Internacional, de Porto Alegre nos anos 50; Vavá, centro-avante do Vasco da Gama e Seleção Brasileira, nos anos 50 e 60; Rildo, lateral-esquerdo que jogou pelo Santos, Botafogo e Seleção Brasileira e Vasconcelos, atacante que também defendeu o Santos.
Embora esses jogadores tenham alcançado grande sucesso profissional em outras equipes, nenhum deles representou tanto para o Íbis quanto o folclórico meia-esquerda e camisa 10, Mauro Shampoo, considerado o maior ídolo do clube em todos os tempos, embora tivesse marcado um único gol em toda a sua carreira de jogador profissional. Foi o gol de honra, na goleada de 8 X 1 sofrida frente o Ferroviário do Recife.
Shampoo teve uma infância pobre, cresceu trabalhando como engraxate na praia de Boa Viagem, no Recife, onde nos fins de tarde jogava peladas na areia. Ainda jovem aprendeu o ofício de cabeleireiro, que até hoje lhe garante o sustento. Sua grande paixão, porém, sempre foi o futebol. Durante 10 anos jogou pelo Íbis Sport Club, o time do seu coração, como diz até hoje.
Shampoo não é mais simplesmente o maior jogador da história do Íbis. É também ator cinematográfico. Os produtores Paulo Henrique Fontenelle e Leonardo Cunha Lima fizeram o documentário em curta metragem "Mauro Shampoo, jogador, cabeleireiro e homem". O título reproduz a maneira como o próprio personagem se define. Ao atender o telefone em seu salão, numa galeria no Terminal de Boa Viagem, diz: “Mauro Shampoo, jogador do Íbis, cabeleireiro, homem e um dos piores jogadores da história do futebol brasileiro". A trilha sonora do filme é de autoria de Oswaldo Montenegro, onde se destaca a música “A incrível história de Mauro Shampoo”, gravada em CD o ano passado.
No salão de Mauro, onde a clientela só fala de futebol, podem ser vistas mais de 500 fotografias do Íbis, inclusive algumas atuais onde aparece seu filho, Homed Thorpe, também centro-avante e que joga no Íbis, pensando em repetir “os feitos” do pai. Além de Shampoo, outra "grande" vedete do time foi o goleiro Jagunço, que sofreu 366 gols com a camisa rubro-negra. O substituto, Eudes, levou 129 gols entre 2003/2004.
A Diretoria do Íbis tem alguns planos ambiciosos para este ano de 2008: a publicação de um livro contando a vida do clube, o lançamento de um DVD histórico, comemorativo aos 70 anos de fundação, além de uma excursão para o exterior e a construção de um estádio próprio. Hoje, o Íbis realiza seus jogos em Paulista, na Região Metropolitana do Recife.
Se o Íbis não faz bonito no jogo, agora faz na apresentação. Por iniciativa do norte-americano Michael Getchell, que morou alguns anos em Pernambuco, o clube recebe seu material esportivo da multinacional Umbro. Já vão longe os tempos em que, como num jogo contra o Sport, no estádio da Ilha do Retiro, seus atletas entraram descalços no gramado, porque o time não tinha dinheiro nem patrocinador para pagar as chuteiras. (Texto e Pesquisa: Nilo Dias)
Nessa trajetória de quase 70 anos, não foram unicamente tristezas. Algumas poucas alegrias também fizeram a história do clube: Vice-Campeão Pernambucano da 2ª Divisão, em 1999 (perdeu a final para o Ferroviário de Serra Talhada); Campeão do Torneio Início em 1948 e 1950; Campeão do Torneio Incentivo em 1975 e 1976 e Campeão Pernambucano de Juniores em 1948 e 1995.
O torcedor mais importante do Íbis foi o governador Miguel Arraes, já falecido. Quando Arraes estava exilado na Argélia, em 1978, recebeu das mãos de seu filho uma revista “Placar”, com matéria sobre o folclórico “Chico do Táxi”, até então o único fiel torcedor do Íbis. Miguel Arraes, ao ler a matéria teria dito para o filho: "Agora, o Íbis tem dois torcedores".
Recentemente o Ibis ganhou um novo e influente torcedor, Pedro Arraes, filho do ex-governador Miguel Arraes, que recebeu dos dirigentes do “Pássaro Preto” a carteira de sócio e a camisa oficial do clube. Quanto à torcida, é incrível, existe, embora não vá aos jogos. Aquela residente no Brasil já se acostumou as derrotas e não se importa mais quando elas acontecem. O Ibis agora tem torcedores até em Portugal e na Holanda, que choram, ficam indignados e enviam telegramas de protesto quando o time ganha, “pois quebra a tradição”.
Mas torcedor, torcedor mesmo, de ir ao campo em todos os jogos, o Íbis só teve um: o motorista de táxi Francisco Imperiano, o “Chico do Táxi”. Mas nem ele escapou de cair em tentação. Quando se dirigia ao estádio da cidade de Paulista para assistir a mais uma derrota do Íbis, ele foi parado na rua por um passageiro que queria, de qualquer maneira, ir para João Pessoa, no vizinho Estado da Paraíba. Chico tentou resistir e pediu um preço absurdo. O homem aceitou. Pediu cinqüenta por cento no ato e o homem pagou.
Sem escolha, com o táxi a caminho da Paraíba, ele ligou o rádio e foi ouvindo o jogo. Na altura do município de Igarassu, o Íbis fez um gol. Chico foi para o acostamento, parou o carro, saltou e começou a gritar, a urrar e a dançar. O passageiro, assustado, pegou a mala e deu no pé. Chico deu meia-volta e ainda chegou ao estádio a tempo de ver o fim do jogo. O passageiro nunca mais apareceu.
Passaram pelo Ibis alguns nomes que fizeram história no futebol brasileiro: Bodinho, artilheiro do S.C. Internacional, de Porto Alegre nos anos 50; Vavá, centro-avante do Vasco da Gama e Seleção Brasileira, nos anos 50 e 60; Rildo, lateral-esquerdo que jogou pelo Santos, Botafogo e Seleção Brasileira e Vasconcelos, atacante que também defendeu o Santos.
Embora esses jogadores tenham alcançado grande sucesso profissional em outras equipes, nenhum deles representou tanto para o Íbis quanto o folclórico meia-esquerda e camisa 10, Mauro Shampoo, considerado o maior ídolo do clube em todos os tempos, embora tivesse marcado um único gol em toda a sua carreira de jogador profissional. Foi o gol de honra, na goleada de 8 X 1 sofrida frente o Ferroviário do Recife.
Shampoo teve uma infância pobre, cresceu trabalhando como engraxate na praia de Boa Viagem, no Recife, onde nos fins de tarde jogava peladas na areia. Ainda jovem aprendeu o ofício de cabeleireiro, que até hoje lhe garante o sustento. Sua grande paixão, porém, sempre foi o futebol. Durante 10 anos jogou pelo Íbis Sport Club, o time do seu coração, como diz até hoje.
Shampoo não é mais simplesmente o maior jogador da história do Íbis. É também ator cinematográfico. Os produtores Paulo Henrique Fontenelle e Leonardo Cunha Lima fizeram o documentário em curta metragem "Mauro Shampoo, jogador, cabeleireiro e homem". O título reproduz a maneira como o próprio personagem se define. Ao atender o telefone em seu salão, numa galeria no Terminal de Boa Viagem, diz: “Mauro Shampoo, jogador do Íbis, cabeleireiro, homem e um dos piores jogadores da história do futebol brasileiro". A trilha sonora do filme é de autoria de Oswaldo Montenegro, onde se destaca a música “A incrível história de Mauro Shampoo”, gravada em CD o ano passado.
No salão de Mauro, onde a clientela só fala de futebol, podem ser vistas mais de 500 fotografias do Íbis, inclusive algumas atuais onde aparece seu filho, Homed Thorpe, também centro-avante e que joga no Íbis, pensando em repetir “os feitos” do pai. Além de Shampoo, outra "grande" vedete do time foi o goleiro Jagunço, que sofreu 366 gols com a camisa rubro-negra. O substituto, Eudes, levou 129 gols entre 2003/2004.
A Diretoria do Íbis tem alguns planos ambiciosos para este ano de 2008: a publicação de um livro contando a vida do clube, o lançamento de um DVD histórico, comemorativo aos 70 anos de fundação, além de uma excursão para o exterior e a construção de um estádio próprio. Hoje, o Íbis realiza seus jogos em Paulista, na Região Metropolitana do Recife.
Se o Íbis não faz bonito no jogo, agora faz na apresentação. Por iniciativa do norte-americano Michael Getchell, que morou alguns anos em Pernambuco, o clube recebe seu material esportivo da multinacional Umbro. Já vão longe os tempos em que, como num jogo contra o Sport, no estádio da Ilha do Retiro, seus atletas entraram descalços no gramado, porque o time não tinha dinheiro nem patrocinador para pagar as chuteiras. (Texto e Pesquisa: Nilo Dias)
Ibis, o pior time do mundo (Parte I)
Quando o empresário João Pessoa de Queiroz, dono da Tecelagem de Seda e Algodão de Pernambuco (TSAP) concordou que os seus funcionários organizassem um time de futebol, certamente não imaginava que no pátio de sua empresa estava começando uma história que com o passar dos anos chegaria ao “The New York Times” e ao “Livro Guinnes de Recordes”.
Era o dia 15 de novembro de 1938 quando Onildo Ramos, Alex Codiceira e Amaro Silva (todos já falecidos) fundaram o Íbis S.C., uma referência ao pássaro mitológico, símbolo da empresa. As cores do uniforme foram escolhidas por influência do Sport e se mantém até hoje: camisas vermelhas com listas diagonais pretas, calções pretos, meias vermelhas.
Nos primeiros tempos o Íbis foi apenas um time dos funcionários que jogava descompromissados amistosos nos fins de semana do bairro recifense de Santo Amaro. Ninguém pensava em futebol profissional. Com a morte de João Queiroz, os herdeiros implantaram uma política de contenção de despesas e os primeiros cortes tiveram como alvo o lazer dos operários. O Íbis estava condenado a desaparecer.
Não fosse a intervenção do gerente Onildo Ramos, um dos fundadores, o time do “pássaro preto” não existiria hoje. Ele atendeu o apelo do filho Ozir, que também trabalhava na fábrica e levou para dentro de casa, a responsabilidade de manter o Íbis em atividade. Tinha início uma nova etapa na vida do clube. Acabava a fase romântica do amadorismo.
O Íbis deixou de ser um time de empresa para se tornar um clube de futebol profissional. Foi um dos fundadores da atual Federação Pernambucana de Futebol, sendo o único clube filiado que nunca deixou de disputar todos os campeonatos promovidos pela Entidade. E passou por fases regulares e ruins. Boas, nunca. Enfrentou dificuldades de toda a ordem. Os jogadores recebiam salários simbólicos. A maioria jogava mais por amor ao clube, do que por qualquer outra coisa.
Ainda assim, o Íbis chegou a conseguir alguns patrocinadores fixos, como o Café Royal e o Café Soberano, que estampavam suas marcas nas camisas do time. Com o falecimento de Onildo, o filho Ozir assumiu a presidência do clube em 1957. Na ocasião disse que a paixão pelo Íbis “é como paixão de bêbado por cachaça. Sabe que faz mal, mas não larga o vício”. Ozir Ramos ficou mais de 30 anos no comando do clube.
Depois dele o Íbis teve entre os seus presidentes os desportistas Meibe Ramirez, Sóstenes Mesquita, Joaquim Caldas, Omar Júnior, coronel Carlos Alberto Pinto Carvalho e Ozir Ramos Júnior, atual primeiro mandatário, eleito em 2006.
O Íbis tem quase 60 conselheiros e cerca de 10 mil sócios, muito mais que Sport, Santa Cruz ou Náutico. Existe uma explicação: no mandato do presidente Joaquim Caldas foram distribuídas quase 10 mil carteirinhas de sócio. Como o clube não tem sede, não é cobrado qualquer taxa e as pessoas gostam de ter a carteirinha como souvenir.
Foi no final da década de 70 e início da década de 80 que o Íbis ganhou a fama de ser o pior clube de futebol de todos os tempos, não apenas do Brasil, mas do mundo. Dizem que foi o jornalista Lenivaldo Araújo, na época correspondente da revista “Placar”, o responsável pela titulação. Em 1979 jogou 12 partidas pelo campeonato pernambucano, perdeu todas, levou 51 gols e marcou 1 (um zagueiro adversário fez contra), no jogo em que o Sport venceu por 8 X 1. Foi essa campanha horrorosa que mereceu matéria no “The New York Times”.
Entre julho de 1980 e junho de 1984, a equipe passou exatos três anos, dez meses e 26 dias sem vencer. Foram 54 partidas, com 48 derrotas e seis empates. Dentro dessa estatística, em 1981, pelo campeonato pernambucano jogou 23 partidas e perdeu todas.
Ainda assim, as estatísticas sobre o Íbis são bastante imprecisas. Um levantamento feito em 2005 apontou um histórico de 1.064 jogos, com 137 vitórias, 145 empates e 782 derrotas. O saldo negativo era, então, de 2.221 gols. Depois disso ninguém mais se interessou em levantar dados, pois o clube vem passando por uma fase quase de esquecimento, por estar fora do foco do campeonato principal de Pernambuco. Inspirada no Íbis a turma do programa televisivo “Cassetta & Planeta”, da Rede Globo, criou o Tabajara Futebol Clube.
Antes de se tornar o pior time do mundo o Íbis foi durante muito tempo chamado pela imprensa pernambucana de "rubro negro das Salinas", em homenagem ao Santo Padroeiro do bairro de Santo Amaro das Salinas, onde tinha sua sede. Era a época em que o time, embora pequeno, às vezes assustava os grandes.
No inverno de 1947, estreante no campeonato principal fez 5 x 4 em cima do Sport. E 1 x 0 contra o Náutico, em janeiro de 1948, ambos os jogos nos Aflitos. Ainda em 1948 uma goleada em cima do Náutico por 5 x 3. Em 1950, outra proeza: empate em 4 x 4 com o Sport, escore repetido em 1953, diante do Santa Cruz. De outra feita, empate de 0 x 0 com o Sport, após o que o intermediário Cier Barbosa mandou todo o time do Íbis, inclusive o treinador Souza Arantes, para o Barreirense de Portugal.
Foi sempre assim, uma ou outra vitória apertada em cima de um grande: 1 X 0 ante o Náutico, em 1961, gol de Carlos Alberto, um soldado da Polícia Militar. E outro 1 x 0 mais adiante, em 16 de julho de 1965, contra o Santa Cruz, gol de Rildo, jogo em que o goleiro Jagunço realizou defesas “milagrosas”. E em 2000, mais uma vitória de 1 x 0 frente o Náutico. (Texto e Pesquisa: Nilo Dias)
Era o dia 15 de novembro de 1938 quando Onildo Ramos, Alex Codiceira e Amaro Silva (todos já falecidos) fundaram o Íbis S.C., uma referência ao pássaro mitológico, símbolo da empresa. As cores do uniforme foram escolhidas por influência do Sport e se mantém até hoje: camisas vermelhas com listas diagonais pretas, calções pretos, meias vermelhas.
Nos primeiros tempos o Íbis foi apenas um time dos funcionários que jogava descompromissados amistosos nos fins de semana do bairro recifense de Santo Amaro. Ninguém pensava em futebol profissional. Com a morte de João Queiroz, os herdeiros implantaram uma política de contenção de despesas e os primeiros cortes tiveram como alvo o lazer dos operários. O Íbis estava condenado a desaparecer.
Não fosse a intervenção do gerente Onildo Ramos, um dos fundadores, o time do “pássaro preto” não existiria hoje. Ele atendeu o apelo do filho Ozir, que também trabalhava na fábrica e levou para dentro de casa, a responsabilidade de manter o Íbis em atividade. Tinha início uma nova etapa na vida do clube. Acabava a fase romântica do amadorismo.
O Íbis deixou de ser um time de empresa para se tornar um clube de futebol profissional. Foi um dos fundadores da atual Federação Pernambucana de Futebol, sendo o único clube filiado que nunca deixou de disputar todos os campeonatos promovidos pela Entidade. E passou por fases regulares e ruins. Boas, nunca. Enfrentou dificuldades de toda a ordem. Os jogadores recebiam salários simbólicos. A maioria jogava mais por amor ao clube, do que por qualquer outra coisa.
Ainda assim, o Íbis chegou a conseguir alguns patrocinadores fixos, como o Café Royal e o Café Soberano, que estampavam suas marcas nas camisas do time. Com o falecimento de Onildo, o filho Ozir assumiu a presidência do clube em 1957. Na ocasião disse que a paixão pelo Íbis “é como paixão de bêbado por cachaça. Sabe que faz mal, mas não larga o vício”. Ozir Ramos ficou mais de 30 anos no comando do clube.
Depois dele o Íbis teve entre os seus presidentes os desportistas Meibe Ramirez, Sóstenes Mesquita, Joaquim Caldas, Omar Júnior, coronel Carlos Alberto Pinto Carvalho e Ozir Ramos Júnior, atual primeiro mandatário, eleito em 2006.
O Íbis tem quase 60 conselheiros e cerca de 10 mil sócios, muito mais que Sport, Santa Cruz ou Náutico. Existe uma explicação: no mandato do presidente Joaquim Caldas foram distribuídas quase 10 mil carteirinhas de sócio. Como o clube não tem sede, não é cobrado qualquer taxa e as pessoas gostam de ter a carteirinha como souvenir.
Foi no final da década de 70 e início da década de 80 que o Íbis ganhou a fama de ser o pior clube de futebol de todos os tempos, não apenas do Brasil, mas do mundo. Dizem que foi o jornalista Lenivaldo Araújo, na época correspondente da revista “Placar”, o responsável pela titulação. Em 1979 jogou 12 partidas pelo campeonato pernambucano, perdeu todas, levou 51 gols e marcou 1 (um zagueiro adversário fez contra), no jogo em que o Sport venceu por 8 X 1. Foi essa campanha horrorosa que mereceu matéria no “The New York Times”.
Entre julho de 1980 e junho de 1984, a equipe passou exatos três anos, dez meses e 26 dias sem vencer. Foram 54 partidas, com 48 derrotas e seis empates. Dentro dessa estatística, em 1981, pelo campeonato pernambucano jogou 23 partidas e perdeu todas.
Ainda assim, as estatísticas sobre o Íbis são bastante imprecisas. Um levantamento feito em 2005 apontou um histórico de 1.064 jogos, com 137 vitórias, 145 empates e 782 derrotas. O saldo negativo era, então, de 2.221 gols. Depois disso ninguém mais se interessou em levantar dados, pois o clube vem passando por uma fase quase de esquecimento, por estar fora do foco do campeonato principal de Pernambuco. Inspirada no Íbis a turma do programa televisivo “Cassetta & Planeta”, da Rede Globo, criou o Tabajara Futebol Clube.
Antes de se tornar o pior time do mundo o Íbis foi durante muito tempo chamado pela imprensa pernambucana de "rubro negro das Salinas", em homenagem ao Santo Padroeiro do bairro de Santo Amaro das Salinas, onde tinha sua sede. Era a época em que o time, embora pequeno, às vezes assustava os grandes.
No inverno de 1947, estreante no campeonato principal fez 5 x 4 em cima do Sport. E 1 x 0 contra o Náutico, em janeiro de 1948, ambos os jogos nos Aflitos. Ainda em 1948 uma goleada em cima do Náutico por 5 x 3. Em 1950, outra proeza: empate em 4 x 4 com o Sport, escore repetido em 1953, diante do Santa Cruz. De outra feita, empate de 0 x 0 com o Sport, após o que o intermediário Cier Barbosa mandou todo o time do Íbis, inclusive o treinador Souza Arantes, para o Barreirense de Portugal.
Foi sempre assim, uma ou outra vitória apertada em cima de um grande: 1 X 0 ante o Náutico, em 1961, gol de Carlos Alberto, um soldado da Polícia Militar. E outro 1 x 0 mais adiante, em 16 de julho de 1965, contra o Santa Cruz, gol de Rildo, jogo em que o goleiro Jagunço realizou defesas “milagrosas”. E em 2000, mais uma vitória de 1 x 0 frente o Náutico. (Texto e Pesquisa: Nilo Dias)
Foi nessa indústria têxtil, no bairro de Santo Amaro, no Recife que nasceu o Ibis S.C. (Foto: Foto Acervo da família Queiroz)filipe fernandes disse...
Ibis comemora 70 anos e projeta centro de treinamento de R$ 15 milhões
Leia mais clicando em
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/0,,MUL847121-9825,00.html
3 de novembro de 2008 14:41
domingo, 16 de março de 2008
O clube mais querido do Brasil
Eu sei que chamar o Flamengo de “mais querido do Brasil” traz um desconforto aos torcedores adversários. Mas é uma verdade incontestável. Basta sair às ruas que sempre vai se ver alguém usando a camisa rubro-negra. As pesquisas também mostram milhões de torcedores do Flamengo espalhados por todos os rincões deste imenso país.
Mas esse laurel não veio de graça. Em 1927 o “Jornal do Brasil” do Rio de Janeiro promoveu um concurso para eleger o clube mais querido do Brasil. Os leitores deveriam preencher cupons publicados no jornal apontando o time do coração.
Dizem as más línguas, que os jornaleiros lusitanos escondiam os exemplares e só os vendiam aos torcedores vascaínos. No dia da entrega dos cupons na sede do jornal, torcedores rubro-negros disfarçados de portugueses e com o distintivo do Vasco na lapela, recolheram os votos cruzmaltinos e jogaram no poço do elevador e nas latrinas. Na hora da contagem dos votos, o Flamengo foi eleito o “Mais Querido do Brasil”, comprovando a grande popularidade e força do clube e ganhando a "Taça Salutaris", troféu de cerca de um metro e meio, banhado em prata, oferecido por uma engarrafadora de água mineral do mesmo nome.
A história do Flamengo começou com alguns jovens reunidos no Café Lamas, no Largo do Machado, que pretendiam fundar um clube de remo. O desejo se concretizou na noite de 17 de novembro de 1895, quando fundaram o Grupo (depois Clube) de Regatas do Flamengo, tendo como primeiro presidente Domingos Marques de Azevedo. Mas foi decidido que a data oficial de fundação seria 15 de novembro, “para que a data do aniversário fosse sempre feriado nacional (Proclamação da República)”. Também foi escolhido o azul e ouro em listas largas e horizontais, como cores oficiais. Depois mudou para vermelho e preto.
Nos primeiros oito anos de existência o clube se dedicou exclusivamente ao remo. O futebol só chegou ao Flamengo a partir de 1903, e apenas para amistosos. No primeiro jogo, realizado em 25 de outubro de 1903 no Estádio do Paissandú Atlético Clube, perdeu para o Botafogo por 5 X 1, usando camisas brancas e shorts pretos. Nesses primeiros tempos o time de futebol não podia usar o uniforme oficial, pois não era bem visto pelo remo rubro-negro.
Em 1911, a história começou a mudar com a chegada ao clube de futebolistas egressos do Fluminense. Mesmo ganhando o Campeonato Carioca, o tricolor enfrentou séria crise interna. O capitão do time, Alberto Borgeth, se desentendeu com alguns dirigentes e liderou um movimento que culminou com a saída de 10 jogadores das Laranjeiras. No dia 8 de novembro de 1911, todos eles estavam no Flamengo.
Mesmo com o grupo de remadores contrários, não tinha mais como evitar. Em 24 de dezembro de 1911, o Flamengo criou oficialmente o seu time de futebol. No primeiro jogo oficial, realizado em 3 de maio de 1912, no campo do América F.C., na rua Campos Sales, o Flamengo massacrou o Mangueira, time da Fábrica de Chapéus Mangueira, por 15 X 2. Gustavo Adolpho de Carvalho marcou o primeiro gol oficial da história do clube e ainda fez outros três no jogo.
Sem ter campo próprio, o Flamengo mandou seus primeiros jogos no Fluminense, até arrendar um espaço na rua Paissandu, de propriedade da família Guinle. Mas foi nas Laranjeiras que aconteceu o primeiro Fla-Flu (o jornalista Mário Filho, criou o nome), no dia 7 de julho de 1912 e o Flamengo perdeu por 3 a 2.
Durante algum tempo foi comum a troca de uniforme do time de futebol. Em 1912, foi usada a famosa camisa quadriculada em vermelho e preto, que ganhou o jocoso apelido de “Papagaio de Vintém”, dado pelos adversários. Em 1913 mudou para a camisa com listas vermelha e preta, com um friso branco entre uma e outra. Os adversários não perdoaram, ganhou o apelido de “Cobra Coral”. Com a eclosão da guerra e como a bandeira da Alemanha tinha as mesmas cores, o uniforme foi abandonado. Finalmente em 1914 os remadores deixaram o futebol usar o uniforme oficial, implantando-se a igualdade nos dois esportes.
Depois do bicampeonato de 1914 e 1915, o Flamengo sofreu um duro golpe. A família Guinle não renovou o contrato de arrendamento do campo de treino da rua Paissandu, dando somente a opção de compra. Como não dispunha de dinheiro para um investimento de tal porte, teve de deixar o local.
Mas nada mais podia parar o Flamengo. Em 1920 o clube ganhou da prefeitura do Rio de Janeiro uma área de 34 mil metros quadrados, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas. O primeiro jogo no campo improvisado da Gávea, sem muro e cercado por tábuas, aconteceu em 26 de novembro de 1926 entre a Liga de Amadores de Foot-Ball (São Paulo) e Association de Amateurs de Argentina.
Foi preciso alguns anos para que o estádio da Gávea se tornasse uma realidade. Em 1936, o Conselho Deliberativo autorizou a construção das arquibancadas. Foi feita uma campanha de venda de 500 títulos de sócio proprietário. Sucesso absoluto, todos foram vendidos em 30 dias. O Estádio da Gávea, que recebeu o nome de “José Bastos Padilha” (que presidiu o clube entre 1933 e 1937, abrindo suas portas aos jogadores negros), ficou pronto e foi inaugurado em 4 de setembro de 1938 com o jogo Flamengo 0 X 2 Vasco. A primeira vez que os dois tradicionais rivais se enfrentaram, foi em 1925, com vitória rubro-negra por 2 a 0.
Daí por diante o Flamengo seguiu uma trajetória cheia de altos e baixos, até chegar a sua fase de maior brilhantismo, aquela em que conheceu as maiores conquistas. A chegada de Zico em 1967, trazido pelo radialista Celso Garcia para as categorias de base, mudou a história rubro-negra.
Em 1980 veio a conquista do primeiro Campeonato Brasileiro. Em 1981, a glória suprema: foi campeão estadual, da Taça Libertadores da América e do Mundial de Clubes. No dia 13 de dezembro de 1981, o Flamengo disputou o jogo mais importante da sua história, derrotando o todo poderoso Liverpool, da Inglaterra por 3 X 0, gols de Nunes (2) e Adílio, chegando ao topo do mundo. O time era: Raul- Leandro – Marinho - Mozer e Júnior – Andrade - Adílio e Zico – Tita - Nunes e Lico.
Em 1982 ganhou o bicampeonato brasileiro e em 1983, o terceiro título e a coroação de melhor time do Brasil da década. Na final do Campeonato Brasileiro, o maior público de todos os tempos, mais de 155.253 pessoas superlotando o Maracanã.
Agora o Flamengo busca repetir a façanha de 1981. Está na Copa Libertadores da América pelo segundo ano consecutivo. E quem duvida que o ano termine com a torcida rubro-negra sorrindo de novo?
Encerrando este artigo conto um fato que demonstra o que significa ser Flamengo. Em 1927, o amadorismo estava chegando ao fim. Mas havia quem amasse a camisa que vestia. O jogador Moderato era um deles: jogou a última partida com uma cinta, porque sofrera uma cirurgia no apêndice, supurada dois dias antes. E o Flamengo ganhou outro título. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Mas esse laurel não veio de graça. Em 1927 o “Jornal do Brasil” do Rio de Janeiro promoveu um concurso para eleger o clube mais querido do Brasil. Os leitores deveriam preencher cupons publicados no jornal apontando o time do coração.
Dizem as más línguas, que os jornaleiros lusitanos escondiam os exemplares e só os vendiam aos torcedores vascaínos. No dia da entrega dos cupons na sede do jornal, torcedores rubro-negros disfarçados de portugueses e com o distintivo do Vasco na lapela, recolheram os votos cruzmaltinos e jogaram no poço do elevador e nas latrinas. Na hora da contagem dos votos, o Flamengo foi eleito o “Mais Querido do Brasil”, comprovando a grande popularidade e força do clube e ganhando a "Taça Salutaris", troféu de cerca de um metro e meio, banhado em prata, oferecido por uma engarrafadora de água mineral do mesmo nome.
A história do Flamengo começou com alguns jovens reunidos no Café Lamas, no Largo do Machado, que pretendiam fundar um clube de remo. O desejo se concretizou na noite de 17 de novembro de 1895, quando fundaram o Grupo (depois Clube) de Regatas do Flamengo, tendo como primeiro presidente Domingos Marques de Azevedo. Mas foi decidido que a data oficial de fundação seria 15 de novembro, “para que a data do aniversário fosse sempre feriado nacional (Proclamação da República)”. Também foi escolhido o azul e ouro em listas largas e horizontais, como cores oficiais. Depois mudou para vermelho e preto.
Nos primeiros oito anos de existência o clube se dedicou exclusivamente ao remo. O futebol só chegou ao Flamengo a partir de 1903, e apenas para amistosos. No primeiro jogo, realizado em 25 de outubro de 1903 no Estádio do Paissandú Atlético Clube, perdeu para o Botafogo por 5 X 1, usando camisas brancas e shorts pretos. Nesses primeiros tempos o time de futebol não podia usar o uniforme oficial, pois não era bem visto pelo remo rubro-negro.
Em 1911, a história começou a mudar com a chegada ao clube de futebolistas egressos do Fluminense. Mesmo ganhando o Campeonato Carioca, o tricolor enfrentou séria crise interna. O capitão do time, Alberto Borgeth, se desentendeu com alguns dirigentes e liderou um movimento que culminou com a saída de 10 jogadores das Laranjeiras. No dia 8 de novembro de 1911, todos eles estavam no Flamengo.
Mesmo com o grupo de remadores contrários, não tinha mais como evitar. Em 24 de dezembro de 1911, o Flamengo criou oficialmente o seu time de futebol. No primeiro jogo oficial, realizado em 3 de maio de 1912, no campo do América F.C., na rua Campos Sales, o Flamengo massacrou o Mangueira, time da Fábrica de Chapéus Mangueira, por 15 X 2. Gustavo Adolpho de Carvalho marcou o primeiro gol oficial da história do clube e ainda fez outros três no jogo.
Sem ter campo próprio, o Flamengo mandou seus primeiros jogos no Fluminense, até arrendar um espaço na rua Paissandu, de propriedade da família Guinle. Mas foi nas Laranjeiras que aconteceu o primeiro Fla-Flu (o jornalista Mário Filho, criou o nome), no dia 7 de julho de 1912 e o Flamengo perdeu por 3 a 2.
Durante algum tempo foi comum a troca de uniforme do time de futebol. Em 1912, foi usada a famosa camisa quadriculada em vermelho e preto, que ganhou o jocoso apelido de “Papagaio de Vintém”, dado pelos adversários. Em 1913 mudou para a camisa com listas vermelha e preta, com um friso branco entre uma e outra. Os adversários não perdoaram, ganhou o apelido de “Cobra Coral”. Com a eclosão da guerra e como a bandeira da Alemanha tinha as mesmas cores, o uniforme foi abandonado. Finalmente em 1914 os remadores deixaram o futebol usar o uniforme oficial, implantando-se a igualdade nos dois esportes.
Depois do bicampeonato de 1914 e 1915, o Flamengo sofreu um duro golpe. A família Guinle não renovou o contrato de arrendamento do campo de treino da rua Paissandu, dando somente a opção de compra. Como não dispunha de dinheiro para um investimento de tal porte, teve de deixar o local.
Mas nada mais podia parar o Flamengo. Em 1920 o clube ganhou da prefeitura do Rio de Janeiro uma área de 34 mil metros quadrados, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas. O primeiro jogo no campo improvisado da Gávea, sem muro e cercado por tábuas, aconteceu em 26 de novembro de 1926 entre a Liga de Amadores de Foot-Ball (São Paulo) e Association de Amateurs de Argentina.
Foi preciso alguns anos para que o estádio da Gávea se tornasse uma realidade. Em 1936, o Conselho Deliberativo autorizou a construção das arquibancadas. Foi feita uma campanha de venda de 500 títulos de sócio proprietário. Sucesso absoluto, todos foram vendidos em 30 dias. O Estádio da Gávea, que recebeu o nome de “José Bastos Padilha” (que presidiu o clube entre 1933 e 1937, abrindo suas portas aos jogadores negros), ficou pronto e foi inaugurado em 4 de setembro de 1938 com o jogo Flamengo 0 X 2 Vasco. A primeira vez que os dois tradicionais rivais se enfrentaram, foi em 1925, com vitória rubro-negra por 2 a 0.
Daí por diante o Flamengo seguiu uma trajetória cheia de altos e baixos, até chegar a sua fase de maior brilhantismo, aquela em que conheceu as maiores conquistas. A chegada de Zico em 1967, trazido pelo radialista Celso Garcia para as categorias de base, mudou a história rubro-negra.
Em 1980 veio a conquista do primeiro Campeonato Brasileiro. Em 1981, a glória suprema: foi campeão estadual, da Taça Libertadores da América e do Mundial de Clubes. No dia 13 de dezembro de 1981, o Flamengo disputou o jogo mais importante da sua história, derrotando o todo poderoso Liverpool, da Inglaterra por 3 X 0, gols de Nunes (2) e Adílio, chegando ao topo do mundo. O time era: Raul- Leandro – Marinho - Mozer e Júnior – Andrade - Adílio e Zico – Tita - Nunes e Lico.
Em 1982 ganhou o bicampeonato brasileiro e em 1983, o terceiro título e a coroação de melhor time do Brasil da década. Na final do Campeonato Brasileiro, o maior público de todos os tempos, mais de 155.253 pessoas superlotando o Maracanã.
Agora o Flamengo busca repetir a façanha de 1981. Está na Copa Libertadores da América pelo segundo ano consecutivo. E quem duvida que o ano termine com a torcida rubro-negra sorrindo de novo?
Encerrando este artigo conto um fato que demonstra o que significa ser Flamengo. Em 1927, o amadorismo estava chegando ao fim. Mas havia quem amasse a camisa que vestia. O jogador Moderato era um deles: jogou a última partida com uma cinta, porque sofrera uma cirurgia no apêndice, supurada dois dias antes. E o Flamengo ganhou outro título. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
sábado, 15 de março de 2008
O clube de futebol mais “baixo” do mundo
Alguém já pensou na possibilidade de acontecer um jogo de futebol entre as equipes do Club Unión Mina, de Cerro Pasco, no Peru e do Hilal Areeha, de Ramallah, capital da Cisjordânia? Certamente que não. Pelo fato de serem zeros à esquerda no contexto do futebol mundial, somado aos extremos que representam, nem a Fifa permitiria esse enfrentamento.
O Unión Mina é um clube da cidade mais alta do mundo. E o Hilal Areeha, da região do Mar Morto (417 metros abaixo do nível do mar), a mais baixa do mundo. Certamente os efeitos físicos para os atletas palestinos seriam catastróficos, pois subiriam a mais de 5 mil metros acima do nível do mar. Para os peruanos não sei o que a descida de 5 mil metros representaria. A literatura é escasa sobre o assunto. Descobri, apenas, que na região o oxigênio do ar é 20 % a mais, e o sol não queima a pele, pois a camada de ozônio é maior. E dentro da água do mar pode-se ficar de pé, deitar, sentar e rolar, que não há como afundar.
Na verdade não existe certeza absoluta de que o Hillal Areehae seja de fato o time mais baixo do mundo. A cidade mais baixa é Jericó, situada em território palestino a 240 metros abaixo do nível do mar. Lá também se joga futebol, o “Campeonato de Inverno de Jericó”, aos moldes da Copa da Palestina, considerado a competição mais “baixa” do mundo. Existem outros clubes menos expressivos, como o Albirah, Gabal el Mokaper, Jerusalem Hilal, Shabab al-Amaari, Shbab Alkhaleel, Silwan e Wade al-Nes.
Os problemas políticos na região dificultam a realização de um campeonato nacional legítimo. Existe uma Liga, a “West Bank Premier League”, que organiza torneios onde participam apenas equipes da Cisjordânia. Como o território está dividido em duas partes, Cisjordânia e Faixa de Gaza, é quase impossível uma união. Por causa disso o futebol profissional permanece como um sonho. Nem a seleção palestina consegue jogar direito.
Mesmo sem reconhecimento como nação independente, a Palestina tem no futebol uma forma de se mostrar ao mundo. A Autoridade Nacional Palestina é reconhecida pela Fifa e sua seleção nacional disputa as eliminatórias para a Copa do Mundo. A Palestina foi readmitida pela Fifa em 1998. Chegou a disputar as Eliminatórias da Copa de 1934 (foi eliminada pelo Egito, 7 X 1) antes de ser ocupada pelas tropas britânicas. Curioso é que seleção da Palestina era formada por árabes e judeus, já que ainda era um país unificado na região da Terra Santa. Só deixaria de existir com a criação de Israel, em 1948. Hoje, a Palestina é uma nação sem Estado que por enquanto, só é país oficial no futebol.
A volta aos jogos internacionais veio com a primeira vitória nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002: 1 a 0 sobre a Malásia, em Março de 2001, em Hong Kong, gol do atacante Mohammed Al Jeesh, primeiro ídolo na retomada do futebol palestino. O jogador morava num acampamento de refugiados.
A seleção da Palestina já deu adeus à possibilidade de jogar a Copa do Mundo de 2010. Disputou o Grupo 16, da fase preliminar asiática e foi eliminada por Cingapura que lhe impôs duas goleadas: 3 X 0, e 4 X 0. E nem podia ser diferente. Os jogadores palestinos estavam divididos em duas sedes: uma em Gaza, onde existe um único campo de grama e outra na Cisjordânia.
Para preencher a convocação, foram chamados descendentes palestinos de outros países. E raras vezes estiveram todos juntos num só lugar para treinar. Quando aconteceram, os treinos foram no Egito. E o jogo (08-10-2007) “em casa”, aconteceu em Doha, no Reino do Qatar, por questão de segurança.
A FIFA autorizou a “Palestinian Football Association” a recrutar jogadores de origem palestina em outros países devido a proibição, imposta por Israel, aos futebolistas que vivem nos territórios ocupados de viajar ao exterior. Atualmente a seleção conta com jogadores residentes em Gaza, Cisjordânia, Jordânia, Líbano, Egito e Chile. No Chile residem cerca de 350.000 pessoas de origem palestina.
A ajuda externa está sendo fundamental no desenvolvimento do futebol na Palestina. A Asociación Nacional de Fútbol Amador (Anfa), do Chile, entidade que organiza a terceira e quarta divisões bancou a participação de uma seleção palestina na Terceira Divisão chilena em 2003. Era uma equipe de jovens com raízes palestinas, chilenos, norte-americanos e até israelenses, libaneses e jordanianos. Era considerada uma filial sul-americana da seleção palestina principal.
Importante, mesmo foi a participação de Portugal, através do Instituto Português de Cooperação para o Desenvolvimento, que financiou a construção do novo estádio da cidade de Al-Kahder, nos arredores de Belém, na Cisjordânia. O estádio custou US$ dois milhões e tem capacidade para seis mil espectadores, certificado da FIFA e dispõe de piso sintético e iluminação. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
O Unión Mina é um clube da cidade mais alta do mundo. E o Hilal Areeha, da região do Mar Morto (417 metros abaixo do nível do mar), a mais baixa do mundo. Certamente os efeitos físicos para os atletas palestinos seriam catastróficos, pois subiriam a mais de 5 mil metros acima do nível do mar. Para os peruanos não sei o que a descida de 5 mil metros representaria. A literatura é escasa sobre o assunto. Descobri, apenas, que na região o oxigênio do ar é 20 % a mais, e o sol não queima a pele, pois a camada de ozônio é maior. E dentro da água do mar pode-se ficar de pé, deitar, sentar e rolar, que não há como afundar.
Na verdade não existe certeza absoluta de que o Hillal Areehae seja de fato o time mais baixo do mundo. A cidade mais baixa é Jericó, situada em território palestino a 240 metros abaixo do nível do mar. Lá também se joga futebol, o “Campeonato de Inverno de Jericó”, aos moldes da Copa da Palestina, considerado a competição mais “baixa” do mundo. Existem outros clubes menos expressivos, como o Albirah, Gabal el Mokaper, Jerusalem Hilal, Shabab al-Amaari, Shbab Alkhaleel, Silwan e Wade al-Nes.
Os problemas políticos na região dificultam a realização de um campeonato nacional legítimo. Existe uma Liga, a “West Bank Premier League”, que organiza torneios onde participam apenas equipes da Cisjordânia. Como o território está dividido em duas partes, Cisjordânia e Faixa de Gaza, é quase impossível uma união. Por causa disso o futebol profissional permanece como um sonho. Nem a seleção palestina consegue jogar direito.
Mesmo sem reconhecimento como nação independente, a Palestina tem no futebol uma forma de se mostrar ao mundo. A Autoridade Nacional Palestina é reconhecida pela Fifa e sua seleção nacional disputa as eliminatórias para a Copa do Mundo. A Palestina foi readmitida pela Fifa em 1998. Chegou a disputar as Eliminatórias da Copa de 1934 (foi eliminada pelo Egito, 7 X 1) antes de ser ocupada pelas tropas britânicas. Curioso é que seleção da Palestina era formada por árabes e judeus, já que ainda era um país unificado na região da Terra Santa. Só deixaria de existir com a criação de Israel, em 1948. Hoje, a Palestina é uma nação sem Estado que por enquanto, só é país oficial no futebol.
A volta aos jogos internacionais veio com a primeira vitória nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002: 1 a 0 sobre a Malásia, em Março de 2001, em Hong Kong, gol do atacante Mohammed Al Jeesh, primeiro ídolo na retomada do futebol palestino. O jogador morava num acampamento de refugiados.
A seleção da Palestina já deu adeus à possibilidade de jogar a Copa do Mundo de 2010. Disputou o Grupo 16, da fase preliminar asiática e foi eliminada por Cingapura que lhe impôs duas goleadas: 3 X 0, e 4 X 0. E nem podia ser diferente. Os jogadores palestinos estavam divididos em duas sedes: uma em Gaza, onde existe um único campo de grama e outra na Cisjordânia.
Para preencher a convocação, foram chamados descendentes palestinos de outros países. E raras vezes estiveram todos juntos num só lugar para treinar. Quando aconteceram, os treinos foram no Egito. E o jogo (08-10-2007) “em casa”, aconteceu em Doha, no Reino do Qatar, por questão de segurança.
A FIFA autorizou a “Palestinian Football Association” a recrutar jogadores de origem palestina em outros países devido a proibição, imposta por Israel, aos futebolistas que vivem nos territórios ocupados de viajar ao exterior. Atualmente a seleção conta com jogadores residentes em Gaza, Cisjordânia, Jordânia, Líbano, Egito e Chile. No Chile residem cerca de 350.000 pessoas de origem palestina.
A ajuda externa está sendo fundamental no desenvolvimento do futebol na Palestina. A Asociación Nacional de Fútbol Amador (Anfa), do Chile, entidade que organiza a terceira e quarta divisões bancou a participação de uma seleção palestina na Terceira Divisão chilena em 2003. Era uma equipe de jovens com raízes palestinas, chilenos, norte-americanos e até israelenses, libaneses e jordanianos. Era considerada uma filial sul-americana da seleção palestina principal.
Importante, mesmo foi a participação de Portugal, através do Instituto Português de Cooperação para o Desenvolvimento, que financiou a construção do novo estádio da cidade de Al-Kahder, nos arredores de Belém, na Cisjordânia. O estádio custou US$ dois milhões e tem capacidade para seis mil espectadores, certificado da FIFA e dispõe de piso sintético e iluminação. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
sexta-feira, 14 de março de 2008
O clube de futebol mais "alto" do mundo
Volto ao tema “o clube de futebol mais alto do mundo”. No último artigo não me alonguei muito para não cansar o leitor. Mas cabem mais algumas considerações. O Club Unión Minas, de Cerro Pasco, uma pequena cidade mineira nos Andes peruanos, com 4,34 mil metros de altitude, e um ambiente hostil com temperaturas entre 10 e -5C, é verdadeiramente o clube de futebol “mais alto do mundo”. Essa condição é reconhecida pela revista oficial da FIFA, que usa o clube como exemplo para mostrar como o futebol sobrevive em qualquer ambiente.
Com 70 mil habitantes, Cerro Pasco depende dos recursos gerados pelas minas de zinco, cobre e prata. O futebol não é novo por lá. Os engenheiros e mineiros ingleses que vieram trabalhar nas minas, já praticavam o esporte desde 1912, como passatempo. O futebol profissional veio só em 23 de abril de 1974, quando os trabalhadores das minas fundaram o Unión Minas, com apoio da estatal Centromin.
Durante mais de 10 anos o “Club de la Mina”, assim chamado pelos torcedores, disputou somente os jogos regionais da Copa Peru, a segunda divisão local. Em 1986, a Federação Peruana de Futebol ampliou o número de equipes na primeira divisão e o Unión Minas foi beneficiado.
O apoio financeiro dado pela Centromin era limitado, e por isso o clube contratava apenas jogadores veteranos e rejeitados pelos grandes clubes do país. Mesmo assim, o Unión conseguiu se manter em posições intermediárias, graças ao Estádio Daniel Alcides Carrión, com capacidade para 8 mil expectadores, e localizado no alto do morro, a uma altitude de 4.512 metros. É a casa do Unión e um verdadeiro pesadelo para os adversários. Não apenas pelo ar rarefeito, mas principalmente pelas temperaturas abaixo de zero.
Na altitude de Cerro do Pasco a oxigenação diminui para pouco mais de 66%. A temperatura média durante o dia é de 12 graus. Os especialistas de futebol consideram um castigo para qualquer atleta de fora da cidade que seja contratado pelo time local. Para a saúde, os riscos de hipotermia são consideráveis.
Imaginem um clube brasileiro jogar num local em que até os times peruanos, acostumados a jogar na altitude, precisam tomar medidas especiais. O mais comum é passar a noite anterior em Huánuco (a 2 mil metros de altitude), na selva central do Peru e chegar ao estádio uma hora antes do jogo. Além disso, os times tomam medidas para abrir as fossas nasais e levar garrafas de oxigênio para o intervalo.
Outra medida adotada pelos clubes é dar aos jogadores uma xícara de chá de folha de coca, a mesma matéria-prima utilizada na produção de cocaína, para ajudar a combater o “soroche” (mal de altura, como os andinos chamam os efeitos da altitude). Para que os jogadores não sejam pegos no antidoping, os clubes visitantes só servem a bebida no intervalo, quando o sorteio para o exame já foi realizado.
Mas a ascensão do futebol de Cerro de Pasco não durou muito. Em 1997, a Centromin deixou de apoiar financeiramente o clube. Em 1998 o Unión Minas ainda fez uma boa campanha, ficando na quarta posição no Torneio "Apertura" e em sexto na temporada inteira. No ano seguinte o clube sentiu a falta de dinheiro e foi perdendo força. Com pouco público no estádio e sem condições de revelar bons jogadores, acabou rebaixado para a segundona peruana, em 2001, quando nem o ambiente hostil do Estádio Daniel Alcides Carrión foi capaz de ajudar o time. De lá para cá disputa o grupo do Departamento de Pasco da Copa Peru.
Em El Alto, cidade na região metropolitana de La Paz, a prefeitura construiu o estádio Olímpico de Los Andes. Como o próprio nome diz, El Alto é uma cidade bem alta, com 4,1 mil metros de altitude. O clube que se decidisse a jogar lá poderia ser classificado como o segundo mais alto da Bolívia e do mundo. A Universidad Iberoamericana, quarto clube de La Paz, aceitou se mudar, mas faliu antes de o estádio ficar pronto. O Mariscal Braun, da segunda divisão, também chegou a aceitar o convite da prefeitura de El Alto, mas acabou ficando em La Paz. A cidade tem um bom estádio, mas não tem nenhum time. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Com 70 mil habitantes, Cerro Pasco depende dos recursos gerados pelas minas de zinco, cobre e prata. O futebol não é novo por lá. Os engenheiros e mineiros ingleses que vieram trabalhar nas minas, já praticavam o esporte desde 1912, como passatempo. O futebol profissional veio só em 23 de abril de 1974, quando os trabalhadores das minas fundaram o Unión Minas, com apoio da estatal Centromin.
Durante mais de 10 anos o “Club de la Mina”, assim chamado pelos torcedores, disputou somente os jogos regionais da Copa Peru, a segunda divisão local. Em 1986, a Federação Peruana de Futebol ampliou o número de equipes na primeira divisão e o Unión Minas foi beneficiado.
O apoio financeiro dado pela Centromin era limitado, e por isso o clube contratava apenas jogadores veteranos e rejeitados pelos grandes clubes do país. Mesmo assim, o Unión conseguiu se manter em posições intermediárias, graças ao Estádio Daniel Alcides Carrión, com capacidade para 8 mil expectadores, e localizado no alto do morro, a uma altitude de 4.512 metros. É a casa do Unión e um verdadeiro pesadelo para os adversários. Não apenas pelo ar rarefeito, mas principalmente pelas temperaturas abaixo de zero.
Na altitude de Cerro do Pasco a oxigenação diminui para pouco mais de 66%. A temperatura média durante o dia é de 12 graus. Os especialistas de futebol consideram um castigo para qualquer atleta de fora da cidade que seja contratado pelo time local. Para a saúde, os riscos de hipotermia são consideráveis.
Imaginem um clube brasileiro jogar num local em que até os times peruanos, acostumados a jogar na altitude, precisam tomar medidas especiais. O mais comum é passar a noite anterior em Huánuco (a 2 mil metros de altitude), na selva central do Peru e chegar ao estádio uma hora antes do jogo. Além disso, os times tomam medidas para abrir as fossas nasais e levar garrafas de oxigênio para o intervalo.
Outra medida adotada pelos clubes é dar aos jogadores uma xícara de chá de folha de coca, a mesma matéria-prima utilizada na produção de cocaína, para ajudar a combater o “soroche” (mal de altura, como os andinos chamam os efeitos da altitude). Para que os jogadores não sejam pegos no antidoping, os clubes visitantes só servem a bebida no intervalo, quando o sorteio para o exame já foi realizado.
Mas a ascensão do futebol de Cerro de Pasco não durou muito. Em 1997, a Centromin deixou de apoiar financeiramente o clube. Em 1998 o Unión Minas ainda fez uma boa campanha, ficando na quarta posição no Torneio "Apertura" e em sexto na temporada inteira. No ano seguinte o clube sentiu a falta de dinheiro e foi perdendo força. Com pouco público no estádio e sem condições de revelar bons jogadores, acabou rebaixado para a segundona peruana, em 2001, quando nem o ambiente hostil do Estádio Daniel Alcides Carrión foi capaz de ajudar o time. De lá para cá disputa o grupo do Departamento de Pasco da Copa Peru.
Em El Alto, cidade na região metropolitana de La Paz, a prefeitura construiu o estádio Olímpico de Los Andes. Como o próprio nome diz, El Alto é uma cidade bem alta, com 4,1 mil metros de altitude. O clube que se decidisse a jogar lá poderia ser classificado como o segundo mais alto da Bolívia e do mundo. A Universidad Iberoamericana, quarto clube de La Paz, aceitou se mudar, mas faliu antes de o estádio ficar pronto. O Mariscal Braun, da segunda divisão, também chegou a aceitar o convite da prefeitura de El Alto, mas acabou ficando em La Paz. A cidade tem um bom estádio, mas não tem nenhum time. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
A polêmica dos jogos de futebol na altitude
Em maio do ano passado a FIFA decidiu proibir a realização de jogos internacionais de futebol em estádios localizados a mais de 2.500 metros acima do nível do mar, alegando risco de vida para os atletas. A reação foi imediata. Liderados pelo presidente da Bolívia, Evo Morales, os representantes das federações da Bolívia, Colômbia, Chile, Equador, Peru e Venezuela, lançaram uma declaração conjunta contestando o veto.
Por solicitação do presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), o peruano Nicolás Leoz, a Fifa acabou por revogar o veto aos clubes, e tudo voltou a ser como era antes. Para as seleções, o veto continua valendo. Agora quem está chiando são os clubes brasileiros e argentinos, principalmente, que são obrigados a enfrentar, além do adversário em campo, alturas acima de 4 mil metros.
A chiadeira se volta, especialmente, contra o Club Bamim Real Potosi (fundado em 20 de outubro de 1941), time da cidade boliviana de Potosi, que a imprensa teima em dizer que é a mais alta do mundo. Será? Com cerca de 130 mil habitantes, Potosi, patrimônio cultural da humanidade está localizada na província de Tomás Frias, aos pés da montanha “Cerro Rico”, nos Andes a cerca de 4.000 mil metros acima do mar. Eu confesso que não sei a altura exata. São muitas as desinformações publicadas pela imprensa: menos de 3.800 metros, 3.967, 3.976, 4.050, mais de 4.000, 4.500, 4.690 metros e por aí vai. Se alguém souber a altitude certa, por favor, mande me dizer.
O Real Potosi está incluído no Grupo 1 da Copa Libertadores da América deste ano, junto com Cruzeiro, de Belo Horizonte, San Lorenzo, da Argentina e Caracas, da Venezuela. O Real Potosi disputa seus jogos no Estádio Mário Mercado Vaca Guzmán, que tem capacidade para 18.000 torcedores, famoso pelo “sofrimento” que causa aos clubes visitantes.
A maioria dos clubes brasileiros ainda teme jogar no Estádio Garcilaso de La Vega, em Cuzco, no Peru, há 3.350 metros acima do nível do mar, com capacidade para receber 42.000 torcedores. É a casa do Cienciano, que está no Grupo 4 da Copa Libertadores da América, junto com Flamengo, Nacional do Uruguai e Coronel Bolognese, do Peru. E também em La Paz, no Hernando Silles, casa do La Paz Fútbol Club, que não está na Copa Libertadores deste ano. O estádio comporta 42.000 torcedores e fica a 3.700 metros acima do nível do mar.
Afinal de contas, quais os prejuízos que a altitude causa aos jogadores? Por que é tão difícil chegar ao topo do mundo? Os médicos dizem que quando estamos ao nível do mar, a respiração é tranqüila, não exige maiores esforços dos pulmões. Mas, à medida que se sobe, o organismo sente a diferença. Ela é conseqüência da diminuição da pressão atmosférica, fruto da força exercida pela camada de ar.
O doutor em Ensino de Química e professor do Instituto de Química da Universidade de Brasília, Gerson de Souza Mól (gmol@unb.br) explica que quanto maior a altitude, menor será a camada de ar e, conseqüentemente, menor a pressão. Isso provoca um inchaço do cérebro que é responsável por dores de cabeça e náuseas. Num jogo de futebol a tendência é que os jogadores sintam-se mais ofegantes e se cansem mais rapidamente. E isto pode ser decisivo para o resultado final.
Acima de 6 mil metros de altitude, as pessoas não-aclimatadas encontram uma série de dificuldades e muitas chegam a perder a consciência. O ponto mais alto do mundo é o monte Everest, com 8.850 metros. Fica na cordilheira do Himalaia, na fronteira entre o Nepal e o Tibet. No Brasil, o ponto mais alto é o Pico da Neblina, com 3.014 metros de altitude. Fica em São Gabriel da Cachoeira, Amazonas, e faz fronteira com Colômbia e Venezuela.
E o outro lado? Como impossibilitar a realização de jogos em cidades como Potosí? O que seria dos clubes existentes nessas regiões altas? Será que eles não têm queixas por jogar em locais mais baixos? O que dizer do forte calor do Rio de Janeiro, e à grande presença de mosquitos por lá? E o surto de dengue no Paraguai? E os desertos, como o de Atacama, no Chile? Então, os clubes da altitude também encontrarão condições desfavoráveis aqui no Brasil e em outros países. Eu não estou defendendo aquela idéia de que pimenta nos olhos dos outros é colírio.
E Potosi é mesmo a cidade mais alta do mundo? Na verdade, não é. Nem onde se pratica o futebol. No próximo artigo escreverei sobre o verdadeiro “time mais alto do mundo”. As informações são desencontradas. Vejam só o que encontrei em minhas pesquisas: o local habitado mais elevado do mundo é “La Rinconada”, cidade erguida a 5.200 metros de altitude nos Andes peruanos. Por não ter o status de distrito, é apenas uma povoação informal que não tem apoio governamental e nem aparece nos mapas.
“Cerro do Pasco”, localizada nos Andes peruanos também ganha a condição de mais alta do mundo, com seus 4.380 metros de altitude. É lá que está o “time mais alto do mundo”, que será tema de meu próximo artigo. “El Alto”, na Bolívia, antigo bairro de La Paz e emancipada em setembro de 1988, é outra cidade apontada como a mais alta do mundo, com 700.000 habitantes que vivem a mais de 4.000 metros de altura, no frio e inóspito altiplano boliviano.
E o Livro Guiness, tão importante e acreditado o que diz sobre isso? Que a cidade mais alta do mundo está muito longe das regiões montanhosas da América do Sul. È “Wenzhuan”, no Tibet, 5.100 metros acima do nível do mar. (Texto e Pesquisa: Nilo Dias)
Por solicitação do presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), o peruano Nicolás Leoz, a Fifa acabou por revogar o veto aos clubes, e tudo voltou a ser como era antes. Para as seleções, o veto continua valendo. Agora quem está chiando são os clubes brasileiros e argentinos, principalmente, que são obrigados a enfrentar, além do adversário em campo, alturas acima de 4 mil metros.
A chiadeira se volta, especialmente, contra o Club Bamim Real Potosi (fundado em 20 de outubro de 1941), time da cidade boliviana de Potosi, que a imprensa teima em dizer que é a mais alta do mundo. Será? Com cerca de 130 mil habitantes, Potosi, patrimônio cultural da humanidade está localizada na província de Tomás Frias, aos pés da montanha “Cerro Rico”, nos Andes a cerca de 4.000 mil metros acima do mar. Eu confesso que não sei a altura exata. São muitas as desinformações publicadas pela imprensa: menos de 3.800 metros, 3.967, 3.976, 4.050, mais de 4.000, 4.500, 4.690 metros e por aí vai. Se alguém souber a altitude certa, por favor, mande me dizer.
O Real Potosi está incluído no Grupo 1 da Copa Libertadores da América deste ano, junto com Cruzeiro, de Belo Horizonte, San Lorenzo, da Argentina e Caracas, da Venezuela. O Real Potosi disputa seus jogos no Estádio Mário Mercado Vaca Guzmán, que tem capacidade para 18.000 torcedores, famoso pelo “sofrimento” que causa aos clubes visitantes.
A maioria dos clubes brasileiros ainda teme jogar no Estádio Garcilaso de La Vega, em Cuzco, no Peru, há 3.350 metros acima do nível do mar, com capacidade para receber 42.000 torcedores. É a casa do Cienciano, que está no Grupo 4 da Copa Libertadores da América, junto com Flamengo, Nacional do Uruguai e Coronel Bolognese, do Peru. E também em La Paz, no Hernando Silles, casa do La Paz Fútbol Club, que não está na Copa Libertadores deste ano. O estádio comporta 42.000 torcedores e fica a 3.700 metros acima do nível do mar.
Afinal de contas, quais os prejuízos que a altitude causa aos jogadores? Por que é tão difícil chegar ao topo do mundo? Os médicos dizem que quando estamos ao nível do mar, a respiração é tranqüila, não exige maiores esforços dos pulmões. Mas, à medida que se sobe, o organismo sente a diferença. Ela é conseqüência da diminuição da pressão atmosférica, fruto da força exercida pela camada de ar.
O doutor em Ensino de Química e professor do Instituto de Química da Universidade de Brasília, Gerson de Souza Mól (gmol@unb.br) explica que quanto maior a altitude, menor será a camada de ar e, conseqüentemente, menor a pressão. Isso provoca um inchaço do cérebro que é responsável por dores de cabeça e náuseas. Num jogo de futebol a tendência é que os jogadores sintam-se mais ofegantes e se cansem mais rapidamente. E isto pode ser decisivo para o resultado final.
Acima de 6 mil metros de altitude, as pessoas não-aclimatadas encontram uma série de dificuldades e muitas chegam a perder a consciência. O ponto mais alto do mundo é o monte Everest, com 8.850 metros. Fica na cordilheira do Himalaia, na fronteira entre o Nepal e o Tibet. No Brasil, o ponto mais alto é o Pico da Neblina, com 3.014 metros de altitude. Fica em São Gabriel da Cachoeira, Amazonas, e faz fronteira com Colômbia e Venezuela.
E o outro lado? Como impossibilitar a realização de jogos em cidades como Potosí? O que seria dos clubes existentes nessas regiões altas? Será que eles não têm queixas por jogar em locais mais baixos? O que dizer do forte calor do Rio de Janeiro, e à grande presença de mosquitos por lá? E o surto de dengue no Paraguai? E os desertos, como o de Atacama, no Chile? Então, os clubes da altitude também encontrarão condições desfavoráveis aqui no Brasil e em outros países. Eu não estou defendendo aquela idéia de que pimenta nos olhos dos outros é colírio.
E Potosi é mesmo a cidade mais alta do mundo? Na verdade, não é. Nem onde se pratica o futebol. No próximo artigo escreverei sobre o verdadeiro “time mais alto do mundo”. As informações são desencontradas. Vejam só o que encontrei em minhas pesquisas: o local habitado mais elevado do mundo é “La Rinconada”, cidade erguida a 5.200 metros de altitude nos Andes peruanos. Por não ter o status de distrito, é apenas uma povoação informal que não tem apoio governamental e nem aparece nos mapas.
“Cerro do Pasco”, localizada nos Andes peruanos também ganha a condição de mais alta do mundo, com seus 4.380 metros de altitude. É lá que está o “time mais alto do mundo”, que será tema de meu próximo artigo. “El Alto”, na Bolívia, antigo bairro de La Paz e emancipada em setembro de 1988, é outra cidade apontada como a mais alta do mundo, com 700.000 habitantes que vivem a mais de 4.000 metros de altura, no frio e inóspito altiplano boliviano.
E o Livro Guiness, tão importante e acreditado o que diz sobre isso? Que a cidade mais alta do mundo está muito longe das regiões montanhosas da América do Sul. È “Wenzhuan”, no Tibet, 5.100 metros acima do nível do mar. (Texto e Pesquisa: Nilo Dias)
quarta-feira, 12 de março de 2008
O clube mais antigo do mundo é da Inglaterra
O clube mais antigo do mundo é o Notts County Football Club, da Inglaterra, fundado em 28 de novembro de 1862, na cidade de Nottingham, por Mr. Arkwright e Chas Deakin. A formação definitiva e oficial, no entanto, só se deu em 1864. O primeiro campeonato oficial disputado pelo clube foi em 1877, a Copa da Inglaterra.
O clube, que um dia já foi muito tradicional, inclusive cedendo jogadores para a seleção nacional, hoje não passa de mero figurante da quarta divisão inglesa. Nos primeiros tempos o Notts mandava seus jogos no estádio Trent Bridge e, algumas vezes em Castle Cricket Ground ou na Floresta de Town Ground. Desde 1910 ocupa o Meadow Lane, estádio com capacidade para 21 mil torcedores.
O atacante Les Bradd foi o maior ídolo da história do time. Vestiu a camisa do Notts County por 11 anos, tendo marcado 124 gols. Para quem tem 145 anos de vida, a galeria de conquistas não é lá essas coisas: possui uma Copa da Inglaterra (1894); 3 League Championship (segunda divisão, em 1897, 1914 e 1923); uma Football League Two (terceira divisão, em 1931); 6 Bass Charity Vase (torneio para angariar fundos a hospitais, em 1988, 1989, 1990, 1994, 2004 e 2005); 6 Nottingham Shire Cup (torneio que envolve times da cidade, em 1937, 1963, 1975, 1976, 1985 e 1995) e uma Anglo-Italian Cup (1995).
O Notts, que foi um dos fundadores da liga inglesa de futebol, disputou a Premier League (a primeira divisão) pela última vez na temporada 1981/82.
Como a polêmica sempre está presente, existem historiadores que colocam em dúvida o pioneirismo do Notts County Football Club, atribuindo ao time alemão do Verein Für Leibersübungen Bochun Fussballgemeinschaft EV (ou simplesmente Bochun 1848), a condição de clube mais velho do mundo em atividade. Ele foi fundado em 1º julho de 1848, na cidade de Bochun, como clube social. Só foi oficializado como time de futebol em 1938, 90 anos depois.
É a mesma situação que ocorreu no Brasil: Flamengo, Vasco e Vitória da Bahia foram fundados como clubes de regatas e só depois aderiram ao futebol. Por isso o S.C. Rio Grande é de fato e de direito o mais velho clube de futebol em atividade no país.
A história do VfL Bochum 1848, velha ou nova, não é marcada por conquistas expressivas. O clube ingressou na “Bundesliga” (campeonato alemão) apenas em 1971, depois de conquistar a Liga Regional do Oeste da Alemanha. E a classificação foi modesta, somente o nono lugar. Depois enfrentou sucessivos rebaixamentos e acessos. Seu melhor resultado, na elite do futebol alemão foi em 1997, um quinto lugar que garantiu vaga para a Copa da Uefa, o que se repetiria em 2004, com efêmeros desempenhos.
Desde a fundação o VfL Bochum 1848, tem como mascote a figura de um rato. A partir de abril de 2007, aproveitando a tradição do clube, foi criada uma personagem chamada Bobbi Bolzer, que é um “rato-criança”. Bobbi possui um site na Internet e sempre está presente em jogos e escolinhas de futebol do clube. (Fonte: football.co.uk)(Texto e pesquisa: Nilo Dias)
O clube, que um dia já foi muito tradicional, inclusive cedendo jogadores para a seleção nacional, hoje não passa de mero figurante da quarta divisão inglesa. Nos primeiros tempos o Notts mandava seus jogos no estádio Trent Bridge e, algumas vezes em Castle Cricket Ground ou na Floresta de Town Ground. Desde 1910 ocupa o Meadow Lane, estádio com capacidade para 21 mil torcedores.
O atacante Les Bradd foi o maior ídolo da história do time. Vestiu a camisa do Notts County por 11 anos, tendo marcado 124 gols. Para quem tem 145 anos de vida, a galeria de conquistas não é lá essas coisas: possui uma Copa da Inglaterra (1894); 3 League Championship (segunda divisão, em 1897, 1914 e 1923); uma Football League Two (terceira divisão, em 1931); 6 Bass Charity Vase (torneio para angariar fundos a hospitais, em 1988, 1989, 1990, 1994, 2004 e 2005); 6 Nottingham Shire Cup (torneio que envolve times da cidade, em 1937, 1963, 1975, 1976, 1985 e 1995) e uma Anglo-Italian Cup (1995).
O Notts, que foi um dos fundadores da liga inglesa de futebol, disputou a Premier League (a primeira divisão) pela última vez na temporada 1981/82.
Como a polêmica sempre está presente, existem historiadores que colocam em dúvida o pioneirismo do Notts County Football Club, atribuindo ao time alemão do Verein Für Leibersübungen Bochun Fussballgemeinschaft EV (ou simplesmente Bochun 1848), a condição de clube mais velho do mundo em atividade. Ele foi fundado em 1º julho de 1848, na cidade de Bochun, como clube social. Só foi oficializado como time de futebol em 1938, 90 anos depois.
É a mesma situação que ocorreu no Brasil: Flamengo, Vasco e Vitória da Bahia foram fundados como clubes de regatas e só depois aderiram ao futebol. Por isso o S.C. Rio Grande é de fato e de direito o mais velho clube de futebol em atividade no país.
A história do VfL Bochum 1848, velha ou nova, não é marcada por conquistas expressivas. O clube ingressou na “Bundesliga” (campeonato alemão) apenas em 1971, depois de conquistar a Liga Regional do Oeste da Alemanha. E a classificação foi modesta, somente o nono lugar. Depois enfrentou sucessivos rebaixamentos e acessos. Seu melhor resultado, na elite do futebol alemão foi em 1997, um quinto lugar que garantiu vaga para a Copa da Uefa, o que se repetiria em 2004, com efêmeros desempenhos.
Desde a fundação o VfL Bochum 1848, tem como mascote a figura de um rato. A partir de abril de 2007, aproveitando a tradição do clube, foi criada uma personagem chamada Bobbi Bolzer, que é um “rato-criança”. Bobbi possui um site na Internet e sempre está presente em jogos e escolinhas de futebol do clube. (Fonte: football.co.uk)(Texto e pesquisa: Nilo Dias)
terça-feira, 11 de março de 2008
Campeonato baiano é o segundo mais antigo do Brasil
A história se repetiu na Bahia. O jovem Zuza Ferreira, filho de um tesoureiro do British Bank, em Salvador foi estudar na Inglaterra e no retorno ao Brasil, no dia 25 de outubro de 1901, trazia na mala uma bola de futebol, a exemplo do que já haviam feito Charles Miller e outros introdutores do chamado “esporte bretão” no país.
Zuza não esperou para bater uma bola. Três dias depois de desembarcar, um domingo, de manhã bem cedo tomou o caminho do Campo da Pólvora com a bola debaixo dos braços. No trajeto encontrou os amigos de tantos anos, Petersen e Drumond e os convida para acompanhá-lo. A molecada, vendo aquele homem com uma bola daquele tamanho na mão, resolveu segui-lo.
A curiosidade da garotada permitiu que Zuza formasse dois times. Dividiu os jogadores: um goleiro, dois zagueiros e cinco atacantes. As goleiras foram de pedras colocadas a uma distância de mais ou menos 10 metros, uma da outra. Era 28 de outubro de 1901. Estava introduzido o futebol na Bahia.
Em pouco tempo cresceu o número de adeptos do novo esporte. Nas ruas, a garotada improvisava as célebres bolas de meia, organizava partidas que terminavam sempre em discussões, tapas e raras eram as vezes em que as vidraças das casas vizinhas não eram quebradas, gerando muita confusão.
No ano de 1904 o futebol já havia virado notícia nos jornais de Salvador, não nas páginas esportivas, mas nas colunas de polícia. Quem praticava o futebol era chamado de "Malta de vadios" e "Corja de malcriados". As queixas eram constantes dos moradores da Barra, Fonte do Boi, Parque Cruz Aguiar, Rio Vermelho, Largo do Papagaio e Campo dos Mártires, hoje chamado Campo da Pólvora.
O primeiro campeonato baiano e o segundo organizado no Brasil (depois de São Paulo) foi realizado em 1905, quatro anos depois que Zuza Ferreira trouxe a primeira bola para Salvador. Desde lá vem sendo disputado sem interrupções. Apenas quatro equipes participaram da primeira edição do certame: Clube Náutico de Regatas São Salvador, Sport Club Vitória, Club Bahiano de Tênis e Club Internacional de Cricket, que foi o primeiro campeão. Voltaria a ganhar o título só em 1914. Durante 49 anos só os clubes da capital participaram do campeonato. Foi aberto aos clubes do interior apenas a partir de 1954.
A partir de 1970 a dupla Ba-Vi passou a dominar o futebol baiano. O clube que mais triunfou no Campeonato Estadual foi o Bahia, com 43 títulos. Atrás está o Vitória, atual campeão baiano (2007), com 24 conquistas. Depois dos dois grandes, vêm o Sport Club Ypiranga, time de coração do saudoso Jorge Amado (fundado em 7 de setembro de 1906, com o nome original de Sete de Setembro), com 10 títulos, e o Botafogo Sport Club, com 7. O Galicia Esporte Clube, representante da colônia espanhola de Salvador, foi o primeiro tricampeão baiano (1941,1942 e 1943).
O Campeonato Baiano já teve dois campeões em duas oportunidades: em 1938 o Botafogo ganhou o primeiro turno e os demais clubes se negaram a disputar o segundo. A Federação fez novo campeonato e o Bahia ganhou. Depois de uma boa briga, Botafogo e Bahia foram declarados campeões. Em 1999, Bahia e Vitória foram a Justiça Desportiva e os dois foram proclamados campeões.
Os clássicos entre Bahia e Botafogo eram folclóricos. Por muitos anos o Bahia não perdia para o alvirrubro. Revoltado, um torcedor botafoguense levava um pote ao estádio sempre que os dois times se enfrentavam. Dizia que quebraria o pote só quando o seu time vencesse o Bahia. Por isso o jogo ficou conhecido como “clássico do pote”. Apenas em 1938, o Botafogo ganhou uma, por 3 x 1 e o pote foi quebrado. Os cacos foram guardados pelos torcedores botafoguenses como amuleto.
Vários clubes participaram do campeonato Baiano. Alguns deles: Sul América, São Paulo Club, Brasil, Aquidaban, Riachuelo, A.D Leônico (campeão em 1966), Associação Bancários da Bahia, Atlético F.C. (campeão em 1912), Fluminense F.C., de Salvador (campeão em 1913 e 1915), S.C. República (campeão em 1916), A.A. da Bahia (campeão em 1924), Clube Bahiano de Tênis (campeão em 1927), A.D. Guarany (campeão em 1947), Clube de Natação e Regatas São Salvador (campeão em 1906 e 1907), E.C. Estrela de Março, Real Salvador E.C., Redenção F.C., Salvador F.C., São Cristóvão F.C., S.C. Santos Dumont (campeão em 1910), Feirense Esporte Clube, de Feira de Santana (campeão em 2002), Fluminense de Feira F.C., de Feira de Santana (campeão em 1963 e 1969) e Colo Colo de Futebol e Regatas (campeão em 2006)
O Bahia E.C., fundado em 1º de janeiro de 1931, apesar de não figurar mais na Série A do Campeonato Brasileiro, ainda é o clube mais importante do Estado e responsável pelos dois maiores feitos da história do futebol baiano: campeão da Taça Brasil em 1959 e do Campeonato Brasileiro de 1988.
No dia 25 de novembro do ano passado o futebol baiano sofreu o mais duro golpe de sua história. O estádio Octávio Mangabeira, a Fonte Nova, o maior da Bahia foi palco de uma tragédia anunciada: um pedaço da arquibancada desmoronou e sete torcedores morreram depois de caírem de uma altura de 25 metros.
Essa não foi a primeira tragédia no estádio, construído em 1951. Nos tempos dos militares no poder, a praça esportiva foi reinaugurada no dia 4 de março de 1971, depois de algumas obras de ampliação. A festa teve a presença do General Emílio Garrastazu Médici, presidente brasileiro. A festa virou pesadelo com dois mortos e milhares de feridos.
A imprensa noticiou na época, sem provas, que 112.000 pessoas estiveram na Fonte Nova para ver uma rodada dupla: Bahia x Flamengo e Vitória x Grêmio Portoalegrense. Porém, o público pagante oficial divulgado dois dias depois foi de 94.972 pessoas. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Zuza não esperou para bater uma bola. Três dias depois de desembarcar, um domingo, de manhã bem cedo tomou o caminho do Campo da Pólvora com a bola debaixo dos braços. No trajeto encontrou os amigos de tantos anos, Petersen e Drumond e os convida para acompanhá-lo. A molecada, vendo aquele homem com uma bola daquele tamanho na mão, resolveu segui-lo.
A curiosidade da garotada permitiu que Zuza formasse dois times. Dividiu os jogadores: um goleiro, dois zagueiros e cinco atacantes. As goleiras foram de pedras colocadas a uma distância de mais ou menos 10 metros, uma da outra. Era 28 de outubro de 1901. Estava introduzido o futebol na Bahia.
Em pouco tempo cresceu o número de adeptos do novo esporte. Nas ruas, a garotada improvisava as célebres bolas de meia, organizava partidas que terminavam sempre em discussões, tapas e raras eram as vezes em que as vidraças das casas vizinhas não eram quebradas, gerando muita confusão.
No ano de 1904 o futebol já havia virado notícia nos jornais de Salvador, não nas páginas esportivas, mas nas colunas de polícia. Quem praticava o futebol era chamado de "Malta de vadios" e "Corja de malcriados". As queixas eram constantes dos moradores da Barra, Fonte do Boi, Parque Cruz Aguiar, Rio Vermelho, Largo do Papagaio e Campo dos Mártires, hoje chamado Campo da Pólvora.
O primeiro campeonato baiano e o segundo organizado no Brasil (depois de São Paulo) foi realizado em 1905, quatro anos depois que Zuza Ferreira trouxe a primeira bola para Salvador. Desde lá vem sendo disputado sem interrupções. Apenas quatro equipes participaram da primeira edição do certame: Clube Náutico de Regatas São Salvador, Sport Club Vitória, Club Bahiano de Tênis e Club Internacional de Cricket, que foi o primeiro campeão. Voltaria a ganhar o título só em 1914. Durante 49 anos só os clubes da capital participaram do campeonato. Foi aberto aos clubes do interior apenas a partir de 1954.
A partir de 1970 a dupla Ba-Vi passou a dominar o futebol baiano. O clube que mais triunfou no Campeonato Estadual foi o Bahia, com 43 títulos. Atrás está o Vitória, atual campeão baiano (2007), com 24 conquistas. Depois dos dois grandes, vêm o Sport Club Ypiranga, time de coração do saudoso Jorge Amado (fundado em 7 de setembro de 1906, com o nome original de Sete de Setembro), com 10 títulos, e o Botafogo Sport Club, com 7. O Galicia Esporte Clube, representante da colônia espanhola de Salvador, foi o primeiro tricampeão baiano (1941,1942 e 1943).
O Campeonato Baiano já teve dois campeões em duas oportunidades: em 1938 o Botafogo ganhou o primeiro turno e os demais clubes se negaram a disputar o segundo. A Federação fez novo campeonato e o Bahia ganhou. Depois de uma boa briga, Botafogo e Bahia foram declarados campeões. Em 1999, Bahia e Vitória foram a Justiça Desportiva e os dois foram proclamados campeões.
Os clássicos entre Bahia e Botafogo eram folclóricos. Por muitos anos o Bahia não perdia para o alvirrubro. Revoltado, um torcedor botafoguense levava um pote ao estádio sempre que os dois times se enfrentavam. Dizia que quebraria o pote só quando o seu time vencesse o Bahia. Por isso o jogo ficou conhecido como “clássico do pote”. Apenas em 1938, o Botafogo ganhou uma, por 3 x 1 e o pote foi quebrado. Os cacos foram guardados pelos torcedores botafoguenses como amuleto.
Vários clubes participaram do campeonato Baiano. Alguns deles: Sul América, São Paulo Club, Brasil, Aquidaban, Riachuelo, A.D Leônico (campeão em 1966), Associação Bancários da Bahia, Atlético F.C. (campeão em 1912), Fluminense F.C., de Salvador (campeão em 1913 e 1915), S.C. República (campeão em 1916), A.A. da Bahia (campeão em 1924), Clube Bahiano de Tênis (campeão em 1927), A.D. Guarany (campeão em 1947), Clube de Natação e Regatas São Salvador (campeão em 1906 e 1907), E.C. Estrela de Março, Real Salvador E.C., Redenção F.C., Salvador F.C., São Cristóvão F.C., S.C. Santos Dumont (campeão em 1910), Feirense Esporte Clube, de Feira de Santana (campeão em 2002), Fluminense de Feira F.C., de Feira de Santana (campeão em 1963 e 1969) e Colo Colo de Futebol e Regatas (campeão em 2006)
O Bahia E.C., fundado em 1º de janeiro de 1931, apesar de não figurar mais na Série A do Campeonato Brasileiro, ainda é o clube mais importante do Estado e responsável pelos dois maiores feitos da história do futebol baiano: campeão da Taça Brasil em 1959 e do Campeonato Brasileiro de 1988.
No dia 25 de novembro do ano passado o futebol baiano sofreu o mais duro golpe de sua história. O estádio Octávio Mangabeira, a Fonte Nova, o maior da Bahia foi palco de uma tragédia anunciada: um pedaço da arquibancada desmoronou e sete torcedores morreram depois de caírem de uma altura de 25 metros.
Essa não foi a primeira tragédia no estádio, construído em 1951. Nos tempos dos militares no poder, a praça esportiva foi reinaugurada no dia 4 de março de 1971, depois de algumas obras de ampliação. A festa teve a presença do General Emílio Garrastazu Médici, presidente brasileiro. A festa virou pesadelo com dois mortos e milhares de feridos.
A imprensa noticiou na época, sem provas, que 112.000 pessoas estiveram na Fonte Nova para ver uma rodada dupla: Bahia x Flamengo e Vitória x Grêmio Portoalegrense. Porém, o público pagante oficial divulgado dois dias depois foi de 94.972 pessoas. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
segunda-feira, 10 de março de 2008
O “vovô” do futebol brasileiro
A trajetória do futebol no Rio Grande do Sul começou oficialmente em 19 de julho de 1900 com a fundação do Sport Club Rio Grande, primeiro e mais antigo time do futebol brasileiro em atividade. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) consagrou o dia 19 de julho, aniversário do S.C. Rio Grande, como o “Dia do Futebol Brasileiro”.
Ao final do século XIX, existia em Rio Grande a “Casa dos Atiradores”, também chamada de “Tiro Alemão”. Ela reunia inclusive operários da Companhia de Tecidos Rheingantz, que foi durante décadas o maior estabelecimento fabril do Rio Grande do Sul. Em suas instalações havia espaço físico para a prática do futebol. Foi ali que os alemães da fábrica realizaram exibições esporádicas de futebol.
Jovens riograndinos, entre os quais imigrantes alemães e ingleses, decidiram montar um time para jogar contra os marinheiros que chegavam ao porto. O jovem Arthur Cecil Lawson, recém vindo de um período de estudos na Inglaterra trouxe o gosto pelo futebol, material esportivo e a experiência de já ter jogado na Europa como goleiro. O desejo de implantar o futebol na cidade encontrou resistência da forte colônia alemã existente na época.
Nesse período chegou a Rio Grande o jovem Johannes Cristian Moritz Minnemann, influente membro da sociedade, aficionado do futebol e nascido em Hamburgo, Alemanha, em 17 de julho de 1875, que se tornou o maior entusiasta da idéia.
Minnemann reuniu alemães, ingleses, portugueses e brasileiros com a finalidade de fundar o clube. Isso só não aconteceu no dia 17 de julho de 1900, no Clube Germânia (hoje Sociedade Germânia), porque houve reação contrária a presença de não-alemães. Depois de dois dias de discussões houve o consenso e o clube foi fundado. A ata de fundação foi redigida em alemão por Minnemann, que dominava mal o português. As cores escolhidas foram vermelho, verde e branco, como homenagem ao Rio Grande do Sul.
Minnemann desempenhou duas funções na nova entidade: "guarda-esportes" e zagueiro do time principal. Na primeira, era encarregado de organizar as partidas, ensinar as regras e o jogo aos novatos. Na segunda, dominava o campo e esbanjava categoria.
Casou-se em Rio Grande com a professora Adélia Marques e teve dois filhos nascidos no Brasil. Em 1912, partiu para Hamburgo com a família. Após a 1ª Guerra Mundial, tentou retornar, mas a falta de rotas marítimas entre os dois países e problemas com as autoridades francesas e suíças fizeram com que se decidisse por morar em Portugal.
Minnemmam morreu na cidade do Porto em 1929, sem nunca ter retornado a Rio Grande ou a terras brasileiras. De seus cinco filhos, dois já visitaram Rio Grande nos anos 80, para conhecer de perto o grande legado deixado pelo pai no sul do Brasil.
A primeira exibição futebolística ocorreu em 9 de outubro de 1900, entre sócios do clube. O jogo foi no campo do Clube de Tiro Alemão, perante 600 pessoas. A bola foi importada da Inglaterra. Em 18 de maio de 1901 os adversários foram os marinheiros da canhoneira inglesa “Nymph”. O resultado foi um empate de 2 X 2. Um segundo jogo foi realizado, dessa vez com vitória brasileira por 2 X 1. É provável que esses tenham sido os primeiros amistosos internacionais de um clube de futebol brasileiro.
No dia 17 de julho de 2000, data do centenário do clube, o histórico jogo foi revivido. Os tripulantes de um navio da Marinha Real Britânica, o “Dumbarton Castle”, perderam de 6 X 1 para o Sport Club Rio Grande, representado por sua equipe juvenil.
No início, a ausência de outros clubes no Estado obrigava o Rio Grande a jogar sozinho. Os outros clubes da cidade foram fundados bem depois. O S.C. São Paulo em 1908 e o F.B.C. Rio-Grandense em 11 de julho de 1909. Foram vários os “matchs” de demonstração dos times “A” e “B” do S.C. Rio Grande pelo interior gaúcho.
O S.C. Rio Grande foi o introdutor do futebol em Porto Alegre, Pelotas e Bagé. O primeiro jogo realizado em Porto Alegre ocorreu em 7 de setembro de 1903. Foi um empate sem gols entre as equipes Cores X Brancos do Sport Club Rio Grande. No mesmo dia, após o jogo, os sócios da União Velocipédica, tentaram fundar um clube de futebol, mas não chegaram a um acordo.
Menos de duas semanas depois, estavam fundadas duas agremiações futebolísticas em Porto Alegre, ambas em 15 de setembro: o Grêmio F.B. Portoalegrense e o Fuss-Ball Club Porto Alegre, este por iniciativa dos ciclistas alemães da Rodforvier Verein Blitz. O Fuss-Ball encerrou as atividades na década de 40 e o Grêmio existe até hoje.
No dia 4 de outubro de 1901, a convite da União Gaúcha aconteceu em Pelotas a primeira partida de futebol que se tem notícia. O futebol foi apresentado à cidade pelos atletas do Rio Grande, em jogo demonstrativo de suas equipes “A” e “B”.
Em 1º de janeiro de 1906, criou-se em Pelotas o Club Sportivo, para a prática do futebol. Meses depois, por uma cisão dessa recente entidade esportiva surgiu o Foot-Ball Club. No dia 10 de janeiro de 1906, criou-se o Club Sportivo Internacional. Nesse mesmo ano de 1906, outro clube teve sua fundação, o Sport Club União. Logo após a criação destas equipes de futebol, inúmeros jogos amistosos foram realizados entre estas instituições, tornando-se o futebol um esporte popular na cidade.
Os principais clubes da cidade surgiram depois. S.C. Pelotas, fundado em 17 de setembro de 1908, G.E. Brasil, fundado em 7 de setembro de 1911 e G.A. 9º Regimento (atual G.A. Farroupilha), fundado em 26 de abril de 1926.
Em 15 de novembro de 1906 o S.C. Rio Grande concluiu sua missão difusora ao visitar a cidade de Bagé e lá introduzir o futebol. O jogo entre os times “A” e “B” fez parte da programação da Exposição Agropecuária. Um pequeno público assistiu à apresentação, porque o futebol era considerado na época “uma indecência, uma imoralidade, onde homens de perna cabeluda de fora, correndo, davam coice numa bola”...
No mesmo dia foi criado o primeiro time de futebol de Bagé, o Sport Club Bagé, inicialmente com as cores azul e branco, depois preto e amarelo. Ele manteve-se ativo até 1914, quando seus principais jogadores resolveram jogar pelo Guarany F.C., fundado em 19 de abril de 1907. Em 5 de agosto de 1920 surgiu o Grêmio Esportivo Bagé.
Durante muitos anos o S.C. Rio Grande foi soberano no futebol gaúcho. Tanto que só perdeu sua invencibilidade em 1909, para o S.C. Pelotas. Foi o primeiro clube brasileiro a realizar uma partida de futebol internacional, em 1910, contra o então poderoso Clube Atlético Estudiantes, da Argentina, a quem depois retribuiu a visita. E em 1911 enfrentou a Seleção Uruguaia. Mas o maior feito da história do clube foi a conquista do título de Campeão Gaúcho de 1936.
A rica história do S.C. Rio Grande, hoje disputando a 2ª Divisão gaúcha está sendo preservada. Em 2001, a produtora cultural Helena Portella criou o Memorial Johannes Cristian Moritz Minnemann, onde estão guardados troféus, fotos antigas, flâmulas e documentos importantes da fundação do clube, verdadeiros tesouros do futebol brasileiro. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Ao final do século XIX, existia em Rio Grande a “Casa dos Atiradores”, também chamada de “Tiro Alemão”. Ela reunia inclusive operários da Companhia de Tecidos Rheingantz, que foi durante décadas o maior estabelecimento fabril do Rio Grande do Sul. Em suas instalações havia espaço físico para a prática do futebol. Foi ali que os alemães da fábrica realizaram exibições esporádicas de futebol.
Jovens riograndinos, entre os quais imigrantes alemães e ingleses, decidiram montar um time para jogar contra os marinheiros que chegavam ao porto. O jovem Arthur Cecil Lawson, recém vindo de um período de estudos na Inglaterra trouxe o gosto pelo futebol, material esportivo e a experiência de já ter jogado na Europa como goleiro. O desejo de implantar o futebol na cidade encontrou resistência da forte colônia alemã existente na época.
Nesse período chegou a Rio Grande o jovem Johannes Cristian Moritz Minnemann, influente membro da sociedade, aficionado do futebol e nascido em Hamburgo, Alemanha, em 17 de julho de 1875, que se tornou o maior entusiasta da idéia.
Minnemann reuniu alemães, ingleses, portugueses e brasileiros com a finalidade de fundar o clube. Isso só não aconteceu no dia 17 de julho de 1900, no Clube Germânia (hoje Sociedade Germânia), porque houve reação contrária a presença de não-alemães. Depois de dois dias de discussões houve o consenso e o clube foi fundado. A ata de fundação foi redigida em alemão por Minnemann, que dominava mal o português. As cores escolhidas foram vermelho, verde e branco, como homenagem ao Rio Grande do Sul.
Minnemann desempenhou duas funções na nova entidade: "guarda-esportes" e zagueiro do time principal. Na primeira, era encarregado de organizar as partidas, ensinar as regras e o jogo aos novatos. Na segunda, dominava o campo e esbanjava categoria.
Casou-se em Rio Grande com a professora Adélia Marques e teve dois filhos nascidos no Brasil. Em 1912, partiu para Hamburgo com a família. Após a 1ª Guerra Mundial, tentou retornar, mas a falta de rotas marítimas entre os dois países e problemas com as autoridades francesas e suíças fizeram com que se decidisse por morar em Portugal.
Minnemmam morreu na cidade do Porto em 1929, sem nunca ter retornado a Rio Grande ou a terras brasileiras. De seus cinco filhos, dois já visitaram Rio Grande nos anos 80, para conhecer de perto o grande legado deixado pelo pai no sul do Brasil.
A primeira exibição futebolística ocorreu em 9 de outubro de 1900, entre sócios do clube. O jogo foi no campo do Clube de Tiro Alemão, perante 600 pessoas. A bola foi importada da Inglaterra. Em 18 de maio de 1901 os adversários foram os marinheiros da canhoneira inglesa “Nymph”. O resultado foi um empate de 2 X 2. Um segundo jogo foi realizado, dessa vez com vitória brasileira por 2 X 1. É provável que esses tenham sido os primeiros amistosos internacionais de um clube de futebol brasileiro.
No dia 17 de julho de 2000, data do centenário do clube, o histórico jogo foi revivido. Os tripulantes de um navio da Marinha Real Britânica, o “Dumbarton Castle”, perderam de 6 X 1 para o Sport Club Rio Grande, representado por sua equipe juvenil.
No início, a ausência de outros clubes no Estado obrigava o Rio Grande a jogar sozinho. Os outros clubes da cidade foram fundados bem depois. O S.C. São Paulo em 1908 e o F.B.C. Rio-Grandense em 11 de julho de 1909. Foram vários os “matchs” de demonstração dos times “A” e “B” do S.C. Rio Grande pelo interior gaúcho.
O S.C. Rio Grande foi o introdutor do futebol em Porto Alegre, Pelotas e Bagé. O primeiro jogo realizado em Porto Alegre ocorreu em 7 de setembro de 1903. Foi um empate sem gols entre as equipes Cores X Brancos do Sport Club Rio Grande. No mesmo dia, após o jogo, os sócios da União Velocipédica, tentaram fundar um clube de futebol, mas não chegaram a um acordo.
Menos de duas semanas depois, estavam fundadas duas agremiações futebolísticas em Porto Alegre, ambas em 15 de setembro: o Grêmio F.B. Portoalegrense e o Fuss-Ball Club Porto Alegre, este por iniciativa dos ciclistas alemães da Rodforvier Verein Blitz. O Fuss-Ball encerrou as atividades na década de 40 e o Grêmio existe até hoje.
No dia 4 de outubro de 1901, a convite da União Gaúcha aconteceu em Pelotas a primeira partida de futebol que se tem notícia. O futebol foi apresentado à cidade pelos atletas do Rio Grande, em jogo demonstrativo de suas equipes “A” e “B”.
Em 1º de janeiro de 1906, criou-se em Pelotas o Club Sportivo, para a prática do futebol. Meses depois, por uma cisão dessa recente entidade esportiva surgiu o Foot-Ball Club. No dia 10 de janeiro de 1906, criou-se o Club Sportivo Internacional. Nesse mesmo ano de 1906, outro clube teve sua fundação, o Sport Club União. Logo após a criação destas equipes de futebol, inúmeros jogos amistosos foram realizados entre estas instituições, tornando-se o futebol um esporte popular na cidade.
Os principais clubes da cidade surgiram depois. S.C. Pelotas, fundado em 17 de setembro de 1908, G.E. Brasil, fundado em 7 de setembro de 1911 e G.A. 9º Regimento (atual G.A. Farroupilha), fundado em 26 de abril de 1926.
Em 15 de novembro de 1906 o S.C. Rio Grande concluiu sua missão difusora ao visitar a cidade de Bagé e lá introduzir o futebol. O jogo entre os times “A” e “B” fez parte da programação da Exposição Agropecuária. Um pequeno público assistiu à apresentação, porque o futebol era considerado na época “uma indecência, uma imoralidade, onde homens de perna cabeluda de fora, correndo, davam coice numa bola”...
No mesmo dia foi criado o primeiro time de futebol de Bagé, o Sport Club Bagé, inicialmente com as cores azul e branco, depois preto e amarelo. Ele manteve-se ativo até 1914, quando seus principais jogadores resolveram jogar pelo Guarany F.C., fundado em 19 de abril de 1907. Em 5 de agosto de 1920 surgiu o Grêmio Esportivo Bagé.
Durante muitos anos o S.C. Rio Grande foi soberano no futebol gaúcho. Tanto que só perdeu sua invencibilidade em 1909, para o S.C. Pelotas. Foi o primeiro clube brasileiro a realizar uma partida de futebol internacional, em 1910, contra o então poderoso Clube Atlético Estudiantes, da Argentina, a quem depois retribuiu a visita. E em 1911 enfrentou a Seleção Uruguaia. Mas o maior feito da história do clube foi a conquista do título de Campeão Gaúcho de 1936.
A rica história do S.C. Rio Grande, hoje disputando a 2ª Divisão gaúcha está sendo preservada. Em 2001, a produtora cultural Helena Portella criou o Memorial Johannes Cristian Moritz Minnemann, onde estão guardados troféus, fotos antigas, flâmulas e documentos importantes da fundação do clube, verdadeiros tesouros do futebol brasileiro. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
sábado, 8 de março de 2008
Eu vi o menino Pelé jogar
Não sou torcedor do Santos F.C., mas já fui torcedor do Pelé. E quem não foi? Eu me considero um privilegiado. Não é qualquer um que teve a oportunidade de ver o Pelé, ainda menino dar seus primeiros chutes. Foi no dia 24 de março de 1957. Já se passaram 51 anos. Pelé ainda não era o rei. Tinha apenas 16 anos. Nasceu em 23 de outubro de 1940, em Três Corações (MG) e era reserva do time do Santos. Time não, timaço. O grande astro era o atacante Emanuel Del Vecchio. Jogava também Jair da Rosa Pinto, o velho “Jajá da Barra Mansa”, que tinha um “canhão” nos pés e estava quase pendurando as chuteiras. Álvaro e Pepe, convocados para a Seleção Brasileira, não jogaram.
Eu tinha a mesma idade de Pelé e já era maluco por futebol e acompanhava tudo que era jogo, especialmente o Campeonato Carioca pela Rádio Nacional, nas vozes dos inconfundíveis narradores Jorge Curi e Antônio Cordeiro. Jornal de fora, lá na minha terra, quase não se lia. Era mais o semanário local “O Ponche Verde”, que por sinal existe até hoje. Mas ainda assim fiquei sabendo da excursão do Santos pelo Rio Grande do Sul e do jogo em Bagé contra um combinado local.
Peguei o trem, pois naquela época as estradas eram de chão batido e os ônibus não ofereciam as comodidades de hoje. Os passageiros levavam de tudo, de leite a galinhas. Fui ver o jogo no Estádio da Pedra Moura, do Bagé. Era um domingo bonito, recém havia terminado o verão.
Logo no início do jogo, num choque com Athayde Tarouco, um uruguaio que jogava muita bola, o craque Del Vecchio saiu machucado para a entrada em seu lugar de um menino de 16 anos, que os bageenses chamavam “Pilê. Era Pelé que acabaria por marcar o gol santista no empate em 1 X 1. Para os gaúchos marcou Carlos Calvete, ponteiro direito, irmão de Raul Calvete, que mais tarde jogou pelo próprio Santos e foi campeão mundial de clubes.
Ao escrever um pouco sobre o Santos F.C., aproveitei para contar essa passagem vivida nos tempos de juventude, na minha pequena Dom Pedrito. Sei que os santistas vão me perdoar por ter ocupado tanto espaço. Mas foi uma bonita recordação.
O Santos FC foi fundado no dia 14 de abril de 1912, por iniciativa dos desportistas Raymundo Marques, Mário Ferraz de Campos e Argemiro de Souza Júnior. Os três se reuniram na sede do Clube Concórdia, com a intenção de fundarem um time de futebol. A dúvida foi o nome: Concórdia, Euterpe ou Brasil Atlético. Mas prevaleceu a proposta de um outro fundador, Edmundo Jorge Araújo, de Santos Football Clube.
Alguns fatos históricos. O primeiro Presidente foi Sizino Patusca. O primeiro jogo aconteceu em 15 de setembro de 1912, quando o Santos Football Club venceu o Santos Athletic Club, considerado o time dos ingleses, por 3 a 0. O primeiro gol da história do clube foi marcado por Arnaldo Silveira.
Poucos torcedores santistas sabem que nos primeiros meses o clube era tricolor, tendo como cores oficiais o branco, o azul e o dourado. Como havia muita dificuldade para confeccionar camisas e calções nessas cores, por sugestão do sócio Paulo Pelúccio, o clube adotou como cores oficiais o branco e o preto. O branco por representar a paz, e o preto, a nobreza.
Em 1913, o Santos começou a disputar o Campeonato Paulista. O jogo de estréia foi no dia 1º de junho, diante do Germânia. E levou uma nada animadora goleada de 8 a 1.Três semanas depois, no dia 22 de junho, o time santista conquistou sua primeira vitória em uma competição. E logo contra o Corinthians, que viria a se tornar seu maior rival: 6 a 3 e em pleno Parque São Jorge.
Paralelamente o Santos participou pela primeira vez do Campeonato Santista, ao lado de América, Escolástica Rosa e Atlético, sagrando-se campeão invicto, com seis vitórias em seis jogos, 35 gols pró e apenas sete contra. Esse foi o primeiro título da história do clube. Em 1914 foi bicampeão, também invicto. O Campeonato Paulista o Santos ganhou pela primeira vez em 1935. Depois foi campeão em 1955 (livrando um jejum de 20 anos), 1956, 1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969, 1973, 1978, 1984, 2006 (livrando um jejum de 22 anos) e 2007. O Santos foi campeão brasileiro em oito oportunidades e venceu vários torneios nacionais e internacionais.
Alguns craques que vestiram a camisa branca e preta: Manga (não é aquele do Botafogo e Internacional), Hélvio, Feijó, Ramiro, Formiga, Urubatão, Tite, Negri, Álvaro, Del Vecchio, Pepe, Diego e Robinho.
Em 1956, trazido pelas mãos de Valdemar de Brito, chegou a Vila Belmiro o menino Pelé, de 15 anos, que daria novo impulso à história do Santos, levando o clube a conquistas que enalteceram o futebol brasileiro. O Santos de Pelé praticamente deu a volta ao mundo, encantando torcedores com o futebol mágico de seus craques. Tinha um ataque memorável: Dorval, Mengávio, Coutinho, Pelé e Pepe. Nesse período, o Santos foi Bicampeão Mundial Interclubes (1962/1963) e Bicampeão da Taça Libertadores da América (1962/1963), entre outras glórias. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
Eu tinha a mesma idade de Pelé e já era maluco por futebol e acompanhava tudo que era jogo, especialmente o Campeonato Carioca pela Rádio Nacional, nas vozes dos inconfundíveis narradores Jorge Curi e Antônio Cordeiro. Jornal de fora, lá na minha terra, quase não se lia. Era mais o semanário local “O Ponche Verde”, que por sinal existe até hoje. Mas ainda assim fiquei sabendo da excursão do Santos pelo Rio Grande do Sul e do jogo em Bagé contra um combinado local.
Peguei o trem, pois naquela época as estradas eram de chão batido e os ônibus não ofereciam as comodidades de hoje. Os passageiros levavam de tudo, de leite a galinhas. Fui ver o jogo no Estádio da Pedra Moura, do Bagé. Era um domingo bonito, recém havia terminado o verão.
Logo no início do jogo, num choque com Athayde Tarouco, um uruguaio que jogava muita bola, o craque Del Vecchio saiu machucado para a entrada em seu lugar de um menino de 16 anos, que os bageenses chamavam “Pilê. Era Pelé que acabaria por marcar o gol santista no empate em 1 X 1. Para os gaúchos marcou Carlos Calvete, ponteiro direito, irmão de Raul Calvete, que mais tarde jogou pelo próprio Santos e foi campeão mundial de clubes.
Ao escrever um pouco sobre o Santos F.C., aproveitei para contar essa passagem vivida nos tempos de juventude, na minha pequena Dom Pedrito. Sei que os santistas vão me perdoar por ter ocupado tanto espaço. Mas foi uma bonita recordação.
O Santos FC foi fundado no dia 14 de abril de 1912, por iniciativa dos desportistas Raymundo Marques, Mário Ferraz de Campos e Argemiro de Souza Júnior. Os três se reuniram na sede do Clube Concórdia, com a intenção de fundarem um time de futebol. A dúvida foi o nome: Concórdia, Euterpe ou Brasil Atlético. Mas prevaleceu a proposta de um outro fundador, Edmundo Jorge Araújo, de Santos Football Clube.
Alguns fatos históricos. O primeiro Presidente foi Sizino Patusca. O primeiro jogo aconteceu em 15 de setembro de 1912, quando o Santos Football Club venceu o Santos Athletic Club, considerado o time dos ingleses, por 3 a 0. O primeiro gol da história do clube foi marcado por Arnaldo Silveira.
Poucos torcedores santistas sabem que nos primeiros meses o clube era tricolor, tendo como cores oficiais o branco, o azul e o dourado. Como havia muita dificuldade para confeccionar camisas e calções nessas cores, por sugestão do sócio Paulo Pelúccio, o clube adotou como cores oficiais o branco e o preto. O branco por representar a paz, e o preto, a nobreza.
Em 1913, o Santos começou a disputar o Campeonato Paulista. O jogo de estréia foi no dia 1º de junho, diante do Germânia. E levou uma nada animadora goleada de 8 a 1.Três semanas depois, no dia 22 de junho, o time santista conquistou sua primeira vitória em uma competição. E logo contra o Corinthians, que viria a se tornar seu maior rival: 6 a 3 e em pleno Parque São Jorge.
Paralelamente o Santos participou pela primeira vez do Campeonato Santista, ao lado de América, Escolástica Rosa e Atlético, sagrando-se campeão invicto, com seis vitórias em seis jogos, 35 gols pró e apenas sete contra. Esse foi o primeiro título da história do clube. Em 1914 foi bicampeão, também invicto. O Campeonato Paulista o Santos ganhou pela primeira vez em 1935. Depois foi campeão em 1955 (livrando um jejum de 20 anos), 1956, 1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969, 1973, 1978, 1984, 2006 (livrando um jejum de 22 anos) e 2007. O Santos foi campeão brasileiro em oito oportunidades e venceu vários torneios nacionais e internacionais.
Alguns craques que vestiram a camisa branca e preta: Manga (não é aquele do Botafogo e Internacional), Hélvio, Feijó, Ramiro, Formiga, Urubatão, Tite, Negri, Álvaro, Del Vecchio, Pepe, Diego e Robinho.
Em 1956, trazido pelas mãos de Valdemar de Brito, chegou a Vila Belmiro o menino Pelé, de 15 anos, que daria novo impulso à história do Santos, levando o clube a conquistas que enalteceram o futebol brasileiro. O Santos de Pelé praticamente deu a volta ao mundo, encantando torcedores com o futebol mágico de seus craques. Tinha um ataque memorável: Dorval, Mengávio, Coutinho, Pelé e Pepe. Nesse período, o Santos foi Bicampeão Mundial Interclubes (1962/1963) e Bicampeão da Taça Libertadores da América (1962/1963), entre outras glórias. (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
sexta-feira, 7 de março de 2008
O clube mais brasileiro
Recentemente, quando o S.C. Corinthians Paulista foi rebaixado para a Série B do campeonato brasileiro, coisas quase inacreditáveis ocorreram. Fora seus torcedores, o país inteiro torceu pela queda corinthiana. Só para não aprofundar essa situação, cito um exemplo, apenas e que diz tudo. Torcedores do S.C. Internacional, de Porto Alegre, que foram em grande número ao Estádio Serra Dourada, em Goiânia, na última rodada do campeonato do ano passado, torceram contra seu próprio clube, como “doce” vingança pelo título do “Brasileirão” de 2005, que o Corinthians teria ganho de maneira que até hoje suscita dúvidas.
O Corinthians, depois do Flamengo é o dono da maior torcida no país. Isso explica em parte as constantes “secadas” dos torcedores rivais. Fora essas circunstâncias que o futebol é pródigo em apresentar, inegavelmente o Corinthians é um clube que merece toda a admiração e respeito. Sua história é cheia de feitos empolgantes.
O clube surgiu em 1911, quando recém a elite paulistana abria as portas do novo esporte para as classes mais populares. Era 1º de setembro de 1910, quando os operários Joaquim Ambrósio, Carlos da Silva, Rafael Perrone, Antônio Pereira e Anselmo Correia, reunidos com outros oito rapazes fundaram o Sport Club Corinthians Paulista, depois de assistirem um jogo do time inglês do “Corinthia Casuals Football Club”, que excursionava ao Brasil. O primeiro presidente do Corinthians brasileiro foi o alfaiate Miguel Bataglia, que vaticinou: “O Corinthians vai ser o time do povo e o povo é quem vai fazer o time". E não deu outra.
Os primeiros tempos do Corinthians foram passados nos campos de várzea. O primeiro jogo aconteceu em 10 de setembro de 1910, quando perdeu por 1 X 0 para o União da Lapa, uma respeitada equipe da várzea paulistana. O primeiro gol da vida do clube foi marcado pelo jogador Luis Fabi, na vitória de 2 X 0 sobre o também varzeano Estrela Polar, no dia 14 de setembro de 1910. Depois disso, foram dois anos de invencibilidade.
Somente em 1913, dois anos depois de fundado é que o clube pleiteou uma vaga junto à Liga Paulista de Futebol. Teve que disputar uma eliminatória, derrotando o Minas Gerais por 1 X 0 e o São Paulo do Bexiga, por 4 X 1.
A estréia no Campeonato Paulista de 1913, quando terminou em quarto lugar, não foi boa: perdeu para o Germânia, por 3 X 1. O jogador Joaquim Rodrigues escreveu seu nome na história do Corinthians, marcando o primeiro gol do clube em partidas oficiais.
Em 1914, começava a hegemonia: no segundo Campeonato Paulista que disputou o Corinthians não deu chance para os adversários. Uma campanha arrasadora, com 10 vitórias em 10 jogos, 39 gols marcados e goleadas para todos os lados e Neco, como artilheiro com 12 gols. Nesse mesmo ano jogou sua primeira partida internacional, perdendo para o Torino, da Itália por 3 X 0. Começava assim a história futebolística do Sport Club Corinthians Paulista.
Muitos foram os craques que vestiram a camisa alvinegra. O maior deles foi Manuel Nunes, o Neco, que jogou no Corinthians por 17 anos. Era um jogador polivalente, atuando na ponta-esquerda, centro-avante e no meio de campo. Começou no terceiro quadro corintiano, em 1911. Em 1914, foi campeão paulista pela primeira vez, e artilheiro com 12 gols, feito que repetiria em 1920, quando marcou 24 gols. Em 1915, o Corinthians viveu sua primeira grande crise, quando não disputou torneios oficiais e quase fechou as portas, ameaçado de ter a sede tomada e todos os móveis penhorados. Neco foi então emprestado ao Mackenzie.
Em 1916, o Corinthians voltou a Liga e foi de novo campeão. Isso se repetiria em 1922, 1923, 1924, 1928 e 1930. Neco foi também o primeiro jogador corintiano convocado para a Seleçao Brasileira, ao lado de Amilcar Barbuy. E ainda o primeiro jogador do Corinthians a ter um busto no Parque São Jorge. Neco disputou 296 jogos (215 vitórias, 35 empates e 46 derrotas), marcou 235 gols e venceu os Campeonatos Paulistas de 1914 (invicto), 1916 (invicto), 1922 (centenário da Independência), 1923, 1924, 1928 e 1930.
Muitos jogadores brilharam no Corinthians, como Luizinho, Baltazar (o cabecinha de ouro), Cláudio (apelidado o gerente), Oreco, Gilmar, Rivelino, Vladimir, Basílio, Sócrates, Casa Grande, Marcelinho Carioca e Carlito Tevez, entre outros. Mas nenhum com a intensidade de Neco.
O Corinthians ainda papou o Paulistão nos anos de 1937 (primeiro título no profissionalismo), 1938 (invicto), 1939, 1941, 1951 (com o famoso ataque dos 103 gols), 1952, 1954 (IV Centenário de São Paulo), 1977 (Jubileu de Diamantes), 1979, 1982, 1983, 1988, 1995, 1997, 1999, 2001 e 2003. (campeão do século).
Outros títulos importantes na história do clube: Torneio Quinela de Ouro (invicto, 1942); Taça Cidade de São Paulo (1942, 1947, 1948 e 1952); Torneio Rio-São Paulo (1950, 1953, 1954, 1966 e 2002); Pequena Copa do Mundo em Caracas, Venezuela (1953); Torneio Internacional Charles Miller (1955); Taça dos Invictos (1956 e 1957); Taça São Paulo (1962); Torneio de Torino, Itália (1966 e 1969); Torneio Costa do Sol, na Espanha (1969); Torneio Internacional de Nova York (1969); Torneio Laudo Natel (1973); Taça Governador do Estado (1978); Copa Internacional da Feira de Hidalgo, México (1981); Taça Cidade de Porto Alegre (1983); Super Copa do Brasil (1991); Copa do Brasil (1995 e 2002); Torneio Ramón de Carranza, Espanha (1996); 1º Mundial Interclubes da FIFA (2001) e Campeonato Brasileiro (1990,1998, 1999 e 2005). (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
O Corinthians, depois do Flamengo é o dono da maior torcida no país. Isso explica em parte as constantes “secadas” dos torcedores rivais. Fora essas circunstâncias que o futebol é pródigo em apresentar, inegavelmente o Corinthians é um clube que merece toda a admiração e respeito. Sua história é cheia de feitos empolgantes.
O clube surgiu em 1911, quando recém a elite paulistana abria as portas do novo esporte para as classes mais populares. Era 1º de setembro de 1910, quando os operários Joaquim Ambrósio, Carlos da Silva, Rafael Perrone, Antônio Pereira e Anselmo Correia, reunidos com outros oito rapazes fundaram o Sport Club Corinthians Paulista, depois de assistirem um jogo do time inglês do “Corinthia Casuals Football Club”, que excursionava ao Brasil. O primeiro presidente do Corinthians brasileiro foi o alfaiate Miguel Bataglia, que vaticinou: “O Corinthians vai ser o time do povo e o povo é quem vai fazer o time". E não deu outra.
Os primeiros tempos do Corinthians foram passados nos campos de várzea. O primeiro jogo aconteceu em 10 de setembro de 1910, quando perdeu por 1 X 0 para o União da Lapa, uma respeitada equipe da várzea paulistana. O primeiro gol da vida do clube foi marcado pelo jogador Luis Fabi, na vitória de 2 X 0 sobre o também varzeano Estrela Polar, no dia 14 de setembro de 1910. Depois disso, foram dois anos de invencibilidade.
Somente em 1913, dois anos depois de fundado é que o clube pleiteou uma vaga junto à Liga Paulista de Futebol. Teve que disputar uma eliminatória, derrotando o Minas Gerais por 1 X 0 e o São Paulo do Bexiga, por 4 X 1.
A estréia no Campeonato Paulista de 1913, quando terminou em quarto lugar, não foi boa: perdeu para o Germânia, por 3 X 1. O jogador Joaquim Rodrigues escreveu seu nome na história do Corinthians, marcando o primeiro gol do clube em partidas oficiais.
Em 1914, começava a hegemonia: no segundo Campeonato Paulista que disputou o Corinthians não deu chance para os adversários. Uma campanha arrasadora, com 10 vitórias em 10 jogos, 39 gols marcados e goleadas para todos os lados e Neco, como artilheiro com 12 gols. Nesse mesmo ano jogou sua primeira partida internacional, perdendo para o Torino, da Itália por 3 X 0. Começava assim a história futebolística do Sport Club Corinthians Paulista.
Muitos foram os craques que vestiram a camisa alvinegra. O maior deles foi Manuel Nunes, o Neco, que jogou no Corinthians por 17 anos. Era um jogador polivalente, atuando na ponta-esquerda, centro-avante e no meio de campo. Começou no terceiro quadro corintiano, em 1911. Em 1914, foi campeão paulista pela primeira vez, e artilheiro com 12 gols, feito que repetiria em 1920, quando marcou 24 gols. Em 1915, o Corinthians viveu sua primeira grande crise, quando não disputou torneios oficiais e quase fechou as portas, ameaçado de ter a sede tomada e todos os móveis penhorados. Neco foi então emprestado ao Mackenzie.
Em 1916, o Corinthians voltou a Liga e foi de novo campeão. Isso se repetiria em 1922, 1923, 1924, 1928 e 1930. Neco foi também o primeiro jogador corintiano convocado para a Seleçao Brasileira, ao lado de Amilcar Barbuy. E ainda o primeiro jogador do Corinthians a ter um busto no Parque São Jorge. Neco disputou 296 jogos (215 vitórias, 35 empates e 46 derrotas), marcou 235 gols e venceu os Campeonatos Paulistas de 1914 (invicto), 1916 (invicto), 1922 (centenário da Independência), 1923, 1924, 1928 e 1930.
Muitos jogadores brilharam no Corinthians, como Luizinho, Baltazar (o cabecinha de ouro), Cláudio (apelidado o gerente), Oreco, Gilmar, Rivelino, Vladimir, Basílio, Sócrates, Casa Grande, Marcelinho Carioca e Carlito Tevez, entre outros. Mas nenhum com a intensidade de Neco.
O Corinthians ainda papou o Paulistão nos anos de 1937 (primeiro título no profissionalismo), 1938 (invicto), 1939, 1941, 1951 (com o famoso ataque dos 103 gols), 1952, 1954 (IV Centenário de São Paulo), 1977 (Jubileu de Diamantes), 1979, 1982, 1983, 1988, 1995, 1997, 1999, 2001 e 2003. (campeão do século).
Outros títulos importantes na história do clube: Torneio Quinela de Ouro (invicto, 1942); Taça Cidade de São Paulo (1942, 1947, 1948 e 1952); Torneio Rio-São Paulo (1950, 1953, 1954, 1966 e 2002); Pequena Copa do Mundo em Caracas, Venezuela (1953); Torneio Internacional Charles Miller (1955); Taça dos Invictos (1956 e 1957); Taça São Paulo (1962); Torneio de Torino, Itália (1966 e 1969); Torneio Costa do Sol, na Espanha (1969); Torneio Internacional de Nova York (1969); Torneio Laudo Natel (1973); Taça Governador do Estado (1978); Copa Internacional da Feira de Hidalgo, México (1981); Taça Cidade de Porto Alegre (1983); Super Copa do Brasil (1991); Copa do Brasil (1995 e 2002); Torneio Ramón de Carranza, Espanha (1996); 1º Mundial Interclubes da FIFA (2001) e Campeonato Brasileiro (1990,1998, 1999 e 2005). (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
quinta-feira, 6 de março de 2008
Um futebol de muita tradição
O futebol paulista, no início se caracterizou pelo domínio das elites. Quem jogava eram apenas os brancos, filhos das melhores famílias da sociedade. Assim persistiu por alguns anos. Mesmo depois da realização do primeiro campeonato paulista, em 1902, os jogadores continuavam sendo na maioria técnicos industriais e engenheiros ingleses. Demorou, é verdade, mas por volta de 1910 o esporte deixou de ser privilégio das classes mais favorecidas.
Da Várzea do Carmo, local do primeiro jogo de futebol no Brasil, os gramados proliferaram por toda São Paulo, chegando às vilas, bairros operários e margens das estradas de ferro. Surgiram os clubes de várzea, que além do futebol promoviam atividades sociais. O futebol passava de esporte de elite para o mais popular em todo o país.
A história do futebol de São Paulo começou realmente a ser contada com o Campeonato Paulista de Futebol de 1902, o primeiro no Brasil. Naquele primeiro ano apenas cinco equipes disputaram o título, e todas da capital: A.A. Mackenzie College, São Paulo Athletic, Germânia, Paulistano e S.C. Internacional.
No dia 13 de maio, o campeonato teve início com o histórico jogo Mackenzie 2 X 1 Germânia, que foi o primeiro jogo oficial realizado no Brasil. O jogador Eppinghaus, do Mackenzie, foi o autor do primeiro gol da história do Paulistão. O local do jogo foi o estádio do Velódromo. Havia uma placa nas arquibancadas onde se lia: "É expressamente proibido vaiar".
Embora já se cobrasse ingressos, o jogo Internacional e Mackenzie, no dia 29-05-1902, foi franqueado ao público. Ou quase. O jornal 'A Província de São Paulo', publicou que "A entrada para este match será franqueada a toda pessoa decentemente trajada".
O jogo final aconteceu em 26 de outubro entre São Paulo Athletic e Paulistano que terminaram a competição empatados com 12 pontos e não havia um critério para desempate. A fórmula achada foi um jogo desempate para definir o campeão. O São Paulo Athletic venceu por 2 X 1.
O time pioneiro do futebol brasileiro foi o São Paulo Athletic Club (hoje Clube Atlético São Paulo), fundado em 13 de maio de 1888, para a prática do críquete, nada tendo a ver com o atual São Paulo Futebol Clube. O futebol foi introduzido no clube em abril de 1895, por sugestão do associado Charles Miller. O SPAC desativou seu departamento de futebol no ano de 1912. Em sua curta história futebolística conseguiu faturar o tricampeonato paulista em 1902, 1903 e 1904.
O Club Athlético Paulistano foi fundado em 29 de dezembro de 1900 e existe até hoje como clube social. Em 1929, com o advento do prifissionalismo fechou o departamento de futebol. Enquanto competiu, foi um importante clube de futebol, tendo vencido o Campeonato Paulista onze vezes (1905, 1908, 1913, 1916, 1917, 1918, 1919, 1921, 1926, 1927 e 1929). Foi o primeiro clube de futebol brasileiro a excursionar a Europa. O Paulistano é o único tetra-campeão paulista consecutivamente: 1916, 1917, 1918 e 1919. Até hoje ninguém repetiu tal façanha.
Nos primeiros tempos do futebol paulista outras agremiações que participaram dos campeonatos, estão extintas: o Sport Clube Internacional, fundado em 19 de agosto de 1899, foi campeão em 1907. Em 1909, o ex-integrante do clube Henrique Poppe Leão, transferido para Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, foi um dos responsáveis pela fundação do Sport Club Internacional gaúcho, que viria a ser campeão da América, e do Mundo Fifa. Em 1933, em dificuldades financeiras, acabou se fundindo ao Antarctica Futebol Clube, dando origem ao Clube Atlético Paulista.
Associação Atlética das Palmeiras, fundada em 9 de Novembro de 1902, foi campeã paulista por três vezes: em 1909, 1910 e 1915 (pela Associação Paulista de Esportes Atléticos-APEA) e em 1911 ganhou a Taça “Salutaris”, competição entre os campeões carioca e paulista, ao vencer o Botafogo. No fim da década de 1920, com a profissionalização do futebol e a decadência no cenário futebolístico paulista, encerrou as atividades.
A Associação Atlética São Bento, fundada em 1914 pelo Padre Katon, professor do Ginásio São Bento, logo em seu primeiro ano de disputa do Campeonato Paulista, em 1925, superou os grandes da época e sagrou-se campeã. A equipe continuou até 1935, quando abandonou o futebol com o advento do profissionalismo.
O Sport Club Germânia foi fundado em 7 de setembro de 1899, por Hans Nobiling. A equipe disputou 26 vezes o campeonato paulista de futebol, sendo campeã nos anos de 1906 e 1915 (pela Liga Paulista de Futebol). Teve que mudar de nome por determinação do governo durante a Guerra Mundial, passando a se chamar Esporte Clube Pinheiros, atualmente um clube social e esportivo. Com a chegada do futebol profissional, fechou o departamento de futebol.
O Clube Atlético Ypiranga, fundado em 10 de junho de 1906, foi um dos mais fortes times de futebol de São Paulo e fundador da Federação Paulista de Futebol. Apesar disso, não ganhou nenhum título de campeão paulista. Foi vice-campeão estadual em 1913, 1935 e 1936. Friendereich e o goleiro Barbosa, que jogou a Copa do Mundo de 1950 jogaram no clube. Em 1959, depois de rebaixado para a 2ª divisão, desativou o departamento de futebol profissional.
O primeiro São Paulo Futebol Clube, que era conhecido como São Paulo da Floresta por seu campo ser na Chácara da Floresta, antigo campo da A.A. das Palmeiras, disputou o Campeonato Paulista de Futebol entre os anos de 1930 e 1934, quando foi à falência, dando lugar ao atual São Paulo Futebol Clube. O São Paulo da Floresta foi campeão paulista em 1931. O clube nasceu do descontentamento de ex-dirigentes do Paulistano e da A.A. das Palmeiras que haviam fechado suas portas. Surgia assim o São Paulo Futebol Clube em 27 de janeiro de 1930.
Logo no segundo campeonato que disputou a nova equipe levantou o título. Em 1934 adquiriu uma luxuosa sede, “o Trocadero”, por 190 contos de réis. Não conseguindo honrar a dívida, o clube foi absorvido pelo Clube de Regatas Tietê. Em 1935, disputou a seletiva do campeonato paulista com o nome Tietê-São Paulo, mas não conseguiu classificação e deixou de existir. Com a refundação do São Paulo, em 1935, a agremiação no período entre janeiro de 1930 e maio de 1935 passou a ser conhecida como "São Paulo da Floresta”.
Fundada em 26 de agosto de 1914, a Sociedade Esportiva Palestra Itália era a antiga denominação da Sociedade Esportiva Palmeiras. Quando o Brasil declarou guerra ao Eixo, na Segunda Guerra Mundial, foram proibidos nomes que fizessem menção à Itália, Alemanha e Japão. Por esse motivo, o governo determinou a mudança. O nome Palmeiras foi escolhido para aproveitar o P no uniforme e homenagear a extinta Associação Atlética das Palmeiras, na qual alguns jogadores do Palestra haviam jogado.
Como Palestra Itália, foi campeão em 1918, 1919, 1926, 1927, 1932, 1933, 1934 e 1940e em 1936 dividiu o título com a Portuguesa de Desportos. Já como Palmeiras foi campeão paulista em 1942, 1944, 1947, 1950, 1959, 1963, 1966, 1972, 1974, 1976, 1994 e 1996. Continuarei contando a história do futebol paulista. Nos próximos artigos escreverei sobre S.C. Corinthians Paulista e Santos F.C.) (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
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Da Várzea do Carmo, local do primeiro jogo de futebol no Brasil, os gramados proliferaram por toda São Paulo, chegando às vilas, bairros operários e margens das estradas de ferro. Surgiram os clubes de várzea, que além do futebol promoviam atividades sociais. O futebol passava de esporte de elite para o mais popular em todo o país.
A história do futebol de São Paulo começou realmente a ser contada com o Campeonato Paulista de Futebol de 1902, o primeiro no Brasil. Naquele primeiro ano apenas cinco equipes disputaram o título, e todas da capital: A.A. Mackenzie College, São Paulo Athletic, Germânia, Paulistano e S.C. Internacional.
No dia 13 de maio, o campeonato teve início com o histórico jogo Mackenzie 2 X 1 Germânia, que foi o primeiro jogo oficial realizado no Brasil. O jogador Eppinghaus, do Mackenzie, foi o autor do primeiro gol da história do Paulistão. O local do jogo foi o estádio do Velódromo. Havia uma placa nas arquibancadas onde se lia: "É expressamente proibido vaiar".
Embora já se cobrasse ingressos, o jogo Internacional e Mackenzie, no dia 29-05-1902, foi franqueado ao público. Ou quase. O jornal 'A Província de São Paulo', publicou que "A entrada para este match será franqueada a toda pessoa decentemente trajada".
O jogo final aconteceu em 26 de outubro entre São Paulo Athletic e Paulistano que terminaram a competição empatados com 12 pontos e não havia um critério para desempate. A fórmula achada foi um jogo desempate para definir o campeão. O São Paulo Athletic venceu por 2 X 1.
O time pioneiro do futebol brasileiro foi o São Paulo Athletic Club (hoje Clube Atlético São Paulo), fundado em 13 de maio de 1888, para a prática do críquete, nada tendo a ver com o atual São Paulo Futebol Clube. O futebol foi introduzido no clube em abril de 1895, por sugestão do associado Charles Miller. O SPAC desativou seu departamento de futebol no ano de 1912. Em sua curta história futebolística conseguiu faturar o tricampeonato paulista em 1902, 1903 e 1904.
O Club Athlético Paulistano foi fundado em 29 de dezembro de 1900 e existe até hoje como clube social. Em 1929, com o advento do prifissionalismo fechou o departamento de futebol. Enquanto competiu, foi um importante clube de futebol, tendo vencido o Campeonato Paulista onze vezes (1905, 1908, 1913, 1916, 1917, 1918, 1919, 1921, 1926, 1927 e 1929). Foi o primeiro clube de futebol brasileiro a excursionar a Europa. O Paulistano é o único tetra-campeão paulista consecutivamente: 1916, 1917, 1918 e 1919. Até hoje ninguém repetiu tal façanha.
Nos primeiros tempos do futebol paulista outras agremiações que participaram dos campeonatos, estão extintas: o Sport Clube Internacional, fundado em 19 de agosto de 1899, foi campeão em 1907. Em 1909, o ex-integrante do clube Henrique Poppe Leão, transferido para Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, foi um dos responsáveis pela fundação do Sport Club Internacional gaúcho, que viria a ser campeão da América, e do Mundo Fifa. Em 1933, em dificuldades financeiras, acabou se fundindo ao Antarctica Futebol Clube, dando origem ao Clube Atlético Paulista.
Associação Atlética das Palmeiras, fundada em 9 de Novembro de 1902, foi campeã paulista por três vezes: em 1909, 1910 e 1915 (pela Associação Paulista de Esportes Atléticos-APEA) e em 1911 ganhou a Taça “Salutaris”, competição entre os campeões carioca e paulista, ao vencer o Botafogo. No fim da década de 1920, com a profissionalização do futebol e a decadência no cenário futebolístico paulista, encerrou as atividades.
A Associação Atlética São Bento, fundada em 1914 pelo Padre Katon, professor do Ginásio São Bento, logo em seu primeiro ano de disputa do Campeonato Paulista, em 1925, superou os grandes da época e sagrou-se campeã. A equipe continuou até 1935, quando abandonou o futebol com o advento do profissionalismo.
O Sport Club Germânia foi fundado em 7 de setembro de 1899, por Hans Nobiling. A equipe disputou 26 vezes o campeonato paulista de futebol, sendo campeã nos anos de 1906 e 1915 (pela Liga Paulista de Futebol). Teve que mudar de nome por determinação do governo durante a Guerra Mundial, passando a se chamar Esporte Clube Pinheiros, atualmente um clube social e esportivo. Com a chegada do futebol profissional, fechou o departamento de futebol.
O Clube Atlético Ypiranga, fundado em 10 de junho de 1906, foi um dos mais fortes times de futebol de São Paulo e fundador da Federação Paulista de Futebol. Apesar disso, não ganhou nenhum título de campeão paulista. Foi vice-campeão estadual em 1913, 1935 e 1936. Friendereich e o goleiro Barbosa, que jogou a Copa do Mundo de 1950 jogaram no clube. Em 1959, depois de rebaixado para a 2ª divisão, desativou o departamento de futebol profissional.
O primeiro São Paulo Futebol Clube, que era conhecido como São Paulo da Floresta por seu campo ser na Chácara da Floresta, antigo campo da A.A. das Palmeiras, disputou o Campeonato Paulista de Futebol entre os anos de 1930 e 1934, quando foi à falência, dando lugar ao atual São Paulo Futebol Clube. O São Paulo da Floresta foi campeão paulista em 1931. O clube nasceu do descontentamento de ex-dirigentes do Paulistano e da A.A. das Palmeiras que haviam fechado suas portas. Surgia assim o São Paulo Futebol Clube em 27 de janeiro de 1930.
Logo no segundo campeonato que disputou a nova equipe levantou o título. Em 1934 adquiriu uma luxuosa sede, “o Trocadero”, por 190 contos de réis. Não conseguindo honrar a dívida, o clube foi absorvido pelo Clube de Regatas Tietê. Em 1935, disputou a seletiva do campeonato paulista com o nome Tietê-São Paulo, mas não conseguiu classificação e deixou de existir. Com a refundação do São Paulo, em 1935, a agremiação no período entre janeiro de 1930 e maio de 1935 passou a ser conhecida como "São Paulo da Floresta”.
Fundada em 26 de agosto de 1914, a Sociedade Esportiva Palestra Itália era a antiga denominação da Sociedade Esportiva Palmeiras. Quando o Brasil declarou guerra ao Eixo, na Segunda Guerra Mundial, foram proibidos nomes que fizessem menção à Itália, Alemanha e Japão. Por esse motivo, o governo determinou a mudança. O nome Palmeiras foi escolhido para aproveitar o P no uniforme e homenagear a extinta Associação Atlética das Palmeiras, na qual alguns jogadores do Palestra haviam jogado.
Como Palestra Itália, foi campeão em 1918, 1919, 1926, 1927, 1932, 1933, 1934 e 1940e em 1936 dividiu o título com a Portuguesa de Desportos. Já como Palmeiras foi campeão paulista em 1942, 1944, 1947, 1950, 1959, 1963, 1966, 1972, 1974, 1976, 1994 e 1996. Continuarei contando a história do futebol paulista. Nos próximos artigos escreverei sobre S.C. Corinthians Paulista e Santos F.C.) (Texto e pesquisa: Nilo Dias)
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quarta-feira, 5 de março de 2008
O futebol mais charmoso do Brasil
Muita gente pergunta por quais razões o desenvolvimento do futebol no Rio de Janeiro, uma cidade portuária, na época capital do país e seu maior centro industrial e demográfico, foi mais lento que em São Paulo?
Entre as várias respostas, uma desponta como mais razoável: os cariocas praticavam dois esportes bastante populares, o remo e o críquete. Vejam que o Flamengo, fundado em 17 de novembro de 1895 (a data oficial é 15 de novembro, porque os fundadores concluíram que o aniversário do clube deveria sempre ser feriado nacional) nasceu como um clube dedicado ao remo. Apenas no dia 24 de dezembro de 1911, criou oficialmente o seu time de futebol.
E o Vasco da Gama, fundado em 21 de agosto de 1898, também se dedicava exclusivamente ao remo. O futebol veio ainda depois do Flamengo, somente em 26 de novembro de 1915. E o Clube de Regatas Botafogo, fundado em 1º de julho de 1894, que deu origem ao atual Botafogo de Futebol e Regatas (houve uma fusão em 8 de dezembro de 1942 com o Botafogo Football Club) também era uma agremiação dedicada ao remo.
O São Cristóvão, popular clube carioca, foi fundado em 12 de outubro de 1898 como clube de regatas. A atual denominação de Futebol e Regatas surgiu em 13 de fevereiro de 1943, resultado de uma fusão com o São Cristóvão Atlético Clube, fundado em 5 de julho de 1909.
Ainda tivemos nos primórdios do futebol carioca as presenças de vários clubes, todos dedicados a outras modalidades esportivas. O Rio Team, por exemplo, praticava ginástica, regatas e boliche. Aderiu ao futebol em 1º de agosto de 1901, como um time avulso pelas mãos de Oscar Alfredo Cox, considerado o “pai do futebol carioca”. Foi ele que introduziu o futebol no Rio de Janeiro, depois de concluir seus estudos no Colégio de La Ville, em Lausanne, Suíça. O Rio Team foi a primeira equipe de futebol constituída no estado.
O Rio Cricket and Athletic Association (hoje Rio Cricket Associação Atlética) foi fundado por George Emmanuel Cox, pai de Oscar Cox, em 1872, em Niterói e participou das primeiras edições do Campeonato Carioca. Inclusive, a primeira partida de futebol oficialmente realizada no Estado do Rio de Janeiro aconteceu no campo do Rio Cricket em 22 de setembro de 1901. Rio Team e Rio Cricket empataram em 1 X 1, sob os olhares curiosos de 15 expectadores.
O futebol no Rio de Janeiro começou a desenvolver mesmo, só depois que Oscar Cox fundou o Fluminense Football Club, em 21 de julho de 1902. E cresceu no ano seguinte com o surgimento do Football and Athletic Club e estourou de vez no ano de 1904 com a fundação do Bangu Athletic Club, Botafogo Football Club, América Football Club, Colégio Militar F.C., Internacional, além do Rio Cricket, antigo clube de Niterói, que passou a praticar o esporte. Em 1905 surgiram mais clubes como o Riachuelo, o Haddock Lobo, o Mangueira e o Payssandu Cricket Club, existente desde 1872 e que passou a jogar futebol entre seus associados.
Com a proliferação dos clubes de futebol e o prestígio alcançado entre a população local que começava a comparecer em massa aos campos, surgiu a necessidade de estruturar a realização dos jogos e organizar as competições entre equipes do Rio e Niterói, como já acontecia em São Paulo e Bahia.
Assim, iniciou-se uma campanha para a criação de uma liga de futebol carioca reunindo Rio Cricket and Athletic Association, Fluminense Football Club, Football Athletic Club, América Football Club, Bangu Atllétic Club, Sport Club Petrópolis e Paysandu Cricket Club.
O êxito da campanha resultou na fundação, em 8 de junho de 1905, da Liga Metropolitana de Futebol (LMF), que acabou por trocar sua denominação, em 18 de fevereiro de 1907, para Liga Metropolitana de Esportes Terrestres (LMET), que acabou por se extinguir ao final do campeonato do mesmo ano por atitudes racistas.
O primeiro campeonato carioca foi organizado em 1906 pela Liga Metropolitana de Football (LMF). O certame contou com apenas seis participantes: Bangu, Botafogo, Fluminense, Football and Athletic Club, Paysandu e Rio Cricket e foi vencido pelo Fluminense, clube que mais se empenhou na realização da competição. O Payssandu foi vice-campeão.
A bola rolou pela primeira vez no Campeonato Carioca no dia 3 de Maio de 1906. No campo da Rua Guanabara, o Fluminense iniciou sua trajetória goleando o Paysandu por 7 x 1. O primeiro gol da história do torneio foi marcado pelo tricolor Horácio Costa Santos.
Em 29 de fevereiro de 1908, Fluminense, Botafogo, América, Paysandu, Rio-Cricket e Riachuelo fundaram a Liga Metropolitana de Sports Athléticos (LMSA).
Com o decorrer dos anos surgiram vários novos clubes, entre eles o Goitacaz F.C., de Campos (20-08-1912), Bonsucesso F.C. (12-10-1913), Canto do Rio Football Club, de Niterói (14-11-1913), Americano F.C ., de Campos (01-06-1914), Serrano F.C., de Petrópolis (29-05-1915), Olaria A.C. (01-07-1915), Friburguense A.C., de Nova Friburgo (14-03-1921), A.A. Portuguesa (17-11-1924), Entrerriense F.C, de Três Rios (14-12-1925) e Madureira E.C. (16-02-1933).
O campeonato carioca pode não ser hoje o mais disputado e forte do país, mas inegavelmente nesses seus 102 anos de história construiu a imagem de mais charmoso, o que causa profunda irritação aos paulistas, donos do mais antigo certame do Brasil.(Texto e pesquisa: Nilo Dias).
Entre as várias respostas, uma desponta como mais razoável: os cariocas praticavam dois esportes bastante populares, o remo e o críquete. Vejam que o Flamengo, fundado em 17 de novembro de 1895 (a data oficial é 15 de novembro, porque os fundadores concluíram que o aniversário do clube deveria sempre ser feriado nacional) nasceu como um clube dedicado ao remo. Apenas no dia 24 de dezembro de 1911, criou oficialmente o seu time de futebol.
E o Vasco da Gama, fundado em 21 de agosto de 1898, também se dedicava exclusivamente ao remo. O futebol veio ainda depois do Flamengo, somente em 26 de novembro de 1915. E o Clube de Regatas Botafogo, fundado em 1º de julho de 1894, que deu origem ao atual Botafogo de Futebol e Regatas (houve uma fusão em 8 de dezembro de 1942 com o Botafogo Football Club) também era uma agremiação dedicada ao remo.
O São Cristóvão, popular clube carioca, foi fundado em 12 de outubro de 1898 como clube de regatas. A atual denominação de Futebol e Regatas surgiu em 13 de fevereiro de 1943, resultado de uma fusão com o São Cristóvão Atlético Clube, fundado em 5 de julho de 1909.
Ainda tivemos nos primórdios do futebol carioca as presenças de vários clubes, todos dedicados a outras modalidades esportivas. O Rio Team, por exemplo, praticava ginástica, regatas e boliche. Aderiu ao futebol em 1º de agosto de 1901, como um time avulso pelas mãos de Oscar Alfredo Cox, considerado o “pai do futebol carioca”. Foi ele que introduziu o futebol no Rio de Janeiro, depois de concluir seus estudos no Colégio de La Ville, em Lausanne, Suíça. O Rio Team foi a primeira equipe de futebol constituída no estado.
O Rio Cricket and Athletic Association (hoje Rio Cricket Associação Atlética) foi fundado por George Emmanuel Cox, pai de Oscar Cox, em 1872, em Niterói e participou das primeiras edições do Campeonato Carioca. Inclusive, a primeira partida de futebol oficialmente realizada no Estado do Rio de Janeiro aconteceu no campo do Rio Cricket em 22 de setembro de 1901. Rio Team e Rio Cricket empataram em 1 X 1, sob os olhares curiosos de 15 expectadores.
O futebol no Rio de Janeiro começou a desenvolver mesmo, só depois que Oscar Cox fundou o Fluminense Football Club, em 21 de julho de 1902. E cresceu no ano seguinte com o surgimento do Football and Athletic Club e estourou de vez no ano de 1904 com a fundação do Bangu Athletic Club, Botafogo Football Club, América Football Club, Colégio Militar F.C., Internacional, além do Rio Cricket, antigo clube de Niterói, que passou a praticar o esporte. Em 1905 surgiram mais clubes como o Riachuelo, o Haddock Lobo, o Mangueira e o Payssandu Cricket Club, existente desde 1872 e que passou a jogar futebol entre seus associados.
Com a proliferação dos clubes de futebol e o prestígio alcançado entre a população local que começava a comparecer em massa aos campos, surgiu a necessidade de estruturar a realização dos jogos e organizar as competições entre equipes do Rio e Niterói, como já acontecia em São Paulo e Bahia.
Assim, iniciou-se uma campanha para a criação de uma liga de futebol carioca reunindo Rio Cricket and Athletic Association, Fluminense Football Club, Football Athletic Club, América Football Club, Bangu Atllétic Club, Sport Club Petrópolis e Paysandu Cricket Club.
O êxito da campanha resultou na fundação, em 8 de junho de 1905, da Liga Metropolitana de Futebol (LMF), que acabou por trocar sua denominação, em 18 de fevereiro de 1907, para Liga Metropolitana de Esportes Terrestres (LMET), que acabou por se extinguir ao final do campeonato do mesmo ano por atitudes racistas.
O primeiro campeonato carioca foi organizado em 1906 pela Liga Metropolitana de Football (LMF). O certame contou com apenas seis participantes: Bangu, Botafogo, Fluminense, Football and Athletic Club, Paysandu e Rio Cricket e foi vencido pelo Fluminense, clube que mais se empenhou na realização da competição. O Payssandu foi vice-campeão.
A bola rolou pela primeira vez no Campeonato Carioca no dia 3 de Maio de 1906. No campo da Rua Guanabara, o Fluminense iniciou sua trajetória goleando o Paysandu por 7 x 1. O primeiro gol da história do torneio foi marcado pelo tricolor Horácio Costa Santos.
Em 29 de fevereiro de 1908, Fluminense, Botafogo, América, Paysandu, Rio-Cricket e Riachuelo fundaram a Liga Metropolitana de Sports Athléticos (LMSA).
Com o decorrer dos anos surgiram vários novos clubes, entre eles o Goitacaz F.C., de Campos (20-08-1912), Bonsucesso F.C. (12-10-1913), Canto do Rio Football Club, de Niterói (14-11-1913), Americano F.C ., de Campos (01-06-1914), Serrano F.C., de Petrópolis (29-05-1915), Olaria A.C. (01-07-1915), Friburguense A.C., de Nova Friburgo (14-03-1921), A.A. Portuguesa (17-11-1924), Entrerriense F.C, de Três Rios (14-12-1925) e Madureira E.C. (16-02-1933).
O campeonato carioca pode não ser hoje o mais disputado e forte do país, mas inegavelmente nesses seus 102 anos de história construiu a imagem de mais charmoso, o que causa profunda irritação aos paulistas, donos do mais antigo certame do Brasil.(Texto e pesquisa: Nilo Dias).
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